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Posts de abril 2010

Boa bobagem

30 de abril de 2010 34

A tolice mais perigosa é a bem-intencionada. O pior burro é o burro bom. Porque o altruísmo lhe justifica a estupidez, as pessoas olham para sua ingenuidade dourada, sorriem para ela e suspiram: “Ele é do bem…”

Caso desse projeto Ficha Limpa, que irá à votação daqui a dias. Em um breve resumo, trata-se de um projeto de lei que proíbe a candidatura a cargos públicos de quem tenha sido condenado pela Justiça, diminuindo a possibilidade de recursos a instâncias superiores.

Muito bonito.

E muito equivocado.

O autor desse projeto, digamos que ele pretenda resolver as questões de segurança pública e descubra que a maioria das pessoas é assaltada depois das 22h, como de fato é. O que ele vai propor? Que as pessoas sejam proibidas de sair de casa depois das 22h.

O Ficha Limpa tem a mesma lógica. Em nome da presumida garantia de honestidade dos candidatos, ele retira do eleitor a prerrogativa de votar em quem quiser; assim como, em nome da segurança pública, o hipotético projeto contra assaltos retiraria do cidadão a prerrogativa de sair à rua quando bem entendesse.

O raciocínio é o seguinte: o eleitor não tem capacidade de avaliar se o candidato merece ou não o seu voto. Não sabe, por exemplo, pesquisar na internet, informar-se pela imprensa ou perguntar ao vizinho se o candidato está sendo processado ou se foi condenado em qualquer instância. Assim, o eleitor deve ser impedido de votar em quem tem possibilidade de ser mau candidato.

Uma proposta antidemocrática, embora sua intenção seja proteger a democracia. Uma tolice trágica, porque parece honesta.

E mais:

1. Quem garante que quem não está sendo processado é honesto e bom candidato?

2. Quem garante que quem está sendo processado é desonesto e mau candidato?

3. Quem garante que o autor do processo ou o juiz que condenou o candidato sejam honestos, tenham boa intenção e não sejam inimigos pessoais do candidato?

É um projeto ingênuo, mas não apenas ingênuo: é contraditório. Porque confia demais na Justiça ao supor que basta a condenação para classificar um candidato como mau, e não confia na Justiça ao impedir o julgamento em instâncias superiores.

O Ficha Limpa quer apressar a Justiça. E eis outra bobagem consagrada em território nacional. O brasileiro acredita que a Justiça é lenta. Não é. O defeito da Justiça brasileira é ser rápida demais.

Provo: li que, em um ano, o Supremo Tribunal Federal julgou 145 mil processos. No mesmo período, quantos processos analisou a Suprema Corte Americana? Cento e quinze. Não são 15 mil. Não são 1.500. São 115. Há 11 juízes no Supremo. Portanto, cada um, em média, apreciou uns mil casos por mês. O juízes americanos apreciaram… dois.

Como já disse, o defeito da Justiça brasileira é ser rápida demais.

Lenta é a lei.

Existem leis em excesso no Brasil. Leis, algumas dispensáveis; outras danosas inclusive a quem tentam defender. Como a proposta da Ficha Limpa, tão bem-intencionada. E tão tola.

Palavra de escritor

29 de abril de 2010 7

Dei uma entrevista para a web tv da L&PM, no quadro Palavra de Escritor.

Depois da competente edição dos jornalistas da editora, ficou assim (clique na imagem para assistir):

Os que são só vestígio

28 de abril de 2010 9

Os espartanos, soldados forjados desde a infância na austeridade e na aspereza, quando os espartanos resolviam beber de verdade, beber como homens, diziam que iam beber vinho “à maneira cita”. Porque os citas bebiam vinho puro, ao contrário dos gregos, que o misturavam com água. Claro, o vinho grego não era como o feito em Bento. Era marrom, mais denso, mais capitoso. Compreensível que os gregos o diluíssem. Compreensível também que os citas o bebessem como os caubóis bebiam uísque: puro.

Porque os citas eram durões, sim, senhor.

Guerreavam por gosto, eram cruéis por hábito. Desenvolveram a desagradável mania de furar os olhos dos escravos. Não raro, esfolavam seus inimigos vivos, e ser esfolado vivo dói. Se o inimigo tivesse sorte, o decapitavam, descarnavam-lhe a cabeça e serravam a caveira à altura das sobrancelhas. O tampo do crânio servia-lhes de tigela nas refeições. Se você fosse jantar na casa de um cita, seria de bom-tom perguntar na cabeça de quem estava comendo.

Os citas eram arqueiros e cavaleiros famosos no mundo antigo. Volta e meia lutavam a soldo, como mercenários. Eram nômades, não cultivavam a terra, mas criavam gado sobretudo pelo leitedas vacas. Tirado o leite, derramavamno em um pote e mandavam um daqueles escravos cegos sacudi-lo até que o líquido se transformasse em nata pastosa. Os citas adoravam nata, mas não a serviam com moranguinhos, uma lástima.

Falavam uma língua de cepa iraniana e vagavam em bandos ferozes entre as terras russas e o Oriente Médio. Heródoto, em uma de suas viagens de conhecimento, esteve entre os citas que viviam às margens do Rio Dnieper, um rio de águas límpidas e, segundo o próprio Heródoto, muito saborosas. Contou a respeito deles uma história curiosa. Por algum motivo, esses citas marcharam para fora de seus domínios para fazer guerra aos medos. Os medos tinham esse nome não porque não fossem valentes, mas porque se originavam da Média, que, por sua vez, tinha esse nome não porque ficasse em um ponto equidistante de qualquer coisa, mas porque, bem, porque esse era seu nome.

Os citas demoraram 28 anos para derrotar os medos, um povo muito resistente. Quando voltaram para casa, tiveram uma péssima surpresa, descrita assim por Heródoto: “Suas mulheres, entediadas pela longa espera, entregaram-se aos escravos, daí resultando toda uma nova população”.

Infiéis, aquelas citas!

Não procederam como a grega Penélope, que durante 20 anos manteve-se intocada, aguardando a volta de Ulisses, que devia ser um galo cinza. Não. Na falta de homem, as citas fogosas requisitaram os escravos e se refocilaram com eles. Esses escravos sortudos eram cegos, mas seus filhos não. E foram os filhos que se postaram diante das muralhas da cidade para combater os citas de retorno.

A luta contra os filhos das suas mulheres foi ainda mais encanzinada para os citas do que a travada com os medos. Por pouco eles não foram derrotados. Só venceram porque um comandante gritou:

– Vocês não estão vendo que lutamos contra escravos e filhos de escravos??? Apanhem seus chicotes e marchem contra eles agindo como os senhores que são!!!

Foi o que os citas fizeram. Caminharam com autoridade contra os rebeldes, que se assustaram ante tamanha ousadia e puseram-se a correr.

O que se depreende da história narrada por Heródoto?

Que não existe ninguém insubstituível.

Se você ficar muito tempo longe do seu lugar, quando voltar pode encontrá-lo ocupado.

