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O incrível campeonato de 62

07 de novembro de 2009 29

Mais um capítulo de A História dos Grenais:

Uma virada de tal contundência não ocorre impunemente. Dez dias após a derrota do Grenal, o Inter trocou o técnico campeão, Sérgio Moacir Torres Nunes, pelo capitão Carlos Froner. O Grêmio continuou com Ênio Rodrigues e com ele foi disputar a final do Torneio da Legalidade. Contra o Internacional, é claro. Empatou o primeiro Grenal em 1 x 1 e venceu o segundo por 2 x 1, conquistando a taça e revelando um novo valor, Joãozinho, um meia de 1 metro e 64 de altura, rápido, inteligente, apelidado de o Pequeno Polegar. O Grêmio havia encontrato o sucessor de Gessy.

 

Foto: Banco de dados ZH

 

As derrotas em grenais eram peçonhentas para o Inter. Froner mal esquentou o lugar no túnel e foi dispensado, substituindo-o o treinador das divisões inferiores, Pedro Figueiró. Pois Figueiró deu-se bem, a princípio. O Grêmio saiu para fazer outra excursão à Europa e o Internacional concentrou-se no Gauchão. Foi vencendo, vencendo e amealhando pontos de vantagem sobre o Tricolor. De repente, faltando cinco jogos para o fim do campeonato, o Inter viu-se lá na frente na tabela, com cinco pontos a mais do que o arqui-inimigo. A 11 de novembro, o Grêmio perdeu mais um ponto ao empatar em 2 x 2 com o Cruzeiro, na Montanha. A diferença a favor do Inter poderia ficar em seis pontos, a três jogos do Grenal. Mas o Colorado surpreendeu seus torcedores e foi derrotado no mesmo dia pelo Guarani, em Bagé, por 2 x 0.

Grêmio e Internacional venceram as suas duas partidas seguintes. Ou seja, havia mais uma e o Grenal. E o Inter contava com quatro pontos de vantagem. Um empatezinho e o Colorado seria bicampeão.

Na noite de 9 de dezembro, o Grêmio jogaria fora de casa contra o Pelotas. O Internacional enfrentaria o Aimoré nos Eucaliptos. Confiantes na vitória, os colorados traçaram um plano cruel para humilhar o adversário. Antes dos jogos, levaram um caixão de defunto para a saída da Ponte do Guaíba. A ideia era bloquear a ponte quando o ônibus do Grêmio chegasse e obrigar o time a acompanhar o próprio enterro. O ônibus, lotado de jogadores mal-humorados e resmungantes, teria de seguir por intermináveis quilômetros um féretro azul, lento e debochado.

O técnico do Grêmio não era mais Ênio Rodrigues, e sim o treinador campeão de 1961, Sérgio Moacir. No momento do embarque da delegação, ele reuniu os jogadores e jurou:

— Se vocês me derem a vitória em Pelotas, eu lhes darei o campeonato.

Contava, talvez, com o cumprimento de outra promessa, esta feita pelo atacante Paulo Lumumba, emprestado pelo Grêmio ao Aimoré no início do ano.

— Garanto que vou fazer a minha parte para dar o título ao Grêmio — disse o jogador.

Um terceiro voto magnetizava o ar naquele final de 1962, o do técnico do Aimoré, Carlos Froner. Magoado pela rejeição sofrida nos Eucaliptos, meses atrás, ele jurava vingança.

Todos estes foram personagens centrais da inesperada e eletrizante decisão do Campeonato Gaúcho.

O Aimoré jantou o Internacional nos Eucaliptos. Ganhou por 3 x 1 e deu olé. Destaque da partida: Paulo Lumumba, autor de dois gols. Finalizado o jogo, o goleiro do Inter, Gainete, atravessou o gramado em silêncio e cumprimentou Carlos Froner. Ao mesmo tempo, em Pelotas, os gremistas faziam a sua parte vencendo o Pelotas por 4 x 0.

Restava, agora, apenas o Grenal. Se o Grêmio vencesse, a dupla terminaria o campeonato empatada em pontos e teria que decidir em partida extra, um supercampeonato. Se o Inter vencesse ou empatasse, conquistaria o bi. Quer dizer, o Colorado continuava precisando só de um ponto, enquanto o Grêmio dependia de quatro.

