Um repórter fazia uma introdução laudatória a uma pergunta para o técnico Mano Menezes, às 11h30min deste sábado. Dizia que estava feliz por ele, Mano, ter sido escolhido para ser o novo treinador da Seleção Brasileira. Que, mais ainda, estava muito feliz, um muito com muitos us. Desmanchava-se em rapapés, o repórter, quando foi interrompido por gritos: eram os jogadores do Corinthians, Ronaldo Nazário e Roberto Carlos à frente, que invadiam a sala de entrevistas do clube para festejar a promoção do técnico. Mano se levantou de seu posto, abraçou-os e, depois disso, a coletiva prosseguiu.
O divertido incidente serviu para mostrar que tipo de treinador a CBF escolheu para comandar a Seleção no projeto para a Copa de 2014. Mano é um conciliador, um ser racional, um homem de diálogo, avesso ao conflito. E, sobretudo, é um técnico que se preocupa com o ambiente que o cerca, e não apenas com o ramerrão do vestiário.
O comportamento sereno de Mano foi o que mais chamou a atenção do diretor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, em seu contato com ele, na noite de sexta-feira. Rodrigo participou de todas as tratativas da CBF para contratar o novo técnico, junto com o presidente da entidade, Ricardo Teixeira. Rodrigo Paiva e Ricardo Teixeira haviam acertado a contratação de Muricy na manhã de sexta, no Rio. O treinador dissera que precisava da dispensa do Fluminense, mas em nenhum momento advertira que o negócio poderia não ser concretizado. Os dirigentes da CBF saíram do encontro certos de que ele seria o novo treinador. Quando houve a recusa, no fim da tarde, Rodrigo Paiva e Ricardo Teixeira entraram em pânico. Era preciso agir. E rápido.
Quando Rodrigo falou com Mano ao telefone, na noite de sexta, falou com ansiedade. Mano, ao contrário, demonstrou tanta tranqüilidade que o apaziguou.
- Ele conseguiu fazer com que eu desacelerasse - contou Rodrigo. - Foi muito educado, muito sensato.
Assim, logo ao ser contratado, Mano mostrou que tipo de comportamento vai reger a Seleção a partir de segunda-feira, quando assumirá o cargo. Mano foi o primeiro técnico de grande clube do futebol brasileiro a se comunicar com os torcedores via twitter. Em uma semana, já acumulava 130 mil seguidores. Quando chegou ao Corinthians, há dois anos, enfrentou a temível Gaviões da Fiel, que havia desenvolvido o hábito de fazer cobranças aos jogadores durante os treinos. Mano chamou os líderes da Gaviões, pediu-lhes que não atrapalhassem o trabalho e, sustentado por bons resultados, conseguiu pacificar o clube.
Ao ser contratado pelo Grêmio, em 2005, Mano mal somava seis anos como profissional. Tem, portanto, pouco mais de uma década de experiência. Mas, neste razoavelmente limitado período de tempo, aprendeu que o futebol profissional é mais do que um jogo de bola. Constituiu uma assessoria de imprensa comandada por sua filha, que é jornalista. Com os dirigentes dos clubes, mantém uma relação séria e profissional. Prova-o a forma como saiu do Grêmio, não muito diferente da que saiu do Corinthians ontem pela manhã: num consenso, publicamente, anunciado em entrevista coletiva e elogiado pelos dirigentes.
Com os colegas de profissão Mano também tenta ser apaziguador. Ontem, um repórter perguntou se ele não se incomodava de ser chamado para o cargo depois de a CBF ter feito o primeiro convite para Muricy Ramalho. Mano respondeu que ficava orgulhoso de, num conjunto de 40 ou 50 técnicos, ser o segundo, ainda mais porque era o segundo de Muricy, a quem admira. Com Mano Menezes, a Seleção Brasileira terá uma nova face, a partir de agora: uma face ponderada, reflexiva, profissional e, não raro, sorridente.










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