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Posts de novembro 2011

O Segredo de Cláudia - 4

30 de novembro de 2011 10

 


 


 

Cláudia continuou derramando aquele olhar quente em cima dele por alguns segundos. Para Germano, pareceram horas. Ela não teceu pergunta alguma, não fez nenhuma observação, nada. Apenas o encarou, séria. Germano sentiu que enrubescia. Não conseguia evitar o sangue tomando conta do seu rosto, o calor que se lhe subia pelo pescoço e lhe pulsava nas têmporas. Quando já estava suando, ela desviou o olhar e sentou-se. Em seguida, ela fincou a concentração no trabalho sobre a mesa. Germano ficou sentindo os pulos do coração, respirando de boca aberta, sorvendo o ar com dificuldade. Precisava colocar a calcinha de volta à bolsa. Precisava! Mas as horas iam passando e Cláudia não se afastava. Será que ela não iria ao banheiro, ou tomar um cafezinho, alguma coisa assim?

Três horas depois, Cláudia continuava lá, imóvel como a Pirâmide de Quéops. Falava ao telefone, conversava com alguém que parava diante de sua mesa, abaixava a cabeça para arabiscar algum papel, mas não saía de perto da wolfremblitzemburgermankriptscolplicman@$@&¨*)(*&¨%$grungles! da bolsa.

Germano não conseguia se concentrar no trabalho, não conseguia nem entender o que falavam com ele. Só sentia o volume da calcinha comestível no bolso o jeans, pesando como se fosse uma bigorna.

Que desgraça.

Tinha de fazer algo. Tinha de afastá-la da bolsa.

Pensou.

Pensou.

Teve uma ideia. Pegou o celular e correu para o banheiro. Trancou-se num dos boxes. Ligou para o ramal de Cláudia. Lembrava do nome de uma amiga dela: Luísa. Já ouvira Cláudia falando esse nome inúmeras vezes em conversas com colegas ou ao telefone. Usaria essa informação. Cláudia atendeu com aquela sua voz doce e densa de licor de ovos:

_ Alou…

Ele disfarçou a voz:

_ Dona Cláudia?

_ Siiim?

_ Dona Luísa a espera na portaria.

Depois de um segundo de hesitação, Cláudia balbuciou:

_ A Luísa? Mas como é que…

Ele desligou, sem dar tempo para contestações. Então, meteu o celular no bolso e correu de volta para sua mesa. Cláudia não estava lá. Tinha ido à portaria. O plano dera certo! Agora, era só enfiar a calcinha comestível na bolsa e tudo estaria resolvido. Só que… cadê a bolsa? Germano olhou em toda parte e não a encontrou. Abriu uma das gavetas dela. E outra. E mais outra. Cadê a bolsa??????? Não estava em parte alguma. Será que ela havia levado a bolsa com ela?

Sim, ela levara a bolsa junto com ela.

Por que é que uma mulher leva a bolsa para a portaria, Jesusmariajosé???

Germano se escarranchou na cadeira, desanimado e, ao mesmo tempo, desesperado. Permaneceu nesse estado de ânimo até o fim do dia, quando o expediente terminou e todos saíram. Chegou em casa com a calcinha no bolso. Sentou-se no sofá da sala, tirou a calcinha para fora e ficou admirando-a, pensando em todas as coisas horríveis que podiam acontecer por causa daquele ato irrefletido de tirar uma calcinha comestível da bolsa de uma mulher. Cláudia sentiria falta de sua calcinha comestível, claro que sentiria. E concluiria que ele a roubara. Lógico. Ela se lembraria do constrangimento dele quando voltou para a mesa. O que aconteceria no dia seguinte? Oh, Deus…

Então, teve uma ideia. Uma ideia louca, mas excitante. Ergueu-se de um pulo. E pôs o plano em ação.

O que Germano fez? Saiba logo, no próximo capítulo de… O Segredo de Cláudia!




Até o Gre-Nal

30 de novembro de 2011 7

A despedida de Celso Roth do Grêmio e o fato de o técnico ainda comandar o time no Gre-Nal deste domingo foram assuntos discutidos no Sala de Redação desta quarta.

Você acha certo Roth treinar o Grêmio para o clássico?

Ouça o programa!