Mas o Grêmio vinha embalado, confiante, entusiasmado. No Internacional, tudo era medo. A lembrança da virada no último Grenal de 1961, a tradição de vitórias do adversário, os últimos fracassos, cada detalhe servia para abalar a fé dos colorados.

O Grêmio venceu o Grenal de 16 de dezembro. Só podia vencer. Dois a zero, com dois figurantes roubando a cena e transormando-se em personagens principais: o ponta-direita Marino, autor dos gols, e o ponta-equerda Ivo Diogo, ex-jogador do Inter, um dos melhores em campo. Ivo Diogo conquistaria outras glórias pelo Grêmio, e Marino, então, nem se fala. Marino era um ponteiro veloz e objetivo, muito parecido com um outro ponta que faria sucesso no Interncaional oito anos depois: Valdomiro. Jogava no Grêmio desde 1960, mas os dois gols marcados no último Grenal de 62 é que lhe enrijeceram o pé. Em 1963, Marino seria o goleador do campeonato com dezessete gols e, em um ano e meio, assinalaria nada menos do que dez gols em grenais.

O Grêmio saiu dos Eucaliptos, em 16 de dezembro de 1962 certo de que reconquistaria o título. O garoto Luiz Carlos Machado, de doze anos de idade, também tinha essa certeza. Tanto que deixou o estádio aos prantos. Era colorado fanático e não aguentava mais ver seu time perder. Morava na Ilhota desde que nasceu de um parto difícil, puxado a fórceps das entranhas maternas, a operação deixando-lhe um estigma na fronte e fazendo a mãe correr a uma casa de umbanda para lhe fechar o corpo e iluminar a alma. Na Ilhota, o negrinho aprendeu a jogar bola e a ser colorado. Agora, chorando de frustração, ele alisava instintivamente com o dedo a marca de nascença na cabeça e fazia uma promessa:

— Ainda vou jogar no Internacional e vou ganhar todas do Grêmio.

Naquele mesmo ano de 1962, Luiz Carlos ganhou o apelido que lhe faria conhecido em todo o Brasil na década de 1970: Escurinho.

Até alcançar a celebridade, no entanto, Luiz Carlos teria muito a sofrer. Veria o seu Inter levar 4 x 2 ao natural do Grêmio de Marino em 7 de fevereiro de 1963, com dois gols de Ivo Diogo, um de Joãozinho e um de Vieira, descontando Flávio e Soligo para o Colorado. O Grêmio era supercampeão.

Postado por David

Comentários (29)

  • MATHEUS ROSADO XAVIER diz: 9 de novembro de 2009

    É lamentavel isso que tu está fazendo!! Tu é um gremista doente mental!! Fazem duas semanas que entro nesse blog( por que gosto do que tu escreve) e vejo essas histórias rdículas de grenais enaltecendo vitórias azuis..

  • Marcelo santana diz: 7 de novembro de 2009

    Não sei como te parabenizar pelas coisas que escreve,sou colorado de coração,choro pelo meu time quase sempre,e agoro provoco…sou muito mais feliz que qualquer gremista,nunca fui campeão de segunda divisão.abraços.

  • Adriano diz: 7 de novembro de 2009

    pois é né cara…o ruralito só tem valor de supercampeonato qdo o gre ganha né? mas conta uma história ai do pq q o gre nunca conseguiu ganhar do inter num mata mata ja q são os copero y peleador…mas te admiro, pelo menos vc não esconde sua paixão clubistica.

  • rodrigo diz: 7 de novembro de 2009

    Kenny Braga aborígine foi muito boa. hehehehe

  • João Gonçalves Bueno diz: 7 de novembro de 2009

    Zine, quando falam em campeonatos eu me lembro do octa. Quando falam em jogos eu me lembro do da inauguração do Olimpinico. Aquele em que o Sérgio Moacir saiu chorando.

  • Alfeo diz: 7 de novembro de 2009

    Lembro daquele feito, acompanhei pelo rádio. Naquela época a vitória valia dois pontos e a tabela de classificação era por pontos perdidos.

  • silvio jaime fernandes diz: 7 de novembro de 2009

    Olá David:….o goleiro do Inter era o SILVEIRA e não Gainete. O Inter (leia-se jogadores) fizeram corpo mole para que a Direção cumprisse com a promessa do pagamento do “premio”. AH:…falava-se também em “mala preta”….
    Verifica melhor as tuas informações. Na época eu tinha 15 anos.

