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Posts de novembro 2010

Minuto Final

30 de novembro de 2010 1

Veja aí o Minuto Final do Bate-Bola deste domingo.

Traição

30 de novembro de 2010 0

Modos de identificar uma traição. Ouça aí o que falamos no Pretinho Básico da última sexta-feira.

O cortiço

29 de novembro de 2010 4

Dia 9 de abril publiquei uma coluna que tem a ver com o que está acontecendo no Rio agora.
A seguinte:

Ao caminhar por entre as artérias do Monumento ao Holocausto, no coração de Berlim, a cada passo aumentava minha admiração pelos alemães. Ali estava um povo que não se esquivava de suas culpas. Ao contrário, as purgava em público e em voz alta.

Os mesmos passos me faziam pensar nos brasileiros. Nós aqui, ao que parece, não nos aflige culpa alguma. Do que o brasileiro se envergonha, afora a derrota na Copa de 50? Pois é. Mas nós temos do que nos envergonhar. Temos também o nosso nazismo. O nosso holocausto.
Chama-se escravidão.

O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, mas nem ao aboli-la lavou-se de sua desonra. Agora mesmo, no Rio de Janeiro flagelado, lateja essa dor. Pois quem são esses que morrem sufocados pela terra que se desprende dos morros cariocas? Descendentes de escravos e ex-escravos expulsos do Centro quando o Rio se transformou no que hoje é.

Você leu O Cortiço, de Aluísio Azevedo? Bom livro. Não devia ser obrigatório nas escolas, devia ser tratado como romance para iniciados. O Cortiço conta a história de um imigrante português que, como se dizia então, “amasiou-se” com uma escrava para somar suas economias às dela. Juntos, os dois e seus dinheiros, melhoraram a bodega dele e investiram em quartos de aluguel. Montaram um cortiço aos moldes de tantos que havia no Rio do século 19, o mais célebre deles chamado Cabeça de Porco, de propriedade do Conde D’Eu, ilustre marido da Princesa Isabel. O que não deixa de ser irônico – entre os 4 mil moradores do cortiço do marido, havia inúmeros ex-escravos libertados pela esposa.

Essa gente não teve mais onde morar a partir do começo do século 20, quando a prefeitura do Rio botou abaixo os cortiços. O prefeito Pereira Passos, inspirado nas reformas feitas em Paris décadas antes, rasgou avenidas, abriu largos arejados, mudou a face da cidade. Os moradores dos cortiços, muitos deles, foram para a zona norte. Outros, que precisavam morar perto do Centro, onde trabalhavam para os senhores brancos e bem alimentados, esses ficaram por perto: subiram os morros do entorno, construíram casebres com as sobras das demolições protagonizadas por Pereira Passos, formaram as favelas como as conhecemos.

Essa gente pingente das favelas não foi libertada da escravidão; foi atirada à liberdade. Para eles, nunca houve planejamento, muito menos investimento. Hoje, Lula dá certa atenção a esses desgraçados. Não é o ideal, claro que não. Porque não é uma ajuda estratégica; é uma ajuda tática. Mas, ao menos, é algo. Para quem não tinha nada, talvez seja muito. Por isso, Lula foi amassado pela vaia do Maracanã, na abertura do Pan em 2007. Vaiaram-lhe os brancos e bem alimentados, os moradores da planície, que olham para o alto, para o morro, com medo.

Hoje, os brancos e bem alimentados da planície olham de novo para o morro. Aquela gente parda, aquela gente que passa os dias de bermuda e sem camisa, que mora em barracos construídos com pedaços de qualquer coisa, aquela gente teima em chamar a atenção. Às vezes roubando, às vezes matando e às vezes, como agora, morrendo. Inconvenientes, é o que são. Vivem a nos lembrar que em nós, também, pode haver culpa.


