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Posts de setembro 2010

O sumiço das abelhas

23 de setembro de 2010 16

As abelhas estão em extinção, sabia? Li isso dia desses. A coisa começou pelos Estados Unidos, que é por onde tudo começa, de bom e de ruim. As abelhas americanas estão desaparecendo aos bilhões, deixando as colmeias vazias e intactas. Fica o mel, ficam os favos, mas das abelhas ninguém sabe o paradeiro. Simplesmente somem, não há sinal dos corpos, não há cadáveres, não há pistas nem suspeitos, nada. Um mistério. É grave. Sabe por quê? Pelo seguinte:

Você sabe o que acaba, se as abelhas acabarem?

As flores.

É que as abelhas são as principais responsáveis pela polinização, e a polinização é a forma como as plantas fazem sexo. O sexo entre as plantas ocorre assim (tire as crianças da sala): observe, por exemplo, uma samambaia. Ela não se mexe muito. Na verdade, não se mexe nada. Como, então, a samambaia copula com o samambaio? Aí é que está. Ela precisa de ajuda externa. É onde entram o vento e a abelha, principalmente a abelha. A abelha voa até uma flor para colher o néctar com o qual produzirá mel. Ela precisa passar em muitas flores para fazer um pouquinho de mel. Muitas mesmo: em um único dia, a abelha pousa em 40 mil flores, um trabalhão. Em meio a toda essa atividade, o pólen gruda-se em seus pezinhos de abelha. Desta forma, ela leva pólen do órgão masculino de uma flor para o órgão feminino de outra flor, o que vai gerar filhinhos de flores, porque o pólen é uma espécie de espermatozoide de flor.

Agora você já sabe que, quando vir uma abelha saindo de uma flor e pousando em outra, o que estará vendo é pura sacanagem vegetal. São plantas transando enlouquecidamente, chegando ao clímax, tendo convulsões de prazer.

Portanto, o fim das abelhas significará o fim do sexo entre as plantas, coitadas. Sem sexo, as plantas não poderão mais se reproduzir. Desaparecerão. E, desaparecendo as plantas do planeta, os animais não terão mais capim e milho e palmito com que se alimentar, e morrerão à míngua. Morrendo os animais, morrem também os seres humanos, porque os seres humanos não terão vacas, galinhas ou porcos em suas granjas, e sem vacas, galinhas e porcos nas granjas não haverá milk-shake, ovos em neve, quindim ou xis-bacon.

Com a extinção da Humanidade, você sabe o que vai acabar: esse maldito campeonato de pontos corridos. Mas, por outro lado, não teremos mais a Scarlett Johansson. Será duro viver num mundo sem a Scarlett Johansson.

O que acontece na maldita primavera

23 de setembro de 2010 6

O pessoal do site pediu um texto sobre a Primavera. Aí vai um recauchutado e um que, se não é bem sobre a Primavera, é sobre o pólen e sobre as abelhas, que, afinal, são a Primavera.

O que acontece na primavera

O problema com a primavera é essa história das anteras. Das flores, bem entendido. As anteras das flores começam a liberar o pólen, e o pólen voa, transportado pela brisa desses dias amenos, e fica por aí, flutuando na atmosfera, e as mulheres respiram esse ar contagiado por bilhões de partículas mínimas de pólen, e o que acontece com elas?

Ficam com vontade de dançar.

Dançar, cara! Francamente. E não é que eu odeie dança. Uma vez fui para Porto Seguro e vi aqueles baianos dançando. Nossa. Tocava um axé, eles puxavam as turistinhas pela mão e saíam ondulando com elas, trançando pernas, quebrando quadris.

As mulheres todas se embeveciam com os baianos, entregavam-se a eles, passavam a noite com eles, suspiravam por eles. Só por causa da dança!

Foi por isso que o Professor Juninho fez curso de tango em Buenos Aires. Foi lá e aprendeu a dançar tango mais ou menos. Agora, pega uma mulher, dá uma rodopiada com ela e ela:

- Oh, ele dança tango...

Pronto: um a zero para o Professor Juninho. Então, até admiro quem dança. Inclusive danço, vez em quando, só que daquele jeito, né. Meio duro, e talicoisa.

