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Chimangos e maragatos

21 de outubro de 2010 0

História dos Grenais

Na semana do Gre-Nal, vou publicar todo o primeiro capítulo do livro “A História dos Grenais”, que vai da fundação dos dois clubes aos anos 40.
Esse capítulo é de minha autoria. Vou publicar um texto a cada hora.


Chimangos e maragatos

Com Lara, Luiz Carvalho, Lagarto, Py e Assumpção, o Grêmio foi pentacampeão da cidade, de 1919 a 1923. Perdeu o título em 1924 para o Americano e reconquistou em 25 e 26. Anos medonhos para o Internacional. De setembro de 1919 ao final de 1926 foram disputados 11 Grenais – o Grêmio venceu oito, o Inter apenas um.

O Colorado penava há nove anos. Pior: o Grêmio chegara às finais de todos os campeonatos gaúchos e agora jactava-se de glórias estaduais. O Tricolor foi bicampeão do Estado em 1921 e 22 e campeão em 1926. De agosto de 1920 a setembro de 1923 ocorreu outro hiato. Grêmio e Internacional romperam de novo e passaram três anos sem se enfrentar. Para aumentar a confusão, em 1923 e 1924 não houve campeonato estadual. Houve uma revolução.
Os maragatos liderados por Joaquim Francisco de Assis Brasil, candidato a presidente do estado pela Aliança Libertadora, contestaram a vitória do candidato da situação, Antônio Augusto Borges de Medeiros. Afirmavam que Borges de Medeiros se elegera pela quarta vez consecutiva mediante fraudes. Montaram em seus cavalos, carregaram seus fuzis e partiram para a luta.

Não foi uma revolução cruenta como a de 1893, quando os combatentes não faziam prisioneiros – degolavam-nos. Em 1893, foram mortas mais de dez mil pessoas, em 1923, cerca de mil. Mas os lenços brancos e vermelhos estavam em luta novamente e ninguém se arriscaria a sair por estradas conflagradas por causa de um jogo de futebol. Por isso, nem depois de assinado o Pacto de Pedras Altas, pondo fim à revolução a 15 de dezembro de 1923, o campeonato foi restabelecido. Os dirigentes da Federação temiam que chimangos e maragatos ainda estivessem a dar os últimos tiros pelas coxilhas e preferiram suspender também o certame de 1924.

No retorno, em 1925, o campeão foi o Bagé. O primeiro campeão gaúcho havia sido o Brasil de Pelotas, em 1919, e depois dele Guarani de Bagé, clube dirigido por Oswaldo Aranha, futuro ministro da fazenda e presidente da Assembleia Geral da ONU – Organização das Nações Unidas.

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