  • Luiz Carlos diz: 7 de novembro de 2009

    David, está bom o teu preparo para substituir o Santana, só que, te julgava mais inteligente. Vë sua tua memória ou teus arquivos consegue recordar um das tantas vitórias do INTER que, aliás, tem muito mais vitórias em GRENAIS e também campeonatos. Se nada lembrares, dá uma voltinha na sala de troféus do Beira-Rio e terás muito para apreciar.

  • Maximino Antonio Tasca diz: 7 de novembro de 2009

    David, meu parabéns pela matéria. O resgate do passado deve ser vivido por aqueles que lá estiveram e, principalmente, aos que hoje nem imaginam quantas glórias e fracassos rondaram os dois maiores clubes do Sul do Brasil. Assim é que se ilustra a história.

  • Antonio diz: 9 de novembro de 2009

    Poa o inter ganhou mais classicos no Gauchão!!! No Brasileiro que é o “quente” o Grêmio tme mais vitórias; essa de campeão mundial FIFA não precisa nem se comentar é uma invensão total só mudou o organizador e colocaram uns figurantes, pq o futebol que existe é so entre EUROPA e AMÈRICA do SUL! e sim o estadio de vocês é melhor, mas ter um estadio bom não quer dizer nada…vide muitos outros “times”…

  • André Martins diz: 10 de novembro de 2009

    Galera, a história do Gre-Nal é tão bonita, não levem pro lado da provocação!!! O Inter só o grande por causa do Grêmio e vice-versa. Sou gremista, aceito a vantagem colorada nos clássicos, mas isso não quer dizer que o Grêmio não teve períodos de dominação. Acompanho futebol desde 1982 (nasci em 76) e de lá pra cá o Grêmio foi muito superior até 2006, qdo o colorado equilibrou a balança. Que bom pro RS !!!!

  • Lucas Froner diz: 11 de novembro de 2009

    Saudades do meu avô, Carlos froner. Realmente esse campeonato foi memorável, tanto que ouvi esta historia dele mesmo. Grato por resgatá-la,. David, Abraço!!!

  • Rafael diz: 7 de novembro de 2009

    Começou o choro dos chorolados… deixa o cara escrever… quando o Guerrinha ou o aborígene do Kenny Braga escreve vocês gostam né?!

  • Luciano diz: 7 de novembro de 2009

    Grande Daví.. eu como bom gremista adoro as tuas histórias de glórias do tricolor.. mas tu te complica assim com os colorados, conta uma deles tbm, senao eles choram..
    :]
    abração

  • Tiago Medina diz: 7 de novembro de 2009

    Muito bacana, essa série histórica

  • Carlos diz: 7 de novembro de 2009

    QUERO AGRADECER AO DAVID COIMBRA PELA LEMBRANÇA DESTE SUPERCAMPEONATO (DE 1962) VENCIDO PELO “IMORTAL TRICOLOR”. ASSISTI ESTE GRENAL (REALIZADO EM JANEIRO DE 1963) VENCIDO PELO GRÊMIO POR 4 x 2, PENDURADO NOS MADEIRAMES DO GINÁSIO DAVID GUSMÃO QUE ESTAVA SENDO CONSTRUÍDO, POIS O ESTÁDIO ESTAVA SUPER LOTADO. EU TINHA NA ÉPOCA 15 ANOS E ACOMPANHAVA O GRÊMIO DESDE O DIA EM QUE NASCI E VI QUE A VIDA ERA TUDO AZUL. GRÊMIO FUTEBOL PORTOALEGRENSE, UM AMOR INDESTRUTÍVEL PARA TODO SEMPRE.

  • Gustavo diz: 7 de novembro de 2009

    Davi, Gosto muito da maneira como abordas qualquer assunto, tu consegue colocar emoção em poucas palavras. Sou Gaúcho de Rio Grande e Colorado, gostaria de ver se essa emoção que colocasse a favor do Grêmio conseguisse colocar tb a favor do Inter! Um forte Abraço! E parabéns pelo teu trabalho!

