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Bastidores da imprensa na Copa – parte 3

14 de novembro de 2010 1

Até terça-feira, acompanhe a série sobre os bastidores da imprensa na Copa do Mundo

A seguir, o Capítulo 3:


Um dos colegas jornalistas que ouvia divertido essa minha história em 2006 era o Mauro Leão. Você precisa conhecer o Mauro Leão. Ele é magro e alto, uns dois metros de altura. Assina uma coluna em O Dia, participa de um programa de rádio, é torcedor do Botafogo e um carioca impiedoso com os paulistas. Na Copa de 2002, o laptop do Mauro Leão pifou no primeiro dia de cobertura e pifado ficou até o fim. O Mauro tinha de transmitir o material de internet shops que encontrava pelo caminho. Parado de pé na pista atlética do estádio de treinos do Barcelona, 9h da manhã em que se iniciavam os treinos do Brasil, ele suspirou:

_ Agora só faltam 58 dias…

A sede do Brasil durante a Copa foi Ulsan, na Coreia do Sul. Uma cidade industrial, dura e cinzenta como todas as cidades industriais. Um lugar para se trabalhar, não para se divertir.

_ Isso aqui é São Paulo! _ gritava o Mauro Leão. _ Isso aqui é pior do que enterro de pobre em dia de chuva!

Mas em Ulsan pelo menos havia o bordel das prostitutas virgens. Uma boate chamada Seven, penumbrosa, com mesinhas redondas encostadas nos cantos e uma pequena pista de dança no centro. As mulheres mais lindas de Ulsan militavam lá. E não eram coreanas, eram jovens russas e ucranianas de pele branca e sorriso luminoso. Usavam minissaias curtas como um drible de Robinho e decotes profundos como a filosofia de Spinoza. Aceitavam todos os convites dos frequentadores para sentar em suas mesas. Sentavam-se, pediam drinques, conversavam em mau inglês, dançavam ao som de Elton John, volta e meia trocavam carícias e beijos. E nada mais. Sexo, nem pensar. Uma estrangeira que pratica sexo a soldo é expulsa sem dó da Coreia. Ou seja: a boate parecia um bordel, elas se vestiam e agiam como prostitutas, mas o sexo era proibido. Por isso o Seven tornou-se conhecido entre os brasileiros como “O Bordel das Prostitutas Virgens”.

Acreditaríamos que a pureza das meninas do leste europeu prosseguiria intocada se não fosse por uma cena com a qual nos deparamos certa manhã: ao entrarmos no hotel da Seleção, esbarramos com elas, as russas, SAINDO do saguão.

_ O que é isso??? _ perguntamos.

Elas nos informaram que haviam sido convidadas para conhecer os jogadores da Seleção. Conheceram.

E conheceram.

E conheceram.

Uma delas, uma loira de Kiev, disse que foi conhecida seis vezes durante a noite.

A Copa de muitos jornalistas brasileiros perdeu o brilho naquela manhã.

E Joannesburgo nem isso, nem um bordel de prostitutas virgens havia para distrair o enfarado Mauro Leão, que passava os dias a lamentar:

_ Isso aqui é pior do que São Paulo, pior que Ulsan…

Mauro Leão ficou hospedado em um hotel onde só moravam nigerianos. Jogo duro. Os nigerianos angariaram péssima fama na África do Sul. São eles os chefes das principais quadrilhas de tráfico de drogas. Podem ser vistos pelo centro da cidade usando grandes chapéus, brincos, correntes e colares, calçando sapatos de couro de crocodilo, fumando com displicência. Os nigerianos falam um inglês de revés. “Brother” eles falam de língua mole:

_ Bura…

Se porventura você estiver em Joannesburgo e um nigeriano o chamar assim:

_ Eh bura, come here!

Saia correndo. As intenções do nigeriano são as piores possíveis.

Os nigerianos, aliás, são conhecidos pelos demais africanos como homens superdotados no quesito órgão reprodutor masculino. Imagine, se os africanos se assustam com os nigerianos…

_ Eh bura…

Corra!

Pois os nigerianos do hotel do Mauro Leão passavam o dia fora dos quartos, fumando e conversando indolentemente nos corredores, as costas apoiadas nas paredes finas. O Mauro saía para trabalhar e eles ficavam olhando para ele, especulando. Momentos de tensão passou o Mauro Leão nessa Copa da África. Mas ele os enfrentava com o bom humor dos cariocas. As restrições de Dunga ao trabalho da imprensa o irritavam mais. No jogo da estréia, contra a Coreia do Norte, Dunga vestia um sobretudo com botões do tamanho de um pires de cafezinho. O Mauro dizia que era o casaco do porteiro do seu hotel.

Uma das vítimas preferidas do Mauro em todas as coberturas é o paulista Cosme Rímoli, o “Cosmão”. O Cosme estava junto quando eu contava sobre o striptease da vizinha morena. Ela continuava dançando e tirando a roupa devagar. Levou as mãos às costas e num movimento ágil desfez-se do sutiã. Atirou-o longe, como se dissesse que não precisava dele. Dois seios tenros porém sólidos, blop, saltaram para a liberdade. Agarrei-me à base da janela. A essa altura, havia-me posto de joelhos para observar melhor o show. Ela levou dois ganchos feitos por seus indicadores e polegares até as alças da calcinha. Era uma calcinha pequena. Realmente pequena. Aí foi descendo-a, descendo-a, descendo-a, até que a fez escorregar tornozelo abaixo, primeiro um pé, depois outro e, PRESTO!, também a calcinha se foi para o limbo das calcinhas. Minha vizinha seguiu dançando nua e deliciosa e eu segui acompanhando-a lá de cima, com lágrimas nos olhos. Terminada a apresentação, ou a música, sei lá, ela foi até a janela, fechou-a e não a abriu mais até o dia seguinte.

No dia seguinte…

Lembro de ter feito essa pausa: “No dia seguinte…” Com essas reticências. Para criar expectativa, entende? O Cosmão, homem dedicado ao sexo oposto, talvez fosse o mais angustiado com o desfecho.



Comentários (1)

  • Leonel Soares diz: 16 de novembro de 2010

    Olha David…
    essa sua história da vizinha…teria ganho aquele concurso sobre devassidão…

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