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Posts de dezembro 2011

Frase do dia

31 de dezembro de 2011 10

“Não pedi coisas demais para não confundir Deus que à meia-noite de ano novo está tão ocupado.”

Clarice Lispector

Túnel do tempo: Será que ela é gorda?

31 de dezembro de 2011 1

O desafio partiu do gremista:

– Se ela for gorda, o Grêmio cai; se ela não for gorda, o Grêmio não cai.

Todos aceitaram na hora. Estavam sentados em volta de uma mesinha do Lilliput. Faz 10 dias, isso. Ela tinha um rosto lindo. Morena. Cabelos compridos, alisados à chapinha. Olhos amendoados, claros, talvez verdes, bem separados um do outro. Entre eles, um narizinho fino, curvado feito tobogã. A boca era grande, carnuda e carmim.

– Linda… – comentou Degô, o gremista.

– Mas é gorda – acrescentou Professor Juninho, o colorado.

– Não é.

– É.

E assim ficaram: não é, é, não é, é, não é, é, até que o Degô fez a proposta. A mesa se animou. Ficamos todos observando-a, ela precisava levantar, como saber se uma mulher é gorda ou magra estando ela sentada? Em volta, na mesa dela, mais uns sete, entre homens e mulheres. Bebiam à grande, petiscavam batata frita.

– Olha como ela come batata frita – comentou o Régis.

– Mau sinal – suspirou o Ivan, preocupado com o futuro do Tricolor.

– Mas olha ali – consolou-o o Degô: – Ela está tomando guaraná diet.

– Verdade, só que tem uma coisa: a quantidade de guaraná que ela bebe – ajuntou o Juninho. – Repara em cada golão que ela dá no copo.

Olhamos. De fato, ela engoliu o conteúdo do copo de uma sentada no queixo e, sem vacilar, pediu outro guaraná ao garçom.

– Péssimo sinal – o Ivan sacudiu a cabeça, desanimado.

A noite avançava, os chopes e os sanduíches abertos aterrissavam nas toalhas e nada dela levantar. Falamos tanto no assunto que as mesas em volta perceberam. Começaram a apostar também.

– É magra.

– É gorda.

– Gorda não faz chapinha.

– Aquele rosto bonito é típico de gorda. Toda gorda tem rosto bonito.

– Alguém ali conhece aquela moça? Alguém sabe se ela é gorda ou é magra?

Ninguém sabia. Ninguém a conhecia. De onde ela tinha vindo? Para onde ia? Continuaria sentada até de manhã? Todos os outros seus colegas de mesa já tinham ido ao banheiro. Ela não. Ela resistia.

– Que bexiga – admirou-se o Juninho.

– Terrível sinal – lamentou o Ivan.

– Alguém tem que fazer alguma coisa – afligiu-se o Degô. – O Grêmio amado e idolatrado está em jogo!

Chamamos o Atílio, gerente do bar.

– Atílio, como podemos fazer aquela moça ali levantar?

Atílio olhou, todos olhamos, ela já estava percebendo que olhávamos.

– E agora? – o Atílio coçou a cabeça.

– Diz que tem telefone pra ela – sugeriu o Juninho.

– E qual o nome dela?

Coçamos a cabeça. Ninguém sabia.

Ela continuava bebendo, resoluta. Agora beliscava um filé a xadrez. Horrível sinal.

O bar foi esvaziando aos poucos. Só restavam a nossa mesa e a dela. Tarde da madrugada, eles pediram a conta. Suspiramos, aliviados. Era chegada a hora da decisão. O garçom demorou a vir. Enfim, pagaram. Despediram-se, ainda sentados. Ela se apoiou no joelho para se levantar, qual o Moisés, do Michelângelo. Prendemos a respiração.

