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Apalparam as costas de Bel - Último capítulo

19 de fevereiro de 2010 33

Outra vontade que se derramava alma afora de um dos condenados do elevador enguiçado era a de Lili.

O que Lili queria?

Lili queria bater em quem lhe batera. Pois bateu. Atingiu o supervisor Noel com um soco bem no meio do nariz.

Ele se curvou gemendo e, no movimento, encostou-se em Rafael, que, no afã de acoplar-se em Lili, acoplou-se no supervisor. Encaixou-se em Noel como se fosse um cachorro possuindo uma cadela no cio, e ganiu:

— Acoplei! Gostosa! Acoplei! Gostosa! Acoplei! Acoplei! Acoplei!

Foi quando se romperam em definitivo todos os freios da civilização. Tudo contribuiu para que as normas de convívio social se diluíssem: o confinamento em espaço tão limitado, a proteção da escuridão e sobretudo aquele grito de me apalpa!, me apalpa!, um grito que anunciou o cruzamento do Rubicão da moral, um grito a dar a deixa de que todos ali podiam fazer o que ninguém pode fazer: o que tinham vontade de fazer.

E então a bunda de ferro de Bruna foi alisada, beliscada e, o impensável, mordida. Bruna, ao contrário de tirar a retaguarda do raio de ação do mordedor-beliscador-alisador, empinou-a mais, sorveu o prazer que aquelas mãos, aqueles dentes e aquela língua lhe davam, mas também golpeou com sua bolsa os flancos de alguém, não sabia quem, ela queria era fazer algo a respeito, e fazia: batia. Mas não no mordedor-beliscador-alisador, e sim no supervisor Noel, que naquele instante também apanhava de Lili e era agarrado por Rafael, o virgem, que o acolplara, e, em meio a tudo isso, alguém, ninguém soube quem, gemia:

— Me bate! Me bate!

Já o contador Ilson, ele conseguiu: afagou as costas de Bel, afagou-as com vontade e sofreguidão, prensando-a contra a porta do elevador, impedindo seus movimentos, quase que a possuindo à força, enquanto ela repetia:

— Me apalpa… Me apalpa…

Era demais: havia quatro mãos a apalpar as costas de Bel, quatro mãos que ora se roçavam, dedos sobre dedos; ora entravam em luta, uma tentando afastar a outra; mãos que a princípio disputaram aquelas costas, mas que logo entraram em um acordo implícito e mudo e concordaram em partilhá-la e aproveitaram cada centímetro daquelas costas, prensaram Bel, afofaram Bel, tomaram Bel, e Bel:

— Me apalpa…

Foi então que a energia voltou e, com a energia, a luz e, com a luz, a realidade insossa.

A porta do elevador se abriu. E as testemunhas do lado de fora viram uma cena dantesca: homens e mulheres comportando-se como se tivessem retornado a um tempo sem normas, sem leis, sem roupas e sem moral. Homens e mulheres que, por alguns segundos, deixaram-se possuir por seus desejos, realizaram-nos, fizeram apenas o que tinham vontade de fazer.

E foi horrível.

No momento em que a luz da Civilização incidiu sobre eles, eles compreenderam o que havia acontecido, no que tinham se transformado. Sentiram vergonha, deslizaram silenciosos para o mundo exterior, voltaram para as suas casas. E nunca mais falaram disso.

FIM

Comentários (33)

  • Carlo Finger diz: 19 de fevereiro de 2010

    Que porcaria de texto!!!! Aliás… testículo!!!!!!!!!1

  • Francisco diz: 19 de fevereiro de 2010

    Bom dia, e provavelmente o ultimo bom dia para vcs, explico: é que nós leitores, somos obrigados por curiosidade, aceitar esta pornografia grotesca e, sem esquecer, na libertinagem desenfreada que é o mais fácil de se editar, como ficou fácil hoje em dia ser escritor heim?, e se acham escritores….Mas voltando ao meu ¨ultimo bom dia¨, é o unico protesto que farei, ficarei sem ler esta coluna por uma longa data, sei que fara muita falta, mas procurei cultura onde não existia, que pena.

