Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Canibais

26 de fevereiro de 2011 4

Durante o pré-Carnaval, vou dar aos leitores do blog uma prova de alguns livros meus já publicados.

Abaixo, o primeiro capítulo de “Canibais”

1. “E o enorme vulto de um homem  saiu da sombra”

Catarina Palse era uma caçadora de homens.

Naquela noite, Duarte era a caça. Desavisado, entrou no território dela, as sombras da rua do Arvoredo. Foi fisgado assim que a viu caminhando com indolência de gata sem dono, caminhando como quem não vai a lugar algum. Passeando, que estava claro que ela passeava.

Estranhou.

Nenhuma mulher “de bem” ousava sair de casa àquela hora. Porto Alegre era perigosa à noite. Escravos fugidos, imigrantes desgarrados, bandidos de todo tipo se atocaiavam em cada canto penumbroso das estreitas e malcheirosas ruas da Capital. O incauto caminhava por uma das ruelas do centro e, de repente, um ou dois escravos quilombolas lhe pulavam em cima, navalha ou porrete em punho. Depois de limpar a vítima de todos os seus tostões, se homiziavam nos campos baldios da Várzea ou no Areal da Baronesa ou em alguma das ilhas do Guaíba. A situação era tão grave que o chefe de polícia Dario Rafael Callado decretara toque de recolher ao bimbalhar do sino da Igreja Matriz, mas algumas pessoas continuavam se aventurando em busca de diversão e, sobretudo, de sexo.

Sexo. Era o que Duarte queria. Suas virilhas formigavam de desejo quando ele olhava para Catarina ondulando as ancas em sua direção. Jamais vira mulher tão linda. O cabelo loiro, esvoaçante, devia ser suave ao toque. Os lábios eram carnudos, mas ao mesmo tempo despretensiosos. Os olhos… azuis ou verdes? Verde-azulados, decidiu Duarte. Uma mulher de boa altura, quase um metro e setenta, esguia, segura de si, pelo jeito que andava.

A noite se cristalizou no instante em que ela apareceu na esquina. Duarte permaneceu sob uma das árvores que davam nome à rua, sentindo o coração ribombar no peito. Catarina veio do fundo da rua, as árvores lhe servindo de corredor, as copas folhadas de dossel. Duarte a observava se aproximar com o peito oprimido pela beleza de Catarina. Quando ela ficou a uma distância de dois passos, ele temeu que seu coração fosse estourar. Catarina passou devagar. Bem devagar.
Bem devagar.

Duarte pensou em abordá-la, mas logo se acovardou. Achou improvável que tivesse uma chance. Trabalhava numa camisaria, ganhava pouco, era solteiro, e um solteiro que ganhasse pouco, na época, enfrentaria problemas no mercado do sexo da cidade. Só com escravas ou meretrizes, nunca uma fêmea deslumbrante como Catarina. Verdade que ela se comportava como uma mulher da vida, zanzando pela noite, coquete, mas… não parecia. Ela parecia uma mulher… direita.
Então, aconteceu. Catarina girou o longo pescoço para trás e lhe pespegou um olhar de esmeralda. Seria possível? Cristo!, era evidente que o olhava. Duarte estremeceu. Será que sua sorte havia chegado? Ele sabia que havia um dia de sorte na vida de cada homem. Depois de vinte e tantos anos, teria enfim o seu dia de sorte?

Catarina continuava a fitá-lo por cima dos ombros de leite, pequenas ondas de cabelo dourado agitadas pela brisa do outono porto-alegrense. Em seguida, virou o queixo delicado para a frente. Continuou caminhando. Duarte a seguiu, o coração aos saltos. Ela avançava pela rua tortuosa, rua sem calçamento, de terra batida, que ora se estreitava, ora se alargava. Caminhava ainda lentamente, mas agora com um tanto mais de decisão. Seguia da esquina do Beco do Poço, onde Duarte a vira pela primeira vez, para a região que dava para o pátio do palácio da Presidência. De repente, parou. Será?… Duarte conhecia aquela casa. Será que… que o levava para a casa amaldiçoada? Jesus! Exatamente. Era a casa. Lá estava ela, parada diante do portão, olhando-o mais uma vez. Duarte teve vontade de voltar correndo para o seu pequeno quarto na rua da Ponte. Mas Catarina chamava-o com o olhar de promessas. Devia ir atrás dela? Devia entrar na casa maldita?