O prazer solitário e a culpa ancestral

30 de novembro de 2011 26

Mas me diga: qual é o problema de o Ronaldinho se masturbar na concentração? Alguém pode alegar que não gostaria de ver o vídeo do Ronaldinho se masturbando na concentração, mas aí a solução é a seguinte: é só não ver o vídeo do Ronaldinho se masturbando na concentração. Além disso, não foi ele quem postou o maldito vídeo. Foi uma traição da pessoa com quem ele se comunicava pela webcam. Mesmo assim, os “analistas de mercado” preveem que Ronaldinho perderá seus patrocinadores, porque “sua imagem está abalada”. Por quê? O que ele fez de errado? A quem prejudicou? A deslealdade da mulher que falava com Ronaldinho, é isso que devia ter sido alvo de escândalo. O vídeo açula o voyeurismo natural do ser humano, certo. O vídeo coloca Ronaldinho em uma posição constrangedora, por ter sido flagrado numa atividade íntima, certo também. Mas, afora essas questões unicamente curiosas e de mau gosto, não existe nada de condenável no vídeo ou na atividade de Ronaldinho. Não entendo o abalo da imagem e a consequente fuga dos patrocinadores.

Talvez isso tenha a ver com Judá. Ou seja: é uma questão que remonta há mais de 3.500 anos. Judá foi um dos 12 filhos homens de Jacó, que também era chamado de“Israel”. Jacó, portanto, deu o nome a toda uma nação e seus 12 filhos homens às 12 tribos que a formaram. Um desses, precisamente, Judá.Você, que é esperto, já deduziu que os descendentes de Judá constituíram a Judeia e que dela deriva o gentílico “judeu”. Esse Judá, pois, foi um homem importante.

Judá casou-se com uma Cananeia chamada Sué, com quem teve três filhos: Her, Onã e Sela. O primogênito, Her, cresceu, tornou-se adulto e casou-se com uma moça local, uma certa Tamar. Mas Her era “mau aos olhos do Senhor”, segundo a Bíblia. O que ele fazia de tão maligno a Bíblia não especifica. Seja o que for, não devia ser pouca coisa, pois o Senhor puniu Her com nada menos do que a morte. Sua mulher Tamar, no entanto, ainda não tivera filhos. Pelo costume da época, o pai do marido morto, no caso, Judá, devia dar a nora, no caso, Tamar, em casamento ao segundo filho sobrevivente, no caso, Onã. Chama-se a esse costume “levirato”. Levir, em latim, é cunhado. Há um técnico de futebol brasileiro que se chama Levir Culpi; ou seja: Cunhado Culpi. Ou será que Culpi tem a ver com culpa? Cunhado culpado. Adequado à sequência da história. Que é a seguinte:

A ideia do levirato é não deixar o primogênito sem descendência. Por isso, o filho que a cunhada teria do cunhado seria considerado filho do marido falecido.A herança da família, assim, passaria para o filho de Onã com Tamar e não para Onã. Afinal, o filho que ele deveria fazer não seria dele, mas do irmão primogênito. Como Onã espichava o olho para a fortuna da família, ele decidiu que não faria filho em Tamar. Optou por“espojar-se no solo”, de acordo com o Gênesis. Em bom latim, coitus interruptus.

O Senhor, que não precisa da internet para estar sempre atento e que na época adotava a política de tolerância zero, não gostou do estratagema de Onã e matou-o também. Essa sentença rigorosa geraria inúmeras aflições aos rapazes adolescentes dos séculos vindouros, em que a tradição religiosa apontaria a masturbação como a prática de Onã, o“onanismo”. Por consequência, um ato criminoso, passível de punições terríveis como a cegueira, o definhamento irreversível ou o crescimento de horríveis pelos nas mãos. Porém, trata-se de um erro de interpretação dos teólogos. Porque, embora os patriarcas hebreus fossem muito respeitáveis, é possível que alguns antepassados de Onã tivessem se dedicado a esse prazer solitário que depois foi denominado como onanismo. O próprio Onã talvez tivesse se divertido dessa maneira antes de esposar Tamar. Logo, não foi o desperdício de sêmen que Jeová puniu tão severamente, não foi o que hoje pode ser chamado de ronaldismo, e sim o fato de Onã recusar-se a cumprir a lei do levirato, recusar-se a reproduzir e a dar sequência à descendência familiar. Logo, o onanismo (ou ronaldismo) está absolvido em sua acepção clássica. O que reforça a certeza de que não existe nenhum mal original em Ronaldinho se distrair consigo mesmo, ele e sua mão destra, ele e sua imaginação, ele e a internet na solidão das concentrações. E mostra como a sociedade brasileira é repressora, conservadora e, sobretudo, hipócrita.