  • Virginia Do Nascimento diz: 19 de fevereiro de 2010

    Conheci o blog de Davi Coimbra aqui em Paris,essa historia de folhetim foi minha estreia e posso dizer: muito boa!parabéns!
    criativo,usando como tema a sexualidade e desejos humanos,sabendo dosar com uma atmosfera de humor,suspense e o realismo das atitudes perante a sociedade…nos instigando a querer ler o próximo capitulo….

  • IVO – VALMOR STANGARLIN IVO diz: 19 de fevereiro de 2010

    ATENÇÃO ATENÇÃO, AGORA QUE O MURICI TA DESEMPREGADO ELE TEM QUE VIR PRO MEU GREMIO, CHEGA DE TESTES, O TORCEDOR NÃO PODE FICA SONHANDO COM TITULOS ENQUANTO ESTA DIREÇÃO MEDIOCRE FICA SO EMBOLÇANDO PARTE DOS SALARIOS DOS TREINADORES,É ISSO MESMO, ESTA DIREÇÃO OS TRES CABEÇAS) FICAM COM PARTE DO SALÁRIO DESTES NOVATOS, CHEGA DE LESAREM O GREMIO

  • Fabrício diz: 19 de fevereiro de 2010

    Gostei! Muito bom mesmo.
    Um abraço.

  • Angelica diz: 19 de fevereiro de 2010

    Como assim, foram para a casa e nunca mais falaram nisso?
    E os assedios dentro do escritorio, acabou?
    E o tesao que existe entre essa pessoas, sumiu?
    Acaba assim….?Nao….

  • Camila diz: 19 de fevereiro de 2010

    Adorei!!Foi realmente muito divertida, não se perdeu…e o Noell alem de não pegar ninguem, apanhou enquanto pegavam a Bel…rsrsr

  • Samuel Ritter diz: 19 de fevereiro de 2010

    Muito bom David!!! Comédia!!!
    auauaauh

  • Anelize Padilha Costa diz: 19 de fevereiro de 2010

    Aí, que descepção!…Eu não esperava que terminasse assim sem graça, desculpa, mas que não teve muita graça nessa história, não teve não!Tudo aquilo para contar isso?Olha sinceramente e certamente que você consegue fazer coisa melhor que isso!
    História mais pobre de criatividade.
    Att,

    Anelize Padilha.

  • Cleber diz: 19 de fevereiro de 2010

    Ahhhh, acabou…

  • Gisele Bassani diz: 19 de fevereiro de 2010

    Mas que barbaridade… :P
    Eu quero saber agora da vingança!
    kkkkk

    Quando vai estrear o novo folhetim
    a respeito do que Bel planeja para
    Noel?

    Beijos para ti, David.

  • Alice diz: 19 de fevereiro de 2010

    Ahhhhhhhh.. queria mais!

  • Felipe Meira diz: 19 de fevereiro de 2010

    Davi, gostei muito da crônica, na verdade, vi por acaso no trabalho um colega e amigo estava lendo, pedi o link e li também e realmente gostei, pois mesmo sendo uma história curta ela prende o leitor, muito bom só achei o final meio “caido”, mas como não conheço a fundo como escreves não tenho opinião formada…
    OBS que suruuuuuba….

  • Fernando diz: 19 de fevereiro de 2010

    E a confraternização na sauna, David?

  • Rafael diz: 19 de fevereiro de 2010

    Como tem gente amarga! Se não gosta, porque leu?

  • Catimba diz: 19 de fevereiro de 2010

    A história no dia-a-dia foi muito boa, sempre deixando na dúvida como seria o épico final e seu desfecho, mas esse ultimo texto ficou a desejar, e o final foi bem pobre perto do que se esperava pelos outros textos, ficou bem fraco.

    E, gente que reclama dos textos falando em pornografia, é muita hipocrisia, será que eles não gostam disso, nunca tiveram vontades e desejos sexuais na vida deles?

  • Marcos Leal diz: 19 de fevereiro de 2010

    David,e estás te superando!
    Superação da bobagem.
    Texto chato e sem graça.
    Que naba!

  • Eduardo diz: 19 de fevereiro de 2010

    Lamentável do começo ao fim. Tu faz MUITO melhor que isso, David, mas ninguém acerta sempre. Acontece… Abraço!

