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Posts de outubro 2011

Protesto tricolor

31 de outubro de 2011 34

A vitória de 4 a 2 do Grêmio sobre o Flamengo e a manifestação da torcida gremista diante de Ronaldinho Gaúcho, ontem, no Estádio Olímpico, deram início ao Sala de Redação desta segunda.

“Foi um jogo além das instâncias normais do futebol” resumiu David Coimbra.

Ouça o programa!

Um trem para a Suíça

31 de outubro de 2011 3

Dei uma entrevista para o site da L&PM sobre o meu novo livro, Um Trem Para a Suíça.

É esse o vídeo:

Túnel do tempo: A mulher mais linda da cidade

31 de outubro de 2011 23

Qual é a mulher mais linda que você já viu? Que reação ela despertou em você, quando seus olhos espantados a avistaram pela primeira vez?

Dom Pedro I, nosso imperador herói, depois da morte da mulher dele, Dona Leopoldina, infausto ocorrido sobre o qual escrevi semana passada aqui mesmo, neste nobre espaço, aliás sob inspiração do ótimo“1822”, de Laurentino Gomes, pois Pedro I, tornado viúvo, empenhou-se em contrair  novo matrimônio, que matrimônio se contrai feito sarampo.

No caso de um imperador, o casamento fazia-se mister por motivos políticos. Dom Pedro encarregou um fidalgo de confiança, o marquês de Barbacena, para viajar à Europa e lá encontrar uma princesa para ele. Não se tratava de tarefa fácil. O mundo inteiro sabia que Dom Pedro havia maltratado a finada Leopoldina. Nenhuma princesa o queria. Nada menos do que 10 recusaram suas propostas. Abatido, o imperador fez a seguinte recomendação ao marquês:

– O meu desejo, e grande fim, é obter uma princesa que por seu nascimento, formosura, virtude e instrução venha a fazer a minha felicidade e a do império. Quando não seja possível reunir as quatro condições, podereis admitir alguma diminuição na primeira e na quarta, contanto que a segunda e a terceira sejam constantes.

Ou seja: a futura esposa de Dom Pedro podia ser plebeia e burra, desde que fosse fiel e bonita, o que demonstra a inteligência privilegiada do imperador.

O marquês foi competente. Conseguiu convencer a francoitalianinha Amélia a casar-se com o soberano brasileiro. Essa Amélia era neta de ninguém menos do que Josefina, ex-mulher de Napoleão Bonaparte. Era esperta. E, na fresca exuberância de seus 17 anos, era linda. Quando desembarcou no Rio de Janeiro, usando um vestido cor-de-rosa rendado, Dom Pedro ficou tão emocionado com o que viu que desmaiou no convés do navio. O homem desmaiou!

Alguma vez você já sentiu emoção semelhante?

Como reagiu quando viu a mulher mais linda da sua vida?

Que efeitos a beleza produz em você? Não poucos, decerto que não. Mas nós, brasileiros, subestimamos o valor das coisas belas. Consideramos a beleza supérflua. Um luxo. Não é luxo. Às vezes, é artigo de primeira necessidade. Por isso, defendo: quando for erguida a Arena do Grêmio, quando for reformado o Beira-rio, que não se pense só na grandeza e na funcionalidade. Que se compreenda que, como dizia Vinícius, beleza é fundamental.

* Texto publicado em 13/10/2010.

A vitória do Inter

30 de outubro de 2011 51

Assisti ao jogo do Inter no mute, enquanto escrevia a crônica do jogo do Grêmio para a edição de amanhã da Zero. Logo, não posso avaliar com propriedade a vitória colorada.

Mas uma coisa posso dizer: desde a entrada de Dorival, acredito que o Inter vá se classificar para a Libertadores. O gol que Marcão perdeu a três passos do travessão, aos 48 do segundo tempo, mostra essa tendência.

Grêmio de hoje foi o Imortal Tricolor

30 de outubro de 2011 146

Tudo que faz do futebol o esporte mais popular do planeta pulsou hoje à tarde no Olímpico.

Houve dor e tragédia, e houve alegria e regozijo, houve fracasso e superação e deboche e ressentimento e manifestações de orgulho e de raiva e de dignidade. Houve, sobretudo, dois ingredientes insuperáveis: paixão e talento.

O Grêmio, ao vencer por 4 a 2, de virada, depois de estar perdendo por 2 a 0 justamente para o Flamengo de Ronaldinho, o jogador que deveria ser o diamante mais rútilo da história do clube, e que se transformou no símbolo de tudo o que se despreza no esporte e na vida, que é o mercenarismo e a deslealdade, justamente sobre esse inimigo o Grêmio se ergueu e saiu de campo de queixo apontado para o céu azul de Porto Alegre.

