Chega ao fim a coleção de posts que reúne as reportagens da série “Desemprego Futebol Clube”, de
Diogo Olivier, integrante do livro “11 Gols de Placa”, editora Record (reprodução ao lado).
Confira abaixo a última reportagem, quando um jogo de futebol não se encerra em 90 minutos e se prolonga até os tribunais. Ó:
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Dos campos para os tribunais
DIOGO OLIVIER - 25/10/2001
Em pé: Dreher, Vanderson, Rafael, Athos, Luís, Da Silva, Jairo, Cristiano, Cézar Vargas e Miltinho (técnico). Agachados: Funé, Anderson, Di Marcelus, Rodrigo, André Corrêa, Éwerton e Clai. Não aparecem na foto mas estão no time do sindicato: Odair, Tigrão, Luciano e o goleiro Preto. Todos procuram um clube
Ainda falta um longo caminho para os jogadores brasileiros atingirem níveis de organização como o dos argentinos e, assim, construírem instrumentos capazes de enfrentar o desemprego. Mas a criação da Federação Nacional dos Atletas Profissionais e o renascimento do Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul lançaram o Estado à frente de um lento e gradual processo de conscientização em todo o país. Aos poucos, está indo embora o medo de enfrentar dirigentes.
As duas entidades são presididas pelo gaúcho Ivo Amaral e têm coordenação jurídica de Décio Neuhaus, um estudioso da legislação daqueles capazes de citar artigo, inciso, alínea de tudo. Os números gritam. Só este ano, foram ajuizadas 200 reclamatórias trabalhistas contra clubes. Trinta jogadores conseguiram passe livre na Justiça, a maioria por falta de recolhimento de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou salários atrasados. A maior parte dos beneficiários ganham salários de fome.
Reaver nos tribunais o dinheiro não pago pelo trabalho executado é fundamental para garantir o sustento durante o período de desemprego. Os exemplos incluem jogadores famosos, de alguma notoriedade ou meros desconhecidos. A juíza da 58ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, Juliana Ribeiro, concedeu sentença em favor de Júnio Baiano, hoje no Shenshua, da China. Para conseguir o passe livre, o zagueiro da Copa de 1998 alegou que não recebia salários nem FGTS do Vasco há oito meses. O presidente do clube, Eurico Miranda, recorreu da decisão.
Antes dele, Juninho Pernambucano também conseguiu “alforria”, mas não sem dura batalha nos tribunais. O meia venceu em primeira instância. O Vasco deu o troco e cassou a decisão com mandado de segurança, mas o ministro Francisco Fausto, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), bateu o martelo em favor de Juninho. Livre, assinou contrato com o Lyon, da França.
O volante Rogério também se libertou do vínculo com o Palmeiras e, depois de um breve período desempregado, ganhou o direito de se transferir para onde bem entendesse: escolheu o Corinthians. O colombiano Aristizábal exerce sua profissão no América, de Cáli, através de mandado de segurança. Djair, ex-Grêmio, obteve passe livre graças à ação de Neuhaus, assim como Murilo, ex-Inter e desempregado.
Alguns aceitam receber passe livre em troca do FGTS. É o caso do zagueiro Márcio Tigrão, ex-Inter e ex-Sturmgraz (Áustria), hoje sem clube. Não é o ideal, mas houve tempo em que a relação jogador-dirigente era tão democrática como as liberdades das mulheres em alguns países islâmicos.
– Aos poucos, o pessoal vai percebendo que entrar na Justiça com o objetivo de defender seus direitos é o normal de qualquer trabalhador. Não é nada contra o clube, contra a torcida – ensina o zagueiro Scheidt, do Corinthians.
Scheidt se surpreendeu ao constatar que o FGTS nos tempos de Grêmio não fora recolhido. Entrou na Justiça. No Parque São Jorge, fiscaliza mês a mês os depósitos. Se no Brasil organizar uma greve de jogadores equivale a crer na paz entre judeus e palestinos a curto prazo, na Argentina é fato corriqueiro. Este ano, lá, o campeonato parou. As negociações terminaram por limitar a paralisação em dez dias, mas foram duas rodadas sem futebol aos domingos. Motivo: os 20 clubes da primeira divisão deviam US$ 60 milhões aos jogadores entre salários atrasados e premiações. O campeão era o River Plate: US$ 12 milhões, seguido pelos US$ 8 milhões do Boca Juniors. Somadas, as dívidas nas três divisões batiam em US$ 100 milhões.
Na Argentina, jogadores chegaram a fazer
greve de futebol duas vezes em dois anos
Numa segunda-feira à noite, em maio, os capitães de todos os times profissionais do país – nenhum deles faltou – se reuniram com o presidente da União dos Jogadores Argentinos, Sérgio Marchi, no centro de Buenos Aires.
