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Estudantes de Jornalismo em Ação

22 de outubro de 2009 35

Tempos atrás, abri o blog para matérias de estudantes de jornalismo. Conversei com alguns, mas, confesso, por falta de tempo, não dei sequência aos trabalhos. Minha culpa, minha máxima culpa. Agora, vou tocar o projeto em frente. Abaixo, a primeira matéria de um dos estudantes. Da Morgana Gualdi Laux. Ela entrevistou um antigo jogador da Liga da Canela Preta, entidade que organizava campeonatos abertos a todas as raças, já que os negros não podiam jogar na Primeira Divisão.

A matéria da Morgana revela fatos interessantes na voz de seu entrevistado. Leiam e digam que tal.

Histórias da Liga da Canela Preta Ex-jogador, de 93 anos, conta sobre o tempo em que havia campeonatos só de branco e só de negros

Por Morgana Gualdi Laux, estudante de Jornalismo da PUCRS

Foto: Divulgação

O futebol gaúcho, no início do século 20, não aceitava a participação de negros e mulatos em clubes como o Grêmio, Inter e Cruzeiro de Porto Alegre. Incoformados, os excluídos formaram a Liga da Canela Preta – campeonato em que qualquer indivíduo podia jogar, independentemente da raça. Jayme Moreira da Silva, hoje com 93 anos, foi personagem dessa incrível história do esporte rio grandense.

A data de fundação da liga perde-se entre 1911 e 1912. Com uniformes confeccionados e botinas amaciadas pelo desgaste dos jogos praticados no campo localizado na rua Arlindo, os atletas negros faziam parte de um campeonato praticado em dois turnos, lembrando o atual sistema do Brasileirão. Alguns clubes que faziam parte: 8 de Setembro, Rio Grandense, Palmeiras e Bento Gonçalves.

- A Rua Arlindo era uma grande várzea, um gramado da própria natureza. Ali ficavam os campos da liga da Canela Preta. O 8 de Setembro treinava no local e também na Oswaldo Aranha, no Parque Farroupilha e também, de frente à Oswaldo Aranha, na Fernandes Vieira – lembra Jayme, ex-jogador da Liga.

A realização dos jogos acontecia também na Rua Arlindo, atual Praça Garibaldi, bairro Cidade Baixa. No endereço, havia três campos de futebol, sendo eles o Riograndense, o Palmeiras e o Ford (clube fundado na Rua 7 de setembro por motoristas que dirigiram os primeiros carros na capital). Para assistir aos jogos, os torcedores já pagavam ingresso:

- Tinha que pagar ingresso na época. Era baratinho. Mas, nada era de graça. – comenta o atleta.

Alguns clubes da Liga da Canela Preta também contavam com quadro de sócios:

- Podia se associar no clube. Lembro-me que no 8 de Setembro podia sim. Além disso, havia outros que eram bem organizados – lembra Jayme, que também pertenceu à diretoria do clube Oito de Setembro, organizando bailes.

A liga reunia um número de torcedores de destaque. No término do campeonato, havia desfile pelas ruas, na Praça Garibaldi, João Alfredo, e alguns pontos da Cidade Baixa até a Oswaldo Aranha. Nas cerimônias, as rainhas de cada clube se apresentavam.

No entanto, nem tudo era festa. Assim como Grêmio e Inter apresentavam rivalidade desde a origem, 8 de Setembro e Rio Grandense eram rivais acirrados.

- O pessoal da colônia chamava o pessoal do Riograndense de os mulatinhos cor-de-rosa. Eles faziam parte da família Cunha, família da Zona U ( atualmente local que contempla a parte da João Pessoa até a margem do Guaíba). A família Cunha era uma família por cima, então para abusar dizíamos que eram os mulatinhos cor-de-rosa – brinca o ex-atleta.

Os nomes feios e xingamentos por parte de jogadores eram ditos por conta da disputa fora de campo, em decorrência dos cargos ocupados por cada um:

- Brigávamos com os Cunha porque eles sempre tiveram posição no governo, por serem empregados de categoria e do tribunal de justiça. Mas em nenhum momento ocorreram brigas físicas.

Os jogadores da Liga da Canela Preta não eram remunerados com salários, apenas recebiam pequenas ajudas de dirigentes do clube ao qual pertenciam, começaram a sentir interesse pelas instituições maiores. Coincidentemente, a liga tradicional abriu a segunda divisão no ano de 1922, ocasionando oportunidades para jogadores negros e facilitando a decadência da Liga da Canela Preta.