Silêncio. Olhamos para ela, paralisados, olhos arregalados, e então um sujeito que passou a noite ao lado dela se ergueu e abriu uma capa. Uma dessas capas que as mulheres usam quando querem impressionar, uma capa comprida, até os tornozelos. Capa grande, cobriria o Wilsão, do Inter. Pois o sujeito abriu a capa para que ela enfiasse os braços nas mangas. Foi o que ela fez. A capa lhe escondeu o corpo inteiro. Levantamos da mesa, indignados. Espiávamos a distância. Ela caminhou três passos. Entrou num carro.

Foi-se. Ficamos olhando impotentes para o carro que entrava na Padre Chagas.

– Era gorda. O Grêmio cai – concluiu o Juninho.

– Não era. Não cai – rebateu o Degô.

Decidimos pedir mais alguns chopes para discutir o assunto.

*Texto publicado em 19/11/2003.

Mais sobre Giuliano no Grêmio

30 de dezembro de 2011 170

O repórter Luis Henrique Benfica acaba de apurar que o empresário que está negociando com o Dnipro é Paulo Tonietto.

Embora os dirigentes do Grêmio não admitam oficialmente o negócio, os salários já estão acertados.

Giuliano ficaria no Grêmio por empréstimo por um ano.

De acordo com os dirigentes gremistas, não existe a tal cláusula contratual que o Inter teria imposto, proibindo o jogador de ir para o Grêmio.

Confira o que rolou no Sala de Redação desta sexta-feira

30 de dezembro de 2011 2

Grêmio se acerta com Giuliano

30 de dezembro de 2011 612

O Grêmio acaba de se acertar com Giuliano, ex-Inter.

Entre o Grêmio e o meia está tudo fechado.

Um ano de contrato.

Falta o acerto com Dnipro, o clube ucraniano em que está o jogador.

Frase do dia

30 de dezembro de 2011 1

“A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.”

Carlos Drummond de Andrade

O vizinho de Bianca

30 de dezembro de 2011 3

Ninguém mais sozinha do que Bianca naquela noite de janeiro em Porto Alegre. Seguindo um rito anual, os habitantes da cidade haviam migrado para a orla. Até seu namorado, Homero, viajara para São Paulo, de onde só voltaria dali a quatro dias.

Quatro dias – tão pouco tempo, tanto ia acontecer.

Naquela noite, ao chegar em casa, oprimida por um dia suarento de trabalho, a primeira coisa que Bianca fez foi, vupt!, livrar-se dos sapatos. Suspirou de alívio ao sentir as plantas dos pés tocando o frio suave do parquê. Puxou a blusa pelo pescoço. Sacou o sutiã num clique. Sensação agradável, os seios nus. Espreguiçou- se. Saltou da saia. Ficou só de calcinha.

Era dona de um belo corpo. Orgulhava-se disso. Achava que o namorado não o valorizava o suficiente. Foi no que pensou ao admirar o próprio reflexo no vidro da janela. Apalpou os seios firmes. Virou-se de lado. Empinou as nádegas. Ergueu um pouco a cabeça. E viu.

No prédio em frente, na janela situada um andar acima do seu, um par de olhos a espreitava, no escuro. Um voyeur! O impulso de Bianca foi cobrir os seios com os braços, mas se conteve. Não queria demonstrar que o descobrira. Não lhe daria o prazer de vê-la assustada. Tentou agir de forma natural. Afinal, o homem já a vira seminua. Girou nos calcanhares. Foi até a segurança da cozinha. Pensou. Que tarado! Será que a observava todos os dias? Curioso, não sentiu medo dele. Seus olhos… eles transmitiam mais espanto do que ameaça. Será que se perturbava quando a via?

Bianca sorriu com a idéia de que a visão de seu corpo abalava um homem. Não deixava de ser um poder. Pensou: vou sacanear esse cara. Vou deixá-lo louco. Louquinho.

