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Posts de julho 2012

Arena do vôlei de praia é a sede mais animada da Olimpíada

31 de julho de 2012 2

Se você estivesse em Londres e quisesse ter um dia especial, um dia para ver o melhor da Inglaterra e o melhor dos Jogos ao mesmo tempo, você não iria para Stratford, onde se espalha o Parque Olímpico. Não. Você iria para o coração da cidade, para o Hyde Park, rumo à mais animada sede da competição e à arena Horse Guards Parede, onde ocorrem as partidas de vôlei de praia. Sua intenção: assistir ao jogo da dupla brasileira Maria Elisa e Talita contra as alemãs Sara Goller e Laura Ludwig, e passar por alguns dos locais históricos da Velha Álbion.

Você iria de metrô, a melhor forma de se deslocar em Londres. O Metrô de Londres, que os ingleses chamam de The Tube ou The Underground, é a maior rede ferroviária subterrânea do mundo, e a mais velha – a primeira linha foi aberta em 1863, um ano antes da inauguração do Mercado Público de Porto Alegre.

Você desembarcaria no Hyde Park e se poria a andar entre as mais de 4 mil árvores do local. Veria os ingleses sentados nos bancos, lendo jornal e comendo sanduíche. No meio do caminho, uma surpresa: o memorial aos pilotos da RAF mortos na Segunda Guerra Mundial. Foi sobre eles que Churchill disse a famosa frase, após a Batalha da Inglaterra:

– Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.

O memorial foi inaugurado há um mês pela Rainha. Os ingleses visitam-no com reverência, tiram fotos, alguns parecem fazer orações. Aos pés das estátuas dos pilotos, os parentes dos mortos homenageados deixaram fotos e bilhetes. Se estivesse longe do seu filho, talvez você se emocionasse com uma pequena carta escrita à mão, deitada sobre o pedestal de pedra: “Querido papai: que vergonha esperar 70 anos por isso. Esse foi o dia em que senti o maior orgulho da minha vida, porque pude estar aqui com você. Agora eu tenho algo para lembrar de você. Te amo. Peter”.

Seguindo caminho, você poderia visitar o local em que os organizadores dos Jogos prepararam uma espécie de fan fest de elite: trata-se de uma área fechada onde vão ocorrer 30 shows até o fim da Olimpíada, entre os quais as apresentações do Duran Duran e do Snow Patrol. Lá, os frequentadores assistem às competições em telões, comem em mesinhas de madeira e se divertem jogando tênis, basquete, críquete e até esgrima.

Mas seu destino é o vôlei de praia, então é preciso caminhar até o Green Park, do outro lado da avenida.

Mais 15 ou 20 minutos de passos estugados sob as árvores e você chegará à região mais charmosa de Londres e de toda a Ilha. Lá está o Big Ben e a estátua de um Churchill rabugento, apoiado em sua bengala, na Praça do Parlamento. Mais adiante está a roda gigante do London Eye e, do outro lado, a Abadia de Westminster, com seus mil anos de história, onde reis e rainhas foram coroados, onde muitos deles estão enterrados, onde também se encontram os corpos de célebres escritores bretões, como o grande Charles Dickens e o racista Rudyard Kipling.

Finalmente, você chegaria ao estádio do vôlei de praia. Tudo é festa. O rock’nd roll rola no sistema de som enquanto o jogo é interrompido. O telão comanda a torcida: “Aplausos!” Todo mundo aplaude. “Boon!” Todo mundo grita. Ouvindo certa música, todos dançam levantando os bracinhos.

Na areia, as morenas brasileiras Maria Elisa e Talita sofrem para vencer as loiras de olhos claros da Alemanha, Laura Ludwig e Sara Goller. No primeiro set, as brasileiras ganham por 21 a 19. No segundo, desperdiçam nove match points e levam 31 a 29. No último, fecham bravamente com 15 a 13.