O campeonato, então, perdeu força e os craques de maior habilidade acabaram por preencher lugares em clubes de expressão como o Internacional. Em 1928, Dirceu Alves entrou para o elenco do colorado, sendo o primeiro jogador negro. Logo após, outros conquistaram espaço. No ano de 1931, período em que Jayme atuou na liga, jogadores da Liga da Canela Preta almejavam espaço no Internacional:

- Eles tinham vontade de ir para o Inter para arrumar emprego de destaque. Alguns recebiam em salário. Um conhecido, por exemplo, jogador do Inter, na época em que eu trabalhei numa empresa, comprava roupa lá, por conta do clube. Então, já era salário, o atleta estava ganhando alguma coisa – revela Jayme.

Como os grandes clubes se abriram para os negros, sobretudo nos anos 40, a Liga da Canela Preta foi perdendo sua razão de ser. Foi se esvaindo aos poucos, até desaparecer em silêncio.

Quase um século de futebol

Jayme Moreira da Silva, ex- jogador de futebol, conciliou partidas da Liga da Canela Preta com os estudos realizados no colégio Paulo Soares. Filho de pai branco e mãe mulata, ele atuou no clube 8 de Setembro em 1930, quando apresentava apenas dezesseis anos.

O ex-jogador também pertenceu à diretoria do clube. Aos dezessete anos, organizava bailes no salão Rui Barbosa. Na época, Jayme ainda era responsável pelos convites e pela formação dos quinze pares para a festa. Os pares eram uma espécie de diretores, que ajudavam na arrecadação do dinheiro para os eventuais gastos.

Jayme também fundou um clube varzeano de verão chamado Paraná. O elenco contava até mesmo com Clarimundo, um alemão. No cenário futebolístico, o irmão de Jayme, Luiz, também se destacou pela habilidade e acabou sendo contratado pelo Internacional. Indisciplinado, não permaneceu por muito tempo no clube, pois assinou contrato com duas instituições, o que era proibido.

Desde a época de atuação na Liga da Canela Preta, o ex-jogador é torcedor gremista. Coincidentemente, ele chegou a vizinhar com o Eurico Lara:

- O Lara era um homem muito fechado. Eu me relacionava mais com os filhos dele, do que com ele. Mas para entrar nos jogos do Grêmio eu tinha que falar com ele. E ele dizia: “fica no portão que eu vou chegar tal hora, ai tu entra junto comigo”.

Jayme também esclarece a lenda sobre a participação de brancos no antigo campeonato:

- A maioria da Liga da Canela Preta era negro. No entanto, também jogava brancos.

Para o ex-atleta, algumas personalidades do futebol brasileiro conquistariam espaço no cenário futebolístico de 1930:

- Um jogador que brilharia na Liga da Canela Preta seria o Jonas do Grêmio. Do futebol mundial eu admiro o Ronaldinho Gaúcho, mas o principal foi o Pelé. É muito futebol, até enjoa, muita habilidade. Todos os dias têm futebol – brinca Jayme.

Prestes a completar 94 anos no dia 4 de novembro, Jayme Moreira da Silva reconhece as limitações que apresentava quando jovem, no entanto nunca esqueceu da preferência ao clube do coração:

- Eu daria preferência para o Grêmio se pudesse jogar na primeira divisão, mas não tinha condições.

Hoje, Jayme mora em uma residência no bairro Mont Serrat, acompanhado das filhas. Entretanto, o que resta a ele são apenas saudades dos tempos da Liga da Canela Preta:

- A minha saudades é muito grande, eu choro muito. Se ainda tivesse alguém para conversar, no entanto a maioria dos jogadores já morreu – menciona o ex-atleta, ex-diretor de clube e também ex-bancário.

E aí, o que achou da matéria da Morgana?

Postado por David

Comentários (35)

  • Alessandra Maia diz: 22 de outubro de 2009

    Parabéns, Morgana! Uma das missões do jornalismo é justamente essa, a de manter viva a memória de um povo, de dá-la a conhecer às novas gerações. Parabéns também ao David por dar essa chance de ouro aos novos talentos do jornalismo. Aliás, com tanta pobreza intelectual e cópias mal feitas no cenário jornalístico brasileiro, dar chance a cabeças pensantes é um alívio para nossos olhos e ouvidos tão massacrados pelo lixo midiático cotidiano.
    Um abraço!

  • Daniela Nichele diz: 22 de outubro de 2009

    Belo resgate da história da nossa cidade e do futebol no RS. Parabéns Morgana pela excelente matéria. C

  • Cássio Klein diz: 22 de outubro de 2009

    Muito legal a matéria! Eu mesmo não conhecia sobre esta liga. Conversar com o pessoal desta época deve ser muito legal mesmo, ainda mais que os registros que temos são poucos, mesmo sendo algo que aconteceu a nem tanto tempo atrás. Parabéns Morgana, continue assim =)!

