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O poder do elefante

05 de julho de 2010 12

Depois de assistir à triste Seleção de 2010 apanhar da Holanda em Port Elizabeth, o que nos restava?

Ver os animais.

Fomos fazer um safári.

Fomos ao Addo Elephant Park, um parque nacional instituído nos anos 20 do século passado.

Essa região de Port Elizabeth, chamada “Cabo Leste”, era um dos maiores habitats de elefantes do mundo, até a chegada do homem branco. Como os elefantes pisavam com suas grandes patas nas plantações das fazendas e reduziam tudo a pasta vegetal, os homens brancos passaram a caçá-los. No fim dos anos 20, ainda restavam alguns espécimes. Não muitos, mas um elefante incomoda muita gente, com o que os fazendeiros contrataram o célebre major Pretorius para eliminá-los em definitivo. Foi esse major Pretorius quem deu o nome à capital do país, Pretória, o que, aliás, vem gerando algum debate: os sul-africanos negros pretendem mudar o nome da cidade.

O major Pretorius era um exímio caçador. Saiu atrás dos elefantes como se fosse o ataque da Alemanha. Em menos de um ano, matou 120. Sobraram 15, que fugiram assustados para a mata. Quando o mundo desenvolveu alguma consciência ecológica, o Addo foi criado e esses 15 sobreviventes foram a base do que existe hoje.

Agora o Addo tem mais de 600 quilômetros quadrados, tem chalés para quem quiser dormir no local, restaurante e uma loja onde comprei um leãozinho para o meu Pocolino. Um leãozinho de pano, bem entendido.

Nosso caminhão era dirigido por um guia chamado Sikey. Mal entramos no parque, ele parou. Não podia seguir adiante porque logo ali, na estrada, havia um cocô de elefante do tamanho de um bolo de aniversário. Todos olhamos pela janela e admiramos o Grande Cocô. Uma obra, de fato, mas porque não podíamos passar sobre ele?

Arrá! Por causa do besouro-do-esterco, um bicho que só existe no Addo, que não voa, que desenvolveu o estranho hábito de passar seus dias dentro dos cocôs e que, como os elefantes e os leões, deve ser preservado.

Assim é a vida selvagem.

Contornamos com muito cuidado o cocozão, tendo o cuidado de fazer o mínimo de estardalhaço possível para não assustar o besouro, e seguimos em frente.

Fazia cinco minutos que estávamos dentro do parque, e o Pedro Ernesto, de braços cruzados, reclamou:

– Cadê os bichos? Cadê o elefante?

Logo apareceu o primeiro bicho, o kudu, um tipo de veado. Claro que a turma ficou fazendo as gracinhas de praxe sobre veadinhos e tal.

– Quero ver elefante – disse o Pedro Ernesto. – Onde é que está o elefante?

Mais adiante e apareceram avestruzes. Sikey explicou que um ovo de avestruz leva duas horas para ser cozido e que equivale a 24 ovos de galinha.

– Você pode comer – garantiu Sikey. – Mas ao longo do tempo, mata.

Melhor não comer ovo de avestruz.

– Tá – falou o Pedro. – Mas o elefante?

Foi quando surgiu o elefante.

Não um, nem um casal: vários. Uns 50 elefantes comendo grama, placidamente. O caminhão parou a poucos metros deles. Então, o maior de todos, um macho com presas compridas como pernas humanas, olhou para nós e veio em nossa direção. Caminhava devagar, com graça, balançando o corpo enorme. Caminhava olhando fixo para nós. Aí, quando chegou bem perto, parou. E fez algo surpreendente.

De alguma parte de seu corpo redondo, fez surgir um membro quase das mesmas dimensões de suas patas, jogou-o para baixo e, através dele, expulsou um jato de urina que poderia apagar um pequeno incêndio. Depois do que, não o recolheu. Continuou caminhando lentamente com aquele troço pendurado, uma quinta perna, uma segunda tromba. Caminhava como que se exibindo, mostrando quem era. Nós, no caminhão, observávamos a cena em silêncio. Falei para o Pedro:

– Queria o elefante? Aí está o elefante.

O Pedro suspirou:

– Que poder tem o elefante!

Comentários (12)

  • HILARCOLORADO diz: 5 de julho de 2010

    PREPOTENTE DOS “los invictos”!