Catarina já se ia pelo jardim. Duarte estacou no portão. Olhou para os lados, para a rua escura. Os lampiões a óleo de peixe não estavam funcionando. Como esses lampiões exalavam mau cheiro e uma nuvem de fuligem que manchava roupas e sujava casas, a Câmara de Vereadores decidira mantê-los apagados nas noites de lua. Naquele momento, Duarte preferia que estivessem acesos. Era difícil enxergar, apesar da clara luz da lua. Olhou para trás, por sobre os ombros. Fitou a colina que levava ao palácio e à praça da Matriz. E também ao cemitério antigo. Sentiu um arrepio ao pensar no velho cemitério. Suspirou. Devia entrar? Não queria, tinha medo daquela casa. Mas a ânsia por sexo lhe comichava as glândulas, lhe abrasava o rosto. Fazia mais de ano que não pegava mulher. A última fora a escrava Aparecida. Nada que o entusiasmasse. Não apreciava sexo a soldo. Mas como alternativa só havia, basicamente, o casamento. Com 23 anos de idade e sonante algum no bolso, Duarte não se sentia pronto para o matrimônio. Além disso, sabia que não podia ser considerado um tipo atraente. Magro demais. As mulheres de meados do século 19 realmente não apreciavam homens magros demais. Outra: o bigode de Duarte era muito ralo. Oh, como ele gostaria de ostentar um bigode espesso, uma barba frondosa como a do revolucionário Garibaldi, que arrebatara uma brasileira durante a Guerra dos Farrapos e agora fazia fremir a Itália, do outro lado do oceano. Ah, Duarte realmente ansiava por desfraldar uma taturana negra e gorda sob o nariz, que tornasse seu rosto mais cheio, mais forte, mais másculo. Suspirou outra vez. Uma fêmea como Catarina interessar-se por ele não acontecia sempre. Não acontecia nunca! Precisava aproveitar a chance. “É o meu dia!”, murmurou para a própria gravata. “É o meu dia.” Essa certeza lhe forneceu coragem.

Abriu o pequeno portão e entrou. Olhou para o jardim sombrio: a grama alta, malcuidada, não devia ser cortada há meses. As árvores copadas, espalhadas aleatoriamente, aumentavam as áreas de penumbra do lugar. Duarte sentiu um calafrio lhe gelando as vértebras. Catarina parou no alpendre e virou-se para ele. Sussurrou, rouca:

– Vem.

Os pêlos da nuca de Duarte se eriçaram. Ela disse apenas vem, e foi a frase mais espetacular que ele jamais ouviu.

Vem.

Lindo. Suas bochechas magras queimavam. Naquele momento, sentiu-se bem como há muito não se sentia. Sentiu-se… um gordo. Forte, bem fornido, a prosperidade fazendo dobras na cintura.

Vem.
Foi. O olhar sempre atarraxado nos olhos luminosos de Catarina, olhos verdes e úmidos, olhos de felina prestes a devorar sua presa. De repente, pareceu ter visto um vulto numa janela. Parou de novo, a um passo do alpendre.

– Tem mais alguém em casa? – perguntou.

Ela sorriu um sorriso que lhe cavou duas covinhas no rosto perfeito:
– Vem.

Nossa Mãe, quem poderia resistir?

Catarina entrou na casa. Duarte levantou o pé vacilante e, finalmente, subiu no alpendre. Tirou o chapéu de pano da cabeça e cruzou a porta entreaberta.

Na sala, viu móveis poucos e toscos, algumas cadeiras, um armário grande, um canapé. No centro da peça, havia uma enorme mesa com algo, decerto comida, coberto por uma toalha branca. Na parede, um retrato, uma fotografia de estúdio, dessas que se tornaram moda no país. Duarte fixou-se no retrato. Conhecia aquele homem. Conhecia! Quem?… Mas… não seria José Ramos, o açougueiro? Claro, o açougue ficava ali em frente, no terreno da casa. Como Duarte era distraído! Estava na casa de outro homem, certamente com a esposa dele. Oh, Deus, o que significava aquilo? Onde andaria o açougueiro? Sentiu a boca secar. Não devia estar ali. Não mesmo. Não é saudável seguir mulheres de açougueiros e entrar na casa deles quando elas dizem: vem. Devia ir embora, voltar para sua casa. Aí estava uma palavra que lhe transmitia segurança: casa. Era onde queria estar agora.

Mas Catarina se aproximou, chegou bem perto e lhe tomou a mão. O contato com a pele fria e macia excitou Duarte o suficiente para que, num segundo, esquecesse de casa, do açougueiro, da santa prudência e de si mesmo. Desejava Catarina, só isso.

Ela o puxou através da sala, para um corredor. Poucos passos mais e então pararam diante de uma porta fechada. Catarina levou a mão livre ao trinco e a abriu.

Era o quarto.

Duarte sorriu. Queria gargalhar, na verdade. Fez força para não gargalhar. Catarina continuou conduzindo-o. Levou-o até a cama, uma cama de casal, grande, com lençóis brancos desarrumados. Pôs as duas mãos em seu peito e o empurrou de leve, fazendo com que sentasse. Duarte sentou-se, obediente. Ela se afastou um passo. Dois. De pé, com movimentos rápidos de gazela, se livrou do vestido verde como seus olhos. Estava nua. Uma nudez ofuscante de tão maravilhosa. Que tipo de mulher era aquela? Sequer usava anágua! Uma mulher completamente nua. Completamente! Duarte nunca vira uma mulher nua sem precisar pagar por isso. No máximo, vislumbrara os tornozelos de algumas criadinhas mais faceiras na rua da Praia. Jesus Cristo! Duarte sentia que a respiração lhe faltava.