– Nós tínhamos uma estratégia, achávamos que elas iriam jogar de um jeito, e elas jogaram. Por isso vencemos – revelou Talita. – Elas fizeram o que nós esperávamos.

– Nós perdemos nove match points, mas mantivemos a calma. Isso foi decisivo – completou Maria Elisa.

Atrás dela, passa a alemã Sara Goller, a pele dourada salpicada de areia, o corpo rijo exposto pelo short mínimo. Os jornalistas brasileiros que entrevistam as vencedoras se distraem por um momento observando a perdedora. Um deles suspira:

– Tomara que as alemãs passem de fase e continuem jogando até o fim…

Se você visse isso tudo, seria realmente uma terça-feira especial.

Sala de Redação

31 de julho de 2012 1

Ouça o Sala de Redação desta terça-feira.

Puxadinho molhado

30 de julho de 2012 10

O campeão e recordista Cesar Cielo nadará hoje no centro de competições mais criticado dos Jogos

As chances de vitória de Cesar Cielo, quando pela primeira vez ele se atirar na piscina do Centro Aquático de Londres,
às 6h de hoje (pelo horário de Brasília), serão tão maiores quanto a sua capacidade de não se deixar impressionar pelo ambiente.

Paulista de 25 anos, Cielo trouxe o ouro olímpico (nos 50m livre) do Cubo d’Água, de Pequim, um ginásio que parecia ter saído do desenho dos Jetsons, eleito por uma revista de ciência americana como uma das 100 maiores obras de ciência e tecnologia do mundo. Mas, hoje, pelos 100m livre (dos quais é o recordista mundial), Cielo terá de nadar no acanhado Centro Aquático londrino, lugar em que a sobriedade britânica passou dos limites, transformou-se em sovinice e, de sovinice, em muquiranagem.

O prédio foi concebido pela bem conhecida e recomendada arquiteta iraquiana Zaha Hadid. Ao projetá-lo, ela anunciou que havia se inspirado “na geometria fluida das águas em movimento”. De fato, visto de cima o teto parece uma onda. Mas, em geral, as pessoas não olham os prédios de cima e, do lado de baixo e do lado de dentro, o prédio é muito feio.

Não passa de um caixote improvisado, com andaimes e canos expostos, paredes de material pré-fabricado e  acomodações provisórias.

E o pior: é desconfortável.

A ideia da onda parecia muito revolucionária, mas o resultado prático foi tornar uma parte do teto mais baixa do que as outras. Assim, as pessoas que estão sentadas ficam com a visão obstruída pelo teto.

O campeão e recordista Cesar Cielo nadará hoje no centro de competições mais criticado dos Jogos.  Há pontos cegos em diversas partes das cadeiras. O erro dos ingleses foi o exagero na economia, na sustentabilidade e no reaproveitamento do material empregado na construção. Eles querem que, após os Jogos, o Centro Aquático se transforme em centro comunitário de Stratford. Então, fizeram o ginásio para abrigar 2,5 mil pessoas e aumentaram-
no com “puxadinhos” para uma capacidade de 17,5 mil.

Sete vezes mais!

Não podia ficar bom.

Não ficou.

Os 324 milhões de euros gastos no edifício acabaram, de certa forma, desperdiçados – ninguém ficou satisfeito com
o resultado. Nos primeiros dias de provas, as pessoas reclamavam da péssima visibilidade e, sobretudo, do esforço para subir as íngremes arquibancadas provisórias. Domingo, um senhor de cabelos brancos parava a cada degrau e, para prosseguir na escalada, tinha de ser empurrado nas costas pela filha. Diante das queixas, os voluntários pediam
desculpas constrangidas.

Fazer o quê?

Claro, Cesar Cielo não estará vendo nada disso, quando estiver lá embaixo, na piscina.

Lá, ele deverá estar focado no seu meio,a água. E, na água, quem pode fazer bonito é ele.

Sala de Redação

30 de julho de 2012 0

Ouça o Sala de Redação desta segudna-feira.

