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Posts de outubro 2010

Mulheres italianas

31 de outubro de 2010 2

Ontem assisti a um grande filme, Vincere, estelado por uma linda atriz, Giovanna Mezzogiorno, contando uma bela história, a da amante esquecida do ditador Mussolini.

Desde sempre fui admirador das italianas.

Desde sempre mesmo.

Quando tinha a idade do meu filho Bernardo, era apaixonado por uma italianinha, Rita Pavone. Ela cantava e fazia filmes de faroeste. Vou publicar um vídeo dela para vocês verem como sou antigo. Prestem atenção na coreografia dos dançarinos.

http://www.youtube.com/watch?v=lGIXrziSLCQ

Outro voto

31 de outubro de 2010 5

Dilma e Serra. É o que se nos oferecem.

E pensar que já tivemos como opções Lula, Brizola, Ulysses, Mário Covas, Roberto Freire… Até os menos recomendados, como Collor, Afif e Aureliano Chaves, até esses tinham mais imaginação.

Outros tempos. Outros candidatos.

A nudez indecisa de Jô

30 de outubro de 2010 1

Ó! Mais um capítulo de “Jô na estrada”!


Durante toda a vida, Jô pensara sobre esse assunto. Prostituição. Não que fosse algo que a obcecasse ou que minimamente a preocupasse, nada disso. Tratava-se apenas de uma fantasia recorrente.

Aquilo que Maia falara acerca do desejo animal dos homens, saber que podia ser capaz de despertar instintos tão básicos que um homem a possuiria sem sequer conhecê-la ou saber o seu nome, andar por um lugar seminua e ser avaliada pelos machos como uma escrava à venda, para ser tomada e usada de todas as formas, tudo era muito sensual, tudo era muito carnal, fazia com que se sentisse fêmea, mais até do que mulher. Quando alimentava essas fantasias secretas, repetia baixinho para si mesma:

— Queria ser uma cadela…Uma cadela…

Mas não passavam de fantasias. Jô nunca sequer cogitara de colocá-las em prática. E agora vinha Maia com ideias…

Depois, quando ficou mais madura, quando estava preparada para se soltar e voar, o fogo entre eles havia se extinguido, o sexo tornara-se protocolar. Jô se conformava. Concentrava-se nos filhos, na vida familiar, nas saídas com os amigos, nos exercícios na academia, no seu trabalho, nas suas leituras…

Será que Fábio transava com outras?
Será que frequentava prostitutas? Pagava para possuir mulheres como Maia? Jô tentava não pensar nisso, mas, quando a questão surgia em seu cérebro, convencia-se de que sim. Ele devia ir a boates escusas. Preferia não saber sobre sua vida sexual. Desde que ele tomasse cuidados, evidentemente.

E ela?…Bem, agora ela estava livre, pelo menos por enquanto, durante a sua aventura na estrada. Podia fazer o que quisesse, como quisesse, quando quisesse. Estava sozinha e livre. Mas aquilo que lhe propunha Maia…Talvez fosse demais. Porque certas fantasias se perdem, se são realizadas. Certas fantasias só são excitantes enquanto são fantasias. Se deixam de ser fantasias podem profanar quem as realiza. Jô não queria cruzar certos limites. Não.

Não.

Ou será que deveria? Será que não era seguro? Maia garantia que sim. Ela permaneceria incógnita, num lugar desconhecido, de máscara, o que era ainda mais excitante. Será que deveria?
Jô pensava, pensava… Olhou para a amiga deitada ao lado dela, na rede. Respirou fundo.

— Maia… — disse afinal, e a outra se empertigou com alguma dificuldade. — Eu não vou ficar dez dias aqui.

— Por que não? — protestou Maia.

— Calma — tocou no ombro da loira. — Tenho que seguir minha viagem. Vou fiar mais um tempo, depois vou adiante. Mas tem uma coisa: vou passar por São Paulo.

Maia sorriu:

— Vai me visitar?

— Vou.

— Promete?

