Cláudia continuou derramando aquele olhar quente em cima dele por alguns segundos. Para Germano, pareceram horas. Ela não teceu pergunta alguma, não fez nenhuma observação, nada. Apenas o encarou, séria. Germano sentiu que enrubescia. Não conseguia evitar o sangue tomando conta do seu rosto, o calor que se lhe subia pelo pescoço e lhe pulsava nas têmporas. Quando já estava suando, ela desviou o olhar e sentou-se. Em seguida, ela fincou a concentração no trabalho sobre a mesa. Germano ficou sentindo os pulos do coração, respirando de boca aberta, sorvendo o ar com dificuldade. Precisava colocar a calcinha de volta à bolsa. Precisava! Mas as horas iam passando e Cláudia não se afastava. Será que ela não iria ao banheiro, ou tomar um cafezinho, alguma coisa assim?
Três horas depois, Cláudia continuava lá, imóvel como a Pirâmide de Quéops. Falava ao telefone, conversava com alguém que parava diante de sua mesa, abaixava a cabeça para arabiscar algum papel, mas não saía de perto da wolfremblitzemburgermankriptscolplicman@$@&¨*)(*&¨%$grungles! da bolsa.
Germano não conseguia se concentrar no trabalho, não conseguia nem entender o que falavam com ele. Só sentia o volume da calcinha comestível no bolso o jeans, pesando como se fosse uma bigorna.
Que desgraça.
Tinha de fazer algo. Tinha de afastá-la da bolsa.
Pensou.
Pensou.
Teve uma ideia. Pegou o celular e correu para o banheiro. Trancou-se num dos boxes. Ligou para o ramal de Cláudia. Lembrava do nome de uma amiga dela: Luísa. Já ouvira Cláudia falando esse nome inúmeras vezes em conversas com colegas ou ao telefone. Usaria essa informação. Cláudia atendeu com aquela sua voz doce e densa de licor de ovos:
_ Alou...
Ele disfarçou a voz:
_ Dona Cláudia?
_ Siiim?
_ Dona Luísa a espera na portaria.
Depois de um segundo de hesitação, Cláudia balbuciou:
_ A Luísa? Mas como é que...
Ele desligou, sem dar tempo para contestações. Então, meteu o celular no bolso e correu de volta para sua mesa. Cláudia não estava lá. Tinha ido à portaria. O plano dera certo! Agora, era só enfiar a calcinha comestível na bolsa e tudo estaria resolvido. Só que... cadê a bolsa? Germano olhou em toda parte e não a encontrou. Abriu uma das gavetas dela. E outra. E mais outra. Cadê a bolsa??????? Não estava em parte alguma. Será que ela havia levado a bolsa com ela?
Sim, ela levara a bolsa junto com ela.
Por que é que uma mulher leva a bolsa para a portaria, Jesusmariajosé???
Germano se escarranchou na cadeira, desanimado e, ao mesmo tempo, desesperado. Permaneceu nesse estado de ânimo até o fim do dia, quando o expediente terminou e todos saíram. Chegou em casa com a calcinha no bolso. Sentou-se no sofá da sala, tirou a calcinha para fora e ficou admirando-a, pensando em todas as coisas horríveis que podiam acontecer por causa daquele ato irrefletido de tirar uma calcinha comestível da bolsa de uma mulher. Cláudia sentiria falta de sua calcinha comestível, claro que sentiria. E concluiria que ele a roubara. Lógico. Ela se lembraria do constrangimento dele quando voltou para a mesa. O que aconteceria no dia seguinte? Oh, Deus...
Então, teve uma ideia. Uma ideia louca, mas excitante. Ergueu-se de um pulo. E pôs o plano em ação.
O que Germano fez? Saiba logo, no próximo capítulo de... O Segredo de Cláudia!










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