Caso da lateral-esquerda do Grêmio e da centroavância do Inter.

Os titulares não deram conta, Neuton e Walter estão suprindo as necessidades, e muito bem. Mais um pouco e só uma guerra para tirá-los de onde estão.

Imagino que os citas não tenham aprendido com o episódio, porque, 200 ou 300 anos depois de Heródoto, eles desapareceram da face da Terra. Não deixaram nada escrito, não deixaram descendência aparente ou cultura que cultivar.

Os citas hoje não são nem lembrança, são apenas vestígio. Tanto quanto são na vida os antigos amores, os desafetos do passado, as dores curadas e alguns ex-titulares da Dupla Gre-Nal.

Um embriagado apelo sentimental

27 de abril de 2010 2

O Rafael, de Caxias, me mandou um e-mail lá no Pretinho contando o seu dilema amoroso.

Tudo começou na biblioteca da faculdade. E no áudio abaixo eu digo como a história pode terminar favorável ao Rafael.

Ouça aí a relato dele e o meu conselho:

Você também tem algum apelo sentimental para fazer? Comente aí!

Respondendo aos leitorinhos (3)

27 de abril de 2010 16

Pessoal, mais 20 respostas aos leitorinhos, ó:
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41. Tu ainda perambula pelo IAPI? – Vantoir

Minha mãe ainda mora lá. Se bem que ela e a minha irmã não gostam de dizer que são do IAPI. Elas viviam reclamando:
- Somos do Passo d’ Areia, não do IAPI!
O que me intriga: não sabia que o Passo d’Areia era tão bom…

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42.  David, tu é um cara respeitado e muito lido e ouvido. Por que não fazes uma comparação dos tempos da tua adolescência (temos a mesma idade) com os dias de hoje? Acho que deverias focar principalmente a violência e a insegurança que tomaram conta das ruas. Eu costumava ir a pé da Azenha, onde morava até o Partenon Tênis Clube, e ás vezes, voltava, com a turma, do Teresópolis Tênis Clube. Quem tem coragem de fazer isso hoje em dia? A violência, os assaltos estão banalizados. As eleições vêm aí e as promessas dos políticos(que nunca se cumprem) também.abraços. – Roque

Já escrevi algumas colunas sobre isso, ou mais ou menos isso. É uma pena que nos roubaram a cidade, realmente.

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43. David, tu acha que existe muita diferença entre a juventude de hoje e a dos anos 70-80, por exemplo? Porque os pais andam falando “ah, no meu tempo era assim, bibibi, mimimi, era melhor”, mas… as pessoas ainda escutam música. As pessoas ainda olham televisão. As pessoas ainda fazem sexo (e não creio que o modo de fazer sexo mudou). Ainda namoram, ainda estudam, ainda trabalham… Por que os mais velhos tem tanto esse sentimento de saudosismo? Será que todos nós viramos saudosistas quando envelhecemos? O senhor é saudosista? Abraços. – Eduard Santos

As pessoas sentem saudade dos tempos em que eram jovens porque, naqueles tempos, elas eram jovens. Só por isso. Não sou exatamente saudosista, porque acho que vivo bem, num bom tempo, mas gosto de lembrar.

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44. David, como faço para ter acesso ao livro ’800 Noites de Junho’? Já procurei pela internet e vi que a edição está esgotada. Abraço. – Luciele Gomes

Realmente, esse livro esgotou e, como foi alvo de processo, não há previsão para reeditá-lo. Talvez em algum sebo. Eu mesmo tenho apenas dois exemplares em casa, e isso porque o Guilherme, da Beco dos Livro, os conseguiu para mim.

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45. David, se um dia você for patrono da nossa Feira do Livro, que mudanças gostaria de fazer por lá? – Marisa Freitas Oliveira

Acho que o patrono não tem esse poder, mas eu gostaria que houvesse duas feiras: uma menor, em maio, com crianças e adultos circulando juntos, pelo mesmo espaço, sem a avenida a separá-los.

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46. Fala David, encontrei em um posto de gasolina aqui em Brasília o seu livro “Pistoleiros também mandam flores” e não resisti, comprei, não dá pra ficar esperando os posts para ter acesso aos teus melhores textos. Minha pergunta, para não fugir ao tópico: – De onde veio a inspiração para a história? Estou na parte do Anibal, quase um Gengis Kahn… uaeuheauheauheauhueah. Abraço. - Bibiano Madrid

Muitas daquelas histórias ocorreram comigo, no começo da profissão. Mas esse romance eu queria escrever há tempo. Trabalhei muito nele: reescrevi o livro 42 vezes! Só parei porque, se continuasse, não terminaria nunca.

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47. David, tu já tens uma ideia para o próximo livro? Se tem, quando irá lançá-lo? – Gabriel Nonino

Sim! Será o livro com as aventuras da Jô! Basicamente os folhetins, mas com algumas mudanças, sobretudo no final. E será um livro diferente: o Fraga não vai ilustrá-lo, vai contar a história junto comigo. Começo contando, escrevendo, e o Fraga continua como se fossem quadrinhos. Ele não faz uma decoração da história, ele prossegue a história. Vai ficar legal, tenho certeza.

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48. David, você poderia citar algum(ns) texto(s) que se orgulha de ter escrito? Saudações! - Vicente

Orgulho-me do meu livro Canibais e do Jogo de Damas mais do quaisquer outros. Gosto dos outros, orgulho-me deles também, mas tenho um sentimento especial por esses dois livros.

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49. Opa!! David, primeiro queria dizer que sou teu fã. Segundo, gostaria de sugerir, por que tu não fazes uma postagem para nos, leitores do teu blog, sobre as lindas Gregas, deusas, veneradas mulheres de Esparta/Atenas? Que tal? Abraço. - Miguel

Eram diferentes as espartanas das atenienses. Mas é uma boa sugestão.

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50. David, como que tu consegues contar todas aquelas histórias de mulheres sensuais, maravilhosas, quentes, carnudas, enfim, “tesudas”, muitas vezes te incluindo na própria história e não tens problema em casa? ou tens? – Humberto Torino

Só histórias, Humberto. Só ficção.

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51. Você fica realmente irritado quando o Grêmio perde? Ou é apenas impressão minha? – Matheus

Dificilmente fico irritado, mas me sentiria fracassado se meu humor dependesse dos resultados de um time de futebol. O torcedor acha isso, claro, porque ELE sente isso. Como já disse Jesus: tu julgas os outros com a tua medida.

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52. O Grêmio tem reais condições de ser campeão brasileiro do ano de 2010???? Ou precisa melhorar muito?? Me responda. Abraço – Felipe Carvalho

O Grêmio precisa melhorar muitíssimo. Desfazer-se de alguns medalhões caros ajudaria.

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53. Grande David! Como um gaúcho nato de Passo Fundo que sou, gostaria de saber quando você vai escrever mais uma de suas geniais crônicas sobre o grande derby da cidade: Gaúcho x 14 de Julho? E também dos Irmão Pontes? Grande abraço! Alvin Tomm – Passo Fundo/RS

Já escrevi sobre os Irmãos Pontes. Mas é um assunto que gosto de abordar. Qualquer dia desses volto ao tema.

