"Seu Camilo
A equipe de Blog, liderada pela editora-executiva interina Ariane Jorej, escolheu três finais para a história do Seu Camilo. Você, leitor, votará para decidir quem é o vencedor. Que ganhará um novíssimo exemplar de "A Cantada Infalível e A Mulher do Centroavante", livro que lançarei no dia 6, às 19h30, na Feira.
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Continuação de Rafael Dadia
Não podia ser possível. Depois de 35 anos de casado, destinado apenas a uma mulher, sua amada e dedicada Lúcia, Seu Camilo se via entregue à fulgurante vontade de satisfazer a lascívia de seus instintos adormecidos. Uma inconteste sensação de prazer efêmero. Sozinho, ali, com aquela ninfeta.
Marina vestia um sumário vestidinho (sim, pois era uma cálida tarde de verão). Daqueles vestidinhos que a mulher ergue os braços para cima e o deixa despencar lisamente pelo seu corpo até encontrar os ombros. E Seu Camilo não resistiu. Sem que Marina pudesse ter reação, tascou-lhe um beijo suculento. Marina afastou-lhe de perto dela, olhou bem no fundo dos olhos e sussurrou:
- Me possua, Prof. Camilo!
Seu Camilo partiu para cima dela, jogando seus livros no chão. Apalpou-a com entusiasmo levantando-lhe o vestidinho. Deitou-a no sofá, mordiscou-lhe os tenros seios e alisou as lindas, grossas e torneadas coxas. Beijou seus lindos pés, com unhas francesinhas metodicamente bem feitas, e... balbuciando disse:
- O, o, olá, Marina! Como vai? Vamos entrando.
Pois é. Seu Camilo caiu em si após os devaneios, e enquanto Marina foi entrando, pensava na sua amada Lúcia e na triste realidade de que não daria conta daquela mulher díspar à sua frente. Pensou também que já estava na hora de repensar sua vida e deixá-la mais colorida. Hoje, Seu Camilo não levanta mais pontualmente às 6h15min. Quer dizer, ao menos duas vezes por semana, fora o sábado, quando ele e Dona Lúcia vão dormir mais tarde. E também as quartas-feiras não servem mais só para testar a iluminação. Seu Camilo aposentou as chaves do armário e providenciou um globo colorido para o teto do seu quarto.
É isso aí. Num casamento as coisas esfriam e se perde o foco se não mantê-lo acesso. Pode-se dar uma apimentada no relacionamento em Paris ou em Capão da Canoa. O que importa é valer-se de tudo, com ou sem dinheiro, mas com criatividade. Assim como no futebol, onde há clubes que contam com estrutura e gerenciamento sólidos, pensamento empreendedor, sabem vender, sabem comprar, e estão sempre apimentando o relacionamento com a torcida; e já há outros, sem dinheiro, sem direção, que necessitam da prata da casa para manter-se com honra, prataria essa que depois é exportada de graça para a Europa.
Continuação de Gabriel Nonino
Marina com seu andar malevolente, e seu olhar de fera, permaneceu na frente de Seu Camilo por no mínimo 15 minutos, um silêncio assustador do qual Seu Camilo não ousou interromper. Até que dos lábios carnudos de marina sai um simplório e encantador:
- Oi
Foi o bastante para Seu Camilo desmoronar, todo o seu senso de o que era certo e o que era errado se foi como uma pluma em um vento refrescante de verão. Então se ruborizou, e ficava cada vez mais vermelho com uma raiva, ódio, cólera, de si mesmo. Emitiu um:
-Oi
Um oi ríspido e colérico oi, percebendo então o que fez tentou melhorar a entonação:
-Você deve ser Marina?
Ela então respondeu com o cenho confuso:
-Sim
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! Que sim, não era possível que a cada palavra que Marina emitiria, essa sensação de gozo contínuo iria inundar seu corpo. Mas não. Ele tinha que se conter, era um homem de 37 anos, tinha mulher, filhos, tinha uma rotina, tinha uma obrigação a seguir. Sendo extremamente profissional falou:
-Vamos marcar então os horários para as aulas?
Marina balançou a cabeça em sinal de sim. Seu Camilo ofereceu lugar na mesa, Marina sentou e cruzou suas lindas e fogosas pernas, das quais se podiam ver, pois estava com uma mini-saia, beeeem mini, poderia se dizer que era uma micro-saia.
Marina era a Scarlet Johansson brasileira, com lábios de Angelina Jolie, e coxas de Jennifer Aniston. Seu Camilo, não conseguia resistir a ela, principalmente quando ela se curvou para frente para ver os horários na agenda de Seu Camilo. Através de seu decote, transpareceu seus seios de Scarlet Johansson. Seu Camilo, quase teve uma ereção em plena conversa.