Ondulou de volta à sala. Firmou os pés. Espreguiçou- se, lânguida como uma gueparda, empinando os seios e as nádegas. Bianca era um S de carne tenra. Imaginou que, lá em cima, o outro suava e tremia. Aos 25 anos, sentia-se na melhor forma. Mais tarde, já no quarto, preparando-se para dormir, olhou para fora, e o que viu não a surpreendeu. O vizinho prosseguia na vigília. Observá-la-ia durante o sono? A idéia a excitava. Deitou-se com a sensação de que o olhar do outro se derramava sobre suas pernas nuas. Adormeceu macio.

No dia seguinte, não conseguiu se concentrar no trabalho. Pensava no voyeur. Se ele esperava que desse novo show. Queria voltar logo para casa.

À noite, entrou no apartamento, confirmou que ele já se postara à janela e correu para o chuveiro. Tomou um banho criterioso. Untouse com cremes. Enfiou-se em um pijama leve e deslizou até a sala. Sentou-se para ver televisão. Começou um pequeno teatro. Abanava-se, simulando sentir calor. Abriu dois botões da camisa do pijama. Mais dois. Os seios se esgueiraram para o ar livre, recebendo nos mamilos a luz azul da TV. Bianca fez um movimento com os braços e a camisa escorregou, deixando-lhe os ombros nus. Respirava com dificuldade pelos lábios entreabertos, nervosa, excitada com a brincadeira. Levantou-se, afinal, e arriou a calça do pijama até os tornozelos. Vestia uma calcinha sumária, tão pequena que jamais ousou usá-la com o namorado.

Assim, quase nua, Bianca troteou pelo apartamento, sentindo nas espáduas e nas ancas que o outro sofria no edifício em frente. Ele a venerava, ela sabia. Bianca foi para a cama decidida, sussurrando entre dentes:

– Amanhã eu tiro a calcinha. Eu tiro.

O dia de trabalho foi interminável. Bianca saiu mais cedo. Fez compras. Foi para casa. Vestiu o que comprara: um conjunto de lingerie branca com cinta-liga. Calçou escarpins. Botou um CD. Ao som da voz rouca de Joe Cocker, começou a dançar. Serpeava. Alisava as coxas e os seios. Vez em quando, levantava a cabeça para ver os olhos arregalados do seu vigia. Fez ali, no meio da sala, um strip-tease com o qual sempre sonhou ensandecer os homens. Deitou-se absolutamente nua. Era a mulher mais nua de Porto Alegre, naquela noite quente de janeiro. Dormiu escancarada ao olhar sôfrego do voyeur.

No dia seguinte… Homero chegou. Bianca andava tão absorta com o jogo com o vizinho que esquecera do namorado. Era ridículo, mas não queria que o vizinho a visse com Homero. Tentou fazer com que não se encontrassem no apartamento, mas o namorado insistiu tanto que não houve como evitar. Ao chegar à sala, percebeu de relance os olhos aflitos do outro, lá em cima, e sentiu-se uma traidora.

Um Homero ardoroso, de carícias velozes, a arrastou para o quarto. Bianca pensou em resistir. Não podia. Tinha vontade de chorar. Via, de relance, o vizinho do prédio em frente. A angústia batia-lhe no peito. Homero já desabotoara sua blusa. Atacava seu sutiã. Bianca olhava para fora, para o outro. Gritou:

– Não!

Homero parou, surpreso.

– Que foi?

– A janela está aberta – explicou, constrangida.

Levantou-se. Caminhou até a parede. Estacou. Olhou para cima. Fitou, pela primeira vez, os olhos tristes do vizinho do prédio em frente. Ele abriu a boca, como se quisesse dizer algo. Bianca fechou a janela, devagar. Voltou para a cama. Submeteu-se ao namorado. Minutos depois, correu ansiosa para a janela. Abriu-a de par em par. Mas lá em cima já não havia mais ninguém. A janela estava fechada. Bianca virou- se para Homero. Sorriu. Perguntou:

– Quando é mesmo que você vai viajar outra vez?

* Texto publicado em janeiro de 2002.

Túnel do tempo: Um único botão

30 de dezembro de 2011 1

* Texto publicado em 22/07/2009.

