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O tira-teima

20 de outubro de 2010 5

História dos Grenais

Na semana do Gre-Nal, vou publicar todo o primeiro capítulo do livro “A História dos Grenais”, que vai da fundação dos dois clubes aos anos 40.
Esse capítulo é de minha autoria. Vou publicar um texto a cada hora.


O tira-teima

O futebol também estava mudando, tomando conta do gosto da maioria da população e, aos poucos, se profissionalizando. Grêmio e Internacional não eram mais só de seus associados. Havia torcedores a se dar satisfações. Por isso, eles não podiam mais adiar o duelo, apesar de prosseguirem teimando com o rompimento. Ainda em meio à Guerra, em 31 de outubro de 1915, foi realizado o amistoso de tira-teima.

Eram times diferentes. O Grêmio não tinha mais Booth, Cox ou Schuback, embora Mohrdieck continuasse firme na defesa. No Inter, Kluwe, tristemente, pendurara as chuteiras sem cumprir a promessa de derrotar o rival. Outros craques despontavam no Colorado: o centroavante Bedionda e o ponteiro-esquerdo Vares. O Inter estava mais confiante, sobretudo depois dos títulos conquistados na ausência do arquiinimigo.

O jogo foi disputado na Baixada. Adultos pagaram dois mil réis, crianças, mil. Durante toda a semana ficou exposta, na Joalheria Diehl, uma plaqueta que seria dada ao vencedor. À entrada dos jogadores em campo, as mulheres – gremistas com vestidos azuis, coloradas com vestidos vermelhos – acenaram graciosamente com lenços brancos. Os atletas foram cobertos de confetes e serpentinas.

O juiz, tenente Aristides Prado, deu a saída de bola. Aí terminou a cortesia.

Jogo violentíssimo. O Inter atacando sempre, Mohrdieck limpando a área do Grêmio. Faltando dois minutos para terminar o primeiro tempo, o ponteiro-direito colorado, Túlio, cobrou escanteio e colocou a bola na área do Grêmio. Os zagueiros tentaram tirar com cocadas, mas não foram bem-sucedidos. A bola sobrou para Müller, que marcou 1 x 0 para o Inter.

No intervalo, os colorados foram cobertos de flores e confetes atirados pelas mulheres, enquanto os homens carregavam Müller em triunfo. Ainda havia, porém, todo o segundo tempo e o Grêmio teria o vento e a tradição ao seu favor. Talvez ninguém tenha avisado Bedionda de nada disso. Aos quatro minutos, ele desrespeitou o velho inimigo e, com uma violenta cocada, ampliou para 2 x 0.

O Grêmio se perturbou. Os colorados continuaram dominando. Aos 30, Túlio avançou pela direita, chutou, a bola bateu na trave e entrou. Antenor Lemos gritava, Kluwe sorria e fechava os punhos fortemente. Aos 38, o Grêmio pregou-lhes um susto. Sisson decontou. Logo em seguida, no entanto, aos 42, Bedionda marcou o último: 4 x 1 para o Internacional.

– Está quebrado o lacre! Está quebrado o lacre! Demorou seis anos! – Berrava Antenor Lemos, emocionado.

Carlos Kluwe abraçava os jogadores, alguns cobertos de flores pela torcida, outros carregados nos ombros. Kluwe só lamentava não ter sido um deles naquela partida histórica.

Comentários (5)

  • Geraldo colorado diz: 20 de outubro de 2010

    Eu diria que hoje, em pleno século XXI, o lacre está ARROMBADO! Vantagem colorada há anos...

  • Léo Gomes diz: 20 de outubro de 2010

    Hoje o inter só tem vantagem por causa dos Amistosos e Jogos do Gauchão no Resto só dá Grêmio!!!
    E o Primeiro deu 10 X 0 Isto é que é lacre arrombado!! E melhor desde o primeiro!!

  • Jones diz: 21 de outubro de 2010

    melhor sao os gre-nais do Ale Pinho

  • FSOBIS diz: 21 de outubro de 2010

    HOJE O "LACRE" ESTÁ ARROMBADO! SHAUSHAUHSAUHSUAHSUAHS

    DALE INTER! PAPAI É O MAIOR

  • Luciano diz: 21 de outubro de 2010

    Pois é Geraldo.
    E o que dizer de quem nunca teve lacre, como o inter?
    Grêmio é Grêmio.
    Inter, é só a cópia mal feita.
    Saudações tricolores.

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