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54. Caro David, o que, no futebol, verdadeiramente te fascina, te encanta, te comove? Qual a essência do jogo capaz de ligar tua vida e o que tu fazes dela a ele, mesmo que para muitos (ou muitas) não passem de 22 homens correndo atrás de uma bola? Um grande abraço e uma profunda admiração - Luciano Almeida – Santa Cruz do Sul

O futebol, de certa forma, faz um resumo da vida: em 90 minutos há tragédias, glórias, comédias e dramas. Por isso é tão fascinante.

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55. Quais eram os jogadores que estavam na festinha????? – Edicarlos, de Cascavel

Tens que perguntar pro Índio.

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56. David, sou fã dos teus textos. Mas sou fã também de tênis (o esporte), e nunca vi escreveres algo sobre o tema (até golfe já passou pelas tuas linhas, tênis não). O Armando Nogueira, há pouco falecido, tem alguns textos memoráveis sobre o tema. Adoraria ler um sob a tua perspectiva de contar histórias, especialmente sobre o Federer (para mim, o maior esportista do século passado). Tem chance de sair um texto sobre o tema a curto ou médio prazo? Abraço – Martin H.

Já escrevi bastante sobre o Guga, mas, realmente, não sou um expert em tênis.

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57. David, tu não achas que o casamento é uma instituição falida? Não tem mais sentido ficar por obrigação com a mesma pessoa por mais de 30, 40 anos, e depois, se tu se separar, vai ficar pagando pensão para ela ficar em casa vendo TV e engordando, comendo chocolate na frente da televisão. Quando será que a nossa raça vai aprender? Casamento é para tolo. Abração. E continues a ajudar o nosso imortal tricolor. Pecisamos de ti. – Carlos Eduardo

O casamento serve para fins reprodutivos. Serve, um pouco, mas só um pouco, para atenuar o sentimento da solidão. Pode servir para fins econômicos. E só.

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58. Uma pergunta há muito me aflige… hoje, homem casado, tenho receio de comentar o assunto com minha esposa, até mesmo porque se eu fizesse o que quero teria que tirar minha filha da sala… Pois bem, tomei coragem, lá vai: naqueles longos e gélidos dias de junho, julho e agosto é normal que o homem tenha vontade de ligar o ar condicionado no  máximo de calor que puder, pra poder beber uma Patricia ou Pilsen fingindo que é verão? Devo me submeter a este desejo ou manter as aparências, tomando um 12 anos? – Ivan Fiedoruk

Eu não ligo o ar condicionado. Eu chego ao bar e, quando todos estão bebendo uísque e vinho, quando todos estão tiritando de frio, eu bato no balcão e peço em voz alta:
- Um chope gelado!
Todo o bar silencia, as mulheres olham. E suspiram.

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59. David Coimbra, você é gay? – Rômulo Luft

Não sou, Cid, mas, se fosse, 90% dos meus problemas estariam resolvidos.

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60. Por que você não cria um formspring e responde as perguntas por lá? Não seria mais fácil além de prático? – Lucas Chimendes

Não sei o que é formspring.

A pedido, o Bate-Bola de domingo

26 de abril de 2010 9

O leitorinho Leandro Farias, por problemas técnicos, não conseguiu assistir ao vivo o Bate-Bola de ontem, na TVCOM:

“Grande David,

consegues postar o programa, como você faz com o Café TV COM, no seu blog?”

Ele pediu, e a gente atende:

Café TVCOM (24/04)

26 de abril de 2010 2

O Café TVCOM do último sábado foi gravado no Press Café, na Fundação Iberê Camargo.

Estive com Tânia Carvalho, Cláudia Laitano e Túlio Milman.

Confira aí a edição completa do programa:

Cotação do Gre-Nal 380

26 de abril de 2010 35

-
ABBONDANZIERI
Não teve culpa nos gols do Grêmio. Graças a ele, Jonas deixou de marcar duas vezes, uma no primeiro tempo, outra no fim do segundo. NOTA 7

NEI

Levou perigo no apoio, mas, na marcação, encontrou dificuldades quando deparou com Neuton ou Jonas. NOTA 6

BOLÍVAR
Cometeu dois erros na marcação a Borges. No primeiro tempo, o centroavante do Grêmio errou. No segundo, não. NOTA 4

SORONDO
Envolvido por Jonas, partilhou com Sandro a responsabilidade pelo primeiro gol, marcado por Rodrigo. NOTA 4

JUAN
Passou dificuldades na marcação a Jonas e Edilson. No apoio, praticamente não apareceu. NOTA 4

SANDRO

Um bom primeiro tempo. No segundo, falhou ao saltar com Rodrigo no primeiro gol do Grêmio. NOTA 5

GUIÑAZU
A disposição de sempre. O melhor do meio-campo. Empenhou-se muito na cobertura e preencheu os espaços deixados pelas falhas de marcação dos meias. NOTA 7

ANDREZINHO
Apático. Não foi bem na sua especialidade, as cobranças de falta. Sua substituição foi justa. NOTA 4

D’ALESSANDRO
Muita dedicação, inclusive na marcação. No segundo tempo, abriu muito para a direita. Foi bem marcado pelos volantes do Grêmio. NOTA 6

WALTER
O melhor do Inter. Travou bom duelo com os zagueiros do Grêmio e levou muito perigo a Victor chutando de longe, geralmente do bico da área. NOTA 8

ALECSANDRO
Muito abaixo de Walter. Foi dominado por Rodrigo. NOTA 5

GIULIANO
Entrou no segundo tempo para dar mais movimentação ao time. Não conseguiu, mas foi mais efetivo do que Andrezinho. NOTA 5

EDU
Entrou no segundo tempo e pouco participou. SEM NOTA

KLEBER PEREIRA
Entrou no segundo tempo e pouco participou. SEM NOTA
-

-
VICTOR
Cometeu apenas uma falha, ao sair errado do gol num cruzamento no primeiro tempo. De resto, perfeito. NOTA 8

EDILSON
Cobrou o escanteio que originou o gol de Rodrigo e tirou uma bola de dentro do gol, num chute de Walter. Isso já justificou sua atuação. NOTA 7

MÁRIO FERNANDES

Sofreu ao marcar Walter. Melhorou quando começou a afastar a bola de primeira, sem enfeitar. NOTA 5

RODRIGO
Deu estabilidade à defesa. Jogou na espera com precisão. Atuação irrepreensível, arrematada com um gol. NOTA 8

NEUTON
Estrear em Gre-Nal já é complicado. Estrear em Gre-Nal e fora de posição, mais complicado ainda. Mas Neuton foi um dos destaques da partida tanto na marcação quanto no apoio. NOTA 8

FERDINANDO
Jogava razoavelmente quando foi substituído por Adilson no intervalo. O time melhorou quando ele saiu. NOTA 5

WILLIAN MAGRÃO
Foi bem na marcação aos meias, mas errou muitos passes, alguns comprometedores. NOTA 5

