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A morena e o buldogue

26 de janeiro de 2011 1

Tarde dessas, aqui em Atlântida, uma morena desdobrou sua cadeirinha de alumínio e a remontou como se fosse uma maca. Então, estendeu-se de bruços para ser untada pelo sol. Bem. Ela usava um biquíni pequeno. Era um biquíni re-al-men-te pequeno. E ela tinha longas pernas da cor do caramelo terminadas por uma região glútea muito… (como direi para não chocar a pudicícia dos leitores?) muito redonda e pronunciada e também aparentemente rija.

Ocorre que, ao lado dessa morena, sentado na areia como se fosse um buldogue, estava um sujeito grande. Era um sujeito re-al-men-te grande. Ele havia apoiado os cotovelos nos joelhos e fincado os calcanhares na areia. Não era uma pose ameaçadora, mas ELE era ameaçador. Tinha umas bolotas de músculos nos braços e umas bolotas de músculos no peito e um pescoço com o diâmetro de uma panela de pressão.

Tratava-se, é evidente, do namorado ou noivo ou marido ou coisa pior da morena deitada de bruços.

Estabeleceu-se uma situação embaraçosa. Porque a morena, devido à sua compleição física e à maneira como se estirou na cadeira, chamava o olhar dos vizinhos e dos passantes. Sua já referida região glútea destacava-se, inclusive à distância, como um gentil outeiro que clamasse por ser escalado e explorado. Só que, a palmo e meio dela, vigiava aquele brutamontes. Como matar a fome do olhar sem provocar a reação furiosa do monstro?

Notei a aflição dos homens do entorno, como eles tentavam olhar à sorrelfa e eu mesmo, confesso, eu mesmo me sentia compelido a dar uma boa olhada na cena, mas, como os outros, mas me contive. Caras grandões às vezes são muito suscetíveis com assuntos que envolvam suas mulheres deitadas de bruços em cadeirinhas de alumínio na praia.

Fiquei, pois, a contemplar o oceano proceloso. Fixei o olhar em algum ponto onde deve estar a África e pensei em Durban, onde viveu o poeta Fernando Pessoa e onde há uma praia infestada de tubarões tão perigosos quanto o noivo da morena.

Aí deu-se a cena. Uma esposa refestelada sobre uma canga multicor rosnou para o esposo refestelado numa cadeirinha amarela:

– Não vai parar de olhar para o pé dela?

O marido gemeu:

– Eu não tô olhando…

– Tá, sim! Tu não para de olhar para o pé dela! Pensa que não vi???

O homem suspirou.

– Não tô…

– Tá, sim! Para de olhar para o pé dela! Odeio isso!

O pobre coitado me imitou: mirou o horizonte na direção da mãe África, resignado. Olhei para ele: parecia um tipo normal. Olhei para o pé da morena: um bom pé, mas também um pé normal. Voltei a fitar o mar, pensando comigo mesmo: ah, os mistérios insondáveis da vida praiana…


Comentários (1)

  • Antonio diz: 26 de janeiro de 2011

    David tu ta melhorando continua.

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