Meus amigos dizem que danço sempre igual: samba, frevo, rock, bolero, valsa, chachachá, tuíste, tudo com o mínimo de movimentos, só os bracinhos balançando, cotovelo direito para frente, cotovelo esquerdo para trás, cotovelo direito para frente, cotovelo esquerdo para trás. Não posso ser acusado de dançar conforme a música.

Mas não é verdade. Juro. Toca um Bi Dis aí e vai ver que eu desempenho. Só que, admito, sem a naturalidade dos baianinhos. Não tenho desenvoltura, manja? Eles lá serpenteiam com facilidade, como se fosse muito simples, como se fosse caminhar para frente. É dom. É de nascença. Eu nasci para outras coisas, como ser campeão de jogo da velha.

Por isso, não me meto a travoltear pelas pistas da metrópole. Não é comigo. Donde, minha revolta com o pólen, que se infiltra nas narinas das mulheres e lhes altera a densidade da alma e lhes faz sentir uma vontade irreprimível de dançar. Maldito pólen. Maldita primavera.

O que falam de Sobre saltos de scarpin

22 de setembro de 2010 6

Vou publicar aqui algumas críticas à peça Sobre saltos de scarpin, baseada em alguns textos meus.

Primeiro, o texto de Antônio Hohlfeldt, no Jornal do Comércio:

-
"Bela surpresa na cena porto-alegrense

Nos últimos tempos, diretores de teatro local têm descoberto inspiração para seus espetáculos em alguns de nossos cronistas mais populares. Luis Fernando Verissimo foi o primeiro deles a ser popularizado. Seguiu-se Martha Medeiros e, agora, David Coimbra. Confesso que, embora não sendo leitor constante do jornalista, surpreendi-me, de qualquer modo, com o que parecia ser o enfoque de Sobre saltos de scarpin, porque parecia ser tudo o contrário do que Coimbra parece escrever. Tratar-se-ia de um espetáculo feminista, quando, em geral, se acusa o cronista de machismo crônico etc.

Mais surpreso ainda fiquei - e no melhor sentido possível do termo, contudo - quando assisti ao espetáculo. Não apenas porque ele é inteligente e bem acabado, como, sobretudo, porque ele consegue escapar de uma armadilha perigosa: a ilustração da crônica.

A jovem diretora Tainah Dadda, de quem não cheguei a assistir ao primeiro trabalho, o anterior Desvario, revela-se criativa e independente. Ela fugiu da ilustração e, a partir das sugestões das crônicas, apenas, construiu um espetáculo preciso, tanto no modo de idealizá-lo quanto na maneira da junção dos textos, de maneira que mesmo um não leitor de David Coimbra pode acompanhar o trabalho sem necessidade de, a toda a hora, ficar relembrando a crônica original que teria gerado aquela passagem cênica.

Assim, a seleção de textos e fragmentos acaba sendo uma desconstrução-reconstrução de um texto que acaba se tornando dramático - no sentido de que tem um começo, um desenvolvimento e um desenlace - em pouco mais de uma hora de espetáculo, em que tudo está medido, ritmado e ajustado. O figurino de Daniel Lion é um elemento à parte: meio dadaísta, meio art nouveau estilizado, às vezes descambando para o dark, ele faz forte contraste entre o elemento masculino, leve e quase esportivo, ainda que formal, à moda britânica, e o feminino, rigorosamente enclausurador tanto quanto revelador – modo de leitura do texto, paralelo à própria direção, quem sabe? – enquanto a cenografia de Zao Figueiredo é falsamente moderna, utilizando elementos e materiais industrializados, mas travestidos em outras funções que não as originais de fabricação. Gera-se, assim, um estranhamento entre tais elementos, o que, desde logo, prende a atenção do espectador. A direção de produção de Cecilia Daudt esteve atenta a todos estes detalhes, que são realizados meticulosamente, complementados pela iluminação de Bathista Freire que valoriza detalhes, possibilidade troca de climas e faz convergir a atenção do espectador para cada um dos personagens. O uso dos vídeos, enfim, cuja produção ficou a cargo da Origami Filmes, e a trilha sonora original de Arthur Barbosa dão ao espetáculo eficiência como há muito não se via na cena de Porto Alegre: aparentemente leve, quem sabe apenas um divertimento, Tainah Dadda é capaz de provocar seriamente o espectador, sem martirizá-lo, mas levando-o a reflexões variadas, às vezes apenas com o riso, mas também com o esgar de algumas constatações nem sempre tão lisongeiras.

