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Posts de março 2012

Tamanho não é documento

31 de março de 2012 19

Olhem o que essa menina de 12 anos já é capaz de fazer.

Túnel do Tempo: O mistério do Boca de Ouro

31 de março de 2012 3

Tinha uma voluntária, lá na Vila do Pan, que eu tinha medo daquela voluntária.
Parecia o Wianey Carlet.
Só que de bigode.
Não gosto muito de mulher de bigode.
Sei que não devia dizer isso – não é politicamente correto.
As associações de mulheres bigodudas devem estar se reunindo nesse momento para me xingar e mandar imeils furiosos para a Redação.
Não duvido que me processem.
Não duvido que ganhem o processo.
Porque as pessoas têm preconceito contra quem tem preconceito, o que é um hediondo preconceito.
Já eu gosto de cevar meus preconceitos.
Sem discriminação, claro.
Apenas o saudável preconceito, que constrói civilizações e aprimora a qualidade do ser humano.
Abaixo a igualdade mediocrizante.
Abaixo a democracia sem restrições.
Abaixo as mulheres de bigode! Aquela tinha bigode, e eu tinha medo dela.
Qualquer homem sensato teria.
Não um cubano.
Os cubanos paravam em frente àquela mulher de bigode e ficavam olhando fixamente para ela e olhavam com malícia, com um sorrisinho de canto de lábio, a salivar, como se dissessem: – Estoy aqui, querendo te.
Não um ou dois cubanos: todos os cubanos.
Ou quase.
Pensei: vai ver, lá em Cuba eles gostam de mulher de bigode.
Depois constatei que não.
Constatei que os cubanos olhavam para qualquer mulher, de qualquer tamanho ou formatação, com ou sem bigode.
Tarados, esses cubanos.
O que não é contra eles; é a favor.
As pessoas que gostam de sexo, de comer, de beber, de rir com os amigos, essas pessoas são pessoas vivas.
É para elas que as coisas acontecem no mundo.
Percebia-se, na Vila do Pan, a sede de viver que alenta os cubanos.
Eles estavam aproveitando a estada no Rio.
Estavam usufruindo.
Olhavam tudo, especulavam sobre tudo, queriam comprar tudo.
Não tinham dinheiro? Sem problemas.
Começaram a vender peças do uniforme.
Uma jaqueta, duzentos reais.
Um boné, trintinha.
Não que algum deles entrasse numa competição com o uniforme desfalcado.
A empresa fornecedora, decerto sabedora de que os cubanos têm o vezo de empregar esse artifício, cobriu-os de material esportivo.
Eles tinham de sobra para usar e vender.
Com o dinheiro das vendas, saíam pelo Rio a gastar.
Os mais esbanjadores iam ao Barra Shopping, perto da Vila, e compravam jeans e camisetas pólo.
Os mais comedidos iam ao camelódromo da Rua Uruguaiana, no Centro, e saíam de lá carregados de mercadoria egressa do Paraguai, de preço baixo e autenticidade duvidosa.
O Mauro Vieira fotografou um cubano com três pneus de moto no ombro.
Não haverá pneu de moto para vender em Cuba? Essa situação curiosa transformou os cubanos nas estrelas do Pan.
Além do fato de haver estrelas reais entre eles.
Lá estava Regla Torres, a melhor jogadora de vôlei de todos os tempos.
Uma mulher impressionante.
Regla Torres nunca ri.
Uma negra de pele retinta, com metro e noventa de altura, forte como um centromédio de ofício, com o braço poderoso o suficiente para fazer a bola voar a 97 quilômetros por hora com um único tapa, e bonita como uma escultura de Michelângelo.
Assim era Regla Torres, circulando pelos ginásios do Rio de Janeiro.
Ao lado dela, sempre ao lado dela, outro mito – Teófilo Stevenson, o maior pugilista amador da história.
Mas Stevenson não apresentava a mesma vitalidade, a mesma imponência física e espiritual de Regla Torres.
Trata-se de um homem alto e ainda aparentemente forte, apesar dos cabelos azulados.
Porém, seu passo é vacilante e seu olhar distraído, vagando no vazio.
Uma vida distribuindo e levando porradas um dia acaba por cobrar sua conta.
Vida de boxeador, o mais marginal dos desportistas.
Mas, dos atletas em atividade, o grande ídolo era esse Rigondeaux, o Boca de Ouro.
Rigondeaux foi abduzido por empresários alemães.
Fugiu da Vila, não lutou uma única vez e não ganhou a medalha de ouro mais certa das esperadas por Cuba.
Os alemães o instalaram numa pousada do Interior e arranjaram-lhe uma namorada carioca que lhe foi fiel por R$ 200 ao dia.
Rigondeaux estava feliz, até ser preso pela Polícia Federal.
Detido, pediu para voltar.
Voltou.
Desde então, o Brasil debate os mistérios da história de Rigondeaux.
Há quem o compare com Olga Benário, entregue aos nazistas pelo governo brasileiro nos anos 30.
Mas houve outros cubanos fujões nesse Pan, e eles continuam por aqui sem ser incomodados.
Assim, bastaria Rigondeaux pedir asilo para ficar no país.
Ele não pediu.
Por quê? Conversei com alguns cubanos na Vila.
Uns 10.
Quase todos citaram Rigondeaux, de uma forma ou de outra.
Não era um qualquer em Cuba, portanto.
Devia ter amigos e ser admirado.
Na sexta, vi uma foto de Rigondeaux em casa, refestelado num bom sofá entre a mulher e o filho, olhando para um aparelho de TV de umas 42 polegadas sobre um móvel onde havia sistema de som e CDs.
Não era a imagem de um cubano excluído do mercado de consumo.
Foi para essa pequena estrutura, para essa realidade singela, porém sólida, que Rigondeaux decidiu retornar.
Porque a razão de ele ter abandonado a delegação foi algo menos palpável do que os euros dos alemães e a promessa de fortuna na Europa.
Rigondeaux saiu da Vila pela sede de viver.
Ao fugir, ele estava enfim livre e com dinheiro para gastar e com mulheres sorridentes ao seu lado e num lugar mágico como o Rio.
Fugiu embalado pelo sentimento vago de experimentar a aventura da existência.
Depois de detido, esborrachou-se na realidade e decidiu retornar à segurança do lar.
Tudo muito adolescente e casual.
Muito cubano, que é assim que me parecem ser os cubanos.
Torço para que Rigondeaux torne a subir num ringue e torne a encantar os cubanos com seu punho de aço e seus dentes de ouro.
Ele merece.
Ele só quer viver.