  • Lu Costa diz: 19 de fevereiro de 2010

    Ahhhh David, se tu é assim na vida realllll, meu Deus….que imaginação e criatividade.
    Tua mulher deve ser muito feliz…delícia….

  • Fernanda diz: 19 de fevereiro de 2010

    David!

    Ao contrário de certos “moralistas de plantão”, eu adorei o texto!

    Adorei a maneira bem humorada com a qual você escreveu sobre sexualidade e comportamento x instinto humano!

    ;)

  • Zulianello diz: 19 de fevereiro de 2010

    Graaaaaande David!

  • Ricardo S diz: 19 de fevereiro de 2010

    Parabéns, Davi! Adorei o folhetim! Muito bem bolado! Tu consegue expressar no texto com maestria e bom humor as paixões masculinas! O que acha de um dia escrever sobre o “transtorno” do Tiger Woods ou do Michael Douglas? Um abraço

  • jaqueline diz: 19 de fevereiro de 2010

    Daavid tu é fantastico!
    Esse texto mostrou mais uma vez o quao fantastico tu és!
    Muito divertiido! :D
    Beeijos

  • Rosa diz: 20 de fevereiro de 2010

    Olá David!

    MUITO BOM!

  • Gabriel diz: 20 de fevereiro de 2010

    Davi “carradine”: ótimo escritor, péssimo amigo!!!!
    Muito bom .acaba de provar porque és o galo cinza!!!!!
    E pessoal vamos levar a vida com mais humor e tranquilidade!!!!

  • fernanda diz: 20 de fevereiro de 2010

    só porque é escrito sem censura o povo se ofende.o tesao que sentimos esta presente em muitos textos,só que camuflados,daí deve ser demais para alguns “leitores”.eu acho o estilo do david inovador.

  • Eliana R diz: 20 de fevereiro de 2010

    Ri mt com a sua novela. Queria estar entre os que viram a porta do elevador se abrir..hahaha
    Que tal vc fazer a versão feminina dessa novela????? Seria tipo ‘ apalparam a bunda do guarda”…Mt mulher fantasia com isso…hehehe

  • Vi diz: 20 de fevereiro de 2010

    O mundo precisa de mais escritores como David Coimbra.
    E mais: essa história não é pra ser levada a sério, é uma invenção da mente (genial) do David! A gente deveria se divertir lendo, e não ficar pensando “oh, mas que barbaridade!” Pelo menos é isso o que eu faço…
    gente, tem coisas quase tão… explícitas quanto isso na novela das 8!
    Só que LER é melhor, porque cabe a nossa imaginação interpretar os detalhes, essa é a magia.
    Parabéns David!

  • Hícaro Jovane diz: 21 de fevereiro de 2010

    mto, mto bom david!
    sdhiuashduisahduisaihda
    mas bem que podia continuar a história……

  • Nelson diz: 21 de fevereiro de 2010

    Parabéns David, gostei dessa suruba. Estive fora por uns dias e qdo voltei ainda não tinham comido a Bel…..

  • Junior Hernandes diz: 21 de fevereiro de 2010

    Grande David , meus parabéns
    mais uma vez um belo texto, continue assim!

    acredite 98% das pessoas gostam do que você escreve, nem Jesus agradou à todos.

    abraço

  • Carancho Gaúcho diz: 22 de fevereiro de 2010

    Dizer que achei o final maravilhoso, é mentira. Mas, o folhetim completo (todos os capítulos) foi sensacional. Me prendeu a atenção até o fim. Apenas achei o fim ‘pobre’, talvez pela grande expectativa gerada pelos bons capítulos anteriores.

    Quanto as/aos ‘moralistas’ de plantão, se trata de texto/charge/folhetim, não é aquilo tudo que olham nos filmes, na TV e nos carnavais, que adoram, alguns praticam e agora vem aqui criticar.

    Hipocrisia não cabe, principalmente prás feministas de plantão. Quer dizer, fazer pode; escrever um texto de ‘ficção’ não pode?

  • Leandro diz: 22 de fevereiro de 2010

    Baita Texto! continue nos brindando com mais folhetins como esse…!

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