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Túnel do Tempo: Um casal de namorados na Redenção

12 de julho de 2012 7

Um casal de namorados passeava à noite pela Redenção. Uma temeridade. O que um casal de namorados tem na cabeça, para passear à noite pela Redenção? Mas lá foram eles, entre as áreas penumbrosas do parque, de mãozinhas dadas, arrulhantes.

Eis que, de inopino, como era de se esperar, dois salteadores saltam de trás de uma árvore taluda. Naturalmente, lá na Redenção só pode haver salteadores que saltam de trás de árvores taludas, a região é propícia para ações deste gênero. E foi isso que eles fizeram, anunciando o assalto aos gritos. O namorado arregalou os olhos e bradou:
— Cáspite!

A namorada levou a pequena mão macia ao peito generoso e rijo, e exclamou:
— Virgem santíssima!

Os salteadores ordenaram, brandindo seus tresoitões:
— Vamo passando a grana!

Os namorados passaram. Dinheiro, carteira, bolsa, tudo. Aí um dos ladrões olhou para o namorado e rosnou:
— Agora, meu, tu vai ter que dar o redondo.

O namorado estremeceu. Fechou os olhos. Em seguida abriu-os e lançou um olhar de súplica para o céu escuro, fazendo uma prece muda e dolorida: %22Oh, Deus! Por que eu, Deus?!? Por quê? Por quê??? POR QUÊÊÊÊ???%22 Depois suspirou. E começou a desabotoar as calças. Se tinha que ser assim, que fosse.

Os assaltantes desataram a rir.
— Que é isso, meu?!? — disse um deles.
— Se eu quisesse o que tu está me oferecendo, eu pegava ela. O redondo que eu falo é o teu relógio!

O namorado saiu da Redenção com a honra salva, mas sem a namorada, que não admitiu que ele se entregasse tão sem resistência.

A história foi-me relatada por um leitor amigo. Trata-se de um exemplo de como devemos manter o sangue frio mesmo nos momentos mais difíceis. Não se pode reagir assim, de qualquer jeito, intempestivamente, sem pensar. Na hora da dificuldade mais aguda é que é necessária a reflexão mais cautelosa.

O Grêmio não teve isso, reflexão. Ao levar cinco do Paraná, se desesperou. Justo quando precisava de parcimônia, mudou tudo. Mudou o esquema, mudou a escalação, mudou o discurso. Tornou-se um time sem convicção. Ora, o Grêmio dispõe de uma equipe que prescinde de sutilezas. O Grêmio é um time tosco e duro: tem de jogar bem fechadinho, explorando a mobilidade de Lucas, as investidas de Ricardinho, a chegada qualificada de Hugo, quiçá o passe preciso de Tcheco. Nada de precipitações, nada de loucuras.

Aí tudo vai ser bem compreendido. Aí tudo vai dar certo.

*Texto publicado na Zero Hora em 10/05/2006

Comentários (7)

  • lcopero diz: 12 de julho de 2012

    David, ontem assistindo ao jogo Coritiba x Palmeiras, a câmera da globo começou a mostrar, no início da transmissão, várias mulheres lindas na torcida do Coxa. Pode-se dizer que o estádio estava quase meio-a-meio entre homens e mulheres. Lembrei imediatamente de uma coluna tua de 1 ano atrás, quando o Coxa decidiu a Copa do Brasil com o Vasco e logo pensei: "Palmeiras vai ser campeão". Fecha exatamente com o que escreveste naquela oportunidade. Gostaria que republicasses esta coluna. Abraços!
    Obs.: desculpa por não ser o comentário pertinente com o post "Um casal de namorados na redenção"

  • Ana diz: 12 de julho de 2012

    Bem comigo em 1987 por aí aconteceu algo similar,mas explico naqueles idos a Rua Osvaldo Aranha era o must e ser grunge era tudo na vida da pessoa.Bem eu tinha uma paixão mal resolvida pelo Gilnei,um cara que tinha os olhos parecidos com os do Patrick Swaize. Bem era inverno e aquela noite estava tipo uns 2°muiiiito frio, e decidimos eu e minha turma tomarmos vinho na Osvaldo, assim de garrafão, ali mesmo na esquina da Jaime Telles,bem eu trabalhava em uma boutique fina do shopping Praia de Belas, O Gilnei tb trabalhava no shopping,e lembro que comprei uma bolsa na loja aquela tarde que valia metade do meu salário,linda de camurça dark blue, enfim, naquela noite devido ao frio decidi colocar um colant,acho que é assim que escreve, para proteger a barriga do frio.David do céu fui salva pelo colant...Após o vinho resolvi atravessar a Osvaldo em direção ao hoje Parque Zapt Zupt,e quem estava vindo em minha direção?Gilnei e seus olhos felinos...nem sei como começamos a nos beijar e beijar e íamos caminhando e beijando, sem olhar o caminho...me deparei estava já debaixo de uma árvore ali na Redenção próximo ao Parque acho pois perdi a noção dos sentidos com ovinho e aqueles beijos,bem foi quando ouvimos :_
    -Passa tudo ai mermão!!!
    Uma invasão de mãos sombrias, começaram a passar pelo meu corpo.Lembro de ter visto Gilnei levar um soco, lembro de ter gritado DEEEEEEEUS, e tb lembro de ver vários vultos sombrios correndo atrás do Gilnei e eu fique ali jogada de baixo da árvore...Depois do susto e muitos beijos de consolo o Gilnei me contou que eram vários meliantese eles tentaram achar o meu redondo mas não entenderam a complexidade do collant e o Gilnei tomou o tempo para correr e gritar pela polícia....Viva o collant e se for amar cuidado que seja bem longe do parque!!!

  • José Paulo diz: 12 de julho de 2012

    Para o Grêmio o ciclo da história é anual, em 2006, a situação já era velha conhecida e passados tantos anos, adivinhem só?
    Isso que nessa época tinhamos o Hugo ainda...

  • Arthur Quintana diz: 13 de julho de 2012

    Chacrinha, o “Velho Guerreiro”, sob meu juízo, foi um gênio da comunicação. Sim, um gênio da comunicação, pois quem consegue resumir a uma única frase um contexto de dezenas, centenas, quem sabe milhares de palavras soltas, só pode ser muito inteligente. E Isto vale para poetas, para alguns compositores, etc. Todos eles, de alguma forma, contextualizam um livro em meia dúzia de linhas. Isto é genialidade.

    David, seu texto lembra muito o jargão “quem não se comunica, se trumbica”. Para este caso eu acrescentaria... “quem não se comunica bem, se trumbica bem”.

  • taradão da redenção diz: 13 de julho de 2012

    e só hoje você me diz que era colant, Ana?
    Sacanagem....

  • Ana flowers diz: 13 de julho de 2012

    Collant ballet suplex,baby kkk!

  • taradão da redenção diz: 16 de julho de 2012

    kkkkkkkkkkkkkkkkkk,
    mas pro Gilnei você deu o mapa do Collant não deu? Mostrou pra ele os mistérios da abertura de um collant.
    Porque mulher complica a vida? existem alguns sutiãns que enroscam, e nós, pobres mortais afoitos, tentando abri-los às cegas, quase chegamos ao desespero.
    Os sutiãs deviam vir com um botãozinho na frente escrito "aperte aqui".

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