Joana Vieira, ladeada por Magda de Oliveira e Patrícia Lamachia, mais Paulo Salvetti - que também responde pela excelente preparação corporal do elenco, sobretudo nos momentos finais do espetáculo - com Marcelo Pacheco e William Martins não apenas mostram competência quanto à mão da diretora, que evidencia, assim, ser uma realizadora completa, porque atenta à cena e aos personagens, ao mesmo tempo, o que não é nada fácil nem tão comum entre nós.

Em suma, eis um espetáculo que, sem ser obra-prima, é uma exceção na qualidade, na sensibilidade e na proposta: quebra a rotina da cena da cidade, traz imagens inusitadas, às vezes mesmo ousadas, e sobretudo leva o espectador a uma experiência artística ampla e múltipla, que envolve pelos sentidos, às vezes mais que pela própria palavra. Eis uma bela surpresa!"

Leitores que insultam

22 de setembro de 2010 28

Todos os dias recebo emails com perguntas parecidas com essas abaixo. Ó:

Bernardo diz:

“Bom dia David.

Fala aí, de verdade, o que tu pensa sobre essas pessoas que vem no TEU blog só pra TE criticar….tu acha que elas te amam demais ou te odeiam demais?
E mais: que tu pensa de pessoas que perdem seu tempo para e somente CRITICAR e DISCORDAR….

Abraço, e mais uma vez parabens pelo excelente trabalho no blog, no Pretinho e na Zero, que é onde consigo te acompanhar….”

Gabriela diz:

“Como tu se sente em relação aqueles que entram no blog só para destilar raiva, intolerância, te ofender? Se eu não gosto de algo nem procuro acompanhar, minha opinião. Penso, que no fundo os leitorinhos te amam mas não conseguem relaxar e admitir.”

Matheus diz:

“Varios te perguntaram sobre teu sentimento aos que te criticam, pois bem, eu te pergunto se tu não fica entojado com estes que concordam sempre contigo, que dizem amem até pras barbaridades que vc mesmo reconhece que escreveu, assim mesmo aplaudem e elogiam??? Outra coisa, pra não dizer que sou radical eu pensei e repensei a respeito do que vc escreveu sobre a dupla GreNal (aquela historinha de medir um pelo tamanho do outro lembra? de ser irmão e tal, lembrou?) então… cheguei a conclusão de que realmenta exagero as vezes, por isso, por reconhecer isso, resolvi comprar uma camisa do Gremio David, afinal… não seria justo eu não ter nenhuma camisa oficial do segundo time que mais me dá alegrias, abraço!!”

RESPOSTA:

Responderei em três tópicos.

Ei-los:

1.

Quem é amado por aqui?

As pessoas só amam quem está distante. Ou quem está muito próximo. O Chico Buarque pode ser amado. A mãe e o pai podem ser amados. Amar os outros, que não estão tão longe ou que não são tão íntimos, os outros que estão próximos, mas nem tanto, amar esses é que é difícil. Porque com esses se divide o mesmo espaço.

Quem compartilha o mesmo espaço, via de regra, é atacado. Exatamente por isso: pela disputa por espaço. A vida inteira as pessoas ficam lutando para ocupar mais espaço. Então, o leitor que entra no blog para agredir é aquele leitor que, de alguma forma, sente o seu espaço invadido pela minha atuação. Não estou dizendo que sou melhor nisso ou aquilo, que me acho um gênio ou que me acho especial, não estou dizendo que meu espaço é nobre ou diferenciado.

Não é.

Apenas sei que, quanto mais espaço ocupo, mais incomodo. É uma regra. É assim com todos. Não conheço nenhuma pessoa pública no Rio Grande do Sul que não tenha sido brutalmente assacada. Nenhuma. Torno a perguntar: quem é amado por aqui? Quem não tem seus defeitos mais destacados do que suas qualidades? Não conheço ninguém.Talvez seja desanimador, mas também é um consolo.

2.