— Prometo.

— Ai, que maravilha! Aí você vai lá comigo. No meu…trabalho, digo.

— Não sei. Neste caso, não prometo nada. Vou pensar, está bem?

— Mas você vai ficar lá em casa comigo pelo menos alguns dias.

— Isso eu vou.

— Ah, então já está bom.

Maia ergueu o torso e beijou-a no rosto.
Depois, aninhou-se contra seu corpo. Jô permitiu que ela se aconchegasse e, com o pé, impulsionou a rede de leve. Ficaram assim, quietas, em silêncio, embalando-se docemente, ouvindo o bramido do oceano, até que adormeceram.

Jô despertou com as primeiras luzes da manhã. Maia dormira com a cabeça recostada em seu peito, como ela, Jô, às vezes fazia com o marido Fábio. Afastou a cabeça loira da amiga com gentileza, cuidando para não acordá-la. Levantou-se da rede. Espreguiçou-se. Caminhou até a parte da frente da casa.


O mar imenso abria-se diante dela. Jô inalou o ar marinho com vontade. Levantou o queixo para o céu. Olhou para o sol que nascia no horizonte. Pôs os pés descalços na areia. Caminhou alguns metros em direção ao mar que quebrava na areia. A manhã estava quente fresca o mesmo tempo.

Então, fez algo que há muito tempo queria fazer, algo com que sonhava desde a adolescência. Tirou toda a roupa e entrou nua no oceano Atlântico. Pulou uma onda, outra e atirou-se n’água, enfim. Nadou gostosamente. Sentia-se feliz, feliz… Era livre como um bicho. Com um ser humano deve ser.

Nadava e boiava, sentia os raios do sol e a água acariciando seu corpo nu, e assim permaneceu durante algum tempo. Quanto, não se sabe. Meia hora, talvez? Uma? Quando decidiu sair do mar, a surpresa. Havia um homem parado na praia, de pé, próximo às suas roupas. O homem a observava, era evidente. Quanto tempo devia estar ali? Jô ficou parada, de pé na areia, a nudez coberta pelo mar, indecisa.


Beber faz bem

30 de outubro de 2010 6


Abstêmios são chatos. Neste momento, algum abstêmio, aliás chato, deve estar se preparando para protestar:


_ Você não pode fazer generalizações!


Posso sim. Quer ver? Ó:


Abstêmios são chatos.


Digo mais: minha generalização está provada pela ciência. A penúltima revista Veja publica matéria sobre uma alentada pesquisa que concluiu o seguinte: os abstêmios vivem menos do que os bebedores. Vivem bem menos do que quem bebe com moderação e, isso é que é supimpa e surpreendente, vivem menos do que quem bebe com imoderação. Ou seja: não beber faz mal à saúde!


Os cientistas ainda não sabem a razão disso.


Eu sei.


Beber é um ato social. As pessoas bebem para se encontrar, para celebrar a vida. A pessoa que bebe sai mais, solta-se mais, conversa mais, relaciona-se mais com os outros e, assim, é mais feliz.


As pessoas que não bebem são menos felizes.


Pessoas menos felizes são chatas.


Logo, quem não bebe é chato.


#####


Apaixonados também são chatos. Porque são monotemáticos, só ficam falando nela, ela, ela, ela… Ou ele, claro.


O amor é melequento, embota o homem para os demais prazeres da vida, tira a graça e a beleza do sexo.


O amor é para abstêmios.


#####


O sentimento de alguns torcedores em relação ao clube pelo qual torcem é semelhante ao da paixão romântica. Só falam no clube, só pensam no clube, não vêem os defeitos do clube.


Tornam-se chatos.


É espantoso como até pessoas inteligentes, ocupando altos postos em empresas importantes, como até profissionais liberais bem-sucedidos, como até pessoas que, em outras condições, são afáveis, tornam-se insuportáveis quando o tema é seu clube de futebol, sua paixão.