Minha avó era assim, mobilizava-se para comprar um só botão, comprava-o e voltava para casa. Ou então ia ao súper e de lá trazia uma maçã solitária, uma minúscula caixa de fósforo, um pãozinho de nada. Gostava de ir ao supermercado, verdade. Era um passeio para ela. Ia e retornava narrando as delícias das amostras-grátis, comentando horrorizada quanto havia aumentado o preço do açúcar. Mas também é verdade que essa prática fazia parte do método que minha avó desenvolveu para economizar. Comprando aos poucos, ela comprava menos. Funcionava. Recebia uma pensão de meio salário mínimo e ainda assim sempre tinha dinheiro. Mais do que eu.


Uma época, não essa época em que ela saiu de casa para comprar tão-somente um botão, outra época, uma época em que eu trabalhava na Sulina, nessa época a Sulina concedia-nos vales às sextas-feiras.

Uma maravilha. Passava o fim de semana abastecido de notas de 50, podia pagar jantares e cinemas para eventuais namoradas. O problema é que na segundafeira os recursos já tinham se evanescido, e na sexta seguinte lá ia eu pedir vale de novo e no dia do pagamento, maldição!, o salário vinha desse tamanhinho. Então, andava sempre duro, durango kig. Num desses dias de dureza, almoçava na casa da minha avó e me queixava das parcas condições financeiras. Ela disse:


– Eu resolvo isso, David.

E tirou de uma estante uma latinha e abriu a tampa da latinha e lá de dentro puxou um maço de notas amarradas em atilho e me estendeu:


– Ó.

Recuei:


– Não, vó!!!

Não ia pegar o dinheiro que minha avó economizava comprando um botão de cada vez. Como naquele dia em que ela saiu de casa junto comigo para comprar aquele único botão. Estávamos na casa dos meus pais no Parque Minuano e eu devia ter, sei lá, uns cinco anos, faz tempo, mas não me esqueci do que aconteceu.

Lá fomos nós, eu levado pela mão dela, caminhando devagar entre as ruas modorrentas do bairro. Fomos a uma vendinha. Dessas que ainda há no subúrbio, com uma caderneta onde o dono da venda anota o fiado dos fregueses.

Minha mãe ia quase todos os dias a essa vendinha e registrava suas compras na caderneta. Uma tarde, saindo do lugar com a minha mãe, perguntei:


– Não tem que pagar?

Ela:

– Não. É só botar na caderneta.

Fiquei encantado. Todos os acepipes e guloseimas que rebrilhavam nos balcões de vidro da venda estavam ao meu alcance. Bastava que anotasse na caderneta. No dia seguinte, reuni meus amigos. Uns 15 ou 20.
– Vamos todos pra vendinha! – gritei.
– Hoje tem bala e chocolate de graça pra todo mundo!


Fomos. Fizemos um rancho de Choco Branco e Preto e Diamante Negro, balas Gasosa, Quebra-queixo e Sete Belo, Beijo de Moça e Beijo Africano, Amor Carioca e Sonho de Valsa. Minha mãe só não foi à falência porque o dono da venda desconfiou e a avisou. Ela conseguiu recuperar a metade dos doces e os devolveu, para a consternação da turma.

Era nessa mesma caderneta mágica que a minha avó pretendia anotar a compra do único botão que ela pretendia adquirir naquele dia. Então, chegamos à vendinha e deu-se o seguinte diálogo. Minha avó para o bodegueiro:

– Quanto é o botão?

O bodegueiro:

– Cinquenta centavos.

– Cinquenta centavos?!?


– É.

– Muito caro!


– Mas custa cinquenta centavos.

– Então não vou levar!


E a minha avó saiu da vendinha sem o botão que queria comprar.

No caminho de volta, levantei o queixo e questionei:


– Vó, cinquenta centavos não é barato?

Ela, olhando para frente:

– Não para um botão.

– Por que não?