Agora o Matheus: me diga quando eu disse que escrevi alguma barbaridade??? Isso fica por tua conta, certo?
As pessoas que concordam e elogiam, eu as valorizo por demais. São pessoas generosas. Como dizia Jesus, tu julgas os outros com a tua medida. As pessoas generosas veem o mundo com generosidade, as pessoas amargas veem com amargura.

Quando você só enxerga os defeitos nas pessoas, isso diz algo a seu respeito. Reflita sobre isso.
Finalmente, quanto a camisas de clubes de futebol, sugiro que tu cuides mais da tua elegância. Usar camisa de time de futebol é brega.

3.

Mas é claro que também ocorre a crítica pela discordância. E é em geral uma crítica feroz. Os leitores, quando não concordam com algo que lêem, fazem assim: se não gostaram de algo sobre política, mandam que eu escreva sobre futebol e mulheres, que é do que entendo; se acharam machista o que escrevi sobre mulheres, mandam que escreva sobre futebol e política, que é do que entendo; se julgaram equivocado o que escrevi sobre futebol, mandam que escrava sobre política e mulheres, que é do que entendo; ou então mandam que escreva só sobre comportamento, só ficção, ou que não escreva nada.

Em resumo, as pessoas só querem ler sobre o que concordam.

E eu, como escravo dos leitores, atenderei a todos: continuarei escrevendo sobre o que bem entender.

Respondendo sobre Fátima

22 de setembro de 2010 1

Mais uma questão dos leitorinhos:

Rafael diz:
David, fala a verdade: você é tão egocêntrico a ponto de inventar uma "mentirinha" para se autopromover ou a Fátima Bernardes, em meio a toda a atribulação da Copa, a todo o trabalho do JN, realmente teve tempo de acessar a internet para navegar em "blogs locais" e ler o que você escreve?

Resposta:
Pergunta ingênua, Rafael. Mas é uma ingenuidade desculpável para quem não conhece a realidade da comunicação.

Uma "mentirinha" dessas não seria uma mentirinha, seria caso de demissão sumária. E seria estúpida, por ser facilmente desmascarada - bastaria que alguém mostrasse o texto a Fátima, e alguém mostraria, alguém sempre mostra.

Por fim, a pergunta também é ingênua por achar que a Fátima Bernardes ou qualquer colega da Globo estão em um pedestal tão elevado que não leem nada além do que eles próprios produzem.

A Fátima Bernardes, em especial, é muito simpática e acessível. Conheço-a desde a Copa de 2002 e sempre a vi ser atenciosa e gentil com qualquer um que dela se aproximasse. Quem algum dia teve contato com ela sabe que aquela história da discussão com Dunga só poderia ser ficção mal-intencionada. Como foi.

Respondendo sobre a Arena

21 de setembro de 2010 66


Aí vai mais uma resposta a três perguntas correlatas sobre a pauta do dia, a Arena do Grêmio.
As perguntas:

_
Vinicius Campos diz:

David,
O que tu acha sobre o projeto da Arena do Grêmio? Sempre fui a favor, mas com algumas ressalvas importantes…
1)Será que não penaremos durante muitos anos até transformar o Humaitá na nova casa gremista? Convenhamos que ainda falta muito para ser um bairro amigável e transitável….
2) Será que não é um burrada histórica abrir mão do entorno da Arena, que pertencerá para sempre à OAS? O maior argumento para a construção de um novo estádio era de que o Olímpico, como todos os estádios antigos, eram deficitários… Mas o Grêmio está abrindo mão da maioria das possibildiades de lucro que a arena poderia gerar, abrindo mão do entorno de hotéis e etc…
Não é saudosismo, não… É claro que vai doer assistir o Monumental ruir, mas assim é a vida, ou senão ainda estaríamos no Moinhos. Tenho é receio mesmo. Até confio nos gremistas que lideraram essa iniciativa, mas acho que o processo todo foi muito atropelado. Isso era coisa de ter planejado uns 10, 15 anos antes.
E tu David, que tu achas do projeto da arena Gremista?