LEANDRO
Após uma semana polêmica, esperava-se mais dele. Foi pouco vibrante e nada criativo. O pior do Grêmio. NOTA 4

HUGO
Ao contrário de Leandro, foi vibrante, ativo e criativo. Deu chutão, marcou, bateu a gol e armou o time. NOTA 7

JONAS
Muito perigoso. Chegou a ser preciosista em alguns lances. Não marcou porque Abbondanzieri impediu. NOTA 7

BORGES
Perdeu um gol sozinho com o goleiro no primeiro tempo. No segundo, não perdoou. NOTA 7

ADILSON
Entrou depois do intervalo e acertou o meio-campo. NOTA 7

ROCHEMBACK
Entrou no segundo tempo e cobrou a falta que originou o 2 a 0. NOTA 6

OZEIA
Entrou no finzinho. SEM NOTA

-
O ÁRBITRO
Leonardo Gaciba teve uma atuação tranquila e segura em seu 10º Gre-Nal. Não cometeu nenhum erro de vulto, mas poderia ter sido menos econômico na distribuição de cartões amarelos. NOTA 7

Tudo mudou depois do intervalo

26 de abril de 2010 10

Algo ocorreu no recesso do vestiário do Grêmio, ontem à tarde, no intervalo do Gre-Nal que o time de Silas venceu por 2 a 0, no Beira- Rio. Algo do qual provavelmente o próprio Silas tenha sido o protagonista.

Porque o Grêmio que retornou ao gramado molhado do estádio do Inter foi um time muito diferente do que se apresentou no primeiro tempo de jogo. Foi um time interessado, agressivo, aceso, quase perfeito, que marcou os dois gols e arrancou com representativa vantagem para decidir o Campeonato Gaúcho, domingo que vem, no Olímpico (pode perder por um gol de diferença, e será campeão).

De certa forma, esse Gre-Nal 380 reproduziu uma tradição do clássico: se as duas equipes se equivalem, a que atravessa a semana em baixa vence. O Grêmio foi mal contra o Avaí, na quarta: perdeu, quase se desclassificou. O Inter foi bem contra o Quito, na quinta: goleou, foi o campeão de seu grupo.

Ontem, o Grêmio teve outro comportamento. E o Inter também.

O Grêmio surgiu com um inédito e competente arranjo armado pelo lado esquerdo entre Hugo e o estreante Neuton. Por coincidência, dois reservas. Hugo jogava no lugar de Douglas, suspenso, e Neuton no de Fábio Santos, lesionado. Ambos reluziram na tarde chuvosa da Capital, Hugo atuando com uma vibração ainda não vista neste ano, e Neuton, no frescor de seus 20 anos, marcando e apoiando com a autoridade de um veterano.

Aos 15, o Grêmio teve uma chance preciosa: Borges recebeu lançamento de Hugo e entrou sozinho na área. Era só ele e Abbondanzieri. Era só marcar. Mas ele bateu para fora. A partir de então, o Inter melhorou. Adonou-se do jogo. Aos 19, depois de um bate-rebate na área do Grêmio, Walter pegou um rebote e chutou fraco. Edilson tirou de cima da linha. Um minuto depois, o Grêmio reagiu: Jonas invadiu a área pela direita e deu um corte para dentro. Dois zagueiros se passaram do lance, escorregando pela linha de fundo afora. O atacante do Grêmio bateu rasteiro e Abbondanzieri defendeu.

Os 26 minutos seguintes foram do Inter. O time de Fossatti insistiu, reteve a bola e jogou a partir da linha divisória, martelando, martelando. Mas não conseguiu entrar na região bem vigiada por Rodrigo, zagueirão cheio de autoridade no estilo “a área é minha casa”. O Inter, assim, ficou rondando ao longe, rosnando sem morder. Seu melhor lance foi uma falta que Sandro chutou com violência da intermediária, beliscando o travessão.

Aí os times foram para o intervalo.

E tudo mudou.

Silas tirou Ferdinando e colocou Adilson, segundo ele por lesão. Funcionou. Adilson jogou com a atenção de um Dinho, impedindo que os meias do Inter girassem e ficassem de frente para o gol. Jonas, Borges, Hugo e até Neuton se aproximaram, facilitando a troca de passes.

No Inter, o sempre interessado Guiñazu corria de uma lateral para outra, impedindo quase sozinho os avanços do adversário. Num desses lances, levou o cartão amarelo que o deixa fora da decisão do próximo domingo.

Mais perigoso, o Grêmio acertou a trave do Inter duas vezes: aos nove, num chute de Jonas, e aos 36, após cobrança de falta de Rochemback.

No Inter, Walter empreendia uma luta solitária. E, graças a sua força e objetividade, levava vantagem. Mesmo quando marcado por Mário Fernandes, apoiava as costas no peito do zagueiro, girava e chutava de qualquer distância, e seu chute sempre saía perigoso, e a bola só não entrava porque sob o travessão havia Victor.

Aos 22 minutos, a superioridade do Grêmio foi para o placar. Edilson cobrou escanteio da direita, Rodrigo saltou antes de Sandro e Sorondo, e mandou um testaço para o fundo da rede. O gol não fez com que o Grêmio mudasse sua forma de atuar. O time de Silas continuou sólido e belicoso. Vinte minutos depois do 1 a 0, Rochemback cobrou uma falta da intermediária, a zaga do Inter se adiantou para deixar os atacantes em impedimento e Borges correu a partir do lado da barreira para cabecear e ampliar o placar.

Que, afinal, foi justo.

Graças ao que aconteceu sob as arquibancadas, abaixo do nível do gramado, no recôndito do vestiário do time visitante no Estádio Beira-Rio.

O que só o Gre-Nal pode despertar

25 de abril de 2010 31

O único jogo que realmente importa, para gremistas e colorados, é o Gre-Nal.

Atenção: não é o que mais importa. É o ÚNICO que importa.

Porque os títulos, as vitórias, as derrotas e os fracassos de um só têm relevância quando confrontados com os do outro.

Grêmio e Inter foram campeões do mundo. O que interessam esses títulos para o torcedor do Flamengo ou o do Palmeiras? Nada. Ou quase nada. No máximo, o torcedor de outro clube vai olhar para a Dupla Gre-Nal com uma réstia de admiração. Mas apenas uma réstia e apenas admiração, nunca inveja, que inveja se tem de quem está próximo, nunca orgulho, que orgulho se sente do que se é dono.

O futebol só existe por isso: para despertar o orgulho ou a inveja.
Existe pelos sentimentos fortes, jamais pelos pálidos. Sentimentos ralos como a admiração ou a simpatia não são suficientes para sustentar o futebol.

Por isso, só o Gre-Nal importa.

Assim, no fim deste domingo, alguns jogadores serão amaldiçoados, enquanto outros serão glorificados. Porque um torcedor irá para casa com orgulho, enquanto outro irá com inveja.

E é só isso, só o orgulho e a inveja, só o Gre-Nal importa.

