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Túnel do tempo: Seios novos e calças justas

24 de fevereiro de 2012 6

A Ciência levou decênios a fim de desenvolver toda uma tecnologia de fabricação de jeans femininos para, no século 21, atingir a perfeição. Calças cada vez mais justas, porém maleáveis, amoldam-se ao corpo da mulher e até lhe emprestam formas ideais. O tecido envolve as coxas e enrijece os músculos das nádegas e deixa tudo empinadinho onde tem de ser empinadinho, ai.

Bem, as mulheres estão usando essas calças na Orla. Não quaisquer mulheres – os jeans custam mil e tantos reais, pode-se alimentar duas famílias com o preço de uma dessas calças. Mas funciona. Eu mesmo usei os jeans e num único dia recebi três convites para posar nu – recusei, talvez espere aumentar o cachê.

Mas o importante é que as mulheres estão ondulando dentro dessas calças às franjas do Atlântico, desde a elegante ponta de Punta, de onde se pode ver o sol nascer e fenecer no mar em um mesmo dia, aos decaídos rochedos de Torres, profanado por bárbaros com churrasqueiras portáteis e vulgares tiras de costela borrachuda.

Claro que as mulheres continuam vestindo aqueles biquínis minúsculos, aqueles provocantes biquínis de lacinho. Com uma novidade na parte de cima: os reduzidos triângulos de tecido da parte de cima mal lhes comportam os seios. Porque há muitos seios flamantes no litoral – no ano passado, as gaúchas definitivamente aderiram ao silicone. Conheço várias mulheres que implantaram silicone e agora passeiam pelo mundo de confiança nova, os ombros jogados para trás, um meio sorriso permanente a lhes luzir no rosto. Vou fornecer uma ilustração concreta.

A Leozinha.

Leozinha é uma bela colega nossa da Redação. Nem precisava, mas certo dia resolveu colocar silicone, e o fez à socapa, aproveitando-se de um pequeno recesso de férias. Antes de voltar ao
trabalho, ela foi no aniversário de outro colega, o Ricardinho Stefanelli. Chegou ao bar daquele jeito que chegam as mulheres de peitos novos, orgulhosa, queixo erguido, barriga encolhida, sentindo-se mais fêmea. Todos notamos, era o comentário da noite. Só um não sabia: o aniversariante.

A folhas tantas, a Leozinha, que estava de cabelo preso, foi ao banheiro e voltou com o cabelo solto. O Ricardinho, que, como todo homem, odeia cabelo preso, elogiou:

– Ficou bem melhor assim.

A Leozinha sorriu:

– Achaste?

– Achei. Bem melhor.

– Que bom. Pensei muito até fazer isso.

O Ricardinho se surpreendeu um pouco. Mas logo concluiu que ela devia preferir o cabelo preso porque estava muito quente no local.

– Foi uma sábia decisão – continuou ele.

– Mas foi difícil, pode crer.

O Ricardinho arregalou os olhos: realmente, isso de cabelo é algo importante para as mulheres, mas ele não imaginava quanto.

– Que coisa – comentou, já sem saber o que dizer.

– É – prosseguiu ela. – Mas eu tinha que fazer uma operaçãozinha no dedo. Aí aproveitei e fiz tudo junto.

O Ricardinho abriu a boca, estupefato. Havia algo de estranho naquele diálogo. Só depois de uns 10 minutos de conversa esquizofrênica é que eles se entenderam. Por que o Ricardinho esquecera que 2005 foi o ano do silicone, sim, senhor.

Então, o mínimo que se encontra na Orla são nossas bem cuidadas e criteriosas gaúchas, algumas delas até estreando seios, o que não é pouco.