Então ouviu um suspiro. Havia mais alguém na casa. Duarte saltou da cama. Que suspiro era aquele?

– Que suspiro é esse?

Olhou para os lados, em busca de uma terceira pessoa. Era óbvio que havia uma terceira pessoa, em algum lugar. Embaixo da cama? Agachou-se, procurou debaixo da cama. Um penico, provavelmente vazio. Muita poeira. Sentou-se de novo no colchão, o coração bombeando sangue para as têmporas.

Catarina veio do meio do quarto, ondulando. Os joelhos redondos dela colaram nos joelhos pontudos dele. As mãozinhas dela voaram na sua direção, duas pequenas borboletas brancas. Cingiram-lhe os braços de graveto. Levantaram-no suavemente. Duarte obedeceu ao leve comando da loira. Pôs-se de pé. Abaixou a cabeça e fitou os bicos intumescidos dos seios dela. O medo pareceu pequeno perto daqueles bicos duros.

– Foi o vento – cochichou ela, a voz quente lhe titilando os tímpanos, o cabelo fino lhe acariciando o rosto. – Essa casa é cheia de frestas.

Empurrou Duarte de volta à cama, um empurrãozinho doce, mas suficiente para fazê-lo desabar. Decúbito dorsal. Duarte sentiu um pouco de vergonha da estreiteza de seu corpo ao aterrissar no colchão. Catarina acavalou-se nele, ronronando. E ele se esqueceu do medo, esqueceu-se da vida. Oh, Deus, não acredito!, pensava. Não acredito, não acredito!

Duarte tremia de prazer. Catarina deitou-se sobre ele. Uma mulher linda e nua deitada sobre ele, ele não acreditava. Ela enroscou seu pescoço liso e comprido no pescoço dele. Duarte sentia o peso leve e o calor de seu corpo. Teve uma ereção. Ficou constrangido. Não era educado ter ereções daquela forma, o que ela poderia pensar? Catarina ergueu o torso outra vez. Começou a tirar a roupa dele, lentamente. Não permitia que ele participasse, não deixava que agisse. Ela queria fazer tudo. Duarte, que sempre se envergonhara da sua nudez, não pensava em mais nada. Estava paralisado de prazer. Deixava a iniciativa para ela. Catarina acavalou-se sobre ele de novo. E começou a passar o sexo em seu corpo anguloso. Em todo o corpo. Nas pernas, na barriga, nos braços, no rosto, no sexo de Duarte.

Hora e meia depois, Duarte jazia na cama, feliz e saciado. Que mulher! Olhou mais uma vez para aquela nudez resplandecente. Olhou para o teto, procurando o firmamento. Pensou: obrigado, Deus. Havia sido a melhor noite da sua vida, o ponto culminante, seu dia de sorte que chegara, enfim. Tinha de repetir tudo. Tudo. Não seria feliz se não repetisse aquela noite. Quis saber:
– Você é casada? Com o açougueiro? Onde ele?…

– Você falar demais – interrompeu Catarina, num delicado sotaque alemão. Quem diria, era a primeira vez que um sotaque alemão parecia delicado a Duarte.
Sorrindo, ela escorregou para fora dos lençóis. Ergueu-se. Era a Vênus de Boticelli, nua e deslumbrante. Assim nua, as carnes rijas e brancas, caminhou até a porta e olhou para trás, por sobre os ombros redondos:

– Vem.

Parecia ser sua palavra preferida.

Duarte se levantou, inseguro. Olhou em volta, procurando suas roupas pelo chão de tábuas do quarto. Devia vesti-las? Mas Catarina já se afastava. Bem, ela estava nua… Resolveu ficar nu também. Seguiu-a até a sala, a pele pendurada frouxamente nos ossos. Como gostaria de ter uma barriga burguesa.

Ela parou em frente à mesa e, num gesto seco de mágico de teatro, puxou a toalha. Surgiu uma mesa posta. Sobre ela estavam dispostas garrafas de vinho, pães de meio quilo, um tablete de queijo do tamanho de uma caixa de sapatos, uma travessa com lingüiças, outra com fatias de bolo. Catarina buscou uma cadeira. Ofereceu-a a Duarte. Ele sentou-se, ainda nu, sorrindo para os acepipes. (Não acredito, não acredito!) Estava se sentindo um paxá. Um rei. O próprio imperador Dom Pedro. Comeu com prazer. Tudo ótimo, mas a lingüiça… Jamais comera lingüiça tão saborosa. De suíno, concluiu, só podia ser de suíno, algum suíno criado com método e arte. Catarina observava-o em silêncio, com um meio sorriso tornando ainda mais desejáveis os lábios polpudos. Comprazia-se com a visão de Duarte se regalando, era a impressão que passava. Decerto, ela mesma tinha engendrado todas aquelas delícias. Uma mulher linda e boa cozinheira. Poderia existir um anjo assim?