– Mais tarde, quando crescer, tu vais aprender o que é caro e o que é barato.

Detestava quando um adulto fazia isso, quando não me explicavam as coisas e diziam que eu ia aprender ao crescer. Mas, de fato, aprendi. Às vezes, algo custa 50 centavos e é caro. Às vezes custa milhões, e é barato. Quinze milhões por um centroavante como Nilmar, por exemplo, é tão barato que podia ser anotado numa caderneta de vendinha lá do bom e velho subúrbio do Parque Minuano.


Douglas deve ficar no Grêmio

29 de dezembro de 2011 20

Cogitado para deixar o Grêmio, o meia Douglas deve permanecer no time. Na opinião de David Coimbra, o clube está renovando o contrato com o jogador para poder negociá-lo.

Confira o que foi dito no Sala de Redação desta quinta!

Moscas, tigres e dinossauros

29 de dezembro de 2011 20

Para que existem moscas? Francamente. Uma amiga minha, depois de três anos vivendo entre Escócia e Inglaterra, teve de voltar ao Brasil. Quando pisou em solo pátrio, o primeiro ser vivo que a tocou foi uma mosca. Desatou a chorar. A mosca, para ela, era um símbolo do nosso atraso tropical e católico.

Moscas. Os ecologistas dizem que tudo na Natureza tem a sua lógica e a sua função, que tudo está encadeado. Assim, as aranhas serviriam para comer as moscas. Não fossem as aranhas, haveria superpopulações de moscas, as moscas tomariam conta da Terra. Mas e se não existissem moscas? Se elas simplesmente desaparecessem, como desapareceram as mulheres que sabem fazer nhoque? Neste caso, não precisaríamos de aranhas, que amiúde são peçonhentas. Estaríamos livres de dois inconvenientes ao mesmo tempo: as chatíssimas moscas e as ameaçadoras aranhas. Perfeito.

Esse negócio de que a Natureza é sábia e deve ser preservada eternamente como está é uma balela. Milhares, milhões de espécies foram extintas e não fazem a menor falta. A minha curiosidade em conhecer um pássaro dodô é a mesma de conhecer um chester: nenhuma. Agora, se há 65 milhões de anos existissem ecologistas, eles estariam tentando preservar os dinossauros e os pterodátilos. Imagine os gastos de uma reserva para dinossauros. Rondônia já é quase toda dos índios, teríamos de deixar uns dois Matos Grossos para os dinossauros. E vez em quando eles escapariam para as cidades e fariam estragos de um Godzilla em Tóquio, amassando carros, derrubando prédios, mastigando pessoas. Não. Muito melhor os dinossauros estarem bem extintos. Além do mais, quem garante que não foi melhor para os dinossauros aquele fim nobre, um meteoro caindo sobre o México, fazendo o eixo do planeta se deslocar e abatendo-os todos rapidamente num grande cataclismo? Talvez tenha sido mais digno do que a decrepitude inevitável por que passam os seres longevos.

Schopenhauer defendia a extinção da espécie humana como a única forma de escapar ao sofrimento existencial. A extinção como salvamento. O ideal, para ele, era que cessássemos com nossa ilógica ânsia reprodutiva. Parássemos de ter filhos. Em pouco tempo, a Humanidade atingiria um fim suave e, com o fim da Humanidade, findaria a dor. Um ótimo plano. Mas, enquanto não é levado a cabo, por que continuar a conviver com moscas? Vamos acabar com elas! Danem-se os ecologistas. Que herdem o planeta apenas os que o merecem, aqueles que são elegantes, como os felinos em geral, e em especial os tigres, com sua independência feroz e altaneira; os tipos alegres, que não se levam a sério, como os macacos de quaisquer tamanhos, sobretudo os chimpanzés; os emotivos cachorros, principalmente os de grande porte; os cavalos e sua fidalguia orgulhosa; os passarinhos chilreantes; os peixes silenciosos, com destaque para o saboroso bacalhau; e até uma ou outra baleia, desde que não se aproxime muito da costa. Quanto aos insetos, míseros bichos de seis pernas, livremo-nos deles.

“Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”, proclamava Saint-Hilaire no século retrasado. Hoje seria vilipendiado pelas redes sociais. Sabia, Saint-Hilaire, que alguns não merecem sobreviver. A saúva. A mosca. E os técnicos mal-educados. Não servem para nada, os técnicos de futebol grosseiros, que mal sabem se expressar na última flor do Lácio inculta e bela, que estão sempre emburrados e que ganham centenas de milhares de reais por mês. Que sejam extintos todos, junto com as moscas, até que enfim realizemos o plano de Schopenhauer.

* Texto publicado na Zero Hora da última terça-feira, 27/12/2011.

Som das madrugadas - 2

29 de dezembro de 2011 1

A dica é do Lucas Luz.

Som das madrugadas - 1

29 de dezembro de 2011 0

No spare parts, da banda Rolling Stones, é a sugestão do João Barbier.

Para 2012? Permanência do clichê.

28 de dezembro de 2011 15

* Texto enviado pelo leitor Matheus Maia Beck.

O ser humano ama se iludir, se subestimar e se decepcionar. Por que isso se repete, anualmente, após a rede Globo anunciar a virada do ano com um lindo show gravado em outubro? Necessitamos desses sonhos! Que graça teria se não tivéssemos anseios para a virada do ano? É sabido que a alteração do algarismo no nosso celular não significa uma mudança. Mas a motivação é gerada por ele. No fundo sabemos que o salário provavelmente não aumente, a vizinha que pendura seus biquínis de cortininha provavelmente não nos dê bola e que nosso time do coração prova veemente não ganhe todos os títulos.

Tomara que em 2012, um novo penteado seja inventado. Em outros tempos a franja do cascão, do Ronaldo fenômeno, fora brilhantemente ridicularizada na cabeça de milhões de brasileiros. Atualmente, conservar um gambá por sobre a cabeça, coisa que o Neymar chama de moicano, é a moda. Bizarro? Não! Brilhante! MAIS DO MESMO! Isso basta para que continuemos levando a vida e assando o churrasquinho no final de semana.

Beto Bruno, vocalista da Cachorro Grande, comentou em uma entrevista para uma revista que não me recordo o nome (falha gravíssima de um futuro jornalista. Fontes devem ser divulgadas), que as pessoas copiam até ter a sua própria linha. O último álbum dos rockeiros, é o mais homogêneo e identificado com as ideias dos caras. Esse é o único diferencial que pode ocorrer no próximo ano. Podemos finalmente definirmos nossa própria personalidade e produzirmos coisas que retratem fielmente nossa cara. Parece frustrante, mas quem disse que necessitamos quebrar os paradigmas diariamente? A rotina é necessária a menos que sejamos algum tipo de gênio.

Comprem calcinhas/cuecas novas para passar a virada. Saboreie aquele espumante barato. Asse um peru. Pule as sete ondas. Coma lentilha. Use roupas brancas. Fique alcoolizado ao lado de seus filhos. Não durma cedo. Contemple a lua com os desejos e sonhos na cabeça. Prometa que emagrecerá. Faça apostas consigo, dentre elas um carro novo pode ser objetivado. Ame alguém ou peça um novo amor. Entregue uma lata de cerveja a um mendigo. Esqueça as contas. Utilize do fantasmagórico cheque especial para alegrar-se. Deixe os problemas de lado. Carregue no rosto a certeza que tudo dará certo.

Nada mais satisfatório do que tudo isso. Pode dar tudo errado? Sim, mas aí teremos 2013 para nos consolar.

Para um bom 2012

28 de dezembro de 2011 0

Vou postar de novo um antigo vídeo que o nosso colega artista Zarif fez no fim de 2009. Vale a pena ver de novo.

Sala de Redação

28 de dezembro de 2011 1

Ouça o Sala de Redação desta quarta-feira.