Dia 9 de abril publiquei uma coluna que tem a ver com o que está acontecendo no Rio agora.
A seguinte:




O cortiço
Ao caminhar por entre as artérias do Monumento ao Holocausto, no coração de Berlim, a cada passo aumentava minha admiração pelos alemães. Ali estava um povo que não se esquivava de suas culpas. Ao contrário, as purgava em público e em voz alta.
Os mesmos passos me faziam pensar nos brasileiros. Nós aqui, ao que parece, não nos aflige culpa alguma. Do que o brasileiro se envergonha, afora a derrota na Copa de 50? Pois é. Mas nós temos do que nos envergonhar. Temos também o nosso nazismo. O nosso holocausto.
Chama-se escravidão.
O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, mas nem ao aboli-la lavou-se de sua desonra. Agora mesmo, no Rio de Janeiro flagelado, lateja essa dor. Pois quem são esses que morrem sufocados pela terra que se desprende dos morros cariocas? Descendentes de escravos e ex-escravos expulsos do Centro quando o Rio se transformou no que hoje é.
Você leu O Cortiço, de Aluísio Azevedo? Bom livro. Não devia ser obrigatório nas escolas, devia ser tratado como romance para iniciados. O Cortiço conta a história de um imigrante português que, como se dizia então, “amasiou-se” com uma escrava para somar suas economias às dela. Juntos, os dois e seus dinheiros, melhoraram a bodega dele e investiram em quartos de aluguel. Montaram um cortiço aos moldes de tantos que havia no Rio do século 19, o mais célebre deles chamado Cabeça de Porco, de propriedade do Conde D’Eu, ilustre marido da Princesa Isabel. O que não deixa de ser irônico – entre os 4 mil moradores do cortiço do marido, havia inúmeros ex-escravos libertados pela esposa.
Essa gente não teve mais onde morar a partir do começo do século 20, quando a prefeitura do Rio botou abaixo os cortiços. O prefeito Pereira Passos, inspirado nas reformas feitas em Paris décadas antes, rasgou avenidas, abriu largos arejados, mudou a face da cidade. Os moradores dos cortiços, muitos deles, foram para a zona norte. Outros, que precisavam morar perto do Centro, onde trabalhavam para os senhores brancos e bem alimentados, esses ficaram por perto: subiram os morros do entorno, construíram casebres com as sobras das demolições protagonizadas por Pereira Passos, formaram as favelas como as conhecemos.
Essa gente pingente das favelas não foi libertada da escravidão; foi atirada à liberdade. Para eles, nunca houve planejamento, muito menos investimento. Hoje, Lula dá certa atenção a esses desgraçados. Não é o ideal, claro que não. Porque não é uma ajuda estratégica; é uma ajuda tática. Mas, ao menos, é algo. Para quem não tinha nada, talvez seja muito. Por isso, Lula foi amassado pela vaia do Maracanã, na abertura do Pan em 2007. Vaiaram-lhe os brancos e bem alimentados, os moradores da planície, que olham para o alto, para o morro, com medo.
Hoje, os brancos e bem alimentados da planície olham de novo para o morro. Aquela gente parda, aquela gente que passa os dias de bermuda e sem camisa, que mora em barracos construídos com pedaços de qualquer coisa, aquela gente teima em chamar a atenção. Às vezes roubando, às vezes matando e às vezes, como agora, morrendo. Inconvenientes, é o que são. Vivem a nos lembrar que em nós, também, pode haver culpa.

Bate-Bola

29 de novembro de 2010 0

Confere aí o Bate-Bola deste domingo.

Os meninos do Brasil

29 de novembro de 2010 2

Os morros cariocas foram retomados pelo Estado.

Os bandidos estão presos, mortos ou em fuga. Melhor: estão desarmados, desalojados e desnorteados.

Isso significa que não haverá mais sequestro-relâmpago em Porto Alegre, que se pode caminhar à noite pelo Centro, que você pode deixar aberta aporta de casa quando for dormir, que não haverá mais roubo de carros na Floresta?

Não.