-x-x-x-

João Carlos diz:

Caríssimo David, já escrevi e como não te manifestaste volto a perguntar sobre tua posição (não para mim, é claro, mas para a opinião pública, que é o que se espera de um editor jornalístico) com relação a isenção para a OAS. O Brasil conquistou o direito de organizar a Copa em 2014 e em Porto Alegre o estádio escolhido, não pela política mas pela competência em mantê-lo e atualizá-lo, foi o Beira-Rio. Entretanto obras necessitam ser feitas para atender os padrões exigentes da FIFA e, segundo o acordo desta com o governo brasileiro, isenções fiscais serão dadas para facilitar estes investimentos de adequação. O Grêmio, como é sábido e admitido pelo próprio presidente Odone, tem um estádio em condições precárias e por isso juntou-se a OAS para uma troca de favores políticos e econômicos buscando a construção de um novo estádio, até aí tudo legítimo. Nesta terça-feira ocorre votação na assembléia da parte estadual da isenção, referente ao ICMS, para as obras de adequação da copa e por incrível que pareça a OAS busca beneficiar-se desta isenção alegando bisonhamente que alguma seleção pode vir a TREINAR no seu estádio!!! E que merece a isenção de um estádio inteiro porque só está construindo para a eventualidade de alguém treinar lá!!! Em São Paulo onde o Palmeiras passa por situação idêntica na reforma do Palestra Itália, sequer se cogita um absurdo deste tamanho. O mais incrível é que a fiscalizadora e atenta imprensa gaúcha está totalmente conivente com esta manobra!! Como se o fato de o Beira-Rio ter sido escolhido seja justificativa para qualquer falcatrua que possa vir a beneficiar o Grêmio como forma de compensação!!!! Pois bem, caro David, ainda não vimos uma linha sua sobre este tema atual e importante.

-x-x-x-

Luciano Ferrari diz:

Che.. eu ja fiz esta pergunta nos comentários das primeiras respostas, mas, para garantir, vou repetir a dose aqui no post correto das perguntas.. lá vai:
Aproveitando a deixa, responde ae... tu nao achas que podiam aproveitar a construção da arena pra aumentar o tamanho do estádio? Tipo, para 70 mil pessoas?? Já que vão construir, tem que pensar grande e nao construir um estádio compacto, para nao dizer apertado, com muitos andares e sem espaço entre o campo e a arquibancada.
vai faltar lugar nas decisões que virão pela frente!!
abração

_
Resposta:

Sobre o bairro.
O Humaitá é perfeito para o projeto. É um bairro com fácil acesso, muito mais fácil do que a região da Azenha, eternamente conflagrada. O Humaitá está em crescimento, tem espaço e pode ser planeado, ao contrário das áreas já ocupadas da cidade. O bairro será adotado sem nenhum problema pela torcida, acredite. Nem vai precisar haver tempo de adaptação. Será bom para a cidade e para o clube.

Sobre o entorno.
Melhor deixar o entorno para a OAS. Que o Grêmio se concentre na exploração do futebol e do estádio, que já é o suficiente. Foco. O importante é manter o foco.

Sobre a isenção.
O Grêmio terá isenção de impostos para construir a Arena. O Inter terá isenção de impostos para reformar o Beira-Rio.

Antes disso, o Inter ganhou de presente do Estado a área sobre a qual está seu estádio.

Em tese, nada disso é certo. Não sou a favor da doação de terrenos públicos para clubes e não sou a favor de isenção de impostos para financiar projetos para a Copa ou para o que quer que seja.

Mas, ao mesmo tempo, quando uma empresa ganha isenção de impostos para se instalar no Estado, nós aplaudimos. Empregos, é o que bradamos. Empregos!

Grêmio e Inter têm funções sociais importantes. Talvez sejam até mais importantes do que algumas empresas que só visam ao lucro. Logo, os clubes merecem um tratamento especial do Estado.

Num mundo ideal, preferia que não houvesse isenção de impostos nem para os clubes e nem para as empresas, preferia que esses recursos fossem aplicados em educação, saúde e segurança. Preferia que o prefeito de Porto Alegre se preocupasse mais com as crianças na rua do que com a Copa do Mundo. Mas o que eu prefiro, enfim, não tem importância alguma.

Sobre o tamanho do estádio.
Grêmio e Inter só colocam mais de 50 mil torcedores no estádio em dias de decisão. Se o clube tiver um ano bom, são quatro ou cinco jogos desses por ano. Não vale a pena fazer um estádio maior e muito mais caro.