* Texto publicado na Zero Hora de ontem, 29.11.2011

Som das madrugadas

30 de novembro de 2011 0

Chico Buarque, com Valsa Brasileira, é uma dica do Jorge Zilio.

Caso Roth: muito estranho

29 de novembro de 2011 70

É muito estranho o Grêmio disputar um Gre-Nal com um técnico demissionário.

Muito estranho.

Como é que ele vai motivar os jogadores? Como vai fazer com que acreditem que suas instruções levarão o time à vitória?

Muito estranho.

Pena severa

29 de novembro de 2011 25

A punição dada ao jogador Bolívar, do Inter, em função do lance com Dodô, do Bahia, durante o jogo do último dia 16, foi discutida no Sala de Redação desta terça.

Enquanto o jogador do Corinthians — emprestado ao time baiano até o final desta temporada — estiver em recuperação da ruptura do ligamento cruzado, o zagueiro do Inter deve ficar afastado dos gramados.

Ainda assim, o clube vai recorrer da decisão do pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Você concorda com a pena aplicada ao jogador colorado?

Ouça o programa!

Roth sai depois do Gre-Nal

29 de novembro de 2011 275

Celso Roth sairá do Grêmio depois do Gre-Nal.

Sua demissão foi acertada hoje de manhã, em conversa com o diretor de futebol Paulo Pelaipe.

O próprio técnico decidiu pedir para sair devido à pressão da torcida e da imprensa.

Só ficou resolvido que ele fica até o fim do clássico.

Os preferidos da direção para substituí-lo são:

Caio Junior

Wanderley Luxemburgo

e

Oswaldo Oliveira.

O Segredo de Cláudia - 3

29 de novembro de 2011 10

Ela vinha de lá. Ela se aproximava.

Cláudia.

Germano viu que ela apontara no fundo da sala e se encaminhava rapidamente de volta à mesa. Ele estava com a calcinha dela nas mãos. Havia tirado a calcinha de dentro da bolsa, de dentro do recesso mais íntimo de uma mulher. Quer dizer: mexera na bolsa de Cláudia, violara sua privacidade.

Imperdoável.

Não podia ser pego naquela situação. Como se explicar? Cláudia acharia que ele estava roubando. Ou que era um tarado. Ou as duas coisas.

Precisava devolver a calcinha.

Mas agora, se ele fosse colocar a calcinha de novo na bolsa, ela veria. Estaria colocando a calcinha em seu lugar, estaria repondo as coisas a sua situação ideal, só que ela jamais entenderia assim. Decerto que gritaria lá de longe:

“O que é que você está fazendo aí? Está mexendo na minha bolsa? Está com a minha calcinha comestível na mão? Ladrão! Tarado! Larga a minha calcinha comestível!”

Cristo! Se isso acontecesse, ele ficaria conhecido em toda a empresa como o tarado da calcinha comestível. Na certa, seria chamado pela direção, seria demitido. Justa causa. Quem sabe até um processo. Sabe como é, agora existe essa coisa de assédio e tudo mais… Ele diante do juiz, ou, pior, diante de uma juíza feminista que o encararia com fúria:

“Então, o senhor roubou a calcinha comestível da bolsa da sua colega…”

Como explicar? Seria acusado de crime sexual. Cadeia. Presídio. E ele sabia o que os presidiários fazem com tarados…

Não, ele não podia ser flagrado empunhando aquela calcinha comestível. O que fazer? Ela estava cada vez mais perto. Estava chegando…

Então, Germano enfiou a calcinha no bolso das calças jeans. Era minúscula, cabia perfeitamente no bolso, Cláudia não perceberia. Depois, ele pensaria numa forma de devolvê-la.

Cláudia chegou à mesa, enfim. Olhou para bolsa. Olhou para ele de uma forma estranha. Germano estremeceu.

O que aconteceu a seguir? Saiba djá, no próximo capítulo de O Segredo de Cláudia.