Natural, portanto, que agridam quem quer que se interponha entre eles e o objeto de seu maior afeto. Sobretudo se têm à mão um instrumento de manifestação praticamente instantânea, que é a internet.


O tuíter é propício para se dizer bobagem, porque o que se diz no tuíter é dito quase que de forma incontinente. É como se quem escreve falasse. Falar é uma coisa, “palavras o vento leva”, como arrostou Hitler ao quebrar o pacto com a União Soviética e mandar 141 divisões invadirem a Rússia na Operação Barbarossa. Só que a palavra escrita o vento não leva. A palavra escrita é prova. É documento. É imortal.


Quem escreve sem compromisso, como o torcedor, pode ser agressivo. Quem representa uma entidade, como o jogador, tem de se cuidar. Entendo os jogadores do Grêmio, que responderam com agressividade às considerações agressivas que os torcedores fizeram a respeito deles no tuíter. É duro não reagir. Mas é preciso. Eles são torcedores. Eles são apaixonados. Às vezes tornam-se chatos.
























Jô e a tensão sexual

30 de outubro de 2010 1

Para começar o sábado, o capítulo 10 do novo livro, Jô na Estrada. Ó:

Praia da Gamboa.

Jô lembrou-se de que ela e Fábio tinham passado alguns dias nesta prainha, antes de casar. Foi um tempo louco. Fábio a possuía com uma fome naqueles dias, com uma volúpia, um desejo que a enlouquecia. Todo aquele ímpeto foi arrefecendo com o tempo. Depois dos filhos, passavam semanas, até meses sem fazer sexo. O que havia acontecido? Será que era assim com todo mundo?

Enquanto dirigia seu Fiesta branco, Jô tentava recordar-se da última vez que tiveram uma noite vagamente parecida com aquelas doidices que haviam cometido na Gamboa.

Nunca mais…

Jô suspirou. Também ela vivia dizendo bobagens e também ela conhecia milhares de otários que a superavam em estupidez. Decidiu que iria para a Gamboa. Aquela praia tinha uma energia… Ela não sabia exatamente o que era, mas sentia algo poderoso naquela praia.

Rodou mais alguns quilômetros e dobrou à direita. Devia ir para uma pousada? Ou alugar uma casa? Melhor: não faria nem uma coisa, nem outra. Pelo menos não imediatamente. Antes de tudo, queria aproveitar o dia. Carpe diem, como cantou um dia o poeta Horácio.

Ao chegar à Gamboa, estacionou numa ruazinha calam, tirou o biquíni da mala e trocou-se no carro. Foi direto para a praia. Sentiu a areia quente sob os pés e ondulou direto para a água. Precisava tomar um banho de mar. Atirou-se n’água e nadou em paralelo com a areia da praia. Como era bom. Oh, aquilo era a felicidade…

À altura de um pequeno quiosque, Jô saiu da água e, feliz e ofegante, caminhou pela areia até o balcão. Além da atendente, uma senhora baixa, de cabelos grisalhos, havia apenas mais uma pessoa no lugar: uma mulher. Jô pensou que nunca tinha visto um bar só com mulheres. Sempre havia homens nos bares.

— Uma cerveja bem gelada — pediu Jô no balcão, e só o fato de ter feito aquele pedido tipicamente masculino fez com que se sentisse livre.

— É pra já — disse a atendente, dirigindo-se para o freezer.

Jô virou-se de costas para o balcão. Notou que a loira a observava. Seus olhares se cruzaram. A loira sorriu um sorriso cheio de dentes brancos como o seu Fiesta. Jô retribuiu o sorriso.

— Gosta de camarão frito? — perguntou a loira, apontando para um prato de camarões sobre a mesa.

— Gosto.

— Quer sentar? — a loira puxou uma cadeira.

Jô vacilou. Será que havia algo de sexual naquela abordagem?

Uma mulher tão bonita como aquela loira…Tão…feminina… Não podia. Estava apenas sendo amistosa. Mas, ao mesmo tempo, Jô sentia em alguma parte da alma certa tensão sexual vindo da outra.

