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A Mulher do Feliciano

20 de outubro de 2009 9

Priscila só encontrou a felicidade sexual ao casar-se com o zagueiro Feliciano. Mas não exatamente na vida com ele, e sim traindo-o.

Até se casar, Priscila jamais havia experimentado um orgasmo. Mesmo logo depois do casamento sua vida sexual era tão emocionante quanto um seminário de ortodontia… Não que fosse conservadora ou tímida. Só que faltava… alguma coisa. O quê? Não sabia. Então um dia ela o traiu. Com seu colega de time, o lateral esquerdo Róbson.

Aconteceu abruptamente. Eles haviam recebido um grupo de amigos do time para um jantar. No final da noite, Feliciano se encontrava embriagado até o branco dos olhos. Os convidados foram saindo. Restaram apenas ela, Róbson e Feliciano, que dormia sobre o prato de risoles. Priscila sabia que estava especialmente desejável naquela noite. Sentia-se, além de mulher, fêmea. E percebera que Róbson havia passado o tempo todo vigiando suas cruzadas de pernas. A situação tornara-se perfeita. Foi com o corpo formigando que ela se levantou do sofá, com os mamilos em fogo que ela olhou para Róbson, com a voz trêmula de sensualidade que ela propôs:

- Vamos até a cozinha? Pegar…um vinho?

Ele a acompanhou. E, mal cruzaram a porta que separava a cozinha da sala, pulou sobre o alvo pescoço de garça dela com uma ousadia surpreendente para um lateral, e enfiou-lhe os caninos com ânsia, e cheirou-a toda como se quisesse sorvê-la pelas narinas. Possuiu-a com violência, entre inocentes sobras de salada de maionese e cândidas fatias de torta de bolacha.

Justamente no momento em que Priscila se abandonava nas garras do lateral esquerdo, seu casamento atingiu o ápice. Sim, naquele instante de sexo animal, em que, mais do que penetrada, estava sendo trasnfixada, mais do que mordida, estava sendo dilacerada, mais do que arranhada, despedaçada, ela foi, mais do que nunca, a esposa dedicada de Feliciano. Porque ela só pensava em Feliciano, só gania e urrava em memória de Feliciano. lembrava que o marido dormia mansamente na sala, lembrava o quanto ele a tratava bem e a intensidade do seu amor, e tudo isso a fazia sentir-se perversa e pecadora, e a sensação do pecado e o prazer do crime tomaram conta de seu corpo como se não fosse ela que estivesse ali, mas outra, muito mais selvagem, má, bela e livre. E Priscila provou um gozo profundo que nunca provara, e depois do gozo desmanchou-se na paz do prazer.

Minutos depois, ela vestiu as calcinhas às pressas e praticamente enxotou Róbson do apartamento. Fechou a porta. Virou-se para a sala. Olhou para o marido. E sentiu a ternura invadir-lhe o peito. Sentiu um amor infinito por ele. Que homem bom ela tinha! Que homem extraordinário! Juntou-o em sua embriaguez e, cheia de carinho, o despertou e o carregou para a cama.

Na cama, acarinhou um Feliciano balbuciante de bêbado, excitou-o e fez amor com ele de uma maneira meiga como jamais fizera, e atingiu outro orgasmo, dois numa única noite, embora houvessem sido absolutamente diferente, um enlouquecido, outro sereno, mas foram dois, ela que, antes, nunca tivera um.

Sucedeu que Priscila gostou da experiência. Passou a repeti-la semanalmente. Variava. Ora se encontrava com um meio-campista, ora com o centroavante, vez em quando com algum reserva. Sempre com um colega de Feliciano. Quanto mais próximo de Feliciano fosse o amante, melhor. Ela tinha era que se sentir vil, torpe, uma cachorra. E, quanto mais baixo ela descia, mais amor sentia por Feliciano, mais intensas eram suas sessões de sexo com ele, melhor se tornava seu casamento.

Priscila se transformou em personagem célebre no clube. Todos a haviam “conhecido” no velho e aprazível sentido bíblico. Do terceiro goleiro ao presidente, passando pelo técnico e o roupeiro. Todos, menos um: Lopes. O quarto-zagueiro Lopes jogava ao lado de Feliciano. Era seu melhor amigo e capitão do time. Era íntegro. Sério. Leal. Não admitia aquela infâmia. Repreendia os colegas, tinha pena de Feliciano.

Mas Priscila não desistia de tentá-lo. Achava que teria a maior experiência sexual da sua vida se conseguisse seduzi-lo e arrastá-lo para o seu próprio leito nupcial, para a cama que dividia com Feliciano, o grande amigo dele. Lopes, no entanto, fugia dela. Sequer a olhava.