*Texto publicado na Zero Hora em 12/07/2007

O que não ler

30 de março de 2012 16

D elfim Netto tinha uma biblioteca com 250 mil livros.
Doou- os, todos, à USP.
Era o maior acervo particular do Brasil, quase só obras de economia, história, filosofia e geografia.
Pouca coisa de literatura.
Óbvio, ninguém lê 250 mil livros.
Se você ler um livro por dia, serão 365 por ano, 36.500 em cem anos.
Delfim Netto está com 82 anos.
Digamos que tenha se alfabetizado aos cinco.
Não leria 250 mil livros nem se encarasse três por dia, um pela manhã, um à tarde, um à noite.
Certos livros não precisam ser lidos por inteiro, é claro, sobretudo se não são de literatura.
Alguns são de consulta, uns valem só por causa de uma fatia do conteúdo, outros devem ser apenas percorridos, não lidos completamente.
Mesmo assim, é possível que Delfim Netto tenha lido 10% da sua biblioteca.
Ou seja: 25 mil livros.
Um portento.
Minha pequena biblioteca tem cerca de 2% dos livros do Delfim Netto, que inveja dele.
Quantos desses li? Mil? Dois mil? Não faço ideia, mas sei que, felizmente, minha capacidade de ler é bem inferior à quantidade de livros que me interessam.
Por isso, não posso perder tempo.
É preciso estabelecer critérios.
Os autores jovens, por exemplo.
Só leio um autor jovem quando ele fica velho.
Seria pouco inteligente perder tempo com um autor desconhecido, havendo tantos que são consagrados, mas que ainda não li.
Agora, se avanço até, digamos, a centésima página de um livro e concluo que não gostei, fecho- o com estrépito e o ponho de lado para a eternidade.
Antes não conseguia fazer isso, tinha de seguir aos bocejos até o ponto final.
Hoje, não mais.
O tempo urge.
Tempo, tempo, como vou gastar tempo estirando- me nas redes sociais, se ainda não li todos os 10 volumes da lavra de Churchill sobre a II Guerra, que estão a me desafiar em encadernação de couro tingido de vermelho, uma lindeza? Não posso trocar 50 páginas de Churchill por uma hora de Facebook, francamente.
Certos programas de TV também não valem um parágrafo de Ulisses, que tentei ler na adolescência e parei na frase vegetissombras flutuavam silentes na paz matinal.
Aquele paralelepípedo de papel continua esperando pelo dia em que me torne mais inteligente e entenda o que James Joyce queria dizer com tudo aquilo.
Suspeito que esse dia não chegará.
Há muita coisa para ler e, todos os dias, muita coisa é escrita e publicada, e assim mais aumenta a minha defasagem e a minha ignorância.
Esta semana saiu uma pesquisa a respeito disso, do hábito de leitura dos brasileiros.
A cada ano que se vai dezembro abaixo diminui a quantidade de brasileiros que leem livros.
O percentual bateu nos 28%, e esses leem, em média, quatro livros por ano.
Um a cada três meses.
Como será o iletrado brasileiro do futuro? Outro dia, tive um vislumbre dele, desse novo brasileiro.
O todo- poderoso da CBF, o ex- presidente do Corinthians, Andrés Sanchez disse numa entrevista que nunca lê, a não ser um único tipo de livro: sobre o Corinthians.
Disse ter 132 livros sobre o Corinthians em casa.
Eis a diferença: Delfim Netto e seus 250 mil livros de não ficção; Andrés Sanchez e seus 132 livros sobre o Corinthians.
Cada qual com seu acervo, cada qual com seus predicados.
Delfim Netto, um homem do passado; Andrés Sanchez, o brasileiro do futuro.
O Brasil tem tudo para vencer campeonatos de futebol. 

