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Texto do leitor

13 de julho de 2011 0

Por Ney P Nascimento

NÃO ACEITO DESAFORO

Sempre gostei de fandango
De dançar bem apertado
E me sinto contrariado
Se uma china me dá carão
É uma falta de tradição
Para um gaúcho pilchado.

E isto me aconteceu
Na metade do ano passado
Num surungo muito afamado
Que eu fui para dançar
Com o meu cavalo a trotear
Lá pras banda do Lageado.

Cheguei em frente ao pavilhão
Apeei do meu tostado
Deixei o bicho amarrado
Que ali ficou pastando
E eu fui entrando
Do meu jeito esparramado.

Na primeira abrida de fola
Carquei minhas botas no salão
E num baita dum vanerão
Que o gaiteiro velho tocava
A minha linda prenda rodava
Levantando poeira do chão.

Mais pro fim do baile
Umas cinco da madrugada
Avistei uma china sentada
Chamei para dançar
Nem quis se levantar
Como se tasse de cola atada.

Fiquei mais surpreso
Que cusco quando é vendido
Nunca tinha me acontecido
Cosa daquele jeito
Como uma facada no peito
Fiquei ali perdido.

Convidei a prenda de novo
Não tava acreditando
Um carão eu tava levando
Pela primeira vez na vida
Que hora triste e sofrida
Ali eu tava passando.

Olhei bem pra moça
Que tava me dando o carão
Pensei eu não sou peão
Que de grosso só tem a cara
Arrastei a china na marra
Para o meio do salão.

E a mulher esperneava
E me batia naquela hora
Inda bem qu’ela não tinha espora
Se não me enchia de corte
Esta foi a minha sorte
Recordo como se fosse agora.

Quando o chamamé acabou
Da prenda logo larguei
Contigo eu já dancei
Pode seguir sentada
Mesmo que foi contrariada
Desaforo eu não levei.

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