O que devia fazer? Devia aceitar o convite?

Aceitou.

Tomou a garrafa de certeza e o copo e sentou-se.

Começaram a conversar e não pararam mais.
Em uma hora, eram as amigas mais íntimas. Continuaram bebendo e petiscando tarde afora. Trocaram suas histórias. Jô contou tudo a ela. Sua aventura solitária, sua vida de mãe de família, as loucuras dos últimos dias. Sentia por Maia, esse o seu nome, sentia por Maia uma proximidade inédita. Nunca ficara tão à vontade com alguém que recém conhecera. Ou talvez fosse simplesmente a necessidade de falar com alguém, sobretudo alguém que não a conhecia, que não a julgaria por seu passado.

Maia era carioca, mas morava em São Paulo. Tinha 27 anos e parecia uma mulher livre. Livre como Jô gostaria de ser. A noite começara a cair atrás dos morros que circundavam a prainha, quando Maia tomou a mãe de Jô e sussurrou:

— Tenho uma confissão e um proposta a fazer.

Jô empertigou-se na cadeira. O que ela queria falar? Seria algo que pudesse atrapalhar aquela amizade que começava?

Proibido para menores

29 de outubro de 2010 19

Sempre sonhei em escrever um livro que fosse “não recomendado” para quem tem menos de 18 anos.

É o caso de “Jô na Estrada”, que tem essa advertência.

Veja algumas das ilustrações do Fraga e compreenda o porquê.


Trabalho de equipe

29 de outubro de 2010 0

Chegaram os livros da Jô!!!

Um livro que tem a inestimável contribuição de vocês, queridos leitorinhos.

Sim, porque mudei vários trechos, sobretudo o final, baseado nos percucientes comentários que vocês teceram durante a publicação dos folhetins.

Não esqueçam: lançamento dia 3, 18h30, no pavilhão de autógrafos da Feira.

Espero todos lá.

Som de sexta

29 de outubro de 2010 4


Para acalmar as eventuais amarguras dos leitores mais ansiosos, aí vão duas musiquinhas pra vocês relaxarem neste belo dia de sol:

http://www.youtube.com/watch?v=45ZdlFKYd84


http://www.youtube.com/watch?v=J4uRh5fLOpo

O juiz torcedor

29 de outubro de 2010 88

Foi divertido ver o esforço dos analistas e repórteres ao explicarem o gesto do quinto árbitro na hora do pênalti a favor do Inter no Gre-Nal de domingo passado. Porque é óbvio que aquilo não era uma sinalização, como ele alegou; era uma comemoração, como todo mundo entendeu.

Ele foi pego de surpresa. Não estava acostumado a ser protagonista de um jogo. Se atuar como árbitro principal ou como bandeirinha, irá se conter.

Todos os juízes torcem por algum time, bem como todos os jornalistas, dirigentes de federações, todos os que se envolvem com o futebol.

Mas não é por torcer por um time que um juiz será desonesto ou incompetente.

Ontem, o juiz prejudicou em muito o Grêmio, e é claro que ele não é colorado. Não deve ter feito o que fez por não gostar do Grêmio e sim pelo maior defeito dos juízes de futebol: a prepotência.

Héber Roberto Lopes errou ao não marcar um pênalti MUITO claro a favor do Grêmio. Bem, isso acontece. Só que, depois, ele tirou os jogadores do Grêmio do sério. Xingou, ameaçou, mostrou cartões amarelos, desconcertou o time. O Grêmio não empatou um jogo em que se impunha por causa do juiz.

Juiz torce, sim. Juiz influencia no jogo, sim. Juiz, sim, sim, é muito decisivo numa partida de futebol.


Saiu a capa!

28 de outubro de 2010 10

Leitorinhos, segue abaixo a capa do meu próximo livro, “Jô na Estrada”.

A ilustração é de Gilmar Fraga. Mais detalhes, data de lançamento, trechos…???

