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Túnel do tempo: Amor seis vezes ao dia

23 de fevereiro de 2012 6

Catarina II, a “Grande”, tinha necessidade de fazer sexo seis vezes ao dia, mas não foi por isso que a chamaram de Grande. Questão de precisão, não luxúria vulgar. Talvez padecesse da doença do Tiger Woods. Kennedy padecia, coitado, se bem que com menor intensidade: desenvolveu o hábito de possuir pelo menos três mulheres por dia, em rapidíssimas sessões de amor agendadas por seus solícitos assessores, dois a três minutos cada. Kennedy tinha muita pressa e nenhuma paciência.

Catarina era mais dedicada. Constituía amantes, envolvia-se com eles em profundidade e, quase sempre, só os dispensava quando encontrava outro mais tenro. Escrevi tenro, não terno.

Embora tenha sido a czarina mais importante da Rússia, era alemã. Sabe como são essas alemãs... Não havia sido batizada Catarina, e sim Sofia Augusta Frederica. Gosto desse nome, Frederica. Quando casou-se com o herdeiro do trono, Pedro, é que se renomeou Catarina. Também gosto de Catarina. Estava com 16 anos. Na noite do casamento, depois da festa, as criadas ajudaram-na a tirar as roupas pesadas de pedrarias e a levaram para a câmara nupcial. Ansiosa, a jovem e fresca Catarina sentou-se à borda da cama debaixo de seus cabelos louros, esperando pelo marido como se esperasse pelo abate.

É provável que não se sentisse empolgada com a perspectiva de ser deflorada pelo príncipe. Pedro era um feio. Fora vitimado pela varíola, que lhe deixara o rosto gretado. Acometera-lhe também uma calvície precoce, era magro como um espaguete e, nos quadros que lhe pintaram, aparece com um nada elegante ventre abaulado de chope. Ou, no caso, vodca. Bem. É verdade que muitas mulheres não colocam a beleza masculina entre os principais atributos que deve ter um homem para atraí-las. Basta que ele seja rico. Ou poderoso. Ou famoso. Algumas até se contentam com os inteligentes e bem-educados.

Pedro decerto que era rico e tudo indicava que um dia auferiria poder. O problema é que de inteligência e educação não possuía nada. Era infantiloide, passava o dia brincando com soldadinhos de chumbo e não se entusiasmava com as mulheres. Existe um debate entre os historiadores sobre se era homossexual mesmo ou se não passava de mero desinteressado.

Não faz diferença. O fato é que Catarina permaneceu horas aguardando por ele. Pedro só apareceu no quarto tarde da madrugada, trançando pernas, bêbado como um Boris Yeltsin. Balbuciou que ficara comemorando com os criados na cozinha, meteu-se entre os cobertores e, antes que Catarina pudesse dizer cucamonga, começou a roncar. Catarina não foi tocada pelo marido naquela noite. Nem na seguinte. Nem na outra. Ou na outra ou outra ou outraououtraououtraououtra. Durante nove anos, Pedro conservou sua mulher virgem como uma madre superiora. Quer dizer: virgem de Pedro. Catarina não demorou a providenciar um amante. E outro e outro e mais outro e outroutroutroutroutroutro. Acumulou dezenas deles com intensa devoção. Existem candentes relatos históricos sobre o desempenho da czarina de todas as Rússias entre lençóis. Não vou reproduzi-los porque coraria os leitores pudicos. Um dia, o embaixador da Inglaterra, para agradá-la, ofereceu-lhe um rapaz bonitão de presente. Catarina agradeceu, penhorada, levou o moço para cama e desfrutou dele por alguns anos. Como naquele tempo não havia pílula, Catarina teve vários filhos com os amantes. Pedro se conformava.

– Não faço a mínima ideia de como a minha mulher fica grávida, mas suponho que tenho de assumir os filhos – comentou, em meio a uma das tantas gestações.

Catarina seguiu somando amantes e filhos pelas estepes, até que traiu de verdade o marido: deu um
golpe de estado, mandou Pedro ir brincar com seus amiguinhos e reinou com radiosa luz sobre a Rússia. Seu vício, o sexo desenfreado, não a prejudicou nessa missão. Algum excesso, afinal, o ser humano pode cometer, de vez em quando. Deve, até. Walter aprecia comida calórica? Sem problemas, desde que apareça para treinar. Mário Fernandes é adepto do sono pela manhã? Que é que tem? Desde que, é claro, não faça samba e amor até mais tarde. Como fazia, e bem, a loira Catarina.