Respondendo aos leitorinhos

21 de setembro de 2010 30

Como primeira resposta para a entrevista com os leitorinhos, escolhi quatro perguntas que são basicamente a mesma pergunta. Um clássico. A seguir, os questionamentos:

_
Matheus:

Não poderia perder esta oportunidade, David…, você se acha um ser superior? E o Betão, David, tem chance de vir a ser um ser superior??? E a classica, você é colorado, David?

-
Fábio C. Rodrigues:

David, te incomoda o fato dos colorados ficarem pegando no teu pé por entenderem que és gremista? Também sou colorado, imagino que sejas gremista, porém respeito tuas opiniões, assim como as do Cacalo, Sant'Ana e todos os outros gremistas. Grande Abraço!

-
Thiago Carvalho:

David, por que você não assume que é gremista? Olha que até o teu amigo Paulo Sant'Ana está cobrando.

-
Fabrício Marques:

Bom Dia, David!! Queria saber se o motivo que leva você a não declarar o seu time de coração (mesmo que tudo mundo já saiba, na minha opinião já é um fato folclórico) é para não comprometer e causar mal estar ao meio de comunicação do qual você é editor executivo?

-

Resposta:

As pessoas presumem que qualquer um que tenha nascido no Rio Grande do Sul seja gremista ou colorado.

É uma presunção correta, sobretudo quando se refere a alguém ligado ao futebol.

Logo, todos os editores, repórteres, comentaristas e colunistas são uma coisa ou outra. Gremistas ou colorados.

Se todos são uma coisa ou outra, qual é a razão da aflição dos leitores-ouvintes-telespectadores-internautas para saber o time pelo qual os jornalistas torcem ou para o qual um dia torceram? Um é colorado; poderia ser gremista. Outro é gremista; poderia ser colorado. E daí? Que diferença faz?

A angústia de um leitor para obter uma informação que em absoluto não lhe diz respeito só pode ser para julgar o que o jornalista diz ou escreve a partir dessa informação.

Ora, não vou alimentar essa doença. Quero que as pessoas analisem o que digo ou escrevo pelo que digo ou escrevo, não pelo que elas acham que sou.

Você tem CERTEZA de que sou gremista? Então por que quer que eu DIGA que sou? Se disser que sou colorado vai mudar a sua opinião?

Claro que não.

Então, esse é um problema seu, não meu.

Não tenho que dizer que sou isso ou aquilo. Não tenho de fazer profissão de fé alguma. Tenho é de ser honesto: o que digo é o que penso, é a minha opinião, estou sendo sincero, não tenho segundas intenções.

Já a função de editor é completamente diferente da de colunista e comentarista. É uma função técnica. Um jornal como Zero Hora tem dezenas de formas de controlar desvios de cor clubística ou política ou de outros que tais. Passamos o dia discutindo isso, passamos o dia ouvindo críticas e ponderações de um lado e outro. Passamos o dia em debate éticos. Não existem decisões isoladas nem solitárias. É um processo amplo e exaustivo. Há muito mais em jogo, numa empresa de comunicação, do que a paixão mundana. É pueril alguém achar que uma empresa como a RBS se comprometeria com um clube de futebol por mera preferência clubística.

Mas o importante nem é isso. O importante é o que as pessoas fazem com sua paixão. Alimento certo desprezo por quem insulta ou desmerece os outros por causa de futebol. Há quem passe a maior parte do seu dia pensando no Grêmio ou no Inter, gastando o seu dinheiro ou seu tempo nisso. Nunca fiz nada parecido. Nunca viajei atrás de time. Nunca me associei a clube algum. Mas aceito as excentricidades e obsessões do próximo. Só não posso compreender quem desrespeita as outras pessoas por conta de um clube ou de um jogo. Aí não passa de pobreza de espírito. Há muitos gremistas e colorados pobres de espírito. Mas, tenho certeza, há muitos mais que não são.

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Bate-Bola (19/09)

20 de setembro de 2010 0

Confira a íntegra do Bate-Bola. Com direito a show de Pedro Ernesto, em homenagem ao 20 de setembro.

Ó:

Mais do que um título

20 de setembro de 2010 81

Títulos o Grêmio os têm à mancheia. No memorial do Olímpico, carinhosamente montado pela Dona Ema, existem centenas de taças rebrilhantes de glórias.

