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Relato de um turista preso no Chile

15 de janeiro de 2011 1

Recebi há pouco um email de Christiano Van Gorkon, leitor do blog, que estava fazendo turismo pela América do Sul e ficou preso no Chile devido aos problemas do país. Leiam o relato: 

A situação em Punta Arenas permanece indefinida.

Estamos na região da Patagônia desde o dia 06/01, estávamos no Ushuaia, na Argentina, e de lá partimos em 12/01 para o Chile, com o destino a Puerto Natales, onde visitaríamos o Parque Nacional Torres del Paine, mas para chegarmos lá, era necessária uma conexão em Punta Arenas. Chegando em Punta Arenas, já na entrada da cidade, deparamo-nos com barreiras que impediam entrada e saída de qualquer tipo de veículo. Isso por volta de 22h, abaixo de chuva e frio. Teríamos que chegar ao centro da cidade, a aproximadamente 5km, caminhando com todas as bagagens. Felizmente conseguimos uma carona com uma família da cidade que nos deixou num Hostal, juntamente com outros dois casais de brasileiros.

A região é muito fria, devido a sua localização austral, onde as temperaturas permanecem baixas mesmo no verão. Portanto há um elevado consumo de gás para os sistemas de calefação. Após o anúncio do aumento das tarifas do gás em 17%, a partir de primeiro de fevereiro, pelo governo federal, a população da região ficou alarmada e organizou-se para protestar contra este aumento, resultando numa greve geral, iniciada à meia-noite do dia 12, designada aqui na região como El Paro, cujo lema da mobilização é No al alza del gas.

Desde então há negociações diárias, amplamente divulgadas pela mídia local que é favorável a causa. Ontem, 14/01, houve uma reunião entre o governo e a Assembleia Cidadã de Magalhães, quando foi apresentada uma proposta do governo de aumento de 3%, não aceita pelos líderes regionais. Tal situação levou a um certo “racha” na população, que agora parece dividida. Neste momento as principais lideranças regionais encontram-se reunidas para discutirem a proposta do governo.

Quanto ao cotidiano da cidade, este se apresenta bastante alterado, a maior parte dos estabelecimentos comerciais estão fechados, assim como mercados, já havendo falta de alguns produtos, especialmente gêneros alimentícios.

Neste ínterim, nós, Christiano e Daniela, seguimos buscando informações, acompanhando as notícias locais e nacionais, divulgando a situação em alguns sites brasileiros.

Vale lembrar, que tentamos contato telefônico com o Consulado do Brasil em Punta Arenas, sem sucesso, além disso, enviamos e-mail à Embaixada do Brasil em Santiago, e não recebemos nenhum retorno até o presente momento.


P.S.:


Há outra informação importante que precisamos acrescentar. A nossa condição de turista parece que tornou-se um incremento para a situação, já que passamos a ser considerados “moedas de troca”, ou seja, é uma das formas que os mobilizados encontraram de pressionar o governo, já que isto envolve embaixadas e relações internacionais.


Comentários (1)

  • Luiz diz: 16 de janeiro de 2011

    Coitado do cidadão brasileiro que precisar de alguma repartição diplomática brasileira do Exterior. Esses come-e-dorme não servem para nada, a não ser para viver bem e fazendo festas às nossas custas.

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