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Cuidado! Aí vêm eles!

15 de janeiro de 2011 1

Nós, praianos, ficamos apreensivos com a chegada do fim de semana. Sabemos que, mal refulgem os primeiros raios do sol de sábado, os citadinos empilham cadeiras de plástico em seus carros e partem para a invasão da nossa Orla. Vêm aqui, sujam nossas praias com sabugos de milho verde e embalagens de barras de cereal, assediam nossas mulheres douradas, bebem nossa cerveja gelada, ouvem pagode e, na segunda-feira pela manhã, para nosso alívio, vão embora.

Bárbaros, é o que são.

Chega a ser comovente a mobilização dos citadinos para se deslocar rumo ao nosso litoral. Inclusive vi algo, no começo do mês, que achava estar extinto: vi um rapaz pedindo carona na freeway. Portava um cartaz que era um rogo: “PRECISO ir para a praia. Pelo amor de Deus!”

Compadeci-me dele. Também eu pedi carona para ir ao litoral, em priscas eras. Saíamos do IAPI, uns 20 ou 30 guris, e, na boca da freeway, nos dividíamos em pares. No fim da manhã, estávamos todos em Tramandaí. Chegávamos gingando, olhando para os praianos que, das varandas de suas casas, apontavam-nos com temor:

– Os mochileiros! Os mochileiros!

Ser mochileiro e caroneiro era ser rebelde. Gostávamos de ser rebeldes. Hoje os citadinos são apenas isso: citadinos. Eles vêm com seus carros e seus crocs, eles não têm mais romantismo. Por isso, quase dei carona ao rapaz com cartaz na estrada. Mas já havia passado por ele, não tinha como voltar. Só que, logo ali adiante, havia outro. Dois caroneiros! No século 21! Mal acreditei.

Solidarizei-me com ele. Deve ser difícil pegar carona hoje em dia. Mais difícil do que era VOLTAR de carona nos anos 70 e 80. Por algum motivo, os motoristas relutavam em dar carona do litoral para a cidade. Talvez devido à pressa em retornar, sei lá, nunca descobri o porquê. Uma vez, eu e o Chico Trago só conseguimos carona num DKW que tinha um buraco no assoalho. O vento quente da estrada queimava o meu pé. O motorista vendia churrasquinho na praia, o banco de trás estava cheio de panelas e tralhas. Tinha até uma gaiola com um papagaio em reclusão. O cara foi dirigindo a 60 por hora, uma angústia, todos nos ultrapassavam. Até que chegamos a Gravataí. Ele parou “para esfriar os pneus”, fitou o horizonte cinza e comentou:

– Está vindo chuva. Vou dar uma tocadinha.

Enfim!, pensamos eu e o Chico.

Ele passou a ir a 70 por hora. Levamos três horas para chegar a Porto Alegre.

Em homenagem ao nosso passado de vicissitudes, pensei que aquele caroneiro renitente merecia um pouco da minha atenção. Como o outro, ele ostentava um cartaz. Mas não consegui ler o que estava escrito. Mesmo assim, reduzi a velocidade do carro. Percebi que ele suspirou. Olhei nos olhos dele. Ele olhou nos meus. Sorriu. Fez sinal de positivo. Fiz-lhe sinal de positivo. E segui meu caminho, deixando-o para trás. Era um citadino. Não ia dar carona para um citadino, francamente.

O Vini da Praia

Algumas leitoras reclamaram que só tenho publicado as “Jôs da Praia”. Queriam “Vinis da Praia”, apesar de o Vini, vocês já reparam, ser o vilão da história. Não importa, as mulheres adoram vilões.

Pois bem, aí vai o flagrante de um conhecido e admirado personagem público gaúcho de um ângulo pouco conhecido e admirado. As costas decoradas da foto não são de outro senão do atual deputado recordista de votos e ex-goleiro recordista de títulos Danrlei de Deus.

Satisfeitas, meninas?



Comentários (1)

  • Lilian diz: 18 de janeiro de 2011

    Particularmente, não estou satisfeita, prefiro outros gatinhos da praia, o Danrlei está ULTRApassado! HAHAHAHAHAHAHA

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