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Túnel do Tempo: Sexo. Drogas. Depravação

10 de julho de 2011 1

Sexo, sexo, sexo, sexo. Sexo! Orgias e drogas também. Adoro essas aberturas. Endereçam o texto ao sucesso irreprimível. Sei que você, leitor, não vai parar de ler agora, não irá lá para o Wianey Carlet. Seus olhinhos traquinas engolirão as letrinhas até lá embaixo, no pé da página. Porque você se interessa por sexo, orgias e drogas, ah, se interessa. Falarei disso tudo, de fato. Porque, hoje, o mundo do futebol está permeado de orgias e drogas. E mais: vou cometer algumas indiscrições.

Agora que você está com o espírito preparado, a indiscrição. A vítima dela é o técnico Luiz Felipe. Numa conversa que tivemos, eu e outros colegas de Zero Hora, com o Felipão, dias atrás, ele fez revelações sobre o comportamento de alguns atletas. Felipão está desiludido. Diz que não ser mais possível controlá-los. Isso que é o Felipão, gringaço durão de Caxias. Felipão contou que está abismado com o assédio das mulheres aos jogadores de futebol. Elas cercam os estádios, fardam-se com suas minissaias, expõem suas coxas acetinadas, desenham sorrisos de luz em seus lábios de carmim, penduram-se como guepardas famintas nos alambrados, esperam o final dos treinos e, então, atacam. Os jogadores adoram. Não é à toa que sempre há uma gazela de salto alto a tiracolo de um jogador de futebol.

Daí para as festinhas encharcadas de cerveja é um passe lateral. E das festinhas encharcadas de cerveja para bacanais empoadas de drogas leves e pesadas é um lançamento em profundidade. Felipão está tão resignado com as noitadas dos jogadores que faz vistas grossas em alguns casos. Criteriosamente, claro. No começo de cada treinamento, observa o estado de um certo atacante. Se o rapaz está mal, Felipão chama-o de lado:
– Estou vendo que a noite foi grande. Fica de fora hoje, dá só umas corridinhas em volta do campo.

Mas, na hora do jogo, o tal atacante corre e se debate e se escabela até regurgitar os pulmões, se o Felipão pedir. Com um outro atacante aconteceu diferente. Horas antes de uma final, havia duas mulheres no quarto do moço. Aí também não dá. Felipão baniu o atacante da luxúria para o tugúrio da reserva.

Muitos dos jogadores da Dupla Gre-Nal andam faceirinhos pela noite porto-alegrense. Dia desses, um leitor ligou contando que é vizinho de um determinado atacante (sempre um atacante!). Seguidamente, tal jogador reúne colegas dos dois clubes, Grêmio e Inter, e monta uma orgia caligulesca.

– Dá para ouvir os gemidos das mulheres! – relatou o leitor, revoltado. – Os gemidos!

Bem, fazer festa não é nenhum crime, evidentemente. Mas, para um jogador, se a farra acontece em dia impróprio, pode ser prejudicial à saúde dele e do time. É lógico, também, que muitos atletas se preservam, fazem suas festinhas comedidamente, sem maiores exageros. O importante, porém, é o que se pode concluir do narrado por Felipão: que os técnicos desistiram do controle total, aquele antes exercido por alguns ferrabrazes de outrora como Telê Santana e Foguinho.

O que não chega a ser mau sinal. Há que se ter alguma compreensão. Os jogadores também têm direito à diversão, ora. Só não precisa exagerar. Até porque os torcedores, os técnicos, os dirigentes sabem quem são os farristas contumazes. Logo, a cobrança será maior sobre eles. Que façam suas festas e as assumam. Mas justifiquem seu comportamento em campo, como o atacante amigo do Felipão.

Aliás, isso de jogador farrista não é de hoje. Escrevi sobre alguns de 1949 que, às vésperas de um Gre-Nal, fugiram da concentração do Grêmio e passaram a noite festeando. O técnico Otto Pedro Bumbel os colocou na reserva. Houve apenas uma confusão. Bumbel esteve aqui, conversou comigo, gostou da matéria, mas não sabe qual de nós se enganou. Eu sei: fui eu. A memória de Bumbel é um prodígio.

É que eu havia contado que Bumbel ficara sem três titulares. Foram cinco! Além disso, mais um se machucou e outro foi expulso. O que só aumenta o seu mérito na vitória sobre o Rolo Compressor. Os lesionados foram Hermes, Alegretti e Teotônio. Os farristas eram os meias Touginha e Nelson Adams, justamente os encarregados da armação. Feito o reparo, fica maior o assombro com a qualidade do técnico Otto Pedro Bumbel.

Comentários (1)

  • Sergio Renato diz: 10 de julho de 2011

    Não é de hoje que, por mais que me esforce, não consigo entender o motivo pelo qual os atletas de futebol no mundo todo não precisam ter metas, comprometimento, responsabilidades com seus clubes a exemplo do que ocorre com todas as demais classes trabalhadoras. Fora do futebol, se você não produz, você é demitido. No futebol, se você não produz, você não é demitido, arruma um outro clube para você e continua tudo bem. Muito estranho. E um pensamento se nega a fugir de minha mente: “o dinheiro todo que circula no futebol seria proveniente de lavagem-de-dinheiro?”
    Por quê a Fifa é tão suprema e praticamente nada pode ser questionado no judiciário cívil?
    Poderia descrever aqui vários casos que deveriam ser levados para a justiça comun a todos os homens, mas como trata-se de futebol, simplesmente não o fazem. E não é de graça. Há monstruosos motivos e obscuros.
    Se fizessemos o seguinte levantamento: quanto de dinheiro gira anualmente no mundo do futebol comparado com o que gira nas demais atividades do mundo todo, será que não teriamos aqui um discreprância exponencial?
    E o assunto só não e tratado na mídia, porque estamos diante da máfia do futebol.
    David Coimbra, faltou um substantivo no título de sua mensagem depois dos dois-porntos.

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