Na Inglaterra, faça como os ingleses

28 de julho de 2012 16

Mesmo em Londres, as bicicletas andam em meio ao trânsito, até porque há poucas ciclovias na cidade

O café  da manhã

Nosso café da manhã é tipicamente inglês. Isso me apraz. Em viagem, gosto de experimentar os sabores locais. Os scrambleds sempre me agradaram. Sim, senhor, um homem precisa de scrambleds no começo dos seus dias. Então, os scrambleds são certos e confirmados em meu prato inglês. Também aderi à salsicha frita e à panqueca com  melado, e tenho feito graves considerações acerca dos  tomates cozidos, mas ainda não ousei a ponto de enfrentar o feijão. Feijão no café da manhã talvez seja uma demasia. Há coisas, na Inglaterra, que só os ingleses devem fazer.

O trânsito
Em ruas de duas mãos, os carros às vezes estacionam um de frente para o outro. Quase todos os carros, você sabe, têm direção no lado direito. Mas alguns têm no lado esquerdo. As bicicletas circulam no meio dos carros. Há poucas ciclovias. E eles se entendem! Como? Um inglês vai ter que me dizer.

O jantar
Londres é uma das capitais do mundo. Aqui você saboreia a melhor comida japonesa, italiana, francesa ou tailandesa. Mas que graça tem vir à Inglaterra e comer churrasco? Então, no fim do trabalho vamos a pubs e enfrentamos peixe com batatas e embutidos com molho doce.

É estranho
Estranho, também, é uma cidade dessas fechar antes de cair o sereno da madrugada. Você precisa rodar muito para se alimentar depois das 23 horas. Os ingleses têm hábito de sair cedo de casa. No meio da tarde eles já estão bebendo ruidosamente aquelas suas pints. Por que saem tão cedo? Óbvio: porque por aqui não passa Avenida Brasil.

A segurança
É claro que os ingleses estão preocupados com a segurança, nesses tempos de terrorismo e tudo mais. Mas eles fazem a vigilância com muita naturalidade. Não há a rigidez da Olimpíada de Pequim, por exemplo, em que nós vivíamos numa bolha, quase que restritos às rotas de hotel e competições. Nada disso. Na Londres olímpica, tudo é muito tranquilo. Os policiais andam debaixo de seus capacetes altos, mas, com o calor do verão europeu, dentro de camisetas pretas descontraídas. Passam por você, sorriem e cumprimentam:
— Hello!
Há soldados pelo Parque Olímpico, também, mas sem armas. Eles vestem uniformes de camuflagem e boinas com dois pompons. Muito gracioso.

Pontual, histórica e emocionante

28 de julho de 2012 7

Podia ver o que eles estavam sentindo. Eles passavam bem perto. Podia tocá-los, se esticasse o braço. Eles, os atores com rosto sujo de carvão, as dançarinas com vestidos do século 18, os músicos que batiam lata, os voluntários figurantes, eles fizeram sua apresentação na palpitante, histórica, jovem, pop, emocionante cerimônia de abertura dos Jogos de Londres, e saíram correndo pelo meio das arquibancadas do Estádio de Stratford, e olhavam nos olhos dos assistentes, e sorriam e gritavam e se regozijavam. Uma mulher de uns 50 anos, loira, magra, alta, as faces rosadas do esforço, escalou ofegante os degraus e, ao receber o sorriso de cumprimento de um jornalista, sussurrou, em inglês:

— Obrigada!

Um agradecimento estuante de orgulho. Eles estavam orgulhosos. Tinham de estar. Cerimônias com 3h36min de duração correm o sério risco de se tornar maçantes. A que o diretor de cinema Danny Boyle planejou não foi. Ele fez com que parte da história e da cultura britânicas fosse, além de vista, sentida pelas 80 mil pessoas no estádio.