Túnel do tempo: O desejo vive nos rins

29 de novembro de 2011 0

Tudo que Platão escreveu, escreveu em duas versões. Uma para filósofos e eruditos, em linguagem técnica, de difícil acesso para o comum dos gregos do quarto século antes de Cristo. Outra em estilo coloquial, bem mais simples. Uma edição pop, pode-se dizer. Apenas essa última sobreviveu – são os seus “Diálogos”.

Nessa obra, Platão divide a Humanidade em três tipos de pessoas. Todas, garante, se deixam guiar por um dos três órgãos que, segundo ele, são o centro do corpo do homem. Quais sejam:

1. O cérebro.
2. O coração.
3. Os rins.

No cérebro, obviamente, se homizia o conhecimento. As pessoas que têm o cérebro como órgão principal importam-se mais com a aquisição de sabedoria do que com os quereres mundanos. Esses, segundo Platão, deveriam ser os governantes das cidades e do planeta, uma vez que tentam sempre ser justos e racionais.

O coração, claro, é a central da emoção. Os homens movidos pelo coração geralmente são ávidos pelo poder. O que lhes vale é a fama, a glória e a posteridade. Aí se enquadram os militares.

Os rins sediam o desejo. Quem se deixa guiar pelos rins corre o risco de ser presa da ganância. Esses se batem pela riqueza, estão sempre a acumular e a cobiçar o que não possuem. São, de acordo com Platão, os comerciantes.

Platão recomendava que os homens de cérebro dirigissem o mundo. Seria o ideal. O problema é que, para se atingir o mando, é
preciso poder. E, para conquistar o poder, é indispensável a riqueza. Assim, os sábios sempre acabam distantes do governo e as coisas terminam nessa estroinice que se vê desde a época em que o filósofo ensinava em Atenas, há 2400 anos. É por isso que sempre há uma confusão no Gauchão, mesmo quando o campeonato é ótimo, como o de 2005. Muito rim. Muito coração. Pouco cérebro.

* Texto publicado em 13/04/2005.

Som das madrugadas

29 de novembro de 2011 1

A pedido da Gabriela Oliveira, ouçam A Praieira.

O Segredo de Cláudia - 2

28 de novembro de 2011 5

 

Quando ele viu aquela calcinha, UMA CALCINHA COMESTÍVEL, foi como se uma nova dimensão tivesse se aberto diante de seus olhos. Porque Germano, esse o nome dele, Germano imaginou Cláudia DENTRO daquela calcinha. Aquele corpo moreno, cheiroso e gostoso que ela tinha, um corpo dourado, da cor do pecado, aquele corpo que lhe fazia tão bem só de olhá-lo, aquele corpo, recheando aquela calcinha minúscula, uma calcinha comestível, ainda por cima!, aquilo era o melhor que o mundo poderia oferecer a um ser humano, era a prova de que as coisas boas existiam, de que tudo pode ser diferente, de que o sol brilha para os homens, de que somos o sal da terra, de que a vida é bela.

Naquele momento, Germano ficou apaixonado.

Mais: ficou obcecado. Naquele preciso momento sabia disso: que havia se transformado em um homem obcecado.

Pegou a calcinha com as duas mãos, passou-a pelo rosto com volúpia, inspirou para sentir-lhe o cheiro na ânsia de sentir o cheiro íntimo de Cláudia.

_ Oh… _ gemia. _ Oh…

Então, tomou a decisão arrojada. Fez algo que nem ele mesmo esperava fazer. Algo que era contra a sua biografia. Mas fez.

O que fez?

Saiba logo, no próximo capítulo de… O Segredo de Cláudia.


Quem leva a melhor no Gre-Nal?

28 de novembro de 2011 28

“Mesmo tendo a possibilidade de impedir a classificação do Inter para a Libertadores, não sei se os jogadores do Grêmio têm motivação suficiente e nem futebol suficiente para impedir que o Inter vença o Gre-Nal de domingo”, disse David Coimbra, no Sala de Redação desta segunda.

Você também acha que o Grêmio não tem condições de vencer o clássico?

Bate Bola

28 de novembro de 2011 2

Confira os lances da penúltima rodada do Campeonato Brasileiro no Bate Bola de ontem.

Café TVCOM

28 de novembro de 2011 1

Assista ao Café TVCOM do último sábado.