Tudo isso continuará acontecendo.

Mais: os crimes no Rio continuarão acontecendo.

O que houve foi uma derrubada dos quartéis-generais do tráfico, uma vitória sobre uma casta de criminosos que havia se incrustado em uma região do Rio de Janeiro.

O que houve foi uma ação do Estado onde antes só existia omissão. E isso é positivo. As forças de segurança enfim atuaram com energia na repressão.

Só que essa é a palavra: repressão. É o remédio ministrado depois de o mal ter se instalado.

Para que o mal seja debelado de fato, as CAUSAS têm de ser combatidas.

E as causas da criminalidade, dos acidentes de trânsito, do vício das drogas, da corrupção, da furação de filas, das brigas de bar, dos maus-tratos às crianças, da violência contra a mulher, da insegurança nos estádios de futebol, da sujeira das ruas, da pichação nas paredes, da agressão ao meio-ambiente, dos estupros, da lotação dos presídios, da fome e da qualidade da música brasileira atual, as causas de todos esses males são só uma: FALTA DE EDUCAÇÃO!!!

E não basta educação formal, há muita gente que preenche formulários dizendo que tem terceiro grau completo e que é mal-educada.

Refiro-me à educação ampla, educação de fundo moral, educação que leve em conta OS VALORES do homem e não apenas a habilidade em conjugar verbos ou recitar a fórmula de Baskara.

Eu esqueceria os adultos do Brasil.

Eu só investiria nas crianças.

Esta geração, a nossa geração, está perdida. É uma geração para a qual só resolvem medidas paliativas, como a tomada dos morros do Rio.

As nossas crianças, não.

As nossas crianças, se forem salvas, podem salvar o Brasil.

A prova da injustiça

29 de novembro de 2010 5

O Campeonato Brasileiro serpenteia por quase todos os meses do ano por que mesmo?

Para apurar qual é o melhor time do Brasil no ano.

O melhor.

Bem. Qual é o melhor time do Brasil agora?

É o Grêmio. Tem sido o melhor em praticamente todo o segundo semestre.

Mas qual foi, realmente, o melhor time do Brasil neste ano?

O Santos, sobretudo o Santos do primeiro semestre, como Neymar, Robinho e Ganso.

E o melhor grupo de jogadores do Brasil, qual é?

O Inter, sem dúvida. O Inter é o maior clube da segunda metade da década, assim como o São Paulo é o maior clube da primeira metade.

Que times podem conquistar o título de campeão do Brasil?
Fluminense, Corinthians e Cruzeiro.

Fulimense???

Corinthians???

Cruzeiro???

Definitivamente, não é nada justa a fórmula do Campeonato Brasileiro.

Incrível, mas verdade

28 de novembro de 2010 0

Para quem não acreditava no relato da tradutora que teve um filho com um mendigo, eis o comentário publicado pela leitorinha Anna:

Gente, por mais incrível que pareça, essa história é verdadeira!!! A Ana (Kuka) existe!!!
Eu conheço a figura!!! Também me formei na UFRGS, fui colega de inglês dela!
Me lembro do dia em que ela chegou, sentou no banquinho em frente ao Instituto de Letras e disse que estava apaixonada por um medigo… e as fotos do Pietro estão disponíveis no orkut.
Parece mentira!!! Mas não é…

E aí? Alguém vai ajudar o pobre mendigo???

A Metamorfose - 3

28 de novembro de 2010 1

O umbigo é um nó. Ela não parava de pensar nisso. O que muito a angustiava. Porque um nó, assim como é atado, pode ser desatado.

E se ela, ao combater as funflas, tivesse desatado o nó do próprio umbigo? Aquela bolota poderia ter esse significado: o nó desatado que agora saltava para fora do ventre, prestes a se abrir para a liberdade. Ou seja: em breve, o buraco por onde ela, ainda feto, sorvia o alimento da mãe, aquele buraco se abriria novamente e tudo o que havia em seu interior vazaria.