Podia-se sentir a angústia dos operários cobertos de fuligem da Revolução Industrial, podia-se sentir a empáfia dos primeiros capitalistas da história. Logo surgiram Mary Poppins e os personagens do bruxinho Harry Potter, e o clima se suavizou, vieram Mr. Bean e as celebridades do cinema e da TV, e Bohemian Rapsody do Queen, e Satisfaction dos Stones, e My Generation do The Who. Foi uma cerimônia rock’n’roll.

A tudo isso assistiu a rainha Elizabeth II, sóbria e majestosa, como deve ser sempre uma rainha, das tribunas de honra do estádio. Foi muito aplaudida, a rainha, o que mostra o prestígio da monarquia entre os britânicos, esses campeões da democracia.

Bastante aplaudida também foi a delegação brasileira, saudada com entusiasmo pelo público, tanto quanto as delegações das vizinhas França e Alemanha, talvez porque os atletas tupiniquins entraram na pista portando pequenas bandeiras da Grã-Bretanha. Ou porque as atletas tupiniquins vestiam minissaias verdes e amarelas que lhes deixavam à mostra generosos pedaços das pernas sólidas. Mas nenhuma delegação estrangeira foi ovacionada como a dos Estados Unidos. Era a pátria-mãe que recebia de braços abertos o filho pródigo, decerto para júbilo da primeira-dama Michelle Obama, que estava no estádio. Para o final, é claro, coube a entrada apoteótica dos anfitriões, sob chuva de papel picado e ao som de Heroes, de David Bowie.

Os discursos do presidente do COI e do comitê organizador aborreceram um pouco a plateia, mas em seguida deu-se uma bela surpresa para os brasileiros: a ex-ministra do Meio-Ambiente Marina Silva era uma das personalidades a portar a bandeira olímpica, junto com Muhammad Ali. E, para o encerramento, o show tão esperado de um dos ingleses mais famosos de todos os tempos: Paul McCartney, cantando Hey Jude. Se você está na Inglaterra, nada como terminar a noite ouvindo a voz melodiosa de alguém que começou como um beatle e que hoje é um “sir”.

Sala de Redação

27 de julho de 2012 1

Ouça o Sala de Redação desta sexta-feira.

Um dia bem londrino

27 de julho de 2012 1

A primeira observação que ouvi de um britânico ao pisar no solo da Ilha, para esta Olimpíada, foi sobre o tempo. Um senhor, no aeroporto, sorriu e comentou com satisfação:

_ Está quente, e vai ficar assim por mais uns dez dias!

Os ingleses se preocupam muito com o tempo. O verão deles é curto, geralmente chuvoso, às vezes algo parecido com o nosso outono. Mas, de fato, fez calor nesses últimos dias, e os ingleses saíram às ruas com pouca roupa, foram para as praças, banharam-se nos chafarizes, tomaram sol sem camisa, algumas mulheres ousaram entrar em biquínis.

Só que hoje o dia enfarruscou. Não está frio, longe disso, está até agradável, mas não é mais um dia de verão. A abertura da Olimpíada vai acontecer com típico clima londrino. De certa maneira. Como devia ser.

Sala de Redação

26 de julho de 2012 8

Ouça o Sala de Redação desta quinta-feira.

Uma rainha lavando louça: como Londres se preparou para os Jogos

25 de julho de 2012 2

Apesar da aparência futurista, o Parque Olímpico é britanicamente elegante e austero. Além da boa aparência, as instalações farão bem aos bolsos dos ingleses: até a água das piscinas será reutilizada nos banheiros das casas do bairro londrino de Stratford.

Olhar sobre os Jogos

A rainha lavando louça. Ao circular pelo Parque Olímpico de Londres dois dias antes da abertura dos jogos, o que me veio à mente foi esta cena tão improvável quanto verdadeira, da veneranda Elizabeth II com luvas de borracha enfiadas até os cotovelos, a barriga encostada na pia da cozinha, cumprindo a lida doméstica.