Duarte estalou os beiços ao terminar.

– Divino! – exclamou. – Divino!

Viu Catarina bater com o garfo no copo, como se chamasse uma criada. Haveria ainda mais guloseimas? E aquela lingüiça formidável? Estava curioso sobre aquela lingüiça. Onde criavam aqueles porcos deliciosos? Se comesse aquelas maravilhas todos os dias, se tornaria um gordo, enfim. Olhou para Catarina, os cotovelos ainda cravados na mesa, e perguntou:
– Da onde é que…

Não terminou a frase. Num instante, o chão se abriu, a sala desapareceu da visão de Duarte, e ele mergulhou na escuridão.

Duarte se chocou contra o solo duro, de chão batido. Gemeu. Contorceu-se. Não conseguia se mexer muito. Várias partes do corpo lhe doíam. Teria quebrado algum osso? Onde estava? Olhou para cima. Viu o quadrado de luz que vinha do teto – o alçapão pelo qual fora sugado. Catarina. Ela devia estar lá.

– Ei! – gritou. – Ei!

Nada. Duarte tentou se erguer. O corpo doía demais. Mal conseguia sentar-se. Será que alcançaria o teto, se pulasse? Olhou para cima: de jeito nenhum. Três Duartes, um sobre o outro, não alcançariam o alçapão. Pensou em gritar de novo, quando algo se moveu na escuridão. Duarte forçou os olhos. Uma forma humana estava parada de pé, junto a uma coluna. Duarte sentiu o pavor lhe comprimir o peito. O que era aquilo? Quem era?

Súbito, assaltou-lhe a consciência de que estava nu. Olhou para o próprio corpo magro, ossudo, desbotado. Sentiu vergonha, sentiu-se indefeso e, sobretudo, sentiu medo. Queria chorar, estar de volta ao seu pequeno quarto na rua da Ponte, queria que nada daquilo tivesse acontecido, nem a noite de sexo, nem a ceia faustosa. O vulto continuava lá, agora imóvel. Mas Duarte sabia que era alguém. Ou algo.

– Quem está aí? – gritou, voz trêmula.

Nenhuma resposta. Duarte começou a ofegar. Sentou-se, enfim, com grande dificuldade.
– Quem está aí? – repetiu.

E o enorme vulto de um homem saiu da sombra. Duarte olhou-o, cheio de pavor. Era a visão mais horrenda da sua vida. Tinha bem uns dois metros de altura. Vestia um avental ensangüentado. Levava nas mãos um machado enorme.

O homem lançou-lhe um olhar cruel. Era o próprio Mal que o encarava.
Nu, rojado ao solo, indefeso, Duarte se encolheu. Teve vontade de gritar, mas sentiu um misto de vergonha e pavor. Não conseguia tirar os olhos do homem parado a sua frente, ameaçador.
Então o reconheceu.

O açougueiro. Sim, só podia ser José Ramos! A familiaridade encheu Duarte de esperança e, até, de meia porção de coragem. Duarte o conhecia, ele não era nenhum monstro, nada sobrenatural, nada inumano. Já tinham se cumprimentado na rua, trocado olhares. Conheciam algo um do outro. Era possível negociar. Talvez Ramos quisesse dinheiro, talvez estivesse furioso porque Duarte dormira com a mulher dele. Isso! Era ciúme! O arrabaldino sentimento do ciúme. Mas Duarte nem sabia que eram casados… Entrara na casa embalado pela maior inocência. Ela que o havia provocado. Sim, ia negociar. Começou a dizer:

– Senhor Ramos, eu…

Foi interrompido outra vez. Era uma noite de frases incompletas para Duarte. Viu Ramos fazer um movimento rápido com as duas mãos, um gesto enérgico e feroz. A princípio, não entendeu bem o que aconteceu. Apenas sentiu um forte baque que lhe fez tremer a testa, o pescoço, a espinha dorsal, o corpo inteiro. Então, a confusão, a dor intensa, e a compreensão derradeira de que estava com uma lâmina, a lâmina do machado, fincada entre os olhos. Queria falar algo, queria se queixar, queria tirar aquilo da testa, mas tudo escureceu.

1. “E o enorme vulto de um homem
saiu da sombra”

Catarina Palse era uma caçadora de homens.

Naquela noite, Duarte era a caça. Desavisado, entrou no território dela, as sombras da rua do Arvoredo. Foi fisgado assim que a viu caminhando com indolência de gata sem dono, caminhando como quem não vai a lugar algum. Passeando, que estava claro que ela passeava.

Estranhou.