Oh, Deus! Ela imaginou suas entranhas sendo vomitadas pela abertura do umbigo e começou a passar mal.

Que morte horrível.

Mas havia algo ainda pior do que morrer daquela forma decerto dolorosa: ela não teria a solidariedade de ninguém. As pessoas ririam dela. Alguns males são horrendos, mas não contam com a solidariedade das pessoas. A diarreia, por exemplo. Ninguém leva a diarreia alheia a sério. Triste para o diarréico. Assim seria morrer de umbigo desamarrado.

“Desamarrou o próprio umbigo e morreu esvaindo-se: ridí-cu-lo!”

É o que as pessoas diriam, ela sabia. “Ri-dí-cu-lo”. Sobretudo algumas de suas amigas invejosas. Aquelas malditas, se descobrissem que seu umbigo agora é de bolota, ela estava perdida. Viraria motivo de chacota na cidade. Os homens apontaria para ela e cochichariam na mesa dos bares:

“Aquela ali tem umbigo do bolota…”

Tinha que tomar uma atitude.

Tinha!

Tomou.

Qual?

Saiba no próximo intrigante capítulo de… A Metafomorfose!!!

Uma história impressionante. Ou: a generosidade das mulheres

27 de novembro de 2010 13

Recebi esse estranho relato de Ana Maranghelo, tradutora formada pela UFRGS. Leia e se espante, como me espantei:


“Estava um dia descornada da  minha vida… estava tudo errado com ela! Professora de escola pública, pobre e flácida, sem falar no meu cabelo! Bem, sentei na Praça da Alfândega resolvida a dar para um desconhecido e cobrar pelo serviço! Foi quando ele apareceu, todo estropiado, mas com um olhar muito penetrante, seguro e desafiador. Seus olhos cruzaram o meu olhar.

Ele  indagou o que eu fazia sentada no banco que, segundo ele, era de sua propriedade, pois ele dormia ali. Perguntou se eu não tinha autoestima e me disse que eu estava passada para programas, mas que R$ 10 ele pagava. Aceitei.
Fomos para um motel todo verde ali no centro mesmo, que custava R$ cada 5 meia hora, e fizemos amor! Ele pagou os dez reais, mas não me deixou ir embora… Fomos de mãos dadas até o Gasômetro e, depois de um passeio romântico, fui embora  apavorada com o que havia feito… uma loucura total!

Apaixonei-me perdidamente por aquele mendigo… Foi o homem mais sensível que conheci. Mas era  homem como os outros e, mesmo mendigo, não demorou muito a me trair e mentir e dormir até mais tarde e pedir cerveja na cama e pedir para eu cortar as unhas dele, os cascos dos pés dele! Eu cedia cegamente aos apelos do meu homem, aquele mendigo com a cara do Antônio Banderas. 

Engravidei, nasceu o Pietro, mas o meu mendigo me trocou por uma bela bunda de cabelos loiros, carne tenra e suculenta… Eu sempre pareci uma bergamota murcha, sou flácida desde os 13 anos, sem falar no meu cabelo tipo Tim Maia.

Apesar disso tudo sou uma mulher à frente do meu tempo. Não quis me vingar nem nada, só faço minhas orações.
Bem, o fato é que meu ex-mendigo foi atropelado por um cavalo desgovernado na semana Farroupilha e fraturou a coluna.

A loira não sabe escrever, acho, ou para ela seria demais  estragar as unhas fazendo isso. Descobri seu e-mail e resolvi pedir ajuda. Ele precisa urgentemente de um colete para a coluna voltar para o lugar. Ele está morando no abrigo aquele ali da Getúlio Vargas e ficará lá até ficar bom novamente.

Sei que pensará que meus fatos são bizarros ou estranhos, mas, essa é minha história!
O meu ex, meu mendigo amado, está de aniversário no próximo dia 20 de Dezembro e seria um milagre se alguém emprestasse um colete para ele se recuperar e poder voltar logo para os braços, coxas, etc da sua loira.