Trata-se de um dos ritos do poder britânico. Logo que um primeiro-ministro é eleito, ele e sua família são convidados para um fim de semana com a família real no Castelo de Balmoral.

As refeições são suntuosas, mas os fidalgos comem com moderação. Findo o repasto, recolhem os pratos e levam-nos para a cozinha, onde a própria rainha se põe a limpá-los com método e vigor. É um símbolo — os ingleses adoram símbolos — da austeridade, predicado que a Ilha admira e cultiva há séculos, como há séculos admira e cultiva a elegância.

Pois é isso que se vê espalhado pelo Parque Olímpico de Londres: mostras de elegância e austeridade britânicas. Não foi o acaso que fez as instalações do Parque serem erguidas em Stratford — esse é um dos bairros mais pobres de Londres. Assim, a prefeitura aproveitou os jogos para melhorar a plástica do lugar e a vida dos moradores.

Novas ruas foram rasgadas, praças e locais de convivência surgiram onde existiam casas precárias. Tudo isso será utilizado depois da Olimpíada. Isso e muito mais: a maioria das sedes dos jogos é provisória e desmontável. Ou seja: é reaproveitável. Ou seja: é austeramente britânica.

O Centro Aquático vai virar centro comunitário e a água das piscinas será usada como descarga nos banheiros do bairro. A Arena de Basquete também será desarmada e, a exemplo do Velódromo e do ginásio de handebol, esgrima e pentatlo moderno, o “Copper Box”, será integrada ao centro comunitário.

A Arena de Polo Aquático, depois de desmontada como um Lego, terá suas peças espalhadas pelo Reino Unido, e o Estádio Olímpico, com capacidade para 80 mil pessoas, deve ser entregue ao Tottenham, do volante Sandro.

O truque empregado pelos ingleses para fazer com que instalações provisórias tenham boa aparência foi o revestimento. O exterior dos estádios, ginásios e arenas é futurista, a impressão do visitante é que está ingressando num prédio muito diferente de qualquer contemporâneo. Até ingressar. A partir da entrada, o visitante percebe que o interior é igual ao de outros estádios, ginásios e arenas, com o detalhe importante de que são bons e funcionais estádios, ginásios e arenas.

Para dar um toque de naturalidade bucólica a todas essas placas de acrílico e cobre, a todos esses andaimes de metal frio, a todos esses pré-fabricados de plásticos e aos blocos de concreto de baixo carbono, os arquitetos britânicos lançaram mão da velha madeira. Há mesinhas, banquinhos, estrados, deques e varandas construídos de madeira. Muito elegante. Muito inglês.

Os prédios estão todos prontos; o acabamento, não. Ainda há homens de capacete e coletes verde-limão martelando, serrando, polindo, lixando e empilhando, encaixando andaimes, aparafusando cadeiras. Mas são apenas os arremates. O principal está concluído há meses. Sem problemas, está no prazo.

Os 70 mil voluntários recrutados em todo o mundo ainda não têm muito o que fazer. Nesta quarta, sob um raro sol de 30ºC, eles se homiziavam à sombra alta, mas aflitivamente magra, dos postes de energia. Quem pedisse alguma informação era atendido com pressurosa alegria.

— É só o começo, depois do fim de semana é que vamos ter trabalho mesmo — prevê a voluntária brasileira Luana Cristina Ferreira dos Santos, com a experiência de quem trabalhou no Pan do Rio em 2007.

E, graças à mesma experiência, Luana diz que não há comparação entre os eventos.

— Em Londres, tudo é melhor — diz. — Eles sabem como fazer.

Sabem, de fato. Com elegância e austeridade. Como uma rainha lavando louça.

Quanto ganha um voluntário

25 de julho de 2012 5

Os voluntários não ganham mal, aqui na Olimpíada de Londres.

O menor pagamento é de oito libras e meia por hora. O segtundo menor é de nove libras e vinte por hora.