– Os dirigentes acreditavam que a festa nunca iria acabar. Mas acabou – afirmou Marchi, ao deflagrar a greve.
O pagamento de 40% da dívida e a promessa de parcelamento do restante encerrou o levante. A mediadora do acordo foi ninguém menos do que a ministra do Trabalho, Patrícia Bullrich. Um ano antes, na terceira divisão, torcedores do Excursiones invadiram o campo e agrediram jogadores do Comunicaciones. Outra greve, desta vez por segurança nos estádios. O futebol no país só retornou depois de o presidente Fernando De La Rúa receber os líderes do movimento na Casa Rosada e declarar o assunto como “de Estado”.
– Há muito ainda por fazer. Mas nossa semente está plantada. E já colhemos alguns frutos – resume o presidente do Sindicato e da Federação dos Atletas, Ivo Amaral.
O incrível mercado do desemprego
O desemprego no futebol atingiu tal dimensão que começa a surgir uma espécie de mercado informal em torno do tema. Além do time do sindicato, que disputa jogos-treino com equipes profissionais e já conta com 70 nomes, há outras iniciativas.
É o caso do professor de educação física Renato Schmitt, 37 anos. Renato tem uma empresa que atua em várias frentes. O Inter contratou a Personal Soccer para fazer um trabalho menos cruel com as crianças que se submetem ao peneirão. Em vez do veredito baseado em alguns minutos de pelada, os futuros talentos passam uma semana sob supervisão de Renato, para qualificar os critérios de seleção.
Com 10 anos de futebol, tanto no Inter quanto no Grêmio, os desempregados correram para Renato. Desorientados, procuram um porto seguro ligado ao meio futebolístico para não afundar. Na prática, é uma ajuda sem contrapartida financeira alguma. Sem emprego, os jogadores prometem pagá-lo com o salário do próximo clube – se houver próximo clube. Renato não nega ajuda e nem cobra. O zagueiro Márcio Tigrão e os volantes Djair e Anderson são alguns dos que receberam o seu auxílio.
– Não pensei que a procura desta fatia da realidade do futebol seria tão grande. Eles ficam perdidos. A cabeça vira um porongo. Talvez o mais importante seja a parte psicológica até. Acabam querendo opinião de tudo. É uma pressão sobre mim – espanta-se Renato.
Cézar Vargas se especializou em empresariar os sem-clube
Outro exemplo é o empresário gaúcho Cézar Vargas. Iniciante na profissão, especializou-se em arrumar clubes para jogadores sem emprego. Terça-feira embarcou o volante André Vieira (ex-Grêmio) e o zagueiro Silvan (ex-Inter) para o Fortaleza, ambos do time do sindicato.
A promessa dos dirigentes é R$ 6,5 mil mensais. O primeiro esteve no Lugano, da Suíça. O segundo andou pela Coreia do Sul. Haverá pagamento? Impossível prever. Luciano Dreher desembarcou para jogar no Atlético-GO feliz da vida pelo salário de R$ 6 mil. Ao chegar em Goiás, ainda no aeroporto, ouviu de um dirigente que tratava-se, na verdade, de R$ 1 mil – nunca pagos, aliás.
– Já levei cada curva de empresário graúdo aí que foi uma beleza. Mas tudo bem. É ótimo ajudar o pessoal que está sem emprego. Na Europa é mais complicado: eles pedem fita gravada com os melhores lances e outra com um jogo inteiro – explica Vargas, um dos personagens do incrível mercado dos desempregados do futebol.
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>>> Leia as reportagens anteriores da série:
O drama social do mundo da bola





David: Parabéns pelo comentário. Agora, sugiro fazeres uma pesquisa e depois um comentário, na mesma linha desse "Dos Campos aos Tribunais" com a realidade dos clubes do interior do nosso Estado. Abraços. Gilberto Augusto Kamphorst, Presidente do Clube Atlético de Carazinho.
FICA FOSSATI
O COELHO DA PÁSCOA ESTEVE EM CAXIAS DOMINGO. QUE CHOCOLATE!!!!!!!!!FICA FOSSATI. FICA PATO. FICA FERNANDO CARVALHO.
Aos gremistas! podem esperar que a hora de voceis vai chegar! pelo que eu sei nao ganharao nada ainda. a nao ser, que considerem titulo de turno como campeonato, pelo jeito é o que aconteceu, time pequeno tem que comemorar titulo de turno mesmo!!! para ganhar de voceis até mesmo o fossati serve como já aconteceu esse ano mesmo....
O Scheidt tá no Corinthians?