  • Ademir diz: 5 de julho de 2010

    Site

    O BRASIL SÓ GANHOU TÍTULOS QUANDO DISPUNHA DE JOGADORES QUALIFICADOS. SEM ENCLINAÇÃO PARA CULTURA TÁTICA, NOSSOS JOGADORES SUPERARAM OS ADVERSÁRIOS ATRAVÉS DA TÉCNICA, DO IMPROVISO, DO DRIBLE, QUE É O QUE TEMOS DE MELHOR (PARA OS APAIXONADOS PELO FUTEBOL FORÇA (?) ISSO TAMBÉM VALE PARA INTER E GRÊMIO). POIS EM 2010 LEVAMOS PARA A ÁFRICA O GRUPO MAIS DESQUALIFICADO, TALVEZ SÓ COMPARADO COM O DE 1974. O QUE DÓI É QUE TEMOS MATERIAL HUMANO PARA BEM REPRESENTAR NOSSO FUTEBOL. ORA UM ESCALADOR MEDIANO E INTELIGENTE TERIA LEVADO O QUARTETO FINAL DO SANTOS (GANSO, ROBINHO, NEYMAR E ANDRÉ) QUE ESTAVAM EM ÓTIMA FASE,ENCANTANDO, FAZENDO GOLS E DESTRUINDO DEFESAS. CHEGA. DAÍ PARA TRÁS ESCALEM QUANTOS VOLANTES BRUCUTUS QUISEREM. MAS TÍNHAMOS UM TREINADOR BIRRENTO, TEIMOSO E PORISSO PERDEDOR.

  • mauro luiz diz: 5 de julho de 2010

    FICA POR AI… NÃO VOLTA.

  • MAURO DE IPANEMA diz: 5 de julho de 2010

    David “a seleção apanhar da holanda”? Só pode estar de brincadeira. Apanhar é tomar uma lavada de 4 x 0.

  • josé ernani freitas diz: 5 de julho de 2010

    O Pedro suspirou! O suspiro foi um desabafo, pelo profundo complexo de inferioridade, que deve ter
    tomado conta dele, diante do portentoso e exibicionista paquiderme.
    Os companheiros do Pedro, mais discretos, apenas ficaram extasiados, pasmos, diante do ‘poder do
    elefante’, pelo menos isso é o que depreende-se de narrativa tão explícita.
    Uns podem tanto, outros tão pouco!

  • PC, O PC diz: 5 de julho de 2010

    Tudo começou com a esculhambação de 2006. E tudo terminou com o absolutismo de 2010.
    Esculhambacao e regime fechado nao fazem a menor diferenca se no primeiro vc tem um time que nao quer jogar e no segunto um time que nao sabe jogar. Enfim… o assunto são os elefantes… a primeira vez que vi um deles, me apavorei, saí correndo. Era de um circo chegando na cidade. Depois vi o Dumbo, muito mais simpatico. Hoje só na TV e nas descrições como essa aí…
    O importante é que os elefantes estão ali, na deles, com suas duas trombas, ou cinco patas, o que for mais conveniente. Vamos preservar os elefantes da Africa, da Asia e, se possivel, ainda recriar os mamutes com algum vestigio de dna encontrado em alguma geleira.
    Só vamos enterrar de vez os elefantes do futebol, que pisoteiam o bom senso, transformam seleções em pastas disformes e o resultado final é um grande cocô. Cocô este que vai ficar ali, durante quatro anos até que seja eliminado ou, o que é pior, coloquem outro no lugar.
    Enfim, salvem os elefantes … deixem que eu salvo a Charlize…..

  • Mêlanie diz: 5 de julho de 2010

    Muito bom!

  • LEONARDO – MESTRE diz: 5 de julho de 2010

    Que bom pra ti David!

    Tu não entende nada de futebol mesmo … vê se aprende alguma coisa sobre os animais!

  • Otavio Campos diz: 5 de julho de 2010

    Sorte do Brasil foi não ter encontrado com a Alemanha.

    Daí sim………estaria de frente com um Elefante !!.

    4 X 0 ………..seria pouco !!.

  • corvo diz: 5 de julho de 2010

    O Brasil “apanhar”? Esse é o “jornalismo” que você tanto defende? Lamentável.

    Cada vez que leio coisas assim, sinto no ar cheiro de corporativismo e revanchismo.

  • Carlos diz: 5 de julho de 2010

    Isso… fica aí fazendo um safari… fique admirando os bichinhos de chifre… e o lugar que vc merece… na sua ausencia tem gente que deve estar agradecendo a sua ausencia… o Ricardo…

  • Allan diz: 6 de julho de 2010

    Muito boa!
    Uma das melhores que vc já escreveu. Concorre com a do trem do japa acocado…
    Parabéns! É sempre melhor quando não fala em futebol deixando transparecer seu gremismo…

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