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Cervejas artesanais e banha de porco

01 de abril de 2012 8

C ervejas artesanais são a nova tendência.
Cervejas caseiras, feitas com o carinho da mãe ao pé do fogão, algumas mais frutadas, outras de insinuância agridoce, como de insinuância agridoce são certas mulheres, a maioria densa, cremosa feito um sorvete belga, deliciosas, originais, quase exclusivas.
O meu amigo Marcelo Rech disse que existem 10 mil marcas de cervejas artesanais nos Estados Unidos.
No Grande Irmão do Norte, você pode tomar três cervejas artesanais diferentes por dia, durante dez anos, sem repetir marca.
Mas o que é que nós estamos fazendo, que não estamos nos Estados Unidos, avaliando com critério essas cervejas, me diga? O fato é que cervejas artesanais me interessam, sim senhor.
Tudo o que se refere a comida & bebida me interessa.
A banha de porco, por exemplo.
Temos que fazer algo para recuperar o prestígio da banha de porco.
Nenhum feijão é tão saboroso quanto o que é preparado com banha de porco.
Ovo frito na banha de porco, as bordas da clara sequinhas e da cor do caramelo, o centro da clara duro e macio, a gema mole a se derramar sobre o monte de arroz, ovo frito desse quilate é de comer com lágrimas nos olhos, em sua genial simplicidade.
Quando eu era guri e minha mãe passava por dificuldades financeiras, a manteiga virou proibitiva devido ao preço.
Então, eu comia pão com banha e sal.
E era ótimo! Banha de porco.
Precisamos tirar a banha de porco do ostracismo, eu e você.
Sei que não será fácil nesse tempo em que as pessoas se recusam, entre outros absurdos, a comer torresmo.
Para o meu avô, torresmo era uma iguaria.
Comia- o com cerveja preta, como tiragosto, e sorria ao comer.
Mas alguém disse que torresmo faz mal por algum motivo, então as pessoas baniram o torresmo para sempre, como Adão e Eva foram banidos do Éden.
E, no lugar do torresmo, o que elas colocaram? Você não vai acreditar.
No lugar do torresmo, elas colocaram TOMATE SECO.
Cristo, mas como é que um ser humano se compraz em comer tomate seco? E, repare, fala aqui um admirador incondicional do tomate, o “ pomodoro” dos italianos.
Mas aprecio o tomate em fatias, como complemento de saladas, ou transformado em molho, para temperar o espaguete.
Digo mais: considero o molho branco uma fraude.
Molho, para mim, tem de ser vermelho, o tomate como base.
Certo.
Mas não posso admitir que alguém considere tomate seco comida digna de ser citada em em placas de restaurantes como um dos trunfos do cardápio.
“ Prove nossa salada de tomate seco”.
Por favor! Mantenha- me longe desse lugar.
Felizmente, o tomate seco saiu de moda.
Hoje, o tomate seco é como o Orkut, que caminha par ao olvido.
O salmão também está perdendo espaço gradualmente, o que até acho injusto.
O salmão fez por merecer tudo que conquistou a partir dos anos 90, e ainda hoje podemos ser felizes com uma salada de salmão como a que o Z Café dos meus amigos Carlo e Sandro serve, ali no Moinhos de Vento.
O importante é que saibamos diferenciar o essencial do passageiro.
Há o que seja re- al- men- te importante, e há o perfunctório.
O que é re- al- men- te importante na atuação de um juiz de futebol? É a disciplina.
É conduzir o jogo de forma segura.
Quando as partidas terminam com jogadores com ossos quebrados, como estamos vendo atualmente, há algo errado com a arbitragem.
Algo visceral, definitivo, conclusivo, algo que interessa de fato, como comida e bebida.
Nada é mais importante do que comida e bebida.
E segurança.
Com comida, bebida e segurança podemos ser felizes.
Sobretudo se a felicidade tiver o tempero da banha de porco.

*Texto publicado na Zero Hora de sábado, 31/03/2012.