A promiscuidade de Leandro

24 de abril de 2010 41

Brás Cubas, embora morto, já que narrava sua história a partir do negror da tumba, foi personagem imortal de Machado de Assis. Pois Brás Cubas, quando vivo, e bem vivo, envolveu-se com Marcela, espanhola tão bela quanto leviana.

Como sói acontecer com os homens, quando eles se envolvem com mulheres belas e levianas, Brás Cubas deu-se mal. Depois de ter sido abandonado pela cachopa, desabafou, num suspiro de dor:

“Marcela amou-me durante 15 meses e 11 contos de réis”.

Não se poderia dizer o mesmo de certos jogadores?

Quando chegam, eles amam, eles beijam o escudo do clube, falam dessa torcida maravilhosa. Em campo, a bola vai sair para a lateral, eles sabem que não a alcançarão, mas se atiram de carrinho na direção dela, vão deslizando pela grama, vão arrancando leiva, e as arquibancadas estremecem de paixão.

O torcedor vê neles a garra, a alma guerreira que tanto preza. Passam-se, porém, menos do que os 15 meses de Marcela e vem alguém e lhes oferece pouco mais do que 11 contos de réis. Não precisa ser um espanhol, um italiano. Pode ser qualquer croata, qualquer ucraniano, até um árabe, não importa, o que importa são os contos que eles agarram com idêntica gana com que dão carrinho atrás da bola perdida, e bandeiam-se para outro clube e lá beijam escudo e chamam a torcida de maravilhosa.

Levianos como Marcela, é o que são.

Promiscuidade

Segunda-feira, durante a nossa fremente reunião de pauta, espocou um assunto: no Gre-Nal deste domingo deve haver apenas um gaúcho em campo: Bolívar.

Nenhum dos outros jogadores viveu desde a infância a rivalidade Gre-Nal. Isso influenciaria no clássico? A maioria dos colegas achou que não, que hoje todos os jogadores são profissionais e que se comportam com a mesma frieza em qualquer partida.

Durante a semana, ficou provado que sim.

Leandro, jogador do Grêmio, não contente em tão-somente ser conselheiro de Walter, centroavante do Inter, emprestou seu apartamento para Índio, zagueiro do mesmo Inter. O que ele faz pelos jogadores do Grêmio não se sabe, mas os colegas colorados estão bem servidos. Inclusive na outrora sagrada semana do Gre-Nal.

Como a torcida do Grêmio vai receber Leandro no jogo de hoje, depois de toda essa promiscuidade?

Se Leandro fosse daqui, se tivesse crescido no bolor da rivalidade, saberia que um jogador do Grêmio não é inimigo de um jogador do Inter, mas será sempre o seu principal adversário.

Saberia que um fracasso em Gre-Nal pode significar o fracasso de um jogador no clube. Não saber disso, ou agir como se não soubesse disso, é ser leviano.

É ser como Marcela.

O segredo de Letícia

24 de abril de 2010 34

Amanhã, é domingo de Gre-Nal. O Gre-Nal 380, o primeiro de dois jogos que vão decidir o Gauchão.

Por ora, fiquem com um texto publicado em 2009 na ZH, que tem tudo a ver com o clássico, ó:

Depois da noite encantada em que eles se conheceram e passaram parte conversando, parte se beijando, Leo tomou as mãos de Letícia nas suas e sussurrou:

– Me diga que você é colorada! Por favor! Me diga que você é colorada!

Letícia sorriu. E depois miou:

– Sooou…

Leo olhou para o Firmamento:

– Obrigado, Senhor! Encontrei a mulher perfeita!

Letícia sentiu o peito inflar de alegria. Gostava de ser a mulher perfeita. Só que não era – pelo menos não do ponto de vista de Leo. Na verdade, Letícia sempre fora gremista. Dissera-se colorada porque aquilo parecia tão importante para ele… Além disso, não ligava muito para futebol. Definia-se como gremista, mas estava longe de ser uma militante. Então, por que não fazer a alegria infantil daquele homem tão atencioso?

No encontro seguinte, ele lhe trouxe um mimo: um ursinho de pelúcia do Inter.

– Ó. Do nosso timão.

Letícia apertou o ursinho contra o peito:

– Que amooor…

A partir daquele dia, ele passou a chamá-la de Linda Vermelhinha. Continuaram se vendo cada vez com mais frequência. Começaram a namorar. Ele a levava ao Beira-Rio e a presenteava com novas camisetas do Inter, pratinhos do Inter, buttons do Inter. No aniversário dela, levou-a a um motel de luxo e, lá, deu-lhe de presente… uma calcinha do Inter!

– Veste, Linda Vermelhinha… – pediu, sôfrego, e ele mesmo tirou a roupa, menos os meiões do Inter, que usou durante toda a noite, esticadas até o joelho.

O namoro foi em frente. Com o passar dos anos, Letícia desenvolveu a impressão de que o coloradismo de Leo se acentuara. Ele parecia mais arrebatado a cada temporada. Só falava da sua paixão pelo Inter. Ou do seu horror ao Grêmio. Tamanha obsessão começou a irritá-la. E, aos poucos, ela, que antes era indiferente ao futebol, passou a torcer em silêncio pelo Grêmio… e contra o Inter.

Assim, o gremismo de Letícia foi se cevando surda e dolorosamente. Era um sentimento que crescia, que latejava, e do qual ela queria se livrar. Queria confessar a Leo que não era colorada, que jamais fora colorada e que, ao contrário, justamente por causa dele, tornara-se uma gremista acérrima. Mas outros sentimentos impediam que fizesse a confissão. O principal: ela amava Leo, fazia planos de casar-se com ele. Como poderia decepcioná-lo desta forma?

Angustiada, Letícia passou a gritar ao mundo o seu gremismo. Contava seu caso a todos. Todos: a família, os amigos, os colegas de serviço, a manicure, o porteiro. Em pouco tempo, só Leo não sabia. Leandro, seu melhor amigo, chegou a cogitar de contar tudo a ele, mas foi demovido pelos outros amigos.

– Depois eles reatam e você é que vira o vilão da história – argumentavam.

Letícia ia escondida aos jogos do Grêmio, guardava uniformes retrôs do time de Telê Santana na casa da irmã e escreveu “FBPA” na parte interna da bolsa.

Leo tornou-se motivo de chacota no bairro em que morava, na agência de publicidade em que trabalhava, no bar que frequentava.

Letícia não suportava mais aquela vida dupla. Queria dizer a verdade, queria viver em paz com sua consciência. Um dia, decidiu que contaria a Leo, mas naquele dia, justamente naquele dia, ele a pediu em casamento. Letícia foi acometida por uma crise de choro. Leo achou que fosse de alegria, era de angústia.