Nenhuma mulher “de bem” ousava sair de casa àquela hora. Porto Alegre era perigosa à noite. Escravos fugidos, imigrantes desgarrados, bandidos de todo tipo se atocaiavam em cada canto penumbroso das estreitas e malcheirosas ruas da Capital. O incauto caminhava por uma das ruelas do centro e, de repente, um ou dois escravos quilombolas lhe pulavam em cima, navalha ou porrete em punho. Depois de limpar a vítima de todos os seus tostões, se homiziavam nos campos baldios da Várzea ou no Areal da Baronesa ou em alguma das ilhas do Guaíba. A situação era tão grave que o chefe de polícia Dario Rafael Callado decretara toque de recolher ao bimbalhar do sino da Igreja Matriz, mas algumas pessoas continuavam se aventurando em busca de diversão e, sobretudo, de sexo.

Sexo. Era o que Duarte queria. Suas virilhas formigavam de desejo quando ele olhava para Catarina ondulando as ancas em sua direção. Jamais vira mulher tão linda. O cabelo loiro, esvoaçante, devia ser suave ao toque. Os lábios eram carnudos, mas ao mesmo tempo despretensiosos. Os olhos… azuis ou verdes? Verde-azulados, decidiu Duarte. Uma mulher de boa altura, quase um metro e setenta, esguia, segura de si, pelo jeito que andava.

A noite se cristalizou no instante em que ela apareceu na esquina. Duarte permaneceu sob uma das árvores que davam nome à rua, sentindo o coração ribombar no peito. Catarina veio do fundo da rua, as árvores lhe servindo de corredor, as copas folhadas de dossel. Duarte a observava se aproximar com o peito oprimido pela beleza de Catarina. Quando ela ficou a uma distância de dois passos, ele temeu que seu coração fosse estourar. Catarina passou devagar. Bem devagar.

Bem devagar.

Duarte pensou em abordá-la, mas logo se acovardou. Achou improvável que tivesse uma chance. Trabalhava numa camisaria, ganhava pouco, era solteiro, e um solteiro que ganhasse pouco, na época, enfrentaria problemas no mercado do sexo da cidade. Só com escravas ou meretrizes, nunca uma fêmea deslumbrante como Catarina. Verdade que ela se comportava como uma mulher da vida, zanzando pela noite, coquete, mas… não parecia. Ela parecia uma mulher… direita.

Então, aconteceu. Catarina girou o longo pescoço para trás e lhe pespegou um olhar de esmeralda. Seria possível? Cristo!, era evidente que o olhava. Duarte estremeceu. Será que sua sorte havia chegado? Ele sabia que havia um dia de sorte na vida de cada homem. Depois de vinte e tantos anos, teria enfim o seu dia de sorte?

Catarina continuava a fitá-lo por cima dos ombros de leite, pequenas ondas de cabelo dourado agitadas pela brisa do outono porto-alegrense. Em seguida, virou o queixo delicado para a frente. Continuou caminhando. Duarte a seguiu, o coração aos saltos. Ela avançava pela rua tortuosa, rua sem calçamento, de terra batida, que ora se estreitava, ora se alargava. Caminhava ainda lentamente, mas agora com um tanto mais de decisão. Seguia da esquina do Beco do Poço, onde Duarte a vira pela primeira vez, para a região que dava para o pátio do palácio da Presidência. De repente, parou. Será?… Duarte conhecia aquela casa. Será que… que o levava para a casa amaldiçoada? Jesus! Exatamente. Era a casa. Lá estava ela, parada diante do portão, olhando-o mais uma vez. Duarte teve vontade de voltar correndo para o seu pequeno quarto na rua da Ponte. Mas Catarina chamava-o com o olhar de promessas. Devia ir atrás dela? Devia entrar na casa maldita?

Catarina já se ia pelo jardim. Duarte estacou no portão. Olhou para os lados, para a rua escura. Os lampiões a óleo de peixe não estavam funcionando. Como esses lampiões exalavam mau cheiro e uma nuvem de fuligem que manchava roupas e sujava casas, a Câmara de Vereadores decidira mantê-los apagados nas noites de lua. Naquele momento, Duarte preferia que estivessem acesos. Era difícil enxergar, apesar da clara luz da lua. Olhou para trás, por sobre os ombros. Fitou a colina que levava ao palácio e à praça da Matriz. E também ao cemitério antigo. Sentiu um arrepio ao pensar no velho cemitério. Suspirou. Devia entrar? Não queria, tinha medo daquela casa. Mas a ânsia por sexo lhe comichava as glândulas, lhe abrasava o rosto. Fazia mais de ano que não pegava mulher. A última fora a escrava Aparecida. Nada que o entusiasmasse. Não apreciava sexo a soldo. Mas como alternativa só havia, basicamente, o casamento. Com 23 anos de idade e sonante algum no bolso, Duarte não se sentia pronto para o matrimônio. Além disso, sabia que não podia ser considerado um tipo atraente. Magro demais. As mulheres de meados do século 19 realmente não apreciavam homens magros demais. Outra: o bigode de Duarte era muito ralo. Oh, como ele gostaria de ostentar um bigode espesso, uma barba frondosa como a do revolucionário Garibaldi, que arrebatara uma brasileira durante a Guerra dos Farrapos e agora fazia fremir a Itália, do outro lado do oceano. Ah, Duarte realmente ansiava por desfraldar uma taturana negra e gorda sob o nariz, que tornasse seu rosto mais cheio, mais forte, mais másculo. Suspirou outra vez. Uma fêmea como Catarina interessar-se por ele não acontecia sempre. Não acontecia nunca! Precisava aproveitar a chance. “É o meu dia!”, murmurou para a própria gravata. “É o meu dia.” Essa certeza lhe forneceu coragem.