Comentários (8)

  • ieda luiza diz: 1 de abril de 2012

    vivi a mesma situação, quando pequena não tinhamos outra altenartiva senão comer pão com banha de porco, graça a Deus. detalhe ninguem tinha problemas cardiacos ou colesterol.

  • Tatiana diz: 1 de abril de 2012

    Bela crônica David! Gostei tanto desta tua “Ode a banha de porco” que vou emoldurar e colocar num cantinho bem iluminado da minha cozinha. Minha avó viveu até os 96 anos e cozinhava somente com banha de porco.

  • Ismael diz: 1 de abril de 2012

    Cervejas artesanais realmente estão na moda.

    Mas logo isso vai descambar para o lado da chatice. Todo mundo deve conhecer ao menos um sujeito que enche o saco dizendo que ninguém sabe de cerveja, ele sim que provou a cerveja prometida que só ele sabe, em algum canto obscuro de um bar.

    Os enochatos perderam lugar, agora é a vez dos Bierochatos ou algum outro termo que cunhem.

  • Machiavellirs diz: 1 de abril de 2012

    TOMATES SECOS

    Também comi fatia de pão lambuzada com banha de porco. Só que isso não aconteceu por dificuldades financeiras, não! Comia por opção mesmo, porque gostava mesmo. Mas foi uma época que passou. Hoje, em razão dos LDLs da vida, considero a banha de porco uma espécie de tabaco, até prova em contrário.

    Hoje, evito comer qualquer tipo de gordura. Aliás, nem mulheres gordurosas eu como, se é que me entendem? Prefiro as magras, aquelas sem nenhuma gordurinha em cima das ancas ou saltando pelas amarras do soutien…

    Mas não era bem isso o que eu queria dizer.

    Eu queria dizer é que o David está cometendo uma injustiça contra os tomates secos. Dependendo de como eles são feitos e por quem eles são acompanhados, o tomate seco é uma iguaria que você pode comer de joelhos, ou seja, do mesmo jeito que você fica ajoelhado diante de uma mulher de pernas longas, com penugens estrategicamente localizadas, de forma a fazerem cócegas no seu nariz… ou do mesmo jeito que você fica ajoelhado pedindo, rezando, fazendo promessa, implorando para que o Kleber se recupere rapidamente, muito rapidamente.

    Pois na zona sul do Portinho tem um restaurante que faz carne de frango recheada com tomates secos, acompanhada de massa ao pesto. Pois eu digo pra vocês a gente come aquilo de joelhos!

    Só não vou dizer o nome do restaurante porque não quero encontrar nenhum de vocês por lá, especialmente porque, hoje em dia, detesto falar ou ouvir ao meu lado alguém falando sobre futebol, que é o único assunto que interessa vocês e que, por certo, falariam sem nenhuma parcimônia no tal restaurante.

  • Matheus diz: 2 de abril de 2012

    David, genial a cronica. Poupa-nos dos teus comentarios sobre futebol e brinda-nos com genialidades como a desta cronica. Comecei a ser teu fa quando lia tuas cronicas na zero hora. Cronicas como essa. Mas quando leio tuas cronicas sobre futebol comentando a dupla gre-nal penso com meus botoes: como pode uma pessoa escrever com tamanha genialidade estas cronicas e ser uma nulidade ao comentar o futebol? Nao existem melhores cronicas que as tuas, parabens por mais esta.

  • ThomasRS diz: 3 de abril de 2012

    Vai dizer que não é verdade, pior que o enochato e o beerchato é o chato ortodoxo, aquele que reclama de tudo e de todos, o tempo inteiro, o famoso azedo…

  • MARCIO PVH-RO diz: 18 de maio de 2012

    Gostaria de receber sites que tenha pesquisa cientifica sobre os beneficos da banha de porco, carne e demais do porco, isto e uma maneira de elevar o consumo e volta nos restaurante e barzinhos os apertivo de porco.

  • Carlos Petersen diz: 29 de maio de 2012

    David, achei muito bacana esse artigo, gostaria de pedir sua permissão para publicá-lo em meu blog, já que sou adepto de fazer minha própria cerveja e não dispenso uma boa banha de porco na culinária. Abraço!

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