A paixão se derramava das arquibancadas, o talento apareceu em campo.

E não foi do 10 com a camisa vermelha e preta.

Foi o 10 com a camisa azul, preta e branca.

Douglas, o nome do jogo.

Douglas mostrou como se faz.

E o Grêmio, com essa jornada, voltou a ser o Grêmio de que a torcida se orgulha.

Voltou a ser imortal.

O melhor de todos não existe

30 de outubro de 2011 7

Citius, altius, fortius. O mais rápido, o mais alto, o mais forte. O lema dos Jogos Olímpicos que o Barão de Coubertin tomou emprestado de um frasista amigo seu, o Padre Didon, este lema que vige até hoje nos Jogos é, de resto, a razão de ser de quaisquer jogos esportivos. Um jogo pretende sempre apurar quem é O Melhor. Mas esse anseio é irrealizável. Não existe nem nunca existiu nem jamais existirá O Melhor no que quer que seja.

A prova do que digo é fornecida, exatamente, pelo esporte.Você pega o futebol, por exemplo. O mais popular dos jogos esportivos. O futebol fornece uma série de exemplos clássicos de que é impossível apontar quem é O Melhor. O Maracanazo de 50, a derrota acachapante da Hungria de Puskas para a Alemanha em 54, a mesma Alemanha batendo a Holanda de Cruyff 20 anos mais tarde, o fracasso do Brasil de Telê em 82, o estranho desfalecimento de Ronaldo que levou a Seleção Brasileira à falência na França em 98. Exemplos mundiais, notórios, exemplos do tamanho de uma Copa do Mundo. E todas as semanas explodem outros, menores, mas igualmente expressivos, de favoritos se desmanchando diante de inimigos pretensamente inofensivos.

Isso poderia significar a frustração absoluta do esporte, já que o principal objetivo da atividade não é atingido. Mas não é o que acontece.Ao contrário, até: o esporte acaba alcançando plenamente o seu objetivo através de dois caminhos opostos:

1. O esporte, mesmo que não apure quem é O Melhor, fornece a ilusão de que apurou quem é O Melhor. Pelo menos momentaneamente, pelo menos ao fim de uma temporada. Essa ilusão é um consolo para as pessoas. Elas se enganam pensando que é possível haver alguém ou algo que seja O Melhor, e aí a vida se torna mais simples, organizada e compreensível.Ali está O Melhor, depois dele vem o segundo melhor, a seguir o terceiro melhor e, lá adiante, o pior de todos. Está tudo classificado, rotulado e arquivado. Não é preciso mais pensar no assunto. Isso é tão conveniente. Dá a confortadora ideia de que a existência é previsível.

2. Exatamente, e contraditoriamente, por não conseguir jamais apurar quem é O Melhor, por apresentar vez em quando uma surpresa chocante, o esporte fascina as pessoas. Porque elas percebem que ali está a representação da vida, as incongruências, incoerências e imprevistos da vida. Os dramas, as comédias, as tragédias, as alegrias e tristezas todas da existência são reproduzidas pelo esporte em escala inofensiva.A vida não é reta e o esporte mostra isso a cada torneio, assim como o mundo mostra isso todos os dias.

São sentimentos conflitantes, mas que acabam se completando e se encaixando à perfeição: no esporte, as pessoas anseiam por apurar quem é O Melhor e acreditam que vão apurar quem é O Melhor. Mas, ao não conseguirem, ao serem surpreendidas entendem que a vida é assim mesmo, que há circunstâncias imponderáveis em tudo e em todos, e isso termina sendo a grande lição do esporte.A beleza do jogo esportivo é precisamente essa incapacidade de atingir seus próprios objetivos.

O esporte tenta demonstrar quem é o mais forte, mas acaba demonstrando que, mesmo que exista alguém muito forte, sempre haverá alguém ainda mais forte. O esperto sempre encontra alguém mais esperto, a mais bela sempre encontra alguém mais bela.A espetacular variedade da vida. Por isso, a derrota é fascinante. Dias atrás, um bom amigo meu proferiu, no bar da Redação, uma frase aparentemente casual, mas na verdade profunda, que me tocou:

– Eu sempre admirei meu pai – disse o meu amigo, com um copo de café na mão. – Mas só fui amá-lo quando vi que ele também errava.

