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Tomar banho com uma mulher

25 de janeiro de 2011 3

O Bernardo nunca havia tomado banho nu com uma mulher. Tomou agora, na Orla – na Orla acontecem essas coisas.

Chama-se Antônia.

Sim, bem sei que ele já rolou na areia com Betina, semanas atrás. Bem sei que Gabi, a pequena nissei, espera por ele em Porto Alegre, mas, como disse, na Orla acontecem essas coisas. As mulheres se soltam, por aqui. Natural, estão com pouca roupa e o calor, já sabemos, malemolece.

Inclusive há uma moreninha mais velha do que ele, uns quatro anos de idade, todas as tardes ela passa de bicicleta pela frente da nossa casa e joga charme pelas frestas da cerca de tela. O Bernardo fica olhando. Um dia ele tomou coragem e a chamou:

– Quer brincar de castelo mal-assombrado?

Mas ela empinou o nariz e se foi, pedalando. Esnobe.

Com Antônia o Bernardo teve mais sorte. Estava dentro de uma piscina de borracha do tamanho de um pneu de caminhão, com o desenho do Homem-Aranha no fundo. Há uns dois anos ele tinha medo desse Homem-Aranha. Agora, não. Agora ele anda destemido. Quando ela chegou, encontrava-se nu, chapinhando na água. Viu-a e acenou:

– Vem!

Antônia agitou-se toda no colo da mãe. Em um minuto, os dois, completamente desnudos, banhavam-se na piscina e disputavam um barquinho amarelo e azul de plástico.

Antônia tem um ano e oito meses, é de poucas palavras. Quer dizer, a diversão não durou muito. Logo o convidei:

– Quer tomar banho de chuveiro com o papai?

– Quero!

Fomos.

No box, falando de homem para homem, Bernardo comentou:

– Ela não tem tico.

– Não…

– Tem perereca, não é?

– Tem…

– Nós temos tico.

– Temos…

– Os meninos têm tico.

– Isso…

– Temos tico!

– Sim.

– Tico! Nós temos tico! – estava empolgado. Fiquei olhando.

– Temos tico! – ele repetiu. – Tico! – agora gritava. – TEMOS TICO! – E gritou ainda mais alto: – Os meninos têm tico! Tico! Nós temos tico! Olha o meu tico! – e apontava com os dois indicadores para o dito cujo. – Eu tenho tico! Olha o meu tico! Tenho tico! TICO! TICO! TIIIIIICO!

Não sou psicólogo, mas tenho certeza de que o momento representou alguma passagem de fase importante para o meu Pocolino. Na Orla acontecem essas coisas.


Letras na Areia

Moby Dick não é um livro de praia; é um livro de mar.

Um dos grandes romances da minha vida. Um dos maiores clássicos da literatura universal. Rendeu também um filmaço de John Huston. Vivia dando na Sessão da Tarde. Gregory Peck no papel do torturado capitão Ahab é imbatível, e a cena final é antológica.

Por ironia, Moby Dick liquidou com a carreira do seu autor, Herman Melville. Seus contemporâneos odiaram o livro. Depois da publicação, os editores passaram a recusar suas novas obras. Melville morreu esquecido e pobre. O jornal da sua cidade, o New York Times, publicou seu nome errado no obituário: em vez de Herman, Henry.

Como ocorre com muitas das mais grandiosas obras de arte, Moby Dick aos poucos foi sendo compreendida, aos poucos foi sendo absorvida e, depois da morte de seu autor, se consagrou.

Procure agora uma edição adaptada para o português e deguste-a sob o guarda-sol. Você não vai se arrepender.


Jô da praia

- Nome: Marina Konig Vitola

- Idade: 21 anos

- Cidade: Capão da Canoa

– Praia:
Atlântida

- Time: Grêmio

- Hobby: Sair com os amigos


Comentários (3)

  • Daniel Aço diz: 25 de janeiro de 2011

    A GEOGRAFIA DE HOMENS E MULHERES

    Geografia da Mulher:

    Entre 18 e 25 anos, a mulher é como o continente africano: uma metade já foi descoberta e a outra metade esconde a beleza ainda selvagem e deltas férteis.

    Entre 26 e 35, a mulher é como a América do Norte: moderna, desenvolvida, civilizada e aberta a negociações.

    Entre 36 e 40, é como a Índia: muito quente, relaxada e consciente da sua própria beleza.

    Entre 41 e 50, a mulher é como a França: suavemente envelhecida, mas ainda desejável de se visitar.

    Entre 51 e 60, é como a Iugoslávia: perdeu a guerra, é atormentada por fantasmas do passado, mas não tem medo do futuro e empenha-se na reconstrução.

    Entre 61 e 70, ela é como a Rússia: espaçosa, com fronteiras sem patrulha. A camada de neve oculta grandes tesouros.

    Entre 71 e 80, a mulher é como a Mongólia: com um passado glorioso de conquistas, mas com poucas esperanças no futuro.

    Depois dos 81, ela é como o Afeganistão: quase todos sabem onde está, mas ninguém quer ir até lá.

    Geografia do Homem:

    Entre os 15 e os 80 anos , o homem é como CUBA: governado por um só membro…

  • Crisanto Amantea Pereira diz: 26 de janeiro de 2011

    David,

    Alegria saber que o TICO ainda se chama TICO nesses tempos em que alguns já lhe privaram até da juba!

  • Matheus diz: 26 de janeiro de 2011

    Vc não precisa ser psicólogo para saber que crianças nesta faixa etária notam a difernça, perguntam sobre ela, mas não dimencionam e nem mesmo dão a ela uma conotação sexual.

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