E eu feliz não vou ficar, mas como sou feia cabe a mim tentar melhorar o mundo e fazer boas ações. Claro que eu preferia estar tomando champanhe em um motel de luxo. But, anyway…”


Não é uma história e tanto?

Você pode ajudar a nossa heroína generosa?

Responda nos comentários do post.

Especial do Pretinho Básico

26 de novembro de 2010 1

Confira aí o especial do Pretinho Básico de Ano Novo. Uma homenagem aos colegas da RBS.

Como acabar com o tráfico

26 de novembro de 2010 20

Traficantes esgueirando-se às centenas, quiçá milhares, feito baratas pelos matos dos morros cariocas. Homens de bermudas, sem camisa, mas com fuzil AK nos ombros. Bandidos com capacidade de fogo suficiente para arremessar granadas em blindados.

Como é possível que sejam tantos e reúnam tamanho poder?

Simples: o poder vem da maior fonte de poder do mundo: do dinheiro.

E de onde vem esse dinheiro?

Óbvio: do comércio de drogas.

E uma última pergunta: por que o comércio de drogas é tão frutuoso?

Essa pergunta é decisiva. Afinal, não existem tantas pessoas que consomem drogas. A maioria, a IMENSA maioria, não consome drogas. No entanto, existem consumidores de drogas, é claro que existem, e eles são, quase todos, jovens que passam pela droga algumas vezes e a abandonam logo ali.

O que torna o tráfico lucrativo, portanto, não é o consumo massivo da droga: é a proibição da droga. A droga, tornada clandestina, não paga imposto, não assina carteira, nem tem controle de qualidade.

Se, de um dia para outro, o Estado proibir a venda de sabão, as pessoas ainda assim continuarão usando sabão, levando alguns a produzir sabão e outros tantos a vender sabão. O comércio do sabão continuará farto, embora proibido. Mas, proibido, não pagará nenhuma taxa, nenhum imposto, nada. Não terá nenhuma obrigação social. Os trabalhadores envolvidos na produção e na venda do sabão não terão direito a férias, décimo-terceiro, horas extras etc. E o dono da fábrica clandestina de sabão ficará rico, poderá comprar armas para enfrentar a polícia que tenta reprimir o tráfico de sabão. Terá tantos recursos que corromperá a própria polícia e a justiça para continuar vendendo o seu sabão.

Aí chega um legislador convincente e demove o Estado da proibição do sabão. A venda do sabão foi liberada! Agora, os produtores de sabão terão de montar uma sede legalizada, com recepcionista e pagamento de IPTU; terão de registrar seus trabalhadores e pagar-lhes os direitos exigidos pela lei; terão de pagar os impostos sobre a produção e a venda do sabão, o imposto de renda, os impostos sobre propriedade. Agora, os produtores de sabão não usam mais bermudas e nem ficam sem camisa: eles usam terno e gravata. Eles ganham muito menos. E pagam muito mais.

Pegue aquele traficante que se rasteja pelo morro de bermuda, sem camisa, mas com um AK nos ombros, troque seu fuzil por uma pasta de executivo, meta-lhe dentro de uma gravata, legalize-o e faça com que o sistema o absorva.

Pronto. Acabou a criminalidade.

Transformar a droga de um problema de segurança em um problema de saúde, esse é o caminho para acabar com a guerra urbana do tráfico.


Batalha dos Aflitos - cinco anos amanhã

25 de novembro de 2010 30

A realidade não precisa ser verossímil; a ficção, sim. Se um escritor imaginoso escrevesse um romance contando o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, dois aviões atingindo em cheio os dois maiores prédios do mundo, um avião depois do outro, fazendo, assim, com que os edifícios monumentais se desmanchassem como sorvete ao sol, se um escritor escrevesse isso, todos os leitores desdenhariam. Isso é impossível, diriam.

Mas isso aconteceu.