Abriu o pequeno portão e entrou. Olhou para o jardim sombrio: a grama alta, malcuidada, não devia ser cortada há meses. As árvores copadas, espalhadas aleatoriamente, aumentavam as áreas de penumbra do lugar. Duarte sentiu um calafrio lhe gelando as vértebras. Catarina parou no alpendre e virou-se para ele. Sussurrou, rouca:

Vem.

Os pêlos da nuca de Duarte se eriçaram. Ela disse apenas vem, e foi a frase mais espetacular que ele jamais ouviu.

Vem.

Lindo. Suas bochechas magras queimavam. Naquele momento, sentiu-se bem como há muito não se sentia. Sentiu-se… um gordo. Forte, bem fornido, a prosperidade fazendo dobras na cintura.

Vem.

Foi. O olhar sempre atarraxado nos olhos luminosos de Catarina, olhos verdes e úmidos, olhos de felina prestes a devorar sua presa. De repente, pareceu ter visto um vulto numa janela. Parou de novo, a um passo do alpendre.

Tem mais alguém em casa? – perguntou.

Ela sorriu um sorriso que lhe cavou duas covinhas no rosto perfeito:

Vem.

Nossa Mãe, quem poderia resistir?

Catarina entrou na casa. Duarte levantou o pé vacilante e, finalmente, subiu no alpendre. Tirou o chapéu de pano da cabeça e cruzou a porta entreaberta.

Na sala, viu móveis poucos e toscos, algumas cadeiras, um armário grande, um canapé. No centro da peça, havia uma enorme mesa com algo, decerto comida, coberto por uma toalha branca. Na parede, um retrato, uma fotografia de estúdio, dessas que se tornaram moda no país. Duarte fixou-se no retrato. Conhecia aquele homem. Conhecia! Quem?… Mas… não seria José Ramos, o açougueiro? Claro, o açougue ficava ali em frente, no terreno da casa. Como Duarte era distraído! Estava na casa de outro homem, certamente com a esposa dele. Oh, Deus, o que significava aquilo? Onde andaria o açougueiro? Sentiu a boca secar. Não devia estar ali. Não mesmo. Não é saudável seguir mulheres de açougueiros e entrar na casa deles quando elas dizem: vem. Devia ir embora, voltar para sua casa. Aí estava uma palavra que lhe transmitia segurança: casa. Era onde queria estar agora.

Mas Catarina se aproximou, chegou bem perto e lhe tomou a mão. O contato com a pele fria e macia excitou Duarte o suficiente para que, num segundo, esquecesse de casa, do açougueiro, da santa prudência e de si mesmo. Desejava Catarina, só isso.

Ela o puxou através da sala, para um corredor. Poucos passos mais e então pararam diante de uma porta fechada. Catarina levou a mão livre ao trinco e a abriu.

Era o quarto.

Duarte sorriu. Queria gargalhar, na verdade. Fez força para não gargalhar. Catarina continuou conduzindo-o. Levou-o até a cama, uma cama de casal, grande, com lençóis brancos desarrumados. Pôs as duas mãos em seu peito e o empurrou de leve, fazendo com que sentasse. Duarte sentou-se, obediente. Ela se afastou um passo. Dois. De pé, com movimentos rápidos de gazela, se livrou do vestido verde como seus olhos. Estava nua. Uma nudez ofuscante de tão maravilhosa. Que tipo de mulher era aquela? Sequer usava anágua! Uma mulher completamente nua. Completamente! Duarte nunca vira uma mulher nua sem precisar pagar por isso. No máximo, vislumbrara os tornozelos de algumas criadinhas mais faceiras na rua da Praia. Jesus Cristo! Duarte sentia que a respiração lhe faltava.

Então ouviu um suspiro. Havia mais alguém na casa. Duarte saltou da cama. Que suspiro era aquele?

Que suspiro é esse?

Olhou para os lados, em busca de uma terceira pessoa. Era óbvio que havia uma terceira pessoa, em algum lugar. Embaixo da cama? Agachou-se, procurou debaixo da cama. Um penico, provavelmente vazio. Muita poeira. Sentou-se de novo no colchão, o coração bombeando sangue para as têmporas.

Catarina veio do meio do quarto, ondulando. Os joelhos redondos dela colaram nos joelhos pontudos dele. As mãozinhas dela voaram na sua direção, duas pequenas borboletas brancas. Cingiram-lhe os braços de graveto. Levantaram-no suavemente. Duarte obedeceu ao leve comando da loira. Pôs-se de pé. Abaixou a cabeça e fitou os bicos intumescidos dos seios dela. O medo pareceu pequeno perto daqueles bicos duros.