*Texto publicado na Zero Hora desta sexta-feira, 30/03/2012.

Cálcio para o Grêmio

30 de março de 2012 13

Veja a brincadeira do diretor do blog, Marco Souza, sobre o momento que o Grêmio atravessa:

O grande reforço que o Grêmio precisa na temporada é o cálcio. A defesa titular do técnico Vanderlei Luxemburgo foi vitimada por duas fraturas na noite de ontem, após a vitória por 4 a 0 sobre o Avenida. Gilberto Silva teve o nariz quebrado e Werley sofreu uma lesão entre as costelas. O pentacampeão vai ficar afastado um mês dos gramados, e o ex-zagueiro do Atlético-MG será desfalque por 10 dias. Sem considerar que o time já perdeu Kleber por 120 dias após uma fratura na fíbula.

Enquanto os árbitros continuarem permitindo jogadas violentas no Gauchão, é melhor que os Departamentos Médicos reforcem a ingestão do cálcio para não afetar a disputa por títulos em 2012.



Som pra embalar a sexta

30 de março de 2012 0

Sala de Redação

30 de março de 2012 1

Ouça o Sala de Redação desta sexta-feira.

Som de Sexta - II

30 de março de 2012 2

Este clássico do Rei tem uma das imagens poéticas de que mais gosto no nosso cancioneiro. É quando ele lembra, lamentoso, que viu a imagem do antigo amor se perder no espelho retrovisor do seu carrão, enquanto fazia uma das curvas da Estrada de Santos.

Som de Sexta

30 de março de 2012 1

O Rei nos velhos tempos, em que tudo era mais ingênuo. Duvido que você não fique envolvido pelo ritmo deste clássico da Jovem Guarda:

Som das Madrugadas

30 de março de 2012 2

Ainda Bem, de Marisa Monte, é a sugestão da Ana Maria.

Como é boa essa Adele

29 de março de 2012 3

Nada melhor que uma bela canção pra fechar o dia.

Túnel do tempo: Meu dinheiro, Almeida!

29 de março de 2012 1

No Olímpico e no Beira-Rio há serviços de alto-falantes potentíssimos. O locutor fala e sua voz ecoa soberana, reverbera pelo panelão do estádio, nada acima dela, nem foguetes, nem o rugir da torcida, nada. Não sabia que um aparelho de som pudesse ser tão forte. Cada vez que eles entram em ação, me impressiono:

- AÍ VEM O GRÊMIO!!!

No Gre-Nal, o locutor berrou:

- TORCEDOR, PRESTE ATENÇÃO NO PLACAR ELETRÔNICO!!!

Impossível não olhar para o placar eletrônico, era como se a voz do Deus Tonante estivesse dando uma ordem. Fico pensando: e se um desses locutores perde o controle? De repente, sei lá, o cara se emociona no meio do jogo:

- ESSE JUIZ É LADRÃO! LADRÃO! LADRÃO!!! VAMOS LINCHAR ESSE CARA!!!