E se um escritor descrevesse uma partida de futebol em que um time tivesse quatro jogadores expulsos, sobrando-lhe, portanto, seis na linha; e se o árbitro houvesse marcado dois pênaltis contra esse time; e se, ainda assim, esse time houvesse vencido o jogo e se tornado campeão; se isso tudo fosse descrito por um escritor, ninguém acreditaria ser possível.

Mas isso aconteceu.

Foi a Batalha dos Aflitos, que amanhã completará cinco anos.

A façanha do Grêmio neste jogo foi tão inverossímil que a Batalha dos Aflitos se tornou referência de tempo. Como a Queda das Torres Gêmeas, as pessoas se perguntam:

“O que você estava fazendo na Batalha dos Aflitos?”

É o que pergunto agora para os leitorinhos.

Conte a sua história.

O que você estava fazendo na Batalha dos Aflitos?

Responda nos comentários deste post.

A Metamorfose - 2

25 de novembro de 2010 4

As flunfas!

A culpa era das flunfas. Ou seriam funflas? Seja como for, esse é o nome que o Veríssimo dá à sujeirinha do umbigo. Ela se irritava com as funflas que se acumulavam no nó de seu umbigo. Um dia, decidiu removê-las sem piedade. Procedeu à limpeza armada com cotonete e álcool. Fuçou, fuçou. Retirou muita funfla preta, muita funfla petrificada. Mas não toda. Não, senhor. Algumas haviam se grudado às dobras do umbigo como cracas no casco do navio. Tratavam-se de funflas antigas, que, esquecidas naquela região pouco acessada do corpo, se homiziaram, se radicaram e se cristalizaram.

Só que ela não ia se deixar derrotar. Ah, não! Investiu contra as funflas com denodo. Raspa, raspa, raspa!

Saiu da operação com o umbigo limpo e reluzente, porém dolorido.

A dorzinha não cessou durante o dia inteiro. O que a fez pensar: teria se ferido? Teria, talvez, desatado o nó do umbigo?

Sim, porque o umbigo é um nó. Você sabe: você, ao nascer, o médico cortou-lhe o cordão umbilical que o unia à sua mãe e lhe provia de alimento. Depois, com perícia médica, amarrou o cordão em um nó e o enfiou para dentro do ventre. O que virou umbigo. Depende, pois, da arte do médico a forma como será o seu umbigo. Delgado, discreto, agressivo ou saltado.

O dela era discreto.

Agora está saltado.

De bolota.

Será que ela, ao limpar as funflas, desatou o nó do umbigo???

É possível isso???

Responda, por favor.

A namorada do amigo

24 de novembro de 2010 0

Lucas tem um amigo cuja namorada estava dando em cima dele. Ouça aí a carta do ouvinte que li no Pretinho Básico desta terça-feira.

A Metamorfose

24 de novembro de 2010 4

Uma manhã, ela estava tomando banho quando descobriu que havia uma bolota em seu umbigo.

Quer dizer: a bolota saltara de dentro do seu umbigo, era O PRÓPRIO umbigo, que, por alguma razão, saltara para fora.

Ficou horrorizada.

O verão estava chegando. Verão, você sabe: tempo de barrigas expostas, de mini-blusas, de biquínis. Tempo de mostrar o umbigo!

Como poderia sobreviver ao verão com uma bolota no meio do seu umbigo?

Já vira umbigos de bolotas. Mas em homens, jamais numa mulher. Suas amigas, e até suas inimigas, tinham umbigos formosos, pequenos, para dentro. Umbigos que enfeitavam com piercings, que douravam ao sol do Rio ou de Punta, que volta e meia eram lambidos por línguas sôfregas de homens musculosos. Como um homem ia se sentir atraído por um umbigo de bolota???

Era uma tragédia.

Era o fim.

Ela morreria solteira.

O que deveria fazer?

Responda antes do segundo capítulo de… A Metafomorfose!!!