Foi o vento – cochichou ela, a voz quente lhe titilando os tímpanos, o cabelo fino lhe acariciando o rosto. – Essa casa é cheia de frestas.

Empurrou Duarte de volta à cama, um empurrãozinho doce, mas suficiente para fazê-lo desabar. Decúbito dorsal. Duarte sentiu um pouco de vergonha da estreiteza de seu corpo ao aterrissar no colchão. Catarina acavalou-se nele, ronronando. E ele se esqueceu do medo, esqueceu-se da vida. Oh, Deus, não acredito!, pensava. Não acredito, não acredito!

Duarte tremia de prazer. Catarina deitou-se sobre ele. Uma mulher linda e nua deitada sobre ele, ele não acreditava. Ela enroscou seu pescoço liso e comprido no pescoço dele. Duarte sentia o peso leve e o calor de seu corpo. Teve uma ereção. Ficou constrangido. Não era educado ter ereções daquela forma, o que ela poderia pensar? Catarina ergueu o torso outra vez. Começou a tirar a roupa dele, lentamente. Não permitia que ele participasse, não deixava que agisse. Ela queria fazer tudo. Duarte, que sempre se envergonhara da sua nudez, não pensava em mais nada. Estava paralisado de prazer. Deixava a iniciativa para ela. Catarina acavalou-se sobre ele de novo. E começou a passar o sexo em seu corpo anguloso. Em todo o corpo. Nas pernas, na barriga, nos braços, no rosto, no sexo de Duarte.

Hora e meia depois, Duarte jazia na cama, feliz e saciado. Que mulher! Olhou mais uma vez para aquela nudez resplandecente. Olhou para o teto, procurando o firmamento. Pensou: obrigado, Deus. Havia sido a melhor noite da sua vida, o ponto culminante, seu dia de sorte que chegara, enfim. Tinha de repetir tudo. Tudo. Não seria feliz se não repetisse aquela noite. Quis saber:

Você é casada? Com o açougueiro? Onde ele?…

Você falar demais – interrompeu Catarina, num delicado sotaque alemão. Quem diria, era a primeira vez que um sotaque alemão parecia delicado a Duarte.

Sorrindo, ela escorregou para fora dos lençóis. Ergueu-se. Era a Vênus de Boticelli, nua e deslumbrante. Assim nua, as carnes rijas e brancas, caminhou até a porta e olhou para trás, por sobre os ombros redondos:

Vem.

Parecia ser sua palavra preferida.

Duarte se levantou, inseguro. Olhou em volta, procurando suas roupas pelo chão de tábuas do quarto. Devia vesti-las? Mas Catarina já se afastava. Bem, ela estava nua… Resolveu ficar nu também. Seguiu-a até a sala, a pele pendurada frouxamente nos ossos. Como gostaria de ter uma barriga burguesa.

Ela parou em frente à mesa e, num gesto seco de mágico de teatro, puxou a toalha. Surgiu uma mesa posta. Sobre ela estavam dispostas garrafas de vinho, pães de meio quilo, um tablete de queijo do tamanho de uma caixa de sapatos, uma travessa com lingüiças, outra com fatias de bolo. Catarina buscou uma cadeira. Ofereceu-a a Duarte. Ele sentou-se, ainda nu, sorrindo para os acepipes. (Não acredito, não acredito!) Estava se sentindo um paxá. Um rei. O próprio imperador Dom Pedro. Comeu com prazer. Tudo ótimo, mas a lingüiça… Jamais comera lingüiça tão saborosa. De suíno, concluiu, só podia ser de suíno, algum suíno criado com método e arte. Catarina observava-o em silêncio, com um meio sorriso tornando ainda mais desejáveis os lábios polpudos. Comprazia-se com a visão de Duarte se regalando, era a impressão que passava. Decerto, ela mesma tinha engendrado todas aquelas delícias. Uma mulher linda e boa cozinheira. Poderia existir um anjo assim?

Duarte estalou os beiços ao terminar.

Divino! – exclamou. – Divino!

Viu Catarina bater com o garfo no copo, como se chamasse uma criada. Haveria ainda mais guloseimas? E aquela lingüiça formidável? Estava curioso sobre aquela lingüiça. Onde criavam aqueles porcos deliciosos? Se comesse aquelas maravilhas todos os dias, se tornaria um gordo, enfim. Olhou para Catarina, os cotovelos ainda cravados na mesa, e perguntou:

Da onde é que…

Não terminou a frase. Num instante, o chão se abriu, a sala desapareceu da visão de Duarte, e ele mergulhou na escuridão.

Duarte se chocou contra o solo duro, de chão batido. Gemeu. Contorceu-se. Não conseguia se mexer muito. Várias partes do corpo lhe doíam. Teria quebrado algum osso? Onde estava? Olhou para cima. Viu o quadrado de luz que vinha do teto – o alçapão pelo qual fora sugado. Catarina. Ela devia estar lá.

