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Túnel do Tempo: O homem que nunca sobe na balança

31 de maio de 2012 4

Estamos indo embora.
Já aviso que vou chegar chiando e falando caracash, que não tem nada a ver com a capital da Venezuela, Hugo Chávez e talicoisa.
Trata-se apenas de uma intervenção de espanto para quem fala carioquês.
Vocês aí falam à la pucha, à la fresca e à la minuta; nós, caracash.
Levarei saudade das iscas de lombinho de porco que comi por aqui.
Vou ver se convenço o meu amigo Atílio a colocar iscas de lombinho de porco no cardápio do Jazz Café.
Iscas de lombinho de porco acompanhadas de algumas Paulaners, do que mais preciso para ser feliz? Também levarei saudade da Vila do Pan.
Pelo seguinte: a Vila do Pan vendia ovomaltine.
Troço bem bom.
Fazia tempo que eu não tomava ovomaltine.
Acho que nem existe aí em Porto Alegre.
Uma cidade sem ovomaltine, francamente.
No primeiro dia de Rio, cheguei à Vila e pedi um ovomaltinão.
Tomei e: oooh, que dilícia, como diriam nossos amigos cariocas, principalmente a Beth Faria.
Meio que me viciei.
Todos os dias, entrava na Vila pensando: hoje será um dia sem ovomaltine.
Uma cobertura jornalística de baixas calorias, era isso que pretendia.
Mas aí olhava para os ovomaltines sendo preparados com tanto desvelo, olhava para a expressão de beatitude das pessoas que sorviam aquele líquido entre cremoso e inefável, e, antes que pudesse dizer tênis-de-mesa-epingue-pongue-são-a-mesma-coisa, já estava sorvendo o meu ovomaltine e gemendo de prazer.
Mas não foi só eu.
A turma inteira fez regime de líquidos nesse Pan: ovomaltine de dia, chope à noite.
O problema foi que tinha uma balança no banheiro do apartamento do hotel.
É difícil resistir à tentação de subir numa balança, quando ela fica tão oferecida.
Então, todas as manhãs eu subia naquela balança e olhava para aquele ponteiro.
Por mais que caminhasse para lá e para cá, em busca de histórias para contar para os leitorinhos, por menos que comesse comidas sólidas, por mais trabalhasse e trabalhasse e trabalhasse, o ponteiro da balança não se movimentava.
Uma frustração.
Um dia, ainda na primeira semana, perguntei para o Mauro Vieira se ele tinha subido na balança.
Ele, rindo de escárnio: – Nunca subo em balanças.
Nunca me peso.
Nunca! Nunca! Nuuunnncaaa! Um homem que nunca se pesa.
Encerrei o assunto.
Mais tarde, naquele mesmo dia, o André Roca comentou com o Mauro, enquanto ambos sorviam seus ovomaltines duplos com ovo: – Tu engordaste? O Mauro: – Eu? Não! De jeito nenhum.
Por quê??? Pareço gordo??? O Roca, percebendo que havia premido algum botão sensível na alma do colega, se apressou a tranqüilizá-lo: – Não, não, acho que foi só impressão minha.
Bobagem…
O Mauro não falou mais nada a respeito.
Mas, à noite, quando cheguei ao quarto, lá estava ele, em cima da balança, repetindo, que nem o João Bosco: – Aiaiai, aiaiai, aiaiai…
Isso é que dá, regime de líquidos.
Desde aquele dia, tomei uma decisão em favor da minha boa forma física: não subi mais na balança.
Ainda bem que Porto Alegre é uma cidade sem ovomaltine.

Comentários (4)

  • Elisa diz: 31 de maio de 2012

    David, tem o milk shake de Ovomaltine do Bob’s… “Dilícia”!

  • Matheus diz: 31 de maio de 2012

    ai meu deus… tragam as caixas de som!!

  • Vivian diz: 1 de junho de 2012

    Não entrar (e não precisar entrar) em supermercado dá nisso: a pessoa não sabe que em Porto Alegre há, sim, Ovomaltine… E há dois tipos para escolher… Basta olhar nas prateleiras…

  • Peixe diz: 1 de junho de 2012

    Não há Ovomaltine em Porto Alegre?
    Puxa… que “intervenção” de espanto será que devo usar?

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