Aí está. Perder é fundamental.A derrota faz parte da essência humana. Não é por acaso que times derrotados forjam torcidas fanáticas.A massa vibrante do Corinthians cresceu no fermento dos 23 anos sem um único título do clube, período interrompido pelo gol de Basílio em 1977. O inchaço da maior torcida do Brasil, a do Flamengo, ocorreu nos anos 60, década mais pobre de títulos da história do clube. E agora, nas séries subalternas do Brasileirão, o Santa Cruz dá um show nas arquibancadas. Por que o amor floresce nas horas ruins? Porque a vida é feita também de horas ruins. Campeões invencíveis não são humanos. Campeões invencíveis podem até ser admirados, mas amados nunca serão.

* Texto publicado na Zero Hora de ontem, 29/10/2011.



Som das madrugadas

30 de outubro de 2011 0

A pedido do leitor Venilton Szlachta , ouçam o som The Golden Age.

Frase do dia

29 de outubro de 2011 6

“O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.”

Mário Quintana

Quando o mundo muda

29 de outubro de 2011 14

As pessoas estão insatisfeitas, a vida delas não vai bem. As pessoas querem lutar contra o que existe de errado no mundo, elas querem pegar o inimigo pelo pescoço, esse inimigo que tanto as incomoda. Só que elas têm dificuldade de saber quem,afinal,é o inimigo. Chega a ser comovente. Aqui, no Brasil, as pessoas protestam contra a corrupção. Lá,no Exterior, as pessoas protestam contra a ganância. Corrupção e ganância, eis os inimigos identificados. Mas…protestar contra a corrupção e a ganância é como protestar contra a maldade. É como se elas saíssem às ruas gritando:“Abaixo as doenças! Abaixo a decrepitude! Abaixo tudo o que existe de ruim no mundo! Chega de terremotos! Chega de mal-entendidos!”.

Contra o que, exatamente, os protestantes lutam? Onde é que estão os defensores da corrupção, que não se apresentam? Os protestantes não querem mais o capitalismo? Qual é a alternativa? O socialismo nunca deu certo, também no socialismo a ganância e a corrupção grassaram. E agora? Que mudança deve ser empreendida? É impossível voltar atrás, mas como ir para a frente? Tudo está tão confuso.

Ontem mesmo completou-se um mês da invasão do MST de uma área de pesquisa científica da Fepagro. Os sem-terra destroem experimentos enquanto as autoridades do Estado bocejam. Os sem-terra são os ludistas do século 21.Há exatos 200 anos, em 1811,os ludistas invadiam fábricas na Inglaterra, paravam o trabalho e quebravam os teares mecânicos. Diziam-se liderados por um certo Ned Ludd, um operário que teria quebrado as máquinas da empresa em que trabalhava, no fim do século 18.Na verdade, tratava-se de um ardil dos rebeldes. Ludd nunca existiu, mas sua lenda servia para confundir a repressão. A polícia procurava Ludd em todo lugar e Ludd não estava em lugar algum.

Imagine, os ludistas destruíam as máquinas. Não como um protesto, mas porque, simplesmente, eles eram contra as máquinas. Diziam que as máquinas iam acabar com o seu meio de vida. E tinham razão. A Revolução Industrial acabou com o meio de vida dos artesãos, assim como a informática acabou com o meio de vida de quem fabricava máquinas de escrever, assim como não há mais cocheiros, amas de leite ou damas de companhia.

As mudanças do mundo acabaram com tantas atividades, com tantos meios de subsistência, com tantas formas de viver. Experimentos agrícolas e veterinários, pesquisas com célulastronco e com transgênicos, a ciência em geral, em como os movimentos naturais da sociedade e da economia, fazem com que o mundo mude.

O mundo está sempre mudando, mudou rapidamente inclusive durante os mil anos de duração da Idade Média. Não há o que fazer a respeito. A globalização é irreversível e o capitalismo, com a sua flexibilidade e capacidade de adaptação, é invencível. Lutar contra a mudança, em vez de compreendê-la, não é teimosia: é obscurantismo. Só há uma maneira de enfrentar a mudança: mudar junto. Darwin já ensinou: quem não se adapta, se extingue.

* Texto publicado na Zero Hora de ontem, 28/10/2011.

Som de Sexta

28 de outubro de 2011 7

Esses são os carinhas do The Cars.
Nos anos 80, eles gravaram esse vídeo da música Drive, que fez um bom sucesso e que até hoje roda em algumas rádios. O detalhe é que o vocalista da banda se apaixonou pela supermodelo tcheca que faz o papel de mulher chata no vídeo. Sorte que ela também se apaixonou por ele, os dois se casaram e, pelo que sei, continuam juntos até hoje.
Dê uma olhada no vídeo e veja se você percebe a química que se formou com a união dos elementos do casal.