Mas títulos todos os grandes clubes têm. Taças, faixas e vitórias são conquistadas todos os anos. Todos os anos algum time será campeão gaúcho, campeão da Copa do Brasil, campeão brasileiro, sul-americano, da Libertadores, da Recopa, do Mundial, cada vez há mais títulos em disputa e, obviamente, mais campeões.

Raros são os dias, no entanto, em que um clube começa a construir um estádio novo.

O Grêmio inaugura hoje as obras da sua Arena.

É um momento único.

É de se comemorar.

Foi o que disse na abertura do Bate Bola do último domingo. Confira:

O zoológico de Gramado

19 de setembro de 2010 6

Acabo de voltar de um rápido porém aprazível fim de semana na Serra.

Levei o Pocolino ao zoológico de Gramado.

Vou dizer: o zoológico de Gramado redime o Rio Grande do Sul atrasado do século 21. Ali está um Rio Grande do Sul que funciona, um lugar em que existe, mais do que tudo, capricho.

É limpo, agradável, bonito e funcional.

Aí vai um único porém eloquente dado: a sala dos pinguins é climatizada por split. No calor de hoje à tarde, deu vontade de morar na sala dos pinguins.

Há esperança no reino dos gaudérios.

Ele tinha tudo para ser presidente do Brasil

18 de setembro de 2010 3

Tive um colega no Piratini que era bom em tudo... Não ia ter jeito, o cara ia ser presidente do Brasil!!!

Ouça aí no player abaixo para conferir onde ele foi parar:

Entrevista com os leitorinhos

17 de setembro de 2010 53

Como são muitas as perguntas por email e os questionamentos por comentário, vai aqui mais uma chance de os leitores se manifestarem.

Façam perguntas nos comentários deste port e eu as responderei em outro. Ou outros.

Vamos lá, não se intimidem, que sei que vocês não são tímidos.

(Eu mesmo me espanto com o tanto de democrático que é esse blog, cruzcredo...)

Inter: o Brasileirão é possível

16 de setembro de 2010 20

Dê uma conferida na tabela de classificação do campeonato.

O Inter tem 32 pontos. Os líderes, Fluminense e Corinthians, 41.

Parece grande a diferença.

Não é.

O Inter tem dois jogos a menos, 20, contra 22 dos líderes.

Se o Inter vencer os dois jogos que lhe faltam, subirá a 38 pontos. Três menos do que os dois primeiros colocados. Uma vitória, não mais do que isso, como diria o meu amigo KG.

E o Inter aida vai enfrentar Corinthians e Fluminense. Ambos no Beira-Rio.

É possível pensar no título.

Mas seria bom vencer hoje.

Boas notícias no Grêmio

16 de setembro de 2010 32

Os gremistas não devem ser abater. O Grêmio de ontem trouxe algumas boas notícias.

Boa nova número 1: Paulão. Eis um zagueiro sólido. Começou rebatendo, para ganhar confiança, e logo já estava jogando. Será titular em breve.

Boa nova número 2: Roberson. Não chega a ser uma boa nova, antes é uma confirmação. Está pronto para tomar o lugar de um dos desanimados meias ofensivos do time.

Boa nova número 3: Lúcio. Está no ponto para entrar no time, o que dá ao Grêmio uma dupla insinuante de laterais.

Em compensação...

Quase tudo tem sua contrapartida na vida. Em compensação, Borges se machucou e machucado ficará por um mês. O Grêmio terá de buscar um novo centroavante. Mas então, quem sabe?, talvez venha um goleador. Não há razão para pessimismo.

Maçãs na banheira

16 de setembro de 2010 4

Agatha Christie era cheia de mistérios.

Quando estava preparando um livro, mergulhava em sua banheira e punha, ao alcance da mão, uma cesta de maçãs. Ficava imersa na água tépida e comendo maçãs. Cada maçã representava um capítulo do livro. Quarenta e dois capítulos, quarenta e duas maçãs. Se o livro tivesse um final surpreendente, o número de maçãs e, por conseguinte, de capítulos, era ímpar.

Deixei passar o aniversário dela, ontem, 15 de setembro, quando completaria 120 anos, se viva estivesse. Mas não poderia deixar de contar essa historinha.