* Texto publicado em 07/03/2010.

Comentários (6)

  • Antonio Rodrigues diz: 23 de fevereiro de 2012

    Caro DAVID
    Meio campo do Inter Oscar e D´Alessandro tem que marcar
    Lembra da atuação do meio de campo
    do Inter contra Once Caldas
    no primeiro tempo
    melhou no segundo tempo
    quando Dorival colocou
    Tinga para auxiliar na
    marcação pelo lado direito
    repetiu-se ontem novamente
    Esta Faltando ao Inter o Sandro, o cabeça de área
    Quantas vezes o Grêmio arrematou da meia lua
    da grande área o tocou livremente a bola nesta região
    No primeiro tempo ficou nas imediações da grande área
    do Inter além do Marcelo Moreno, Cleber, Souza, Marco Antonio, Léo Gago
    e os dois Laterais.
    O problema é que Oscar e D´Alesandro não marcavam as descidas de Souza
    Léo Gago ou dos Laterais então Bollati ou Sandro Silva estavam sempre fora de posição
    ao dar combate nas laterias a entrada da grande área ficou sempre desguarnecida e Grêmio
    perdeu muita chance de Gol principalmente no primeiro tempo.

  • Spencer Saint Clair diz: 23 de fevereiro de 2012

    Grande, bela, fértil, gostosa mulher esta Catarina - q de tão boa e sapeca - apesar de II, foi primeira e única! Assim é q eu gosto!!!! Destas mulheres raras, fazem sexo com prazer, sem culpas, acarinhando os amantes como se fossem especiais, dando, dando, dando. E, nos intervalos, ainda governam um país, uma casa, um cargo, uma empresa! Qto aos homens, coitados, qdo muito contam estas histórias, sonhando com prazeres, babando no travesseiro e dando trabalho às mãos, por falta de companhia. Ou, ainda pior, dividindo a cama com gélidas criaturas sem surpresas ou com matronas cheirando a leite azedo misturado com talco de bebês. Disto tudo fica um ensinamento, do qual Pedro Bexiguento é exemplo : quem nasce para ser coadjuvante jamais chegará a ser grande!

  • Cesar diz: 23 de fevereiro de 2012

    Muito BOM mesmo.... valeu. Obrigado !

  • Tiago S. Medeiros diz: 23 de fevereiro de 2012

    E o grenal?????

  • PauloDtarso diz: 23 de fevereiro de 2012

    Ainda não entendi o porque as pessoas dizem fazer amor e não somente sexo. Talvez porque não consigam entender que sexo é uma coisa e amor outra. Amar alguém é desejar fazê-la feliz. É preciso desejar amar, investir nesse sentimento. É preciso renunciar de si mesmo em amor ao outro. E sexo? sexo é apenas sexo. E não confundam ,o sexo que praticado onde há amor não tem haver com sensualidade(ver) e sim com toque, olhar, carinho,etc. A sensualidade é pecado para o que vê e para o que pratica.

  • Deusa do Amor diz: 23 de fevereiro de 2012

    Caro PauloDtarso...
    Apenas os homens fazem sexo. Mulheres como eu fazem amor. Não se entregam sem estar envolvidas, desejam loucamente que seu homem chegue, que a toque, que a possua, que a cheire, que a lamba...Entregam-se ao ato de amor, que sempre dura horas e horas, senão dias. Se preparam, mantendo-se em forma,vestindo-se sensualmente, depilando-se, perfumando-se, para que a entrega seja completa, plena, de corpo e alma, para que seu homem reste extasiado, completo...DE AMOR, até que ambos restem plenamente satisfeitos. E DEPOIS... levantam cedo, levam os filhos no colégio, fazem mercado, cozinham, trabalham, fecham negócios, estudam e são felizes... ACHA QUE UMA MULHER DESSAS SE CONTENTARIA EM FAZER SEXO? POR ISSO SEMPRE FAREMOS AMOR!!!

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