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Túnel do Tempo: Um príncipe entre os zulus

18 de agosto de 2012 0

Diziam, os contemporâneos da espanhola Eugênia, que ela era a mulher mais linda da Europa. Seus longos cabelos maravilhavam toda a gente. Eram de uma cor exótica, conhecida como castanho-ticiano, um tom de castanho empregado pelo pintor Ticiano mais de 300 anos antes. Conheço uma mulher com cabelos castanho-ticiano. Ela tem pernas longas e… Mas estou tergiversando. Voltemos a Eugênia.

Foi educada em Paris. Frequentava a corte francesa. O imperador Napoleão III, sobrinho do Napoleão quente, enamorou-se dela. Uma noite, aproximou-se e lhe sussurrou com voz rouca ao lóbulo da orelha:

- Qual é o caminho mais curto para os seus aposentos?

E Eugênia, impávido colosso:

- Pela capela, meu senhor. Pela capela.

Deu certo. Casaram-se, ela se tornou imperatriz e deu-lhe um filho, o príncipe Eugênio.

Quando Napoleão III foi derrubado, o que os franceses fizeram muito bem, a família exilou-se na Inglaterra. Em 1879, estourou a guerra entre o império britânico e os zulus aqui desta região de Durban, onde o Brasil conquistou o primeiro lugar em seu grupo na Copa da África. O príncipe Eugênio, já em idade de servir o exército, foi mandado para o conflito. Os comandantes ingleses, porém, receberam instruções para não submetê-lo a riscos.

De nada adiantaram as orientações. Um dia, o príncipe foi autorizado a incorporar-se a uma coluna de vanguarda. Adiantou-se, ladeado por dois oficiais. E caiu numa emboscada. Os ferozes guerreiros zulus os cercaram, o cavalo do príncipe testavilhou, e ele caiu. Ao levantar-se para deter o cavalo, viu-se presa dos inimigos. Que não se deram o trabalho de capturá-lo. Mataram-no ali mesmo, junto com seus dois companheiros, como se fossem David Villa executando um goleiro.

A morte do filho único ensombreceu a vida da imperatriz. Eugênia, antes tão vivaz, caiu em tristeza profunda e passou a vestir-se unicamente de preto. Pediu à rainha Vitória permissão para viajar à África do Sul para resgatar o corpo do filho. Vitória concedeu-lhe esta mercê. Eugênia atravessou o oceano e foi até o local onde o filho havia sido abatido. Mas ninguém sabia dizer onde o corpo fora enterrado – o mato crescera e tomara conta do local. Os soldados procuravam e não conseguiam encontrar vestígios da cova. De repente, Eugênia os chamou. Voltaram-se para ela. Estava tesa.

- Estou sentindo cheiro de violetas – disse a imperatriz. – Violetas sempre foram as flores preferidas do meu filho. O cheiro vem de lá.

Eugênia encaminhou-se para o lugar de onde vinha o cheiro de violetas. Apontou-o. E, realmente, era lá que o filho estava sepultado. O sentimento de uma mãe faz milagres acontecerem.

* Texto publicado em 26/06/2010

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