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Apalparam as costas de Bel - 7° capítulo

16 de fevereiro de 2010 3

Rafael tentou passar pelo obstáculo. Movia-se repetindo mentalmente: “Vou me acoplar nela, vou me acoplar nela, é hoje que me acoplo!”

O obstáculo chamava-se André, o advogado que teve a vida arruinada por Bel. André, naquele centésimo de segundo, experimentava o ápice da irritação, não apenas porque o movimento brusco de Rafael agastou a todos no elevador, deslocando-os e espremendo-os uns contra os outros, mas também porque ele, André, vivia uma situação especial: André era um homem apaixonado, e poucos males corroem tão profundamente a alma de um homem quanto a paixão. Um homem apaixonado é um homem doente. André era um homem doente, contaminado por Bel. Ela o havia humilhado, ela o havia transformado em um verme, e o que isso fizera a André?

Fizera-o ainda mais apaixonado.

Sua história era uma história de dor. Uma história que devia ser contada com violinos plangentes ao fundo.

Um dia, André teve uma jovem mulher e duas formosas filhas
. Teve também um apartamento de cobertura com piscina no terraço e uma caminhonete importada com TV no painel, teve prestígio por ser executivo da firma, teve subalternos solícitos, teve agentes de viagens agradecidos.

Mas ele perdeu tudo isso.

Por causa de Bel.

Aconteceu que durante semanas André promoveu um assédio furtivo a Bel nos corredores do escritório. Bel não o repudiou. Ao contrário, intumesceu-o de esperanças. Isso pôs André maluco. Uma mulher linda daquelas, casada, seria sua? Era bom demais para crer. Melhor ainda: ela era casada com aquela besta do supervisor Noel, sujeito a quem André desprezava e com quem, de certa forma, rivalizava. André era mais importante do que Noel na empresa, ganhava mais do que ele, tinha um cargo superior, mas Noel trabalhava há mais tempo lá e ocupava um cargo estratégico. Volta e meia, Noel punha-se em seu caminho, atrapalhando, se metendo, falando demais. André o detestava. Conquistar-lhe a mulher teria um sabor especial.

Então, André dedicou-se a Bel, cercou-a, teceu planos para conquistá-la e, em meio a essa campanha, se apaixonou. Decidiu que seria capaz de fazer tudo para tê-la. Dizia isso para Bel, e ela sorria:

— Você é casado… Se não fosse…

E suspirava. Sim, ela exalava suspiros cheios de reticências… Foram esses suspiros que roubaram a sensatez de André. Porque lhe pareceram promessas…

Um dia, desesperado de amor, ele desabafou com sua mulher, confessou que amava outra, pediu a separação. Achava que a mulher ia chorar e se descabelar. Que nada. Ela apenas disse:

— Tá bem.

E acionou um advogado feroz, e tirou-lhe metade do que tinha, e levou-lhe os filhos, e ele sofreu, como sofreu, mas pensava: pelo menos terei o amor da minha vida. Terei Bel. Procurou Bel.

— Estou livre! — anunciou, esfregando as mãos. — Agora podemos viver o nosso amor!

E Bel:

— Ficou louco??? Que amor???

André argumentou que ela havia feito promessas. Bel:

— Que promessas??? Sou uma mulher casada! Me deixa!

Foi como se a vida de André tivesse acabado. Agora, no breu do elevador, André só pensava em Bel. Como, aliás, fazia durante todas as horas e minutos e segundos do seu dia, desde que ela o havia rechaçado. Pensou, André, que a queda de energia era um sinal do Senhor, quase uma ordem celeste para que agisse.

E ele agiu.

CONTINUA…

Comentários (3)

  • luiz scola diz: 16 de fevereiro de 2010

    david, seu facínora… eu quase posso tocar e cheirar estas fêmeas que se materializam através deste teclado lascivo …parabéns pela obra!
    scola

  • Rafael j diz: 16 de fevereiro de 2010

    Parabéns, já podes escrever a nova novela da Globo. Tens o estilo do Fallabella (em tudo).

  • Vinicius diz: 17 de fevereiro de 2010

    Quando é que termina esse troço?

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