Também pode ocorrer algum problema pessoal: – ALMEIDA! ESTOU TE VENDO AÍ EMBAIXO, ALMEIDA! TU É UM CALOTEIRO, ALMEIDA! DEVOLVE O MEU DINHEIRO, ALMEIDA!!!

Vou dizer, dão poderes demais a esses caras do serviço de som.

*Texto publicado na Zero Hora em 27/07/2002

Sala de Redação

29 de março de 2012 2

Ouça o Sala de Redação desta quinta-feira.

Grosso no cinema - 3

29 de março de 2012 2

O crítico de cinema do Alegrete gostou de ter suas opiniões compartilhadas aqui e pediu pro Luciano Potter indicar mais esse texto sobre um dos filmes mais elogiados do momento.

O Artista e os peão em volta da fogueira

Crítica cinematográfica de um vivente do Alegrete que sabe que tem hora que o melhor mesmo, de verdade, é calar a boquinha

O Artista (Foto: Divulgação)

No galpão da estância uma cena é comum: três peão em volta de uma fogueira, tudo sentado, sem 10 mega de internet, sem a Laisa do BBB se refestelando toda – parece uma lagartixa com câimbra! – e o silêncio. Porque quando se há a amizade, tranquila, serena, sem essas papagaisse e frescurice de quem joga bolita no carpete, não se precisa abrir a boca.

Primeiro pra não entrar mosquito. Quanto mais bobagem tu diz mais aumenta o perigo de um pernilongo se debandar pra tua garganta. Portanto fecha a matraca, bocaberta! Depois, são dois ouvidos. O dobro do número de boca. Então se chega a conclusão clara, como fronha de avó, que se deve primeiro e segundo e terceiro se escutar. Esse bicho ser humano se acostumou mal querendo fazer som apalavrado. E como fala… Principalmente as fêmea… credo.

O Artista (Foto: Divulgação)

Bueno, mas eis que me apresentei bem vestido no cinema aqui do Alegrete pra ver esse ganhador do Oscar, O Artista. Um cusco, uma doroteia e o galã. Porque me criei vendo galã com cara de homem não como esses guri cagado quem vem aparecendo recentemente pintado de branco e se negando a morder pescoço! Galã como esse francês – que na verdade são tudo meio afrescalhado fazendo aqueles biquinho pra falar –, Jean Dujardin. Claro que o bigode faz toda diferença. Macho tem que usar o fio que dá dignidade. Se todo homem usasse bigode não teríamos contratos e advogados carniceiros.

Mas voltando pra não se perder muito, O Artista não faz uma homenagem pro cinema mudo, pro preto & branco e pros irmão Lumiere. O Artista faz homenagem ao calar-se. Tem muita gente abrindo a boca e não falando bosta nenhuma. Tem muito nêgo achando que tem que falar e se achando. O Artista, vou te dar a real – como se diz lá na Capital – é uma homenagem a nós, os peão de estância. Pois aqui, em volta do fogo, o mundo é resolvido com silêncio. Poco hablamos porque nós, uns pobre coitado, não vão fazer diferença alguma mesmo…

*ESTE É UM TEXTO DE FICÇÃO




Túnel do tempo: O xampu disciplinante

28 de março de 2012 2

O rótulo anunciava: “xampu disciplinante”. Fiquei encantado. Um xampu que disciplina os cabelos! Um Felipão do mundo capilar. Imaginei os meus cabelos finalmente enquadrados em alguma ordem: os fios da direita, na direita; os fios da esquerda, na esquerda. Nenhum espetado. Nenhum fora do lugar. Não seria disso que eu estava precisando, um xampu que colocasse as coisas em ordem na minha cabeça? Sim, sim, claro que sim.

Comprei o vidro. Por segurança, levei também um “condicionador disciplinante”, que me pareceu poderoso. Esperei cheio de expectativa pelo próximo banho. Enfim, chegou o momento. Antes de entrar debaixo do chuveiro, tomei o cuidado de ler com atenção o rótulo do xampu disciplinante. Havia uma série de etapas a cumprir: enxagües completos, massagens de um minuto de duração, sofisticado processo de secagem.

Fiz tudo direitinho. Ao sair do banho, analisei bem a imagem dos meus cabelos no espelho. Algumas mechas antes francamente revoltosas me pareciam mais sossegadas. Hmmm, aquele cacho ali tinha se deitado, submisso como um estafeta no primeiro dia, e não fazia menção de levantar. Ou seria apenas o efeito temporário da água? Teria de esperar que secasse para tirar uma conclusão definitiva.