Ficou marcado então que todas as segundas, quartas e sextas Marina iria ás 15h na casa de Seu Camilo. Ela seria a única aluna por 1 semanas, Seu Camilo, pela primeira vez quebrara algo em sua rotina, ao invés de 3 iria ter apenas uma aluna, e que aluna. Em uma coincidência absurda sua esposa ficaria fora por 1 semana. 1 semana de pura tortura. 1 semana de pura sensualidade. 1 semana de virgindade – Marina era virgem, Seu Camilo sabia disso, a virgindade de Marina emanava por suas têmporas.
Seu Camilo passou o fim-de-semana inteiro pensando nela, era Marina no café, Marina no almoço, Marina na tv, Marina no chimarrão, Marina até nos livros que Seu Camilo tanto amava.
Chegou então a tão esperada Segunda-feira. Primeira aula de Marina, ela entrou sorridente com seus cadernos na mão e suas pernas mais uma vez a mostra, só que desta vez com um shortinho, mas de novo, beeeeem curtinho, do jeito que todos nós – homens – gostamos. A cada minuto que se passava era uma tortura para Seu Camilo, ele não agüentava mais aquele cruzar, e des-cruzar de pernas de Marina, tinha vontade de pular nela e não soltar nunca mais. Já Marina mostrava adorar a aula, fazia perguntas, escrevia, ria, aaaaah, como ela estava gostando de Seu Camilo. No fim da aula Marina falou:
- Muuuuuito obrigada Seu Camilo, nunca pensei que literatura fosse tão bom. É tãããão mais legal aprender contigo.
E Abraçou Seu Camilo, nas pontas dos pés, fazendo com que seu traseiro arrebitasse, e seus seios encostassem em Seu Camilo. “AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. NÃO, NÃO, NÃO E NÃO”. Era o que Seu Camilo pensava. Ele tinha uma rotina, amava sua esposa, e seus filhos, não podia agora apaixonar-se por uma menina. Então prometeu para si mesmo que da próxima vez iria cortar Marina. Iria ser curto e groso.
Chegou quarta-feira, a aula foi como Seu Camilo queria: Quando Marina se engraçava, Seu Camilo já a cortava. Mas isso não bastou. Seu Camilo cometeu o erro de julgar Marina como uma menina inocente, e fraca, mas não, Marina era uma ninfeta safada, e persistente seu objetivo era ter Seu Camilo e não descansaria até conseguir, prometeu para si mesmo que sexta-feira iria ao clímax de seu plano.
Sexta-feira chega. Sexta-feira é um dia bonito, já diz até no nome Sexta-feira. É quando os amigos se reúnem no bar após o trabalho para conversar, falar de futebol, mulher e etc. Sexta é o dia da alforria, o dia em que todos estão felizes, por terem como próximo dia o sábado.
Para Seu Camilo. Não. Sexta-feira queria dizer mais um dia de tortura, mais um dia que iria contrariar seus malditos instintos de homem. Marina entrou na sala, com uma de suas maravilhosas “micro-saias”. Mas nela tinha uma surpresa para Seu Camilo: Ela estava sem calcinha. Sentou-se em sua classe, e cruzou as penas. PRONTO! Na primeira cruzada de pernas Seu Camilo já percebeu, ficou vermelho, muito vermelho, muito, muito, muuuito vermelho. Marina percebeu, levantou-se da classe e caminhou em direção a Seu Camilo. Que estava engolindo sua saliva como se fosse um oásis em um deserto, seu coração não batia, seu coração bombardeava, e em suas pernas um volume subia. Em sua cabeça passou sua vida inteira - o que não foi bom - pois aí ele percebeu que nunca tinha provado nenhuma outra mulher além de Dona Lúcia, e agora tinha logo Marina para provar. Era como se uma pessoa passasse a vida inteira comendo tofu, e de repente oferecem a ela um filé mignon.
Marina então percebendo que ele iria se entregar, abriu as pernas e sentou-se em seu colo. Beijou-o na boca, com um beijo, fogoso, como se uma lava incandescente invadisse uma geleira, e descongelasse todos os pólos do nosso planeta. Tirou sua camisa, e finalmente desprendeu o cinto de Seu Camilo. Seu sexo roçava no dele, ela cavalgava nele e dava nítidos gemidos, até chegar ao êxtase do momento, ao gozo. Seu Camilo gozou, gozou como nunca tinha gozado na vida. E Marina em seu orgasmo, gritou, gritou, gritou muito e começou a rir, de alegria, de triunfo. Foi para o lado. Pegou suas roupas se vestiu e foi embora. Deixando Seu Camilo ali no nada, a ruína, Marina despedaçará Seu Camilo. Ele nunca mais foi o mesmo depois de se deleitar com Marina. Agora não tinha mais rotina, levantava cada dia em uma hora, almoçava em horários diferentes, sempre dava uma desculpa para a mulher quando eles iam escolher lâmpadas, o que levou ao divórcio e a ruína de Seu Camilo. Ele nunca esqueceu Marina, e sempre, sempre, sempre, sempre imaginou o dia, em que Marina bateria em sua porta, e cairia em seus braços, para outro gozo infinito.