Túnel do tempo: Quanto vale um bigode

28 de novembro de 2011 0

Ofendi uma mulher por causa do bigode, certa feita. O episódio valeu-me alguns ensinamentos acerca da vida, das pessoas, dos leitores e do momento da Dupla Gre-Nal. Mas foi sério. Por Deus. Aconteceu assim:

Um dia o Cássio, da portaria aqui do prédio da Zero, deixou crescer o bigode. Cheguei ao jornal, olhei para o Cássio e comentei:

– Bigode?

Ele me enviou um sorriso sardônico, cheio de significados duplos e até alguns triplos, balançou a cabeça devagar, cofiou o dito cujo e respondeu:

– Rá!

Entendi o que ele queria dizer.

Era:

“Sim, deixei crescer o bigode porque o bigode trata-se de um símbolo atávico de masculinidade e, sendo assim, atrai as fêmeas da espécie, o que fará com que eu tenha maior chance de sucesso amoroso e, desta forma, seja mais feliz, porque, como Freud já ensinou, tudo na vida é casa, comida e sexo”.

Agora: embora tenha compreendido em sua plenitude o rá do Cássio, não concordava com ele. Porque, pelo que tenho observado das mulheres contemporâneas, elas desaprovam o uso do bigode. Algumas até o desprezam, considerando-o ridículo, ultrapassado e cosquento. Naquele mesmo dia, escrevi a respeito. Disse que o bigode não tinha mais lugar sob as narinas do século 21. E, no dia seguinte, recebi aquele imeil fulo. Indignado, até. Pensei que fosse brincadeira, que ninguém, sobretudo uma mulher, se enfureceria comigo por eu ter falado mal do bigode. Mas não: ela estava revoltada mesmo. Realmente a ofendi com minhas críticas ao bigode. Pedi desculpas, garanti que não era minha intenção agredir ninguém ao menoscabar o bigode, que, afinal, não passa de simples adereço peludo do rosto do homem. Não adiantou. Ela jurou que jamais me perdoaria.

Bem. Os meses se passaram, o Cássio tirou o bigode, a vida seguiu seu rumo inexorável. Dias atrás, recebi outro imeil daquela paladina dos bigodes assacados. Relembrou o episódio e reafirmou seu ódio eterno por mim. Por coincidência, no mesmo dia o Cássio… apareceu de bigode! Mas desta vez contive-me. Lembrei da defesa feroz do bigode empreendida pela leitora e resolvi observar o que mudava na vida do Cássio com mais pêlos no rosto. E não é que mudou?!? As mulheres assumiram outro comportamento com ele. Tornaram-se mais lânguidas e atenciosas. Eu passava pela portaria e sempre via alguma delas liquefazendo-se ao pedir o crachá para o Cássio. Então, olhava-o de soslaio e ele me olhava de esguelha e de novo cofiava o bigode e repetia:

– Rá!

Outra vez aquele rá. Mas tem o seguinte: tenho certeza de que não é o bigode em si a razão do sucesso do Cássio. É a confiança que ele exala tendo cabelos sobre os lábios. As mulheres sentem que ali está um homem seguro e se aproximam dele por isso. Se ele é tão seguro, deve haver algum motivo, entende? O princípio da publicidade. Se você repete que é bom, é bom, é bom, provavelmente seja. As pessoas acreditam na publicidade, o que é muito surpreendente. O contrário também vale. O homem afoito, as mulheres pressentem sua ansiedade e correm dele. Eis o segredo do bigode: mesmo estando fora de moda, confere personalidade a quem o usa com convicção, casos clássicos de Rivellino e Olívio Dutra. A personalidade é atraente, a personalidade faz toda a diferença. Pessoas têm que ter personalidade, assim como cidades e times de futebol e jornais e tudo mais. Os times da Dupla de 2008 não têm personalidade. Abatem-se com qualquer revés. Lembro de times da Dupla que tinham personalidade. Porque tinham jogadores como um Figueroa, que ensinava:

– Vitórias não se merecem; se conquistam.

Ou um Oberdan, que em 1977 prometeu:

– Neste time ninguém vai chorar quando formos campeões.

Personalidade. Não se tem só com bigode, mas, se o bigode ajudar, por que não?

* Texto publicado em 26/11/2008.