  • Kathleen diz: 22 de outubro de 2009

    Olá David… sou sua leitora há algum tempo e certa vez fiz uma cópia xerox de uma crônica sua, que falava sobre as peculiaridades do porto alegrense, só que nunca mais encontrei a bendita. E tenho um espaço especial na minha carteira para guardá-la. Gostaria muito que você a publicasse ou me dissesse onde eu a encontro, ou ainda me enviasse por e-mail. Sempre falo da crônica às pessoas conhecidas, mas elas nunca conhecem ou lembram e eu não tenho como mostrar. Abraços!

  • Roberto Corrêa Nascimento Filho diz: 22 de outubro de 2009

    Fantastica a matéria David, mutio bom!!
    é ótimo ver a história do futebol Gaúcho, independente de sermos Gremistas ou Colorados, lamentável os post abaixo falando sobre assuntos que não tem nada haver com a matéria.
    Novamente vc esta de parabens!

    grande abraço

  • JULIANA CONCEIÇAO NOSCHANG DA COSTA diz: 22 de outubro de 2009

    Achei a matéria desta futura jornalista super interessante e bem escrita. O assunto abordado me surpeendeu , pois não tiha a menor idéia que grandes clubes de futebol, um dia recusaram que pessoas de raça negra jogassem ( pois hoje eles são os maiores craques e em grande número). O que nos cabe agora é não repetir esta dscriminação em outras áreas…

  • Cássio Santestevan diz: 23 de outubro de 2009

    Muito boa a matéria da Morgana!
    Não por ser minha colega e amiga mas está muito bem escrita e um assunto que me interessa muito!

    Abraço

  • josé de alencar souza da silva diz: 22 de outubro de 2009

    O Grêmio e o Inter eram elitistas no começo de sua trajetória,clubes fechados,graças a Deus,isso mudou e o Colorado é hoje o clube de mais torcida do Sul do país com mais de 100 mil sócios,é um clube de massa.

  • Alina Souza diz: 23 de outubro de 2009

    Adorei, é de uma sensibildade enorme, o vocabulário é fascinante, gostei das expressões “botinas amaciadas pelo desgaste dos jogos” e “Foi se esvaindo aos poucos, até desaparecer em silêncio”. É JORNALISMO com uma pitada de literatura, de crônicas do dia-a-dia, que, muitas vezes passam despercebidas.

  • Élder diz: 22 de outubro de 2009

    Primeiro, parabéns a vc Davi pela bela iniciativa. Quanto a matéria achei deveras curiosa e interessante! Nem sabia da existência da liga e fico pensando o trabalho que deve ter sido para encontrar o Seu Jayme. O ponto forte foi criar uma matéria sobre futebol que pode agradar a quem não gosta de futebol. Isso devido ao caráter histórico/informativo da mesma.

  • Jacira Franco diz: 24 de outubro de 2009

    Muito bom, bastante interessante, gostei muito. Parabéns Morgana e obrigada

  • Diego Schuh diz: 23 de outubro de 2009

    A matéria ficou muito boa e interessante. Parabéns Morgana. Já fui entrevistado por ela também, e trata-se de uma repórter muito talentosa.
    Abraço David.

  • Cláudio: “Hoje, já é ontem!” diz: 25 de outubro de 2009

    Jornalismo “memória” anda em falta.
    Em todas as áreas de atuação humana.
    Hoje (ainda que não nos demos conta…)já somos “memória” do futuro que chega muito rápido!
    Parabéns à Morgana!

  • Bruna Essig diz: 22 de outubro de 2009

    A matéria da Morg ficou excelente, esta colega de aula, e futura de profissão, ainda vai fazer muitas matérias tão, ou melhores quanto esta! Que bacana ter assuntos “marginalizados” do futebol ganhando voz e vez! Bacana, show de bola!

  • Cristiano Zanella diz: 22 de outubro de 2009

    Parabéns pela matéria, Morgana e David! A Liga da Canela Preta foi pauta do programa Esporte Espetacular há uns meses atrás, com editoria do jornalista gaúcho Marcelo Outeiral! Saudações tricolores, Zanella!!!

  • Marcelo Xavier diz: 22 de outubro de 2009

    Muito bom! O campo é onde hoje fica o Hospital Porto Alegre. O terreno sempre foi do Município.

  • Marisa Oliveira diz: 23 de outubro de 2009

    Parabéns a Morgana por resgatar histórias tão interessantes que desconhecemos. Guardo na lembrança que meu avô torcia para o Cruzeiro e sempre ouvia muitas histórias contadas por parentes mais antigos. Bela matéria!Congrats!

  • Leonardo Souza de Oliveira diz: 22 de outubro de 2009

    Admira-me tal matéria ser feita por uma estudante, a ela dou os parabéns a reportagem está impecável e de leitura agradável. Além da historia ser muito interessante, afinal saber que mesmo em passados longínquos temos uma grande rivalidade no futebol e ainda a mantermos acesa é prova que nosso povo é bastante guerreiro e determinado.

