Se você estivesse em Londres e quisesse ter um dia especial, um dia para ver o melhor da Inglaterra e o melhor dos Jogos ao mesmo tempo, você não iria para Stratford, onde se espalha o Parque Olímpico. Não. Você iria para o coração da cidade, para o Hyde Park, rumo à mais animada sede da competição e à arena Horse Guards Parede, onde ocorrem as partidas de vôlei de praia. Sua intenção: assistir ao jogo da dupla brasileira Maria Elisa e Talita contra as alemãs Sara Goller e Laura Ludwig, e passar por alguns dos locais históricos da Velha Álbion.
Você iria de metrô, a melhor forma de se deslocar em Londres. O Metrô de Londres, que os ingleses chamam de The Tube ou The Underground, é a maior rede ferroviária subterrânea do mundo, e a mais velha - a primeira linha foi aberta em 1863, um ano antes da inauguração do Mercado Público de Porto Alegre.
Você desembarcaria no Hyde Park e se poria a andar entre as mais de 4 mil árvores do local. Veria os ingleses sentados nos bancos, lendo jornal e comendo sanduíche. No meio do caminho, uma surpresa: o memorial aos pilotos da RAF mortos na Segunda Guerra Mundial. Foi sobre eles que Churchill disse a famosa frase, após a Batalha da Inglaterra:
– Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.
O memorial foi inaugurado há um mês pela Rainha. Os ingleses visitam-no com reverência, tiram fotos, alguns parecem fazer orações. Aos pés das estátuas dos pilotos, os parentes dos mortos homenageados deixaram fotos e bilhetes. Se estivesse longe do seu filho, talvez você se emocionasse com uma pequena carta escrita à mão, deitada sobre o pedestal de pedra: "Querido papai: que vergonha esperar 70 anos por isso. Esse foi o dia em que senti o maior orgulho da minha vida, porque pude estar aqui com você. Agora eu tenho algo para lembrar de você. Te amo. Peter".
Seguindo caminho, você poderia visitar o local em que os organizadores dos Jogos prepararam uma espécie de fan fest de elite: trata-se de uma área fechada onde vão ocorrer 30 shows até o fim da Olimpíada, entre os quais as apresentações do Duran Duran e do Snow Patrol. Lá, os frequentadores assistem às competições em telões, comem em mesinhas de madeira e se divertem jogando tênis, basquete, críquete e até esgrima.
Mas seu destino é o vôlei de praia, então é preciso caminhar até o Green Park, do outro lado da avenida.
Mais 15 ou 20 minutos de passos estugados sob as árvores e você chegará à região mais charmosa de Londres e de toda a Ilha. Lá está o Big Ben e a estátua de um Churchill rabugento, apoiado em sua bengala, na Praça do Parlamento. Mais adiante está a roda gigante do London Eye e, do outro lado, a Abadia de Westminster, com seus mil anos de história, onde reis e rainhas foram coroados, onde muitos deles estão enterrados, onde também se encontram os corpos de célebres escritores bretões, como o grande Charles Dickens e o racista Rudyard Kipling.
Finalmente, você chegaria ao estádio do vôlei de praia. Tudo é festa. O rock'nd roll rola no sistema de som enquanto o jogo é interrompido. O telão comanda a torcida: "Aplausos!" Todo mundo aplaude. "Boon!" Todo mundo grita. Ouvindo certa música, todos dançam levantando os bracinhos.
Na areia, as morenas brasileiras Maria Elisa e Talita sofrem para vencer as loiras de olhos claros da Alemanha, Laura Ludwig e Sara Goller. No primeiro set, as brasileiras ganham por 21 a 19. No segundo, desperdiçam nove match points e levam 31 a 29. No último, fecham bravamente com 15 a 13.
– Nós tínhamos uma estratégia, achávamos que elas iriam jogar de um jeito, e elas jogaram. Por isso vencemos – revelou Talita. – Elas fizeram o que nós esperávamos.
– Nós perdemos nove match points, mas mantivemos a calma. Isso foi decisivo – completou Maria Elisa.
Atrás dela, passa a alemã Sara Goller, a pele dourada salpicada de areia, o corpo rijo exposto pelo short mínimo. Os jornalistas brasileiros que entrevistam as vencedoras se distraem por um momento observando a perdedora. Um deles suspira:
– Tomara que as alemãs passem de fase e continuem jogando até o fim...
Se você visse isso tudo, seria realmente uma terça-feira especial.





Parabéns pelo texto. Alinhavou o que se passou nas olimpiadas, ao mesmo tempo em que descreveu situações interessantes sobre Londres, o que deixou de ser enfadonho. E que não venham os invejosos inoportunos R D G, porque inveja mata.
Ainda bem que as Brasileiras venceram, afinal, não é competição do beleza,ou bunda!!! Fhelps que o diga!