Como a maioria dos criminosos, ela passou a dar indícios de seus atos. Só se vestia de azul, arrumava desculpas para não acompanhar Leo nos jogos do Inter, uma manhã pegou-se assobiando vou torcer pro Grêmio bebendo vinho. Leo achava estranho, mas não podia admitir a terrível verdade. Até que, na manhã de um domingo de Gre-Nal, ele descobriu. Da maneira clássica: Letícia havia deixado o celular sobre a mesa e um de seus amigos gremistas enviou-lhe uma mensagem: “Até a pé nós iremos!” E Leo viu. Por algum motivo, desconfiou daquela mensagem que a noiva recebia numa manhã de domingo, tomou o celular e leu a frase. Quando Letícia chegou, vinda de outro aposento da casa, ele estava à beira das lágrimas.

– O que é isso? – gritava, mostrando o celular. – O que é isso??? Não vá me dizer que você é uma… – engoliu em seco – … uma… uma… gremista!

Letícia entrou em pânico. Fora descoberta. Ia perder seu noivo, seu futuro marido, seu amor. Pensou rápido. E rápido agiu.

– Não! – ela gritou. – Isso é um código. Confesso: eu tenho um amante. Estou deixando dele, não o amo, amo você, mas a verdade é que tenho, tenho sim, tenho um amante! Eu tenho! Me perdoa, Leo! Me perdoa!

Leo ficou arrasado, chorou, descabelou-se, mas disse que a perdoaria. Com uma condição: ela teria que ir ao Gre-Nal com a camiseta do Inter, com a bandeira do Inter, torcer pelo Inter. Letícia foi. Vestiu vermelho e arrastou-se para o Gre-Nal, o coração estilhaçado. Sentados os dois nas arquibancadas, enrolados na bandeira colorada, Leo abraçou Letícia e a beijou no rosto. Achando-se traído por um mero homem de carne e osso, não por uma instituição, ele suspirou, aliviado, e declarou, com lágrimas nos olhos:

– Eu sabia que podia confiar em você, Linda Vermelhinha. Minha Linda Linda Linda Vermelhinha…

Carta da deputada

23 de abril de 2010 20

A deputada Maria do Rosário enviou-me um interessante e-mail sobre a coluna que publiquei hoje. Partilho-o com os leitores.

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Estimado David,

Sou uma leitora assídua da tua coluna em Zero Hora. Gosto dos temas e da forma como tu abordas os assuntos. Mas a coluna de hoje me tocou sobremaneira, por tratar de dois assuntos que me são muito valiosos.

Em primeiro lugar, quando tu falas no metrô e que a China realiza obras para 80 linhas chega a dar uma dor. Na campanha eleitoral de 2008 cheguei a ser chamada pelo Fogaça de “Rainha do Metrô”, de tanto que eu insisti nesse tema, mas não consigo me conformar com o fato de Porto Alegre ainda não tratar disso como uma prioridade. Lutamos para garantir recursos lá em Brasília, mas tudo depende de projeto da Prefeitura, que infelizmente nunca deu a devida importância. E em dias como ontem, quando eu levei mais de uma hora entre o aeroporto e a Nilo Peçanha pela 3ª Perimetral e acompanhava pelo Twitter os relatos de quem não conseguia chegar ao Beira-Rio a tempo do jogo do Inter, fico me perguntando: onde vamos parar? Não há saída para o trânsito que não seja meios de transporte de massas alternativos. É por isso que continuarei trabalhando e insistindo para garantir o nosso metrô de Porto Alegre. As eleições passam, mas as causas permanecem!

E depois tu falas de educação e crianças. Mexeu comigo de novo! Concordo quando tu afirmas que pouco se fala sobre a educação básica, mas isso não significa que não estejamos trabalhando muito e garantindo conquistas. Acho que falta divulgação. Para tu ter uma ideia, vou citar poucos exemplos do que conquistamos para o ensino nos últimos anos.

Desde 2007, está em vigor o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que substituiu o Fundef. Com isso, o repasse da União pulou de R$ 313,7 milhões em 2006, para R$ 6,9 bilhões em 2010. E isso possibilitou um salto de 30 para mais de 47 milhões de estudantes beneficiados. Eu fui autora da emenda que incluiu as creches no Fundeb, possibilitando que a educação infantil também receba financiamento público. Além disso, aprovamos ano passado na Câmara e Senado o fim da Desvinculação das Receitas da União, a chamada DRU. Essa medida é gradativa e aumentou os recursos federais para educação em 4 bilhões de reais no passado, 7 bilhões esse ano e em mais de 10 bilhões anuais a partir de 2011. Essa medida foi aprovada em conjunto com o aumento da obrigatoriedade do ensino. Se antes o estado tinha a obrigação de oferecer educação pública para todas as crianças entre sete e 14 anos, agora essa obrigação é dos quatro aos 17, englobando a educação infantil, ensino fundamental e médio. Por fim, o governo federal tem ainda o programa Proinfância, que destina recursos para municípios construírem escolas de educação infantil. De 2007 para cá, foram 165 municípios gaúchos beneficiados. E a segunda etapa do PAC tem como meta a construção de seis mil novas creches em todo o país.

Enfim, eu poderia ficar o dia aqui escrevendo dados e programas que estão em andamento no Brasil. Realmente acho que falta às pessoas conhecerem essas ações. Mas de uma coisa tu podes ter toda certeza, sou uma inquieta com esses temas. Reconheço e comemoro os avanços, mas estarei sempre trabalhando por mais. Enquanto não tivermos a totalidade das nossas crianças e adolescentes na escola, temos muito trabalho pela frente. Essa é a nossa luta!

Agradeço a tua atenção e me coloco à disposição. Sou uma eterna entusiasmada com esses temas.

Um forte abraço,

Maria do Rosário
Deputada Federal”.

Ricardo Amorim e os metrôs da China

23 de abril de 2010 21

Sabe quantos metrôs estão sendo construídos na China neste momento? Não estações de metrô, não linhas de metrô, mas sistemas inteiros, labirintos subterrâneos cavados sob cidades com mais de cinco milhões de habitantes, sabe quantos?

Oitenta.

Munido dessa informação, tente calcular quanto ferro os chineses terão de empregar em seus 80 novos sistemas de metrô. Toda uma Grande Muralha talvez pudesse ser erguida com esse ferro, não é mesmo?

Bem. Agora pense em quem vai fornecer o ferro para os chineses. Quem é o segundo maior produtor de ferro do mundo, abaixo, exatamente, da própria China?

É. O Brasil.

Tais informações, as colhi na palestra do Ricardo Amorim, proferida durante o feriado, no Plaza. Ricardo Amorim, você sabe, além de percuciente integrante da bancada do Manhattan Connection, foi um dos raros economistas a prever o estouro da crise mundial do ano passado. Foi o que me levou ao Plaza. E não me decepcionei. A palestra foi recheada de conteúdo, valeu cada real da inscrição.

Ao apresentar dados como o número de metrôs em construção na China, Ricardo Amorim mostrou que, a partir da entrada dos chineses no comércio mundial, no ano 2000, o Brasil passou a crescer e não parou mais. Porque o Brasil tem o que os chineses querem: comida e matéria-prima, como o ferro das estruturas dos metrôs. Continuará crescendo enquanto os chineses estiverem consumindo, e isso vai durar largo tempo. Os índices do país também continuarão melhorando: mais emprego e, consequentemente, menos criminalidade; mais recursos para investir em infra-estrutura; mais gente vivendo melhor; mais popularidade para o presidente. Tudo muito alvissareiro.