  • Eliana Patrícia Stumpf diz: 22 de outubro de 2009

    Informativa, cheia de curiosidades e leve. Assim credito a matéria quanto à história da Liga da Canela Preta; para mim muito esclarecedora, já que sendo carioca, até hoje, sabia muito superficilamente sobre este episódio do futebol brasileiro e gaúcho.

    E já que o assunto é futebol, parabéns à colega Morgana que deu um OLÉ no péssimo exemplo dos jornalistas que usam a palavra INDEPENDENTE no lugar de INDEPENDENTEMENTE.
    Ponto para você gúria!

  • Claudio G.S. diz: 22 de outubro de 2009

    Parabéns pela reportagem, Morgana. É bom lembrar da terrinha, estando tão longe.

  • Matheus Berlesi diz: 22 de outubro de 2009

    Adorei a matéria da Morgana, está de parabéns! Muito bem escrita, e tratando de um assunto realmente interessante.

    E ao David os parabéns pela iniciativa de dar aos futuros jornalistas esta oportunidade de demonstrarem seu talento.

  • Rodrigo Rodrigues diz: 22 de outubro de 2009

    Interessante, particularmente eu não conhecia a história da Liga da Canela Preta, e mais incrível é a história do Sr. Jaime! Esse tipo de história da prazer em ler por trazer a história do futebol, ainda mais tratando do futebol gaúcho!

    Parabéns pela iniciativa e espaço que o David abriu para nosso novos talentos no jornalismo!

  • Likah F. diz: 22 de outubro de 2009

    Bela matéria, Morg!

    Demostraste a essência da Liga através das palavras.

  • Rafael Menezes diz: 23 de outubro de 2009

    Excelente! Parabéns Morgana!

  • Rodrigo Kowalczuk diz: 29 de outubro de 2009

    Parabéns pela matéria!! Morgana está de parabéns, pois resgatar a história das pessoas enquanto elas mesmas podem contar,isso é fascinante!!!
    É a nossa Porto Alegre cheia de memórias.

  • Jaime Kirch da Silveira diz: 22 de outubro de 2009

    Muito interessante e informativo. O Inter e o Grêmio costumam ser o foco das notícias sobre esportes, essas histórias acabam morrendo. Adorei saber sobre a Liga da Canela Preta e principalmente porque ela existiu. Belíssima matéria.

  • Vinicius Farinon diz: 22 de outubro de 2009

    Muito legal a matéria. Até hoje não sabia quase nada sobre a liga da canela preta. Bom para esclarecer que o clube do povo também não aceitava jogadores negros naquela época.

  • Paulo Renato Amaral diz: 22 de outubro de 2009

    Parabés Morgana e David, de quem sou fã. Muito bom esse projeto, incentivo a cultura e nós ganhamos com isso. Belo resgate as raízes históricas do futebol do RS, desconhecia esses fatos. Além disso, valoriza a cultura e o conhecimento das pessoas mas velhas e experientes, coisa que os mais jovens deveriam aprender a ouvir mais e respeitar mais.

  • Lucila Rosa diz: 2 de novembro de 2009

    Muito talentosa. Será uma grande profissional, sem dúvida. Parabéns pela matéria, colega!

  • Ana Tartarotti diz: 22 de outubro de 2009

    Belíssima matéria. Parabéns a Morgana pelo texto e ao David por abrir espaço no blog.

  • ezequiel diz: 22 de outubro de 2009

    Matéria perfeita! informativa, e emocionante.Parabéns Morgana.E ao David por abrir espaço aos estudantes de jornalismo.

  • Laila Dubina diz: 22 de outubro de 2009

    Muito bacana a matéria! Ótima iniciativa dar espaço para a galera que está começando!

  • Rodrigo Adams diz: 22 de outubro de 2009

    Parabéns, Morgana! Ficou bem legal a matéria. Parabéns, David. Bela iniciativa.

  • carlos eduardo diz: 22 de outubro de 2009

    Excelente iniciativa David Coimbra.Morgana lendo parece coisa de jornalista experiênte, principalmente na condução da pauta e no conteúdo. Parabéns e tenho certeza que este talento vai longe. Aprendi muito com a mátéria.

  • AIRTON LUIS diz: 22 de outubro de 2009

    p/o JOSE ALENCAR: Vcs coloradinhos ou são burros de nascimento ou se fazem….eu queria apenas que o amigo me falasse de onde ele tirou este idéia de que o inter tem a maior torcida do sul do pais. Este cara até louco é.O fato de terem 100mil sócios não quer dizer que tenham a maior torcida. São uns imbecis mesmo!!!! Não sei porque todas as pesquisas feitas neste pais dão o GREMIO com mais do 50% da torcida no Rgsul e se não estou enganado a 6ª ou 7ª maior torcida do BRASIL. VÁ PESQUISAR!!!!

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