Ei! – gritou. – Ei!

Nada. Duarte tentou se erguer. O corpo doía demais. Mal conseguia sentar-se. Será que alcançaria o teto, se pulasse? Olhou para cima: de jeito nenhum. Três Duartes, um sobre o outro, não alcançariam o alçapão. Pensou em gritar de novo, quando algo se moveu na escuridão. Duarte forçou os olhos. Uma forma humana estava parada de pé, junto a uma coluna. Duarte sentiu o pavor lhe comprimir o peito. O que era aquilo? Quem era?

Súbito, assaltou-lhe a consciência de que estava nu. Olhou para o próprio corpo magro, ossudo, desbotado. Sentiu vergonha, sentiu-se indefeso e, sobretudo, sentiu medo. Queria chorar, estar de volta ao seu pequeno quarto na rua da Ponte, queria que nada daquilo tivesse acontecido, nem a noite de sexo, nem a ceia faustosa. O vulto continuava lá, agora imóvel. Mas Duarte sabia que era alguém. Ou algo.

Quem está aí? – gritou, voz trêmula.

Nenhuma resposta. Duarte começou a ofegar. Sentou-se, enfim, com grande dificuldade.

Quem está aí? – repetiu.

E o enorme vulto de um homem saiu da sombra. Duarte olhou-o, cheio de pavor. Era a visão mais horrenda da sua vida. Tinha bem uns dois metros de altura. Vestia um avental ensangüentado. Levava nas mãos um machado enorme.

O homem lançou-lhe um olhar cruel. Era o próprio Mal que o encarava.

Nu, rojado ao solo, indefeso, Duarte se encolheu. Teve vontade de gritar, mas sentiu um misto de vergonha e pavor. Não conseguia tirar os olhos do homem parado a sua frente, ameaçador.

Então o reconheceu.

O açougueiro. Sim, só podia ser José Ramos! A familiaridade encheu Duarte de esperança e, até, de meia porção de coragem. Duarte o conhecia, ele não era nenhum monstro, nada sobrenatural, nada inumano. Já tinham se cumprimentado na rua, trocado olhares. Conheciam algo um do outro. Era possível negociar. Talvez Ramos quisesse dinheiro, talvez estivesse furioso porque Duarte dormira com a mulher dele. Isso! Era ciúme! O arrabaldino sentimento do ciúme. Mas Duarte nem sabia que eram casados… Entrara na casa embalado pela maior inocência. Ela que o havia provocado. Sim, ia negociar. Começou a dizer:

Senhor Ramos, eu…

Foi interrompido outra vez. Era uma noite de frases incompletas para Duarte. Viu Ramos fazer um movimento rápido com as duas mãos, um gesto enérgico e feroz. A princípio, não entendeu bem o que aconteceu. Apenas sentiu um forte baque que lhe fez tremer a testa, o pescoço, a espinha dorsal, o corpo inteiro. Então, a confusão, a dor intensa, e a compreensão derradeira de que estava com uma lâmina, a lâmina do machado, fincada entre os olhos. Queria falar algo, queria se queixar, queria tirar aquilo da testa, mas tudo escureceu.

Comentários (4)

  • Siedorski diz: 26 de fevereiro de 2011

    Pelo visto CBFxGlobo é assunto tabu na RBS…

  • ilidio vilmar diz: 27 de fevereiro de 2011

    E a Catherine Tremel, aquela que espetava no auge do coito os amantes, bem mais apavorante, com um quebrador de gelo, já que estamos em dia de OSCAR…………….mas há Catarinas bem melhores, a venerada rainha da velha Albion, apesar de ser da mesma familia de Henrique VIII, do outro rei que trocou o trono por uma Holliwoddiana descasada e do Charles, desprezando a Lady Di…..ha outras que são imortais, a minha avó que colocou no mundo, a metade dos barbosenses pobres , como parteira, hoje lembrada com o nome de um beco de rua, enqto que politicos mixos e empresarios exploradores figuram nas melhores ruas e avenidas de minha Carlos Barbosa….os olhos azuis da Katte Blanchet…a provavel futura princesa rainha, uma lindura que nem a falecida sogra……Cattari, Cattari perche mi parle queste parole amare, chi mi parte il cuore, mi tormenti Cattari….cuore, cuore ingratto a plagliatto la vitta mia ma tutto é passatto………………

  • Fabiano Barth diz: 18 de setembro de 2011

    Esse livro que acabei de ler tem um ar de sombrio e viciante, ao mesmo tempo. Pois o romance de David C. foi muito bem escriturado para apaixonados por histórias que prendem o leitor em sua intrigante história. Parabéns a você pelo belo trabalho imposto!!

  • ana karine prestes escouto diz: 14 de junho de 2012

    adorei e fiquei facinada por suas obras,quero ter o prazer de ler todas,são facinantes e envolventes,adorei seu trabalho,tem em mim uma fã fiel e acirrada de suas obras,abraço.

Envie seu Comentário