Mas supondo que você não possa ir à Orla, por algum motivo. O que fazer na canícula de Porto Alegre, 40ºC sob uma placa de ozônio toda danificada? Você não tem piscina em casa e não é sócio de nenhum clube náutico. A alternativa são os shoppings refrigerados. Cinema à tarde. Fui ver King Kong, dia desses. Gostei. O macaco teve muito bom gosto em escolher a Naomi Watts como namorada, ela e aquela sua boquinha eternamente entreaberta, os olhos duas bolitas azul acinzentadas, lindalinda.

Enfim, tudo para fugir da temperatura escaldante do verão meridional. Mas há quem não possa. Os operários da construção civil, suando sobre vigas pingentes; os funcionários do DMLU, correndo atrás dos caminhões de lixo; os operadores das britadeiras, abrindo crateras na José Otão. E os jogadores de Grêmio e Veranópolis, que, às 15h30min, estarão inaugurando o Campeonato Gaúcho de 2006 sob o sol vermelho do janeiro dos Pampas. Ah, nem tudo são flores na vida de jogador de futebol.

* Texto publicado em 11/01/2006.

Comentários (6)

  • Jesus diz: 24 de fevereiro de 2012

    Olá, Pessoal!
    Fica aqui a minha insatisfação...
    Sou gremista e a cada dia que acompanho o Sala de Redação, me vem o papudo do Cacalo para falar abobrinhas e assumir 80% da conversa. Escuto o Sala, desde a época do Ranzolin... bons tempos, mais a frente o Ibsen Pinheiro que entrou com o Cacalo e infelizmente saiu. Uma pena, e olha que sou Gremista.

    Na prática trocamos o Egocêntrico Santana pelo Cacalo, o Grêmio está muito mal representado e passamos por uma fase de desinteligência nesse Programa, ao se esvaziar em temas corriqueiros, politiqueiros e sem profundidade intelectual como outrora. O Cacalo ao falar compulsivamente, deixou o Sala a cara dele... e ficou muito ruim, pois medalhões de primeira linha como Guerrinha e Wianey que são de poucas palavras, acabam tendo pouca oportunidade de aparecer mais e elevar o nível do Programa. Resumo: o Sala já foi muito bom...

  • bode na sala diz: 24 de fevereiro de 2012

    -será q as \"crianças\"q mamam estes seios com silicones ñ sentem gosto de leite talhado?eu heimmm..rinch rinh...

  • João Baatista Da Silva diz: 24 de fevereiro de 2012

    algumas cantadas de pedeiro:

    -gata me chama de imposto e renda e se delara pra mim...LINDONA

    -gata.me chama de gaveta e me dessrrume... LINDA

    -gata.voce é tão linda q quando voce nasceu sua mãe ñ te deu a luz
    deu a campanhia de energia elétrica toda. LINDISSSIMA.

    -gata.me chama de relógio e vem tirar o meu atrazo. LINDONA.

    pois bem..fora aqueles assobios tradicionais do pessoal lá de cima da lage.
    -aqueles bah.. como é gostosa...queria ser teu espelho só pra te admirar.

    não tão nem ai pro calor..pegam a mangueira jogam agúa na cabeça pra se refrescar do calor escaldante..
    e a vida passa como as suas inofencivas cantadas tradicionáis.
    se proibir as cantadas do pedreiro a óbra simplesmente perde a graça.
    é opera de malando meu caro David.é uma coisa que aprenderam desde do começo quando eram servente de óbra...olhando pro lado da rua admirado com tudo e com todas e pensando em vóz alta.

    PS- é o que eu penso é o q eu acho sobre os dignos pedreiros.
    desde o meu tempo de guri,sentado embaicho de um prédio em costrução.
    assistia eles fasseirões tipo jõao de barro ao construir o ninho para sua amada.e a cada sentada de tijolo eles davão uma risada,e a óbra crescia.
    não da pra tirar o encanto e a malicia destes construtores do universo..

    Grato- bode na sala.

  • RODRIGO diz: 24 de fevereiro de 2012

    Ei, David, não vi tu postares nada sobre o massacre gremista no GREnal, o que houve? Faltou tempo? E quanto ao \'time maduro\' do Inter, foi a crise da meia-idade? Brincadeiras à parte, teus textos são sensacionais. Adoro ler. Abraço deste gremista.