Continuação de Marcelo Carvalho
E ao abrir a porta por ele passou Marina, despojada e inquieta, e logo após adentrar a sala foi tirando o casaco e passando as mãos pelos cabelos para deixá-los soltos. Tinha o olhar traiçoeiro, aquele que procura e analisa tudo a sua volta. Seu olhar passou em revista as paredes, as escadas e encontrou com Seu Camilo, prostrado na sua frente, com os olhos arregalados. Ele tentava compreender porque a havia deixado entrar.
Não tiveram tempo para maiores conversas, pois logo após Marina jogar a bolsa sobre o sofá, a campainha tocou anunciando a chegada dos outros dois alunos, que completaram a turma de três. Afinal, Seu Camilo dava aula sempre para três alunos, nunca mais do que três e nunca menos que três.
Sentiu a situação minorar com a chegada dos garotos. Previu a volta da normalidade, mas não a teve. Descobriu enquanto tentava ministrar sua aula, que o pior pesadelo de um homem pode se chamar mulher. Uma mulher com corpo de menina, com o sorriso de criança e o olhar que enfeitiça. E assim era Marina, a dona do perfume que o deixava inquieto. Sem perceber sua vida deixava de ser tão igual.
As aulas eram dadas três vezes na semana e na terceira asseverou-se que não era mais o mesmo. Dia desses acordou em meio a madrugada e foi até a sala onde guardava as lâmpadas e imaginou qual cor usaria com aquela garota. Sem sono, lembrou que Marina insistia em vir de mini-saia mesmo após ter solicitado que ela não usasse roupa tão curta. Argumentou que os outros rapazes não conseguiam se concentrar na aula, mas quem não conseguia se manter concentrado era ele próprio.
Pensou em desejar a morte se Eros fosse, mas diferente deste ele não desejou a morte, passou a desejar o corpo de Marina, sua boca e seu toque. Fitando as curvas do corpo de Marina via em cada uma um segredo. Romanceava nas entranhas do seu ser encontros proibidos, esses que são despertados pela libido. A vontade de tê-la o enfraquece e atormenta, tem a certeza que quando as aulas acabarem ou quando sua esposa voltar vai ter de volta o marasmo.
O costume de acordar sempre no mesmo horário, perdeu. Agora tem acordado em meio a madrugada suando e destemperado. Observou que a menina flerta com um dos alunos e se enfureceu de inveja. Seu Camilo não tinha mais o controle de seu corpo, de sua aula e de suas vontades.
Já não era mais um homem metódico tanto que, ao chegar às aulas da segunda semana, teve medo de se deixar levar pelo desejo e perder a razão. Se a libido ordenava que a possuísse, ou tentasse possuir Marina, a razão o fazia desistir. Por isso desejou muito ser além de comedido, também pusilânime.
Tocou com a mão no bolso direito da calça e não achou as chaves que sempre estavam ali. Sempre se intrigava quando Marina demorava, ao dizer que ia ao banheiro. Ela era muito bisbilhoteira. Tomado de susto pela ausência das chaves pensou em ir atrás de sua aluna, mas decidiu esperar mais alguns minutos. Desesperado com a demora, foi até a sala e encontrou a garota com algumas lâmpadas nas mãos. Tocava, olhava e nem percebeu a presença de Seu Camilo. Os alunos já haviam ido embora. A garota estava ainda mais sensual, temeu perder os sentidos. Num golpe de reflexo fechou a porta e praticamente expulsou a menina da sala e da casa. Depois saiu a caminhar pela cidade sem destino, como nunca havia feito antes, e entrou num bordel.
Estava com o corpo quente, sentia-se tremulo e entregue aos desejos. Achou uma garota parecida com Marina e a levou para o quarto. Fez amor como há tempos não fazia. Na verdade não fez amor, fez sexo, deixou tudo o que estava preso dentro de si aflorar, vencido pelo tesão possuiu sua ninfeta sem pudores. Após o banho voltou para casa. Desejou jogar todas as lâmpadas fora, mas temia não saber o que explicar à sua esposa.
Praticamente passou a noite acordado, querendo saber se todos aqueles anos tão regrados não foram tempos perdidos. Tentava descobrir se o que fizera era certo ou errado, mas adormeceu tranquilo e em paz, consigo mesmo, afinal não tinha mantido relações carnais com sua aluna, estava livre desse pecado.
Depois daquela noite, contrariando todas expectativas, a vida de Seu Camilo mudou.
Postado por David Coimbra
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