O povo não é novo

28 de outubro de 2011 5

Steve Jobs, há pouco desencarnado, não fazia parte do meu rol de admirações. Não o considerava um gênio inventivo; no máximo, um empresário genial. Mas houve algo que ele disse, do tanto que disse, que me arrancou um sorriso de satisfação quando ouvi (ou li). Jobs contou que não encomendava pesquisas de opinião para a sua empresa, que nunca se baseava na opinião da maioria. Porque ele queria inovar, ele queria ser pioneiro, e a massa jamais inova, jamais é pioneira.

É lógico. A maioria sempre é conservadora, simplesmente porque a maioria sempre olha para trás. Não que todas as maiorias sejam obtusas, não, mas porque a capacidade de ver algo onde nada existe é uma capacidade de poucos. Como uma massa de pessoas teria condições de, em conjunto, conceber uma novidade? Impossível. A criatividade é um dom que se exercita individualmente.

Qualquer coisa absolutamente nova choca a maioria. Afinal, a mudança é uma violência, mesmo que seja uma mudança para melhor. A tendência das pessoas é continuar na inércia, no confortável movimento retilíneo uniforme. Uma parada ou uma aceleração fazem com que você seja impulsionado para frente ou para trás e, às vezes, caia.

A pesquisa de opinião, a enquete, o grito das ruas, a vaia ou o aplauso do estádio, o senso comum, enfim, deve ser apenas um dado, só mais um dado entre tantos que o líder reúne para tomar sua decisão.

Nessa categoria está a escolha de um técnico de time de massa, como o Grêmio ou o Inter. Um bom técnico não é necessariamente um técnico popular. Um bom técnico às vezes é o técnico do dirigente, do líder, não o da torcida. O líder, volta e meia, tem a obrigação de enfrentar a torcida. E ser, como a torcida espera, superior a ela.

 

O caso da cueca


O Bernardo jogou a cueca dele pela janela. Foi ontem de manhã isso. Ele está na fase de ter que tirar a fralda, mas quem diz que quer tirar a fralda? Então, quando ele viu aquela cueca saindo da gaveta na mão da babá, protestou:

– Cueca, não!

E saiu correndo feito um ratinho. Mimi, a babá, saiu correndo atrás dele, brandindo a cueca. Ele urrava como se fosse um porco indo para o abate:

– Cueca, não! Cueca, não!

Mas a brava Mimi não desistiu. Com denodo e astúcia, encurralou-o num canto do quarto. Ele não tinha mais saída, era parede à esquerda, parede à direita e Mimi à frente. Teria que botar a cueca! A Mimi foi se aproximando, se aproximando, encurvada como um goleiro esperando a cobrança do pênalti…Aí, quando ela estava bem pertinho, ele puxou rapidamente a cueca da mão dela e, tchun!, atirou-a pela janela.

Cinco minutos depois, lá estava o otário aqui subindo numa escada com uma vassoura na mão a fim de puxar a desgranida da cueca do telhado. É o que falo das mudanças. Ninguém gosta de mudanças.

* Texto publicado na Zero Hora de 25/10/2011.

Som das madrugadas - 2

28 de outubro de 2011 1

A pedido do André, ouçam Dream On, da banda Nazareth.

Som das madrugadas - 1

28 de outubro de 2011 1

Interpretada por Claudia Gerini, Maniac é uma dica da Marisa Oliveira.

Tinga pode voltar ao time titular

27 de outubro de 2011 6

Com o desfalque de D’Alessandro para o jogo do próximo domingo, contra o Atlético-GO, Tinga está cotado para assumir a posição do meia colorado.

O possível retorno do jogador ao time titular do Inter foi um dos assuntos abordados no Sala de Redação de hoje.

E você, é a favor da titularidade de Tinga?

Poesia no Twitter

27 de outubro de 2011 0

Com o poema intitulado Blecaute, a leitora do blog Daniela Souza Freitas se classificou entre os dez finalistas do Concurso Nacional de Poesia TOC 140 – Poesia no Twitter, organizado pela Fliporto.

Nos conhecemos na Feira do Livro de Criciúma, e pedi a ela que me encaminhasse um de seus poemas. Agora, compartilho com vocês a notícia da jovem escritora.

A votação se encerrou ontem à noite, mas deixo aqui o registro do poema classificado.


Blecaute

TV não liga
Computador trava
E o que seria da nova era
se por trás dos prédios
não houvesse um céu sem tomada?

Passem lá no site e confiram os outros finalistas!