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A arte de comer picolé de chocolate

29 de janeiro de 2011 5

Você já viu um menino de três anos de idade comendo picolé de chocolate na praia?

Um desastre.

Picolé de chocolate derrete com líquida facilidade. Muito cremoso. E a praia tem vento e sol em abundância, o que faz derreter com ainda maior rapidez os picolés de chocolate.

O problema é que tenho um menino de três anos de idade que só quer comer picolé de chocolate, não aceita nenhum outro menos derretível.

Então é aquilo:

– Papai, me dá um picolé?

– Tcherto. Que tal um picolé de uva?

– Não. Eu quero de chocolate.

– E coco? Coco é tão bom… Adoro tudo com coco. Cocada, doce de coco, quindim…

– Quero de chocolate.

– Tangerina? Sabia que tangerina é o mesmo que bergamota?

– Chocolate!

Aí é aquela lambuzeira. O guri fica todo melado de chocolate, é chocolate na testa, no cabelo, nas bochechas e no nariz, chocolate escorrendo pelo queixo abaixo, chocolate no pescoço, no peito e na barriga, tem chocolate até nas pernas. Como pode um picolé tão pequeno conter tanto chocolate??? Vou reclamar com a fábrica.

Depois de toda essa melecação, sempre tento levá-lo para se lavar no mar, mas alguns meninos de três anos de idade, além de ter adoração por picolé de chocolate, têm medo das ondas. O meu não entra no mar de jeito nenhum. Quer dizer: dá o maior trabalho carregá-lo até o chuveirinho da rua, lá adiante, até porque tenho que pegá-lo no colo no meio do trajeto, o que faz com que eu também fique melecado de chocolate.

Agora mesmo, lá estávamos nós na areia da praia, e o Bernardo, ao ver o carrinho do sorveteiro, não se limitou a pedir um picolé: disparou atrás, pegou a corneta do homem, começou a apertá-la, fazendo todo mundo rir. Fui lá.

– Quer um picolé de limão, filhinho?

– Não. Quero de chocolate.

– E melão? Tem de melão, moço?

– CHOCOLATE!

– O problema do picolé de chocolate é que derrete e te deixa todo melecado. Aí vêm as abelhas.

Ele me olhou. O sorveteiro também me olhou.

– Abelhas? – perguntou o Bernardo.

– É. Aqui na Orla há milhares de abelhas. Milhões, até. A Orla é assim. E elas adoram doce. Sempre atacam quem está lambuzado de doce, sobretudo de chocolate. É horrível.

– Holível?

– É. Até porque essas abelhas daqui são abelhas assassinas.

O sorveteiro arregalou os olhos. O Bernardo também.

– Abelhas… assassinas??? – espantou-se ele.

– Assassinas! Muitos já foram mortos por elas. Morrem embolotados como se fossem pizzas de calabresa gigantes.

Nesse ponto, o Bernardo sorriu. Depois riu. Por fim, emitiu uma gargalhadinha de três anos de idade. E concluiu, usando a forma de tratamento que aprendeu na TV:

– Você é englaçado, papai…

Preciso admitir duas coisas:

Coisa número 1: meu filho me conhece.

Coisa número 2: ele mereceu aquele maldito picolé de chocolate.


Letras na Areia

O melhor livro sobre futebol já escrito no Brasil em todos os tempos é O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho, o irmão de Nelson Rodrigues, o homem que empresta o nome ao Maracanã. O Negro no Futebol Brasileiro, além de ser escrito em texto saboroso, é um documento sobre a evolução do futebol, do jogador e do torcedor no Brasil. Leia-o, e você compreenderá um pouco do que se passa na cabeça dos irmãos dos jogadores de hoje.


Jô da praia

- Nome: Francine Barcellos da Silva

- Idade: 18 anos

- Cidade: Novo Hamburgo

- Praia: Imbé

- Time: Inter

- Hobby: Dançar e ler

Comentários (5)

  • SEMPRENAPRIMEIRA diz: 29 de janeiro de 2011

    VALEU DAVID, BEM SE VE QUE ESTA GURIA NAO ESTA JOGANDO INTELIGENCIA FORA, COMO UMAS E OUTRAS, SO PODIA SER COLORADA.