Houve apenas um setor que permaneceu intocado, na ampla análise do Ricardo Amorim: a educação básica. Ricardo Amorim não tocou no tema da educação básica porque neste tema ninguém toca por aqui. Há investimento em universidades e escolas técnicas, há investimento em usinas de energia, há investimento em pesquisa, tecnologia e transporte. Para as crianças não há nada.

Lembro do velho Leonel Brizola na eleição de 1989. Repetia Brizola, com aquela sua fala cantada:

- As crianças… temos que salvar as crianças…

Vinte anos se passaram e, desde então, só ouvi um político falar nas crianças. Justamente um discípulo de Brizola, Cristovam Buarque. Quando ministro da Educação, Cristovam Buarque queria tratar do assunto com Lula. Não conseguia audiência. Reclamou:

- Presidente, só consigo falar com o senhor se calçar tênis e for jogar bola.

Lula rebateu:

- Se você não gosta de usar tênis, jogue descalço.

Buarque pediu demissão, candidatou-se a presidente e angariou fama de sujeito exótico, que só falava em educação. E assim tem sido. Você não ouve ninguém falar em educação básica, mas ouve o Ricardo Amorim e fica entusiasmado.

O Brasil vai ganhar dinheiro com o pré-sal, o Brasil vai ganhar dinheiro vendendo a indianos e chineses, muita gente vai ganhar dinheiro no Brasil. Que bom. Haverá mais gente para dar esmola às crianças sujas debaixo dos semáforos do Brasil.

Respondendo aos leitorinhos (2)

22 de abril de 2010 14

Seguem mais 20 respostas aos leitorinhos.

Em breve, mais uma leva.

Mas continuem perguntando. Não parem!!!

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21. Se o Bernardo adquirir a fama e o mel do Renato Gaúcho, bem como a criatividade do David Coimbra, sobrará alguma mulher nesse mundo? E alguns pais sonham que o filho seja desembargador… hahahaha Abração, cara! - Ricardo

Se ele não tiver tudo isso, Ricardo, não tem problema.
Desde que ele seja rico.

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22. David, como um cara inteligente como tu pode ter caído na armadilha do casamento? Tu tinha tudo para ser um solteirão convicto e “abatedor de lebres”!!!!!!!! - Índio

Ao contrário, sou um casadoiro. Estou sempre casando.

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23. David, já não é de hoje que quero saber a tua preferência entre as opções abaixo:
a) Cabelos loiros e lisos
b) Seios rijos
c) Pernas longas e torneadas
d) Na verdade você prefere uma bela morena jambo
e) Nenhuma das opções acima (???)
Parabéns pelo seu trabalho, e desculpe pela brincadeira.
Um abraço ao já escolhido substituto do professor Ruy (mas espera, que ainda vai demorar) – Tiago
- Vizinho do IAPI

Todas as opções acima.
Quanto a substituir o Professor, ele é insubstituível.

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24. David, qual é o sentido da vida? Brincadeira.
A pergunta que eu quero fazer é: tu tens tanta criatividade para escrever histórias e textos ótimos, de onde saem tantas ideias? E se alguma vez isso já aconteceu, eu gostaria de saber como você se sente quando vê que está sem inspiração para escrever. –
Vi

Se não tenho ideia para escrever, fico desesperado. Só penso nisso, e em nada mais. Mas, como estou sempre pensando nisso, na hora agá sempre surge a ideia.

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25. Querido David! Você é um fofo e escreve umas crônicas muito legais!
Mas não acha que ser ‘autor homenageado’ em uma Feira do Livro (Erechim) é um pouco cedo (e demais), para alguém que tem apenas algumas publicações e ainda é muito jovem?
Te loveyou assim mesmo!
: )
Erechinense Debochadinho
Roberto Castelo

Querido Debochadinho:
Tenho 13 livros publicados, mas não sei que quantidade é suficiente para ser homenageado por uma feira de livro. Salinger, morto há pouco, publicou meia dúzia. Defoe, morto há muito, escreveu 200 romances. E agora?
Bom, talvez o critério para a escolha do homenageado seja a qualidade, não a quantidade, mas isso também é subjetivo. Alguém, a minha mãe, por exemplo, pode achar um livro meu genial, enquanto outra pessoa, como tu, Debochadinho, pode achar só fofo, e outros ainda podem achar uma estrondosa bobagem. Sabe-se lá.
Já fui patrono de outras feiras, umas 12 ou 13, quem sabe 14, não contei. Também não consigo avaliar se são maiores ou menores do que a de Erechim. Volta e meia sou convidado para ser patrono de alguma e recuso o convite por falta de tempo. Talvez haja muitas feiras e poucos escritores, assim eles são obrigados a apelar para qualquer um. De qualquer forma, o melhor seria perguntar aos organizadores da feira por que me convidaram. Devem ter lá seus motivos, que são misteriosos para mim.

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26. Buenas, vivente.
Chê, tu és muito competente no que fazes. Há exemplo de outros da crônica esportiva, por que vocês não usam todo esse ímpeto, sagacidade, inteligência, argumento e pressão, para mudar o país e não só o técnico ou a forma de jogar de um time? – José Mattos

Mas escrevo sobre outras coisas também, José. Tu é que tens me lido pouco.

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27. David,
Já li dezenas de listas de livros indicadas por você.
Mas nunca vi uma lista dos “10 piores”… você se arriscaria? -
Leandro Farias

Antes eu começava um livro e ia até o fim, mesmo que o achasse ruim. Hoje, se passo da centésima página e já percebi a intenção do escritor, não gostei do livro ou acho que ele não me serve por algum motivo, interrompo a leitura. Portanto, leio poucos livros ruins.

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28. Olá, DAVI! Em primeiro lugar, parabéns por tuas crônicas, sempre excitantes e excelentes. Em segundo, quero que esclareças se os personagens citados, especialmente quando te referes ao IAPI, são criações tuas ou fictícios? Um grande abraço! – Ricardo Reischak

Alguns são, como já respondi. A maioria é.

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29. Como tu se tornou um torcedor do Criciúma? Torcia para qual time gaúcho na infância pelas ruelas do IAPI? – Ezequiel

Quando entro a debater um assunto, nunca discuto o debatedor: “Tu estás dizendo isso porque tu és assim”. As pessoas têm essa tendência: “Tu estás criticando o Inter porque és gremista, tu estás elogiando o Inter porque és gremista, tu estás falando mal do PT porque és de direita, tu estás falando bem do PT porque és de esquerda, tu estás criticando a EPTC porque és multado”. E por aí vai. Isso empobrece a discussão, porque não se destrincha o argumento, não se desenvolve o raciocínio, apenas se tenta denegrir aquele com quem não se concorda ou elogiar aquele com quem se concorda.
Por isso não falo sobre o time pelo qual torço, ou torcia, ou torcerei. Porque é dar vazão à pobreza de discussão, ao não-pensamento.