  • João Batista Da Silva diz: 24 de fevereiro de 2012

    algumas cantadas de pedreiro

    -gata.me chama de pedreiro e se declara para mim...LINDA

    -gata.me chame de gaveta e me dessarrume todo..LINDONA

    -gata voce é tão linda que quando voce nasceu tua mãe não te deu a lúz

    deu a campanhia de energia elétrica toda...LINDISSIMA

    -pois bem..fora aqueles assobios tradicionais do peesoal emcima da lage.

    - não tão nem ai pro calor pegam a mangueira jogam a agúa na cbeça pra se refrescar do calor escaldante do verão.

    -se proibir as cantadas dos pedreiros a óbra simplesmente perde a graça.

    não tem silicone o assunto dos pedreiros...mas o que vale é a intenção.

    um abração pra ti David.e um belo final de semana.

  • jotabesilva. diz: 26 de fevereiro de 2012

    andarilho tambem é gente:

    ha muitos anos atráz eu era jovem como vocês um dia tambem foram.
    -eu estava em um bar familiar aonde serviam ovos cozidos em conserva. linguisima aessada pastel de carne e cochinhas de galinha fritas.
    -era no mez de julho de 1982 era muito frio e chovia torrençialmente.
    -foi quando eu olhei para um canto do bar...lá estava um homem de barba por fazer magro baicho todo molhado e encaragado de frio.
    -perguntei pra ele.amigo,oha aqui pra mim... e me digas estais com frio?
    -ele só mecheu a cabeça em sinal de positivo.
    -perguntei-lhe novamente estais com fome?
    -respondeu do mesmo jeitinho positivamente.
    -atravessei a estrada fui na casa de um amigo que morava de favor na casa de um velho senhor que morava sozinho.pois a mãe deste meu amigo morava em novo hamburgo.
    -bem longe da gente.
    -pois bem demos pasteis e guaraná pra ele pra saciar a sua fome.
    -primeiro secamos ele com uma toalha de banho do meu amigo.
    -eu troxe uma cueca e uma calça jeans enque eu usava no batente.
    -colocamos nele uma camiseta seca.
    -meu amigo trouxe uma cinta e um par de meias e uma jaqueta forrada pra ele se esquentar do frio.
    e fomos até a beira do balcão acertar a despesa.
    -procuramos não ficar olhando a dor do proximo...não levou 05 minutos olhamos para tráz ele não estava mais.
    -se sumiu como uma lúz.
    -ficamos apovorados corremos na chuva atráz dele e nada.
    -ninguem consegiu mais ver-lo desde aquele momento.
    -mas,não esqueço dele com aquela barbinha rala por fazer.
    -sorrindo pra mim de felicidade.
    minha vida mudou para melhor desde aquele dia.
    -eu que sou filho unico de pais separados tive esta singular compaixão.
    acho que foi naquele momento enque eu e o meu amigo conhecemos Jesus Cristo.
    moral da história;
    meu amigo até este dia fazia bico vendendendo brindes e calendario no comercio em criciúma.
    -e na rodoviária era locutor no horario do almoço e no final de tarde.... trocava por um abrigo pelo um prato de comida a locução na rodoviária..
    -ele foi recompeçado por ajudar o andarilho dauqele dia frio de chuva.
    -hoje ele é um empresário bem sucedido.
    -e sabe quem apareceu na hora que eu mais precisava na minha doença?
    -foi este meu amigo.
    -ele me aompanhava na ambulãncia ia atraz de doadores de sangue para pagar o hemosc a cota que eu tinha usado nas transfusões de sangue..
    -quando a gente se encontra ele sempre se lembra do andarilho que nós estemos a mão e desapareceu sorindo no meio daquela noite de serração fria e chuvósa.

    uma lição de vida.

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