Os voluntários dizem que trabalham até 12 horas por dia. Um, que trabalhe 10 horas, leva R$ 250 por dia. Em um mês, R$ 7.500.

Isso sem pagar alimentação e estadia.

Dá para tirar umas férias europeias bem agradáveis.

Em Londres, vá de trem

25 de julho de 2012 4

Como é bom se movimentar por uma cidade que usa o trem.

Trem de superfície, trem subterrâneo, trem aéreo (o “nosso” aeromóveo), mas trem.

O trem é seguro e rápido. Se for moderno e limpo, é o melhor transporte. Disparado.

É a solução para as grandes cidades.

Aqui, em Londres, como em qualquer lugar, quem vai de trem, vai mais rápido.

No céu de Londres

24 de julho de 2012 2

Já estamos instalados em Londres.

Muito bem instalados, por sinal. Da nossa redação, no décimo-quinto andar de um hotel perto de Candem Town, podemos ver todos os grandes e mais famosos prédios da capital de todos os ingleses, entre eles a maior roda gigante do mundo, chamada o “Olho”, e o maior prédio da europa, que é um trinângulo de vidro que vem sendo bastante criticado esteticamente pelos britânicos.

Mas o banzo do longo voo desde o Brasil ainda nos deixa tontos…

Texto do leitor

24 de julho de 2012 9

Texto enviado pelo leitor Paulo César Badin.

Os heróis de Vastópolis

- Eu não acredito que encontramos, olha isso! Exclamei eufórico.
E assim nós descobrimos a pista chave. Agora tudo seria resolvido. Tudinho mesmo, todos os detalhes, tim-tim por tim-tim. Ambos sorríamos. Um sorriso misturado com as doces lágrimas do prazer. Já imaginávamos as manchetes nos jornais de domingo: Dupla de heróis salva Vastópolis; Vastópolis revive e agradece “anjos”. Sim íamos ser chamados de anjos, anjos heróis, com toda a pompa. A fama não seria mais sonho e sim realidade. Garotinhas serelepes iriam nos encher de beijos, as mais tímidas, de olhares carnívoros. Seríamos entrevistados pela TV e receberíamos uma medalha do Presidente. Ganharíamos dinheiro e construiríamos o prédio mais alto no morro mais alto e pontiagudo de Vastópolis.
Mas foi após todas essas visões deslumbrantes, que em segundos passaram por nossa mente, que o Tonho, infeliz e azarado Tonho, lembrou que havia esquecido as cordas na entrada da Garganta do Gafanhoto, lugar mais sombrio e temido de Vastópolis. Até aquele dia apenas duas pessoas se arriscaram entrar naquele lugar, um baixinho metido a descobridor que vinha do Norte e o Vaca. Esse último era o homem mais temido de Vastópolis. Falava grosso e comia de boca aberta.
Sem as cordas era impossível sair da Garganta. Não havia como escalar o paredão úmido e vertical. Daqueles que ficam a 90 graus do solo, igual à arquibancada da Bombonera. Estávamos, em um minuto, transferidos da fama à morte melancólica. Ninguém iria nos encontrar. Ninguém iria lembrar da gente. Nem sabiam que existíamos. Não participaríamos de TalkShow, nem daríamos o ponta pé inicial da despedida do Gadeia, melhor atacante de Vastópolis, nascido no interior e crescido na árdua vida da cidade grande. Fazia parte do seleto grupo dos atacantes velozes, franzinos e velozes. Destruía em clássicos.
Não viraríamos lenda igual ao Vaca e ao baixinho metido a descobridor que veio do Norte. Eles nunca mais foram vistos em Vastópolis. Construíram estátuas da dupla. Os mais velhos contam as aventuras dos dois aos seus sobrinhos e netos. Nós ficaríamos presos na Garganta do Gafanhoto, aguardando a morte, mas com a pista chave, àquela que todos procuravam, na mão.

Sala de Redação

23 de julho de 2012 4

Ouça o Sala de Redação desta segunda-feira.