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30. Vai uma dica para o escritorzinho do blog, quem sabe outra pérola do estilo da do Tcheco, agora sobre o Silas. Primeiro treinador do time da Azenha que não tem nem cursinho intensivo que foi ministrado lá na Espanha?
Rafael Knust

Curioso como o texto sobre o Tcheco motivou os leitores-torcedores do Inter. Não elogiei o futebol do Tcheco na coluna (apesar de achá-lo, sim, excelente jogador), elogiei-lhe o caráter. E isso tocou os torcedores do Inter. Ainda vou entender o motivo. Também não entendi a pergunta sobre o tal cursinho na Espanha. Estou meio tanso hoje.

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31. Caro David Coimbra,
Estou tomando conhecimento da sua grande capacidade para a literatura. Recentemente pude apreciar a exuberância do texto “Tcheco: um ser superior”. Por acaso o senhor não teria na gaveta outros textos como estes? Fico ansioso por novos textos assim. Grato-
Camilo Bajotto

Bajotto:
Notei que você está obcecado com o jogador Tcheco. Imagino que tenha suas razões, e as respeito, não tenho preconceitos. Também já fui obcecado pela Megan Fox. Acontece.

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32. Boa tarde, seu David, esta é a primeira vez que participo do seu blog, tenho 13 anos e já por diversas vezes escuto o meu pai falar que a imprensa gaucha, especialmente a RBS, por diversas oportunidades se mostra favorável, em se tratando de futebol, sempre em seus comentários, ao time do Grêmio Porto-Alegrense. Gostaria de saber sua opinião, sincera, se o senhor concorda que um meio de comunicação, o qual tem ouvintes e telespectadores das mais diversas opiniões e gostos, esteja correto em demonstrar tanta parcialidade como a RBS faz costumeiramente? Até logo – Rogério Cabra

É uma ingenuidade acreditar nisso, Rogério. A RBS, como qualquer empresa de comunicação, prefere seu sucesso empresarial a qualquer clube de futebol. Não arriscaria um pelo outro. E na RBS há gremistas e colorados em igual medida.

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33. David, se o Júlio César era o típico camisa 10, e Augusto o típico zagueiro que não tem medo de dar chutão, então o que sobra para os grandes líderes celtas como Vercingetórix e a Boudicca? – Gustavo

São personagens rebeldes, inconformados, que realizaram façanhas, mas acabaram derrotados, como Espártaco ou Zapata. Simpatizo com eles. Foram derrotados não por falta de capacidade. Tinham muita capacidade, eram craques. Foram derrotados porque jogavam em times pequenos.

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34. David, David… tu é o cara, David. Não dá para deixar de admirar uma pessoa que te influenciou a ler Fante e Buk. Que são monumentais. Isso é literatura para grandes homens. Comparável a apenas gol do Inter, torta de bolacha, vingança, claro, e mulher. Ou mulheres. Principalmente aquelas de cabelos vermelhos. Aaah, aquelas de cabelos vermelhos, vermelho-cereja, vermelho-pitanga, vermelho-amora. Tu sabes, né David, aquelas que tem lascívia emanando, que tem tem um ar primaveril e pernas da cor de bom-bom… bom desculpa estou tergiversando. Vamos à pergunta. Sério. David, o que tu achas da proposta apresentada pelo senador Critovam Buarque, que já foi apresentado e espera avaliação do Senado e da Câmara? O projeto consiste em obrigar os políticos eleitos – governadores, prefeitos, deputados e até o presidente do Executivo – a matricularem seus filhos em escolas públicas. Se não o fizerem perdem o mandato. Tu acha que é uma ótima estratégia para melhorar o ensino público? A exemplo do que acontece no Reino Unido e Cingapura, lá políticos não podem matricular seus filhos na rede privada. Tu achas que é um firme passo na reestruturação da educação brasileira? -
Renato Oliveira

Acho uma boa ideia, sim. Gosto muito das ideias do Cristovam Buarque, aliás.

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35. David, tu tens muitas multas de trânsito? Se sim, foram feitas por agentes ou por controladores eletrônicos? Se for por controlador eletrônico, cabe ressaltar que estes estão sempre no mesmo local. Logo, estes não podem ser tidos como “escondidos”. Gostaria de saber, pois quero saber da tua condição para falar sobre o trânsito. Um mau motorista não deve abrir a boca, afinal, quem tem teto de vidro não atira pedra no vizinho. Te peço, pergunta a mesma coisa para a tua colega, a Cristina Ranzolin. Abraço - Lucas

Lucas:
Ainda que tivesse sido muito multado, ainda que fosse mau motorista, poderia, sim, falar de trânsito. Porque sou contribuinte.
Mas minha crítica à EPTC não são as multas eventualmente aplicadas e sim o seu escopo enquanto empresa. Trata-se de uma empresa voltada inteiramente para a multa, para a arrecadação, não para o bom funcionamento do trânsito de Porto Alegre. Além do mais, concordo com a ideia de substituir fiscais da EPTC por brigadianos. Daria mais segurança à cidade.
Há um abaixo-assinado correndo na cidade a fim de pedir a extinção da EPTC. Se forem recolhidas 50 mil assinaturas, a prefeitura tem de promover um plebiscito para isso. Voto SIM.

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36. Caro David!
Somos colegas de profissão – sou repórter de um jornal diário em Cachoeira do Sul – e vi que as perguntas feitas pelos internautas até o momento são basicamente sobre mulheres e futebol. Aliás, são dois temas que aprecio muito, mas os textos que tu escreves que mais me chamam a atenção têm como tema a política. Então, gostaria que tu fizesses uma análise dos pré-candidatos ao Governo Federal, seus pontos fortes e fracos e as chances de cada um de chegar ao Palácio do Planalto. Acho que é isso meu caro! Abraço e até logo!!! – Milos Silveira

Tua pergunta me inspirou a escrever um texto, Milos. Vou escrever uma coluna sobre isso e será a tua resposta. Provavelmente na sexta. Aguarde.

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37. Por que os peixes gostam de comer minhoca, se minhoca mora em túneis subterrâneos e os peixes moram na água? – Maurício Frantz

Muitos gostam de comer coisas em túneis.
E outros gostam de minhocas.

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38. David, você acredita em extraterrestres? Ou eles são muito mentirosos? Já viu algum fenômeno paranormal para contar para gente? - Zé das Couves

Uma vez, ao chegar em casa às seis da manhã, disse pra minha mulher que havia sido abduzido. Ela não acreditou, mas era verdade.

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39. É para perguntar?? Quais os números para a Mega Sena?? Qual o palpite??
Prometo que te aviso quando ganhar … hehehehehe!! Bjks… adoro seus texos!! – Carlinha

Anota aí esses números. Nunca saíram juntos:
1
2
3
4
5
6.

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40. Prezado David, o que você pensa sobre a maconha? Saudações - Pedro

Sou pela descriminalização da maconha, mas não sou usuário.