  • Paz diz: 8 de novembro de 2009

    Não tem alguma das tantas conquistas do Inter que te seja minimamente aprazível?
    Tua crônica depois da vitória colorada sobre o então imbatível Barcelona, em 2006, foi um dos mais rabugentos relatos de título que já li.

  • Leo Lima diz: 8 de novembro de 2009

    Teve um internacionalista que escreveu aqui que nessa época o Gremio só apanhava do Inter,ora,não me leve a mal meu caro,mas o sr.é digno de pena,pois o seu recalque é altíssimo.No início dos anos 60,o Gremio venceu a maioria dos Grenais,já tinha feito duas excurssões a Europa(o SCI não saia do Mampituba,até o Cruzeirinho já tinha feito uma excurssão por lá,pasmem!)e possuia um Estádio decente(pq os Eucaliptos,convenhamos,né?)Reveja um pouco seus conceitos,OK?

  • Ivan diz: 8 de novembro de 2009

    Faz um DVD disso… imagino quando vcs ganharem um Mundial Interclubes da FIFA, o que não farão e falarão… ah, que pena: nem todos adversários são Boiacás e Auroras da vida…

  • bruxo diz: 7 de novembro de 2009

    David Parabéns a você, ao MM e cia por mais esta obra maravilhosa.O Escurinho cumpriu a promessa,mas ali perto no mesmo ano, um catarinense então com 17 anos sonhava em ser jogador de futebol:Oberdan Vilain;,seus destinos se cruzariam em 1977, mas esta é outra história.

  • FERNANDO COLORADO diz: 7 de novembro de 2009

    AO LUCIANO DE PORTO ALEGRE(BOM GREMISTA)EU CONTO UMA HISTORIA.
    MELHOR:ACHO QUE NEM VOU CONTAR PORQUE ELE VAI SE MORDER DE RAIVA.SÓ VOU DAR ALGUNS DETALHES.
    DEZEMBRO DE 2006-BARCELONA-RONALDINHO GAUCHO-JAPÃO-FIFA.
    PRECISO DIZER MAIS ALGUMA COISA?????

  • Machiavel diz: 7 de novembro de 2009

    Nessa época os gremistas eram felizes, os colorados infelizes, não existia o PT nem o Lula e os brasileiros eram roubados escandalosamente pelos políticos corruptos. Hoje, os gremistas estão infelizes, os colorados felizes (sem exageros), existe o PT e o Lula e os brasileiros continuam sendo roubados escandalosamente pelos políticos corruptos.

  • jader martins diz: 7 de novembro de 2009

    David. fazes uma baita historia do nosso Gremio e colocas uma foto de gol colorado e do Sapiranga…

  • Ricardo Montedo diz: 7 de novembro de 2009

    P-r-i-m-o-r-o-s-o!
    E emocionante.
    Parabéns.

  • Airton diz: 7 de novembro de 2009

    Ainda lerei um texto deste colunista em que o INTER ganhe um grenal, um campeonato ou algo positivo a respeito de sua história. Pois até na cronica da conquista do MUNDIAL foi um ranço só…

  • Matheus diz: 9 de novembro de 2009

    Vc se recorda ao menos quando foi que o Inter começou a construir esta dierença de 23 vitórias a mais em GreNais? A julgar pelos seus textos esta vantagem só póde ser lenda, já que nas suas cronicas o Inter nunca supera o Gremio, Kenny aborigine e David marqueteiro

  • josé de alencar souza da silva diz: 9 de novembro de 2009

    Campeonato íncrivel é o de 1974 quando o Inter ganhou todos os jogos,esmagou todo mundo,mas desse campeonato tu não fala Coimbra.

  • JO diz: 8 de novembro de 2009

    AO GREMISTA LEO LIMA:QUAL O PRIMEIRO TIME A GANHAR EM SÃO PAULO 1X0 DO CORINTIANS(QUE VINHA DE 19 VITÓRIAS CONSECUTIVAS)?QUAL O MAIOR E MELHOR ESTÁDIO DO SUL DO BRASIL?QUEM TEM 23 VITÓRIAS DE VANTAGEM SENDO DISPARADO A MAIOR VANTAGEM DE UM CLUBE BRASILEIRO EM CLASSICOS REGIONAIS?QUEM É O ÚNICO CAMPEÃO DO MUNDO INTEIRO(NÃO DE UM PEDAÇO)?colorado das glórias!!!

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