Porque muito já me desiludi com as promessas dos xampus. Elas são sempre radiosas, sempre mágicas. É um prazer lê-las e sonhar com elas. “Define cachos de cabelos crespos”. “Alisa cabelos ondulados”. “Dá mais cor e realça o brilho dos cabelos tingidos, além de recuperar os fios danificados pela tintura”. “Camomila: clareia os cabelos loiros”. “Protege de fatores externos, como o vento e a areia”. Milagres. Os xampus fazem milagres.

As descrições das propriedades dos xampus se assemelham às descrições das características dos jogadores em vias de serem contratados.

O zagueiro:
– Sou bom na bola aérea, mas também jogo por baixo, gosto de sair com a bola dominada e às vezes faço gols.

O atacante:
– Gosto de atuar pelos flancos, mas também jogo dentro da área, além de voltar para o meio para buscar a bola.

Eles fazem tudo! São eficientes como xampus. Claro, depois, em campo, acontece de um ou outro não ser exatamente como o anunciado. É o que vejo aí, na dupla Gre-Nal. É o que temo que se repita. Quanta desilusão. Quantos anseios frustrados. Tudo bem. Vez em quando, até os xampus mais ricamente formulados falham. Que não será, espero, o caso do meu novíssimo xampu disciplinante. Acho que não. Tenho conferido no espelho e, bem, meus cabelos parecem muito mais obedientes. Sim, senhor, estou muito feliz com o meu xampu disciplinante. Por enquanto.

*Texto publicado na Zero Hora em 27/07/2002

Grosso no cinema - 2

28 de março de 2012 2

Quem gosta da sétima arte vai se divertir com as análises desse personagem do Alegrete que frequenta os cinemas de Porto Alegre para fazer críticas abalizadas. O personagem foi ‘descoberto’ pelo meu amigão Luciano Potter.

Grosso no cinema: Drive é tipo um ás de basto

Ryan Gosling em Drive (Foto: Reprodução)

Um loco pilota carro pra mais de metro. E se envolve com os ladrão. Mas não rouba nada, só se atraca na direção. Não se envolve, não leva facão de três listra. Só dirige. Aí os bandido se apegam com as coisa alheia e se atiram pra dentro do carro que sai em desabalada carreira.

To te resumindo, vivente, o que é esse cuiudo filme, Drive. Ta na tela grande já e se tu ainda não levou uma percanta no cinema pra dividir esse momento, pegar na mão dela no escurinho e depois lamber as beiça dela tu é um bostalhão. Dos grande.

Porque galo véio mesmo, desses criados metendo termômetro dentro de vaca, pra fora, gosta de filme de macho. Um monte de tiro, mas não desses tiro cheio de explosãozinha de mentira e com bala que não se precisa gastar – porque tu sabe que bala não se gasta assim, a esmo. E macho gosta de filme com tiro.

Tem também perseguição de carro. Daquelas do mundo real. Saltar numa ponte que quebrou dentro de um navio e sobreviver qualquer loco de Manoel Vianna sabe que não tem como. Vão mentir pra vó deles! E as perseguição desse filme são das boa. Porque fazem parte do âmago, da alma, do cerne da questão que o projeto cinematográfico se propõe (tão achando que não sei escrever bonito, cumpadres?).

Aliás, pra variar, essa baita história saiu de um baita livro. Daqueles de ler na sombra, numa sentada: Drive, do James Sallis, parido lá pelas bandas do Arkansas, na América do Norte. Mas voltando à história, Drive tem soco. Muito soco. E tem sangue. Muito sangue. Ou seja: fechemo a trinca dos “filmes pra galos”: perseguição, tiro e soco. Mas aí tu me pergunta: ta, mas Duro de Matar também tem. Mas, rapazinho…?! Duro de Matar não tem poesia. Não tem uma briga daquelas que definem quem vai pro saco filmada com apenas as sombra dos peleador. Não tem aquelas cena em câmera lenta com tensão pra deixar nêgo todo espiado. Ou seja: Drive é um filme que o Rodrigo, filho do Nestor, da venda, que voltou a pouco da Europa, falaria o seguinte: must to see. E o afrescalhado tem toda razão apesar de não ter a mínima ideia do que é um ás de basto.

Ryan Gosling (Foto: Reprodução)

*ESTE É UM TEXTO DE FICÇÃO.