Um dia, ele estava só, em casa, pensando exatamente nas desventuras de seu amigo Feliciano, quando a campainha soou. Abriu a porta.

Priscila.

Linda.

Um sorriso de promessa nos lábios vermelhos. Um olhar blasé pronto para hipnotizá-lo.

Ela nada falou. Foi entrando. Fechando a porta. Enlaçando-o pelo pescoço. Grudando seus lábios nos dele. E Lopes sentiu seu gosto quente e seu cheiro doce e a textura suave da sua pele e a rigidez dos bicos de seus seios e a abraçou com violência e a desejou do jeito que nenhum homem pode desejar uma mulher e aí lembrou-se: Feliciano! O amigo! Gritou:

- Maldita!

Apanhou-a pelo braço. Arrastou-a com violência até a porta. Empurrou-a para fora como se ela fosse um vira-lata pulguento. Mandou-a embora humilhada e derrotada.

Lopes não dormiu naquela noite. Ficou pensando no amigo e em sua mulher. Vagabunda, repetia para si mesmo. Vagabunda! Tinha de fazer algo. Tinha fazer algo!

Priscila também não conciliou o sono - sentia que algo de horrível aconteceria. Ele vai contar para o Feliciano, pensava. Vai ser uma tragédia. Desgraçado, moralista, puritano, miserável!

De fato, no dia seguinte, Lopes apareceu no clube bem cedo, antes das faxineiras. Esperou, sentado a um canto, que os colegas chegassem ao vestiário. Quando os jogadores, o técnico, o preparador, quando o time inteiro estava reunido, ele desabafou. Subiu num banquinho, feito um candidato a vereador, e contou tudo, aos brados, olhando nos olhos do estupefato amigo Feliciano: que sua mulher o traíra com todos ali.

- Todos eles Feliciano! - e com um gesto açambarcou o vestiário, os colegas boquiabertos e imóveis. - Todos, meu bom amigo! Todos!

Depois disso, suspirou. Desceu do banquinho. Prostrou-se à frente de Feliciano. Levou a mão direita ao ombro esquerdo dele. Silêncio e prostração no vestiário. Feliciano continuou mudo. Paralisado. De cabeça baixa. Ficou assim por talvez um minuto, ou cinco, ou dez. Ninguém falava ou se mexia. Ninguém.

Finalmente, Feliciano levantou a cabeça. Levantou devagar. Olhou para Lopes. E nos seus olhos havia fúria. As paredes do vestiário tremiam com a tensão.

- Traidor!

Era Feliciano quem gritava. E gritava para Lopes:

- Traidor!

E, gritando sempre, acertou-lhe um soco no queixo, um soco tão forte que Lopes caiu, e Feliciano montou sobre ele e socou-o uma, duas, vinte vezes, berrando sempre:

- Traidor! Traidor! Traidor! A custo foi retirado de cima do ex-amigo. Que, depois daquela manhã, tornou-se também ex-capitão, ex-titular, ex-funcionário do clube, ex-futuro amante da mulher de Feliciano.

* Publicado no meu livro A Cantada Infalível e a Mulher do Centroavante

Postado por David

Comentários (9)

  • guilherme siqueira diz: 21 de outubro de 2009

    muito boa essa historia david mas o bom amigo so quiz ajudar e se deu mal…

  • josé de alencar souza da silva diz: 20 de outubro de 2009

    Priscila a torcedora número 1 do time,a principal animadora do time.

  • Thiago diz: 20 de outubro de 2009

    Ótima história, apesar de muito Nelson Rodriguista. Grande abraço.

  • Giovanio Ricardo Lourenço Gama diz: 20 de outubro de 2009

    FORA AUTUORI!

  • Geronimo diz: 20 de outubro de 2009

    boa hist´ria
    Digna dos Contos Eróticos.
    dale putaria.

  • rafael pacheco diz: 20 de outubro de 2009

    gostei, em relação de casal não se mete a colher …

  • Mônica diz: 27 de outubro de 2009

    coitado.

  • Marcelo II diz: 20 de outubro de 2009

    FORA AUTUORI, aliás, AUTOR. Essa aí eu já tinha lido, porra!

  • Bernardo Boelsums diz: 20 de outubro de 2009

    Foi marcante para mim esse uso do verbo “conhecer” na Biblia. Mas, salvo engano, ele diz respeito a gerar um filho com uma mulher, e não apenas o ato do sexo. Abraço

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