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Os homens de cem mil anos de idade

07 de julho de 2010 8

Nos meus últimos dias de África, enfim vi um bosquímano. Foi aqui em Port Elizabeth. Avistei-o perto de um supermercado onde o pessoal fazia compras, suspeitei que fosse quem eu pensava que era. Perguntei a um sul-africano:

- É um bosquímano?

Era. Fiquei observando-o. Os bosquímanos vivem como vivíamos há 100 mil anos. E como, talvez, ainda devêssemos viver.

Entre os bosquímanos não existem guerras. Porque eles não têm pelo que lutar – os bosquímanos não possuem terras, são nômades. Na condição de nômades, precisam se deslocar de um lado para outro com um mínimo de posses. São conhecidos pelos outros povos africanos como “o povo que nada tem” e, como nada têm, de nada necessitam.

Os bosquímanos não são dizimados por epidemias, porque vivem em grupos muito pequenos, de 20 a 50 indivíduos, no máximo.

Os bosquímanos hoje estão quase extintos. São uns 50 mil movimentando-se pelo Deserto do Kalahari, 10% destes na África do Sul.

Os homens branco os chamam de “bushmen”, um termo pejorativo. Bush, em inglês, significa “arbusto”, “moita”. Ou seja: aquele presidente americano não era outro que não o Famoso Moita.

Os bosquímanos são tímidos, amistosos e pequenos, metro e meio de altura. Tempos atrás foi feito um filme sobre um bosquímano, “Os Deuses Devem Estar Loucos”, mas os sul-africanos reclamam que se trata de uma comédia pouco fiel aos hábitos desse povo.

Eles falam com estalidos na língua, como os xhôsas e outros bantos. São adaptados pela evolução para sobreviver no deserto: suas pernas mais compridas do que o corpo e seus pés grandes e largos são feitos para longas caminhadas; suas nádegas volumosas e redondas acumulam gordura para os dias difíceis; sua pele cor terrosa, meio caramelada, os protege do sol; os olhos amendoados, como os dos orientais, os defendem da luminosidade excessiva.

As loiras ocidentais apreciam os africanos pelos seus pênis avantajados. Os pênis dos bosquímanos decepcionariam uma sueca fogosa – são pequenos como o dos japoneses. Porém, estão sempre meio eretos. “Pênis rictus” é como se chama tal fenômeno, ao contrário do depressivo “Pênis pêndulo” dos ocidentais branquicelas.

Os bosquímanos não trabalham. Caçam e coletam, e olhe lá, porque só se ocupam dessas atividades os que estão entre os 20 e os 60 anos de idade. Os demais se divertem. Mesmo assim, a caça e a coleta lhes consome entre 12 e 19 horas por semana, não mais.

Em 1966, uma grande fome se abateu sobre a África, e tribos de agricultores ficaram próximas do extermínio, porque a ajuda humanitária da ONU não conseguia alcançá-las. Os bosquímanos, sempre vistos com tanto desprezo por africanos e europeus, correram em seu auxílio. Ensinaram às mulheres dos colonos quais eram os mais de 20 insetos nutritivos da região e os 180 tipos de raízes comestíveis do deserto, ensinaram onde encontrar plantas selvagens e frutos sumarentos, ensinaram-lhes como comer cáctus e reservar água em ovos de avestruz ocos, ensinaram-lhes como beber da seiva do baobá.

Salvaram-lhes a vida.

E depois voltaram para o deserto, felizes, despreocupados, como sempre foram, desde o começo dos tempos.

Comentários (8)

  • ana.amo o brasil sem os brasileiros diz: 7 de julho de 2010

    kkkk…agora deste pra censurar …vcs são lixo mesmo…como ja disse…te tirei da alista de leitura das minhas crianaças…é deprimente ver o quanto se estava errada…mas isso é so uma alegoria aprofissionaal,amesmo…vcs nãao tem reponsabilidade nenhuma….criançasmimadas…aainda bem que d es cobri que grande paarte d a populaçaão taa fazendo e andando pro que vcs pensam ou dizem…
    então poem censurar a vontade,aainda mais sendo filhote da globo…

  • Luiz Carlos diz: 7 de julho de 2010

    Se a ana.amo o brasil sem os brasileiros fizer o favor de explicar o seu comentário, a sua relação com o texto publicado, eu ficaria grato, pois, não entendi a sua revolta com relação à matéria do David. Talvez, com melhor explicação, eu também me revolte com o texto publicado. Não bateram os meus neurônios e não se fechou o circuito. Por favor, me ajude e explique. Grato

  • Martina diz: 7 de julho de 2010

    Precisava mesmo falar do tamanho do penis deles, deve ter sido algo que realmente te chamou atenção para achar necessário isso. De ultima. “Os bosquímanos não trabalham”, não no ponto de vista do nosso sistema, mas trabalham sim, caçam. De ultima, de novo.

  • Dinaldo J.Morsch diz: 7 de julho de 2010

    Ana e martina. Quando foi mesmo a última vêz que vocês transaram? Hahahaha.A propósito:
    Parabén pela matéria David.

  • Angelo diz: 7 de julho de 2010

    Sensacional. A Ana e a Martina não transam a séculos mesmo. Mais um texto que justifica a definição de um tal de Sant’Ana: “David Coimbra, o sátiro peralta dos torsos e tornozelos femininos.”

  • PC, O PC diz: 7 de julho de 2010

    Quanto mais eu leio sobre os elefantes, os bosquímanos e sobre a cultura africana em geral mais eu fico injuriado. Eu queria era estar preocupado, lendo sobre as canelas do Felipe Melo, a unha encravada do Kaka, a dor de barriga do Jorginho, uma possivel frente fria no Ijiquiquá se deslocando em direção à Africa do Sul que poderia gripar o Luis Fabiano e qualquer coisa que pudesse atrapalhar a final com a seleção brasileira domingo e estou aprendendo sobre elefantes, bosquímanos, leopardos, mulheres girafas, zebras, sao paulinos, quer dizer veados, e outros animais do jogo do bixo.
    Vou tomar a minha overdose de placebo diária. E um café preto.

  • Fernanda diz: 7 de julho de 2010

    Faço minhas as palavras do Luiz Carlos. Por favor “ana.amo o brasil sem os brasileiros ” explicaaa ninguém entendeu nada!

    David, ótimo texto.

  • Artur diz: 9 de julho de 2010

    Pelo jeito a explicação dela foi censurada… Quem sabe o David nos explica aí!!

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