Depois, primeiro aproveitem a Jô:

O Urso de Carmona

28 de outubro de 2010 3

O Lédio Carmona repercutiu a minha citação a Laerte, o Urso, no programa Redação Sportv desta terça-feira.

Leiam aí o belo texto postado no blog dele (http://colunas.sportv.globo.com/lediocarmona/2010/10/27/o-urso-do-david/) e concluam, como já concluí há tempo, que o Carmona sabe das coisas.

Armando Nogueira viu a Hungria jogar em 1954 e ficou maravilhado. Só falava de Puskas, e Kocsis, e Czibor. Nelson Rodrigues deitava e rolava com o deslumbramento do amigo. “Armando, como um time tão bom perdeu para uma seleção cintura-dura?” E ironizava, chamando os míticos magiares de “a Hungria do Armando”.

Quase ninguém no Brasil viu a Hungria do Armando jogar, mas durante décadas se falou daquele timaço assim, a Hungria do Armando. Lembrei disso hoje de manhã, ao ver David Coimbra afirmar que o melhor centroavante do mundo foi Laerte, o Urso. David já escreveu sobre Laerte e suas qualidades, dentre as quais o chute mortal e a estatura de um metro e setenta e três, a altura dos craques. O único senão de Laerte, diz David, era que só jogava com as vestes de Próspera e Criciúma, os times da Capital do Carvão. Bastava vestir outra camisa e perdia seus poderes, passava a ser um centroavante fútil, cotidiano e tributável. Deixava de ser Laerte, o Urso, para ser Laerte, mais um na multidão.

Algumas pessoas devem ter se perguntado: “Seria Laerte mais um dos personagens do David? Mais uma daquelas criaturas que das ruas do IAPI desvendam os mistérios do mundo?” Em verdade, vos digo: Laerte, o Urso, existiu. Eu o vi jogar e atropelar zagueiros com seu corpo ursídeo. Ele parece, mas não é um personagem de David Coimbra.

Laerte Aracy Sérgio nasceu em Urussanga, em 26 de agosto de 1957. Em 1978, ainda garoto, fez alguns jogos pelo Comerciário, que no 17 de março daquele ano passou a se chamar Criciúma Esporte Clube. Laerte, o Urso, fez o primeiro gol da história do Criciúma que ainda não era Tigre, porque vestia azul. E foi fazendo gols, o Urso, de todos os jeitos. Quando deixou o estádio Heriberto Hülse, em 1981, era o maior artilheiro da história do Criciúma, com 54 gols.
Laerte no Criciúma em 1978, o último agachado, disfarçado de ponta-esquerda

Laerte no Criciúma em 1978, o último agachado, disfarçado de ponta-esquerda

A primeira vez que vi Laerte foi quando ele veio a Lages, enfrentar o Inter. Já era o temido Urso. E no Inter de Lages tinha um zagueiro chamado Eduardo, cara de bandido e porte de xerife, morava no bairro Morro do Posto, e por isso era chamado de Eduardo, o Xerife do Morro do Posto. Foi o duelo anunciado, como dois pistoleiros que fossem se encontrar ao cair do sol. Laerte, o Urso, versus Eduardo, o Xerife do Morro do Posto.

“Não vai sobrar pedra sobre pedra”, anunciava o narrador Aldo Pires de Godói na Rádio Clube, chamando o povo para estádio Vidal Ramos. O povo foi. Eu fui. E vi.

Foram vinte e quatro minutos intensos. Pernadas, puxões nas camisas, cotoveladas. O Urso e o Xerife se engalfinhavam, caíam no chão, levantavam poeira. Vinte e quatro minutos um contra o outro, sem que nenhum dos dois tocasse na bola. Havia o jogo, lá longe, e o duelo. Eu assistia ao duelo.

De repente, Eduardo se viu sozinho. Olhava para os lados e não via o Urso, que sumira como num passe de mágica. Ouviu um palavrão berrado pelo goleiro Luiz Fernando Xixi e olhou para trás. Era o Urso, matando a bola no peito antes de estufar as redes coloradas no vigésimo quinto minuto da peleja. Ele ainda fez mais um, e o Inter só empatou em três as três porque era um bom time, liderado por Mikimba, tio do Ronaldinho Gaúcho que ainda nem pensava em nascer.

