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Como ser feliz

21 de agosto de 2012 14

A felicidade não é o sucesso.
Nem a realização.
Não é o reconhecimento.
Nem mesmo o amor romântico, tão consagrado pela música popular e pelo cinema.
A felicidade é a ausência de sofrimento.
Mas, se a vida é uma sequência de perdas e sofrimentos, às vezes físicos, às vezes morais, como alcançar a felicidade? Pela resistência.
Pela capacidade de suportar o sofrimento.
Você sofre, porque todos sofrem, espera, tem paciência, espera, espera, paciência…
e o sofrimento passa.
Então, você se sente feliz.
Sempre achei que os boxeadores são especialmente dotados dessa capacidade.
Porque, no boxe, mais do que bater, o lutador deve saber apanhar.
Muhammad Ali detinha esse poder como nenhum outro, e era assim que vencia seus combates.
Chegou a suportar 12 rounds com o maxilar quebrado, nos anos 70.
Não por acaso, muitos o consideram o maior pugilista de todos os tempos.
Mas a história pessoal de muitos boxeadores mostra o contrário.
Mike Tyson, Jake LaMotta, Carlos Monzon e vários outros foram bem- sucedidos no ringue e nem tanto na vida – os três passaram algum tempo na cadeia.
O que mostra que a dor física não é o principal tipo de sofrimento.
O sofrimento espiritual de Tyson, LaMotta e Monzon era maior do que os castigos que os adversários seriam capazes de lhes infligir entre as cordas.
Isso me faz admirar ainda mais os grandes jogadores de futebol do Brasil.
A pressão a que eles são submetidos não é pequena.
Cada gesto deles, cada palavra, cada movimento é avaliado e julgado todos os dias.
Ninguém, no Brasil, é tão criticado, alvejado e, não raro, espezinhado como eles.
E eles resistem.
Não todos, é claro.
Refiro- me aos grandes.
Que capacidade eles têm de absorver os golpes e seguir em frente! Como um Muhammad Ali resistindo 12 assaltos com o queixo quebrado.
Só que eles são maiores, porque a dor psicológica é maior.
Os grandes jogadores de futebol do Brasil.
Parecem homens pueris, mas eles têm algo a nos ensinar.

Quem vencerá o Gre- Nal

Quando alguém diz que em Gre- Nal não existe favorito, respondo que existe.
É óbvio que existe.
Sempre que existe um favorito.
Quando não existe, não existe.
O Gre- Nal do próximo domingo, por exemplo, é um Gre- Nal sem favoritos.
As valências de cada time são semelhantes.
O Grêmio está melhor na tabela do campeonato, mas o Inter só agora é que começa a contar com seus melhores jogadores.
O Grêmio vem azeitando essa equipe há algumas semanas, mas jogará na quarta- feira, enquanto o Inter terá o tempo todo para treinar.
Quem terá mais chances de ganhar? Vou dar a resposta que deu Alexandre Magno no leito de morte, no auge dos 33 anos de idade e da conquista do mundo, Alexandre já expirando, mas ainda invencível, modelo para os generais de todo o planeta e de toda a História, de Napoleão a Júlio César, pois quando seus generais se acercaram dele e quiseram saber: – Quem será o herdeiro do seu império? Alexandre tomou o fôlego derradeiro e respondeu: – O mais forte.

*Texto publicado na Zero Hora desta terça-feira, 21 de agosto.

Comentários (14)

  • Machiavellirs diz: 21 de agosto de 2012

    ÉTICA A NICÔMACO

    Em Ética a Nicômaco, Aristóteles disse: o homem sábio não busca o que lhe é agradável mas sim a ausência da dor.

  • Luiz Fernando diz: 21 de agosto de 2012

    Me caíram os butiás do bolso. Recorrentemente discordo da maioria de tuas opiniões, teses, digressões, etc, e reconheço que escreves bem. E por isso leio teus escritos. Mas as cinco primeiras frases embora parecendo óbvias são de grande profundidade e sabedoria. E não é o Budismo trivial em que não se trata da felicidade mas da iluminação pela supressão do desejo causa central do sofrimento. Muito surpreendente. Não por não ser sabido e sim, pela forma elegante e simples. E dizer coisas elegantes, profundas e sobretudo simples é muito, muito, difícil.

  • marcos endres diz: 21 de agosto de 2012

    David, quando você volta para o pretinho? Você ainda está no pretinho?

  • João Medeiros Nonato diz: 21 de agosto de 2012

    O David, aquele “azeitando” foi escrito por um estagiário.

  • Carlos diz: 21 de agosto de 2012

    Melhor do que ser feliz, é estar bem consigo mesmo.

  • AdalbertoVargas diz: 21 de agosto de 2012

    O favorito é o grêmio,pois está com um time mais homogêneo.O Inter tem um elenco individualmente melhor,mas demorará a equilibrar-se pois não tem treinador para dirigir uma equipe cheia de estrelas.O ideal seria q Fernandão fosse auxiliar de um treinador gabaritado antes d assumir tamanha responsabilidade.

  • Roberto diz: 21 de agosto de 2012

    Será que existe Budismo “trivial”?
    Seja como for, a busca da felicidade, em si, pode ser, ela mesma, fonte de sofrimento, ainda que pareça exatamente o contrário. Buda demonstrou essa contradição.
    Infelizmente, por não compreenderem a idéia profunda aí contida, muitos acusam a filosofia budista de niilismo.
    Mas não há niilismo nela, e sim a proposta de renúncia a tudo que causa sofrimento.
    Buda estava e está certo. O sofrimento distorce (ou seria melhor dizer retorce?), desequilibra e faz adoecer os seres humanos. Logo, deve ser evitado, tanto quanto possível.
    Sem dúvida, a complexa receita de bem-estar que Buda propôs é o caminho espiritual mais difícil de ser seguido para qualquer ser humano. Mas funciona.
    Agora, associar o termo “trivial” ao conjunto de seus ensinamentos é, no mínimo, cair em um tipo de simplificação que realmente não ajuda ninguém a crescer espiritualmente.

  • Alberto/Colorado diz: 21 de agosto de 2012

    Quanta corneta prá cima do Inter: todos querem vender o Damião, o Fernandão não pode treinar o time no Gre-Nal, 750 torcedores dos bananas é um absurdo… Mas o Odone segue um fanfarrão e Anderson Pico virou craque de bola! Com a bola rolando, mais uma vitória vermelha!

  • Alex diz: 22 de agosto de 2012

    Claro q gre-nal tem favorito. às vezes esse favoritismo é maior, outras vezes é menor. às vezes é tão pequeno q fica difícil definir.

    Mas diferenciar o gre-nal dos outros jogos como “em gre-nal tudo pode acontecer” é besteira. tudo pode acontecer em QUALQUER jogo entre grandes. grêmio x cruzeiro, inter x corinthians e por ai vai…

  • Matheus diz: 22 de agosto de 2012

    Já, estatisticamente falando…!!!

  • IMORTAL diz: 22 de agosto de 2012

    estatisticamente falando, em campeonatos brasileiros (que é oque intereressa) temos mais vitórias em Grenal!!!

  • Luiz diz: 22 de agosto de 2012

    Só tenho uma coisa a dizer: com o Vuaden apitando, vai ser difícil o Grêmio ganhar

  • Luiz Fernando diz: 22 de agosto de 2012

    Roberto, sem polemicas desnecessárias. Trivial foi empregado como aquilo que é sabido de todos, usual. E não no sentido de comum, vulgar, medíocre, baixo ou banalidade. Tenho imenso apreço por Sidarta Gautama e seu conjunto de ensinamentos, o Budismo. Apenas que neste quesito (Felicidade) alinho-me ao que foi desenvolvido por Aristóteles em Ética a Nicomaco e Metafisica como foi bem colocado por Machiavellirs. Felicidade é um estado. Pode acontecer ao saborear uma xícara de chá com madeleine ou seguindo uma trilha de asceticismo pois muitos são os caminhos para tal estado. Se, no entanto, a felicidade é a ausência de sofrimento então a “busca de felicidade” que causa sofrimento transforma-se em aporia, caminho inexpugnável, sem saída. Last but not least, o que realmente não contribui para o crescimento espiritual são julgamentos apressados ou ilações de má-fé.

  • Marcelo diz: 27 de agosto de 2012

    Davi, voce foi genial. Obrigado. Aprendi e melhorei minha vida com o o que li. Como disseram acima, uma coisa complicada foi colocada de maneira muito simples e bem escrita! Valeu!!

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