É mais do que ingenuidade, é estultice pretender que o Grêmio escale titulares e cometa desatinos para ganhar ou empatar o jogo com o Flamengo, no domingo. Pior: isso seria ruim até para o Inter, sobretudo se o Inter se sagrasse campeão.
Seria a negação de tudo o que representa o futebol gaúcho.
O prócer gremista Rudy Armin Petry, homem íntegro e inteligente, um dia disse:
— O Grêmio é grande devido à grandeza do Inter.
Verdade. E a premissa contrária também é verdadeira: o Inter é grande devido à grandeza do Grêmio.
Mas isso só acontece porque existe a rivalidade entre os dois clubes. Um inveja a grandeza do outro, mira-se nela e tenta superá-la. Porque eles vivem para essa dualidade, porque as torcidas se provocam e se açulam eternamente, porque um existe para ser melhor do que o outro. No momento em que um ajudar o outro dentro de campo, se extinguirá a essência da dupla Gre-Nal.
Afinal, isso é o futebol. O futebol não é um esporte, em que o atleta luta contra si mesmo, tenta superar os seus próprios limites com movimentos repetidos, com treino, dedicação e concentração. Não. O futebol é um jogo, com todas as nuances e negaças de um jogo, onde entram a força, a velocidade e a habilidade, sim, mas também a inteligência, a perspicácia, a malícia.
No futebol, o torcedor de um time anseia pela derrota do rival, mesmo que seja para outros times. Não há nada de mal nisso. Não significa que um queira o mal do outro, não significa a destruição do outro. O gremista querer que o Inter perca, o colorado querer que o Grêmio perca, é diferente de o gremista desejar o mal ao colorado, o colorado desejar o mal ao gremista. Gremistas e colorados convivem todos os dias no Rio Grande do Sul, são colegas de trabalho, amigos, alguns até estão casados. Não é errado um torcer pelo insucesso do outro. Porque o futebol é um jogo, não é a vida.
O futebol não passa de uma brincadeira. E é bom que assim seja.
Pretender eliminar essa rivalidade em nome de uma demagógica integridade de uma competição é eliminar a lógica do futebol.
É acabar com sua razão de ser.
É óbvio que o Grêmio não vai pisar no campo do Maracanã programado para perder. Nenhum jogador vai marcar gol contra de propósito, o goleiro não deixará de tentar a defesa, o atacante, se tiver oportunidade, fará o gol a favor. O Flamengo que não se desconcentre, se quiser ser campeão.
Mas também é óbvio que nenhum jogador do Grêmio arriscará a tíbia numa dividida temerária, nem correrá mais do que correria numa partida de meados do campeonato. O Grêmio de domingo não jogará de mão no bolso, mas também não jogará de dentes rilhados. Jogará um amistoso contra um time que jogará uma final de campeonato.
E tem de ser assim.
Pela honra da rivalidade.
Pela honra da Dupla Gre-Nal.
Em nome do espírito do futebol.
Postado por David









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