Tergiverso. O assunto é Laerte, o Urso. Se marcasse com qualquer camisa os gols que marcava pelos times de Criciúma, teria jogado com Pelé no Cosmos, com Falcão na Roma, com Platini na Vecchia Signora do Lédio Carmona. Aliás, se ele pudesse viajar no tempo e pegar a vaga de Puskas na Hungria de 1954, e se a Hungria jogasse com a camisa azul do Criciúma, o mundo seria diferente hoje, e ninguém faria troça com Armando Nogueira e David Coimbra. Aquela seria a Hungria de Laerte, o Urso, campeã mundial de 1954.

Os cariocas

28 de outubro de 2010 48

Passei dois dias no Rio, esta semana.

Por interesse antropológico, fui tomar um chopinho no Jobi. Queria observar os cariocas em seu habitat.

Enquanto trinchava um bolinho de bacalhau, estudava-os. Lá estavam eles, brindando e brincando, rindo e ralhando. Vivem a vida, esses cariocas. Vão ao bar para praticar o exercício de convivência com outros seres humanos. É por isso que os cariocas são mais criativos e são mais produtivos. É por isso que as coisas acontecem no Rio.

Porque os cariocas vivem a vida como tem de ser. Com alegria. E com os outros.

Gremistas e colorados adoram-se

27 de outubro de 2010 52


A turma do Chico Buarque era a turma do uísque. Ele, o Tom, o Vinicius, o Baden. Depois, o Chico, esperto, trocou o uísque pela cerveja. Os que não trocaram, morreram. Uísque é para os jovens e fortes.

Bom. Na época do uísque, um dia ele estava na casa do Francis Hime. Eles bebiam e cantavam e riam. O Francis sentou-se ao piano e eles dois começaram a compor uma música de improviso. Mas, de repente, terminou o uísque. Aí o Chico largou a caneta, o papel e o copo. Acabou o uísque, acabou-se a festa. E foi-se embora.

A música ficou inconclusa, o Francis durante semanas, meses e anos insistindo para que ele terminasse a letra, ele na maior preguiça. Até que o Francis aplicou um golpe de mestre: mandou a parte feita para uma cantora, que a gravou em fita cassete. O Francis mandou a fita para o Chico e o desafiou a não arrematar a canção.

O Chico emocionou-se: quem cantava era Elis Regina. Ele terminou a letra, que se tornou uma das mais belas da MPB: “Atrás da Porta”. Um dos versos desta música cabe bem aos torcedores da Dupla Gre-Nal. Quando a mulher, rejeitada, diz que, ao maldizer o lar em que vivia com o amado, ao sujar o nome dele e humilhá-lo, o está “adorando pelo avesso” e provando que sempre será dele.

Assim são gremistas e colorados, adoram-se pelo avesso.

Leiam os comentários dos torcedores no blog e comprovem. Ninguém pensa mais no Grêmio do que um colorado, e vice-versa.

Uma das gravações dessa canção entrou para a história. Elis cantava e chorava e, chorando, fez a plateia chorar com ela. Veja a reprodução clicando na imagem abaixo:

Ela nunca se esqueceu do jogador de futebol

26 de outubro de 2010 0

Uma ouvinte do Pretinho (que não quis se identificar) se separou do noivo, que foi tentar a vida como jogador de futebol em outro Estado.

Onze anos depois, ela, já casada, se reencontrou com ele, e fez um “revival”.

Só que o encontro fortuito do casal separado pelo futebol trouxe algumas consequências. Ouça aí ó:

Bate-Bola (24/10)

26 de outubro de 2010 4

Quer dar mais uma conferida nos bastidores do Gre-Nal de domingo?

É só clicar na imagem abaixo para ver o Bate-Bola: