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Quando descobri a internet

28 de setembro de 2012 16

Internet é coisa de jovem, mas a primeira pessoa que me falou sobre sua existência foi um cara que respira neste Vale de Lágrimas pelo menos uma década antes de mim: o velho lobo da imprensa Carlos Wagner. Isso se deu lá nos albores dos anos 90. Wagner, o repórter mais premiado do Brasil, me pegou na redação e contou, entusiasmado, que estava participando de uma rede virtual entre universidades que, em algum tempo, transformaria o mundo. O mundo! Ouvi, algo distraído, e saí para fazer minha pauta. Transformar o mundo. Sei.

Veja você como a gente deve prestar atenção no que diz um velho lobo da imprensa.

Li outro dia que apenas 18% das pessoas com 50 anos ou mais usam a internet. Coisa de jovem. Compreensível. As pessoas, depois das aventuras e desventuras da juventude, adotam uma forma de viver, cultivam hábitos, aferram-se a eles. Aí, quando tudo está bem posto, surge uma novidade que lhes exige o esforço do aprendizado. Mais trabalho. Exatamente no momento em que elas planejavam, tão somente, fruir a existência.

Sacanagem.

Eu aqui não cultivo preconceitos em relação à internet. Não tenho tuíter, não tenho Facebook, estou reduzindo a leitura de e-mails a menos de meia hora, e só nos dias úteis, mas não faço tais restrições por achar a internet algo ruim. Ao contrário, é algo bom. Mas toma tempo. Trata-se de uma questão de prioridades.

A internet é uma ferramenta, nada mais. Pode ser bem ou mal usada, como qualquer ferramenta.

Tempos atrás, discuti por e-mail com um estudante de Letras. Ele foi arrogante, e decidi dar-lhe uma resposta no mesmo tom. Ele postou minha resposta nas chamadas “redes sociais”. Quer dizer: tornou pública uma correspondência pessoal. Depois disso, reavaliei meu relacionamento virtual com leitores.

Também aprendi que, às vezes, o que está na internet só tem importância na internet. Fora dali, no mundo real, aquilo que pulsa e freme na internet inexiste. É zero. Torna-se verdadeiro apenas quando o mundo real o reconhece. Por que 1 milhão de pessoas acessam uma besteira no YouTube, tipo “Luísa está no Canadá”? Resposta: porque 1 milhão de pessoas acessaram a besteira no YouTube, tipo “Luísa está no Canadá”. O troço faz sucesso porque faz sucesso, sem mérito algum. Vira realidade quando vai para a TV, para o jornal, para a rua. Se fica restrito à internet, evapora.

Porém… algo que só deveria existir na internet pode transformar-se em realidade distorcida. O tal filmeco que ofende o Islã não passa disso: de um filmeco malfeito e mal-intencionado, feito por um picareta, com 14 minutos de duração, algo de péssimo gosto que deveria se esfarelar no YouTube sem que ninguém lhe desse importância. Mas, por razões diversas, os radicais lhe deram importância, e tem gente matando e morrendo por causa disso. Matando e morrendo, graças às facilidades da internet. O mundo mudou, como havia vaticinado o Wagner, e ainda não aprendemos a lidar com essa mudança. Dá trabalho aprender. E é preciso aprender. Sempre.

Comentários (16)

  • Luciano diz: 28 de setembro de 2012

    Te aposenta. Simples.

  • Ismael diz: 28 de setembro de 2012

    Teu texto inteiro é todo uma elaborada obra para disfarçar o preconceito. Mas não passa disso.

    Essa distinção entre real e internet é coisa dos teus colegas de profissão nos EUA que amaram o termo “Virtual” ou “Cyber” e a usam para tudo.

    A internet é sim ferramenta somente. Assim como é o telefone, onde se conversa com alguém a distância, não diretamente.

    Fica claro que tu entre tantos outros colegas vêem a internet como um mero inconveniente, uma mera obrigação do trabalho.

    Parabéns a todos os poucos que sabem usá-la e minimamente respeitam uma opinião adversa.

    Diogo Olivier é um desses poucos.

    Enquanto ele com tranquilidade usa os meios disponíveis, os demais passam o dia a reclamar e provavelmente em segredo lamentar os saudosos tempos em que só despejavam suas opiniões sem jamais ter contestação. No máximo algumas cartas facilmente ignoradas.

  • Machiavellirs diz: 28 de setembro de 2012

    BAR DAS DICAS NO FACEBOOK

    Como diria o Daniel Aço (escafedeu-se? O Aço enferrujou?), “lógico que os recalcados, com o cancro da inveja incrustado em suas cabeças adulteradas pela burrice do infantilismo mental”, vão dizer:

    - O Machi enlouqueceu! Quer aparecer! Bastou o David falar alguma coisa sobre a Internet que o megachato do Machi se intromete para tentar divulgar essa bosta de folhetim BAR DAS DICAS que ele inventou no facebook. Não entrem no papo do Machi. Eu, só pra conferir, até que dei uma olhadinha no folhetim: não gostei do dito! A coisa fala em mitologias. Mitologias? Quem gosta disso? Acho que os únicos se interessam por isso no Brasil são o David Coimbra, o Zé Ramalho e a Amelinha, estes na música “Mulher nova, bonita e carinhosa”: http://www.youtube.com/watch?v=4bcKgduaI-Y&feature=related . Aliás, para mim, a mitologia grega é um saco. A primeira e única vez que abri a Odisseia do Homero, li, logo no início, um trecho que não me causou boa impressão. Dizia assim:

    “Logo que a Aurora, de dedos de rosa, surgiu matutina, alça-se o filho do divo Odisseu de seu leito lavrado; veste-se e no ombro, depois, deita a espada de gume cortante; calça, a seguir, as formosas sandálias nos pés delicados…”.

    - Formosas sandálias? Pés delicados? Hummmm! Viadagem? Hummmmm!

    Então preferi ficar com a ideia que sempre tive de que, naquele tempo, os caras eram machos mesmo. Pegavam as minas, davam um banhozinho nelas naquelas piscinas cheias de rosas e jasmins e aquecidas pelo bafo dos escravos e depois se repoltreavam com elas com todo mundo vendo a cena de perto. Uma verdadeira farra!


    Agora fala o Machi:

    Pois é gente, juro que não concordo com as palavras do Daniel Aço sobre vocês. A Thais, por exemplo: acho ela demais! Gremistona que dá de relho nesses colorados recalcados que conseguiram ganhar do Barcelona com um gol espírita do Gabiru! Gabiru?! Pode!? Em compensação o Kidiaba…bem, deixa pra lá e dá-Le Thais!

    Feito o reparo, lhes digo que, na realidade, a história do BAR DAS DICAS não é minha. É de um amigo meu. Só estou dando uma força para ele.
    Curtam a história! Aproveitem que a mesma recém começou. Se deixarem para mais tarde, acho que, aí sim, nem uma amizade igual a minha teria saco para curtir os 365 capítulos que o meu amigo diz que o folhetim vai ter, ou seja, 1 ano de capítulos. Haja saco!

    Por último, ele disse-me que a coisa foi feita dentro dos costumes da época. Curtam, então!
    O endereço do BAR DAS DICAS é:
    http://www.facebook.com/pages/BAR-DAS-DICAS/278884935553746

  • febolico diz: 28 de setembro de 2012

    Concordo, Davi, a internet foi uma revolução para o bem ou para o mal, uma de suas vantagens foi a democratização da informação e do conhecimento, antes restritos a uma pequena parcela de afortunados, porém a maldade da internet continua sendo a superficialidade das informações e opiniões a tal cultura do “GOOGLE”, torço para que essa terra sem lei passe a ser policiada, (e não me venham com essas besteiras de liberdade da internet), pois essa ferramenta mata, só isso já seria argumento suficiente para sua vigilância, os computadors aqui de casa são todos vigiados e eu sou o “GRANDE IRMÂO AQUI”…….

  • Alex diz: 28 de setembro de 2012

    Percebo q tem leitores por aqui, q não entenderam a mensagem do blogueiro.

  • Cristiano Scalamato diz: 28 de setembro de 2012

    A internet exige energia e domínio. A grande verdade é que para não ser ludibriado, enganado ou exposto, a internet exige domínio das formas, não só de publicação, como também de ataque e revide. Ela é uma ferramenta profissional, com tendência militar, que é usada por civis sem saber o que fazem…

  • César Anderle diz: 28 de setembro de 2012

    David sou seu fã. Gosto muito de suas crônicas.

    Não acredito no que li acima.

    Cara como tem besteiras na web tem milhões de sites fantásticos, de todo tipo. Ongs, jornais, o seu por exemplo, tvs, revistas, músicas, poderia escrever n linhas…
    Você dizer que o que está na internet só tem importância na internet foi uma das frases mais sem sentido que já ouvi!!!
    A internet permite Ensino a distância de qualidade por Universidade Públicas interiorizando o ensino, permite comunicação com o exterior gratuitamente, acervo de vídeos ilimitado, e-books, etc, etc, etc.

    Sem falar no que o colega falou acima da possibilidade de comentarmos reportagens, postarmos vídeos, etc.

    Não acredito que um jornalista renomado como você está tão alienado em 2012.
    Por favor postem esse comentário e repassem ao David para ele possa evoluir.

    Saudações,

    César Anderle.

  • Luci diz: 28 de setembro de 2012

    pois David, a internet tem outra característica, faz as pessoas se sentirem mais inteligentes, faz elas virarem críticas de cinema, de artes, de tudo um pouco, com tamanha soberba do anonimato, tão impregnada de opiniões, de convicções, por pessoas comuns, que parece um mundo todo de fanatismo.
    Acredito que as pessoas estão valorizando cada vez mais suas opiniões pessoais. E não, não acho isso bom não. É só ler os comentários para os posts que isso fica bem claro.
    São muitos os Xiitas da internet, fãs de bolacha com Tody e MacLanche Feliz.
    Mas cá também estou emitindo minha opinião…..viram?

  • Alexsandro Delazari diz: 28 de setembro de 2012

    Concordo com o Mestre das colunas jornalisticas David Coimbra sobre os vídeos de besteiras q só fazem sucesso porque fazem. E o pior é quem nos recomenda estes vídeos. Abraço David. Volta quando pro Pretinho Básico para nos contar aquelas histórias de loiras voluptuosas , pernas torneadas, etc…

  • Rafael diz: 28 de setembro de 2012

    É! Ismael, vai ler sobre futebol e ver o vídeo da Luísa! Baita texto, de novo, David!

  • Artur diz: 28 de setembro de 2012

    Concordo plenamente com o César, também tem muitsa coisa boa na internet!

  • Silvio Nickele diz: 29 de setembro de 2012

    Concordo em parte com o David. A verdade é que a internet infiltrou-se maquiavelicamente no tecido social, e é complicado que isto retroceda. Como o próprio articulista já comentou em outra ocasião, novamente ela, “a sociedade” (nós, sempre nós mesmos) é que determina para que é utilizada a tecnologia, se para o bem ou para o mau. Inclusive, até mesmo para determinar o vencedor em uma eleição presidencial para clube de futebol, porque não ??

  • Carlos diz: 29 de setembro de 2012

    Caro David: A Internet apenas potencializa os instintos primitivos daquele animal que se autoatribuiu a qualidade de racional (o dito humano). Voce esta certo, a Internet nao nos permite mais ser ingenuo.

  • Ismael diz: 29 de setembro de 2012

    Rafael

    Obrigado, quando alguém responde sem conseguir elaborar um mínimo de contra-argumentação, sinto que estou no caminho certo.

  • ana diz: 29 de setembro de 2012

    É SÓ MAIS UMA CRÔNICA, E DAVI SE NÃO FOSSE A INTERNET EU PODEIRA LER SUAS CRÔNICAS!

  • Gregório Macedo diz: 19 de outubro de 2012

    Excelente crônica. Reproduzi-a em meu blog http://www.domacedo.blogspot.com.br

    Um abraço.

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