  • jarbas galgaro diz: 29 de janeiro de 2011

    Essa sim é perfeita.Corpo magro(as gordas que me desculpem,mas magreza rima com beleza),sorriso lindo e simpático.
    Rosto limpo,sem aqueles óculos gigantes que a maioria das outras usavam escondendo o brilho do olhar.
    Para o meu gosto essa já ganhou.
    Ela tem uma beleza forte,não aquela beleza frágil de uma bonequinha Barbie.

  • Patrícia Cé diz: 29 de janeiro de 2011

    Olá David! Tenho que afirmar (nem sei se seria necessário) que as Jôs da praia estão lindas. Mas não pude deixar de notar que são umas crianças. Nada contra. E por que não? Mas é que está faltando mulheres. Veja bem, tenho 27 anos, preciso ser representada! Afinal, nós mulheres de quase 30 e ainda por cima com filhos (tenho uma menininha de 1 ano e meio) batalhamos tanto para ter tudo legal. Somos mãe, esposa, profissional, amiga, irmã, filha, aluna, professoras, e ainda por cima, precisamos ser magras, gostosas, lindas. E tenho que ser modesta. Eu estou com tudo em cima!Cabelão, pernão, barriguinha, bronze,tatuagens e piercing no umbigo. Mulheres de 30 podem sim ser a Jô da praia. E por que não?

    Patrícia.

  • Jose diz: 29 de janeiro de 2011

    Eu venci o picolé de chocolate!
    Uns 16 anos atrás, quando a minha filha, Maria, tinha 2 anos e meio, num veraneio em Atlântida, chegou a hora inevitável do primeiro picolé. Eu tinha uma vaga lembrança do meu primeiro picolé, ou melhor, eu tinha lembrança da lambuzeira dos meus primeiros picolés e, acredite, eu não gostava. É comum escutar adultos falando que criança tem mais que se lambuzar, um pouco de sujeira não faz mal, etc. Mas eu era uma criança que não gostava de se sujar. Acho até que os institutos de pesquisa deveriam fazer enquetes entre as crianças para levantar estas verdades escondidas do mundo infantil que nós, adultos, esquecemos. Com essas lembranças e com a certeza de que minha filha possui o meu DNA, eu me antecipei ao picolé de chocolate. Numa tarde quente, passou uma carrocinha de picolé na frente da nossa casa em Atlântida. Comprei dois, desembrulhei os dois (não gosto daquele “esquema” de deixar o papel cobrindo o palito) e dei um para minha filha. Então eu expliquei para ela que picolés tem a mania de se derreterem e escorrerem pela mão e braço. Perguntei se ela preferia que isso acontecesse ou se queria evitar isso. O DNA funcionou, ela também não gostava de se lambuzar. Mordida a isca eu passei a explicar detalhadamente como evitar as gotas de picolé, prestando atenção a elas e atacando qualquer tentativa de ataque sorrateiro. Funcionou, nem pelo palito escorreu uma gota sequer. E funcionou para sempre, ela nunca se lambuzou.
    Mais recentemente, contando este episódio para amigos, muitos dizem que eu agi errado. Eu digo, errados estão vocês que não prestam atenção nos seus filhos, que não se preocupam em ensinar coisas básicas para vida. Nem é a questão de se lambuzar ou não, o que falta é consciência dos pais de que podem ensinar tudo aos seus filhos, basta prestar antenção neles.
    José Agustoni

    [David, pro favor substitua o meu post anterior por este com correção de pequenos erros. Grato.]

  • Roger Sobreri diz: 29 de janeiro de 2011

    David, não sei se o sol ou se a brisa estão fazendo bem p/ você… dia desses a cronica falava do nome de cidades, agora sobre picolé e criança…tens o direito de opinar, mas acho legal ver uma criança comendo picolé, lambuzada, faz parte de sua aprendizagem, ou prefres que tenha sempre alguém do lado para limpar qualquer pingo de chocolate que derrete ?

    Seguir regras nem sempre é legal, quem para em sinaleira na madrugada corre o risco de ser assaltado…

    acho que picolé derreetido é parte do contexto do veraneio…

    Abraço.

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