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Posts de setembro 2012

A perdição do Grêmio

30 de setembro de 2012 147

A expulsão de Neymar no comecinho do segundo tempo deveria ser uma bênção para o Grêmio.

Foi uma perdição.

O Grêmio, que jogava de olhos arregalados e dentes rilhados, relaxou. Levou o gol. E não soube superar um Santos enrodilhado na defesa.

Faltam 11 rodadas, e o Fluminense tem nove pontos a mais do que o Grêmio. Significa que o Fluminense já é campeão? Não, claro que não, o futebol é surpreendente. Mas quem viu o Fla-Flu viu no Fluminense um time consciente e sólido. O Flamengo jogou melhor, atacou o tempo todo e desperdiçou um pênalti. Parece sorte, só que o Fluminense teve sangue frio para segurar o resultado. A defesa cometeu erros, Abel cometeu erros e ainda assim o Fluminense venceu o clássico. Poderia se complicar com seus erros; passou por cima deles.

O Grêmio, ao contrário, não conseguiu recuperar-se do seu erro. Soçobrou nele. É uma diferença importante. E decisiva.

Inter deu o que tinha para dar

30 de setembro de 2012 28

O Inter saiu abatido do empate com o Cruzeiro em Minas.

Isso depõe a favor do Inter.

Empatar com o Cruzeiro em Minas não é fácil. Em geral, perde-se para o Cruzeiro e Minas. Mas, nas atuais circunstâncias, o Inter teria de ganhar. Porque o Inter praticamente esgotou suas quotas de empates e derrotas no campeonato. Assim, o empate foi um  mau resultado, para um time que quer chegar ao G4.

A pergunta é: o Inter poderia ter ganho? Tem time para ganhar do Cruzeiro em Minas?

Parece que não.

Parece que o Inter não está na chamada “zona de conforto”, parece que dá o que tem para dar, parece que os problemas são mais graves e profundos do que, tão-somente, problemas de empenho e dedicação.

Código David: Os defeitos da humildade e as virtudes da arrogância

30 de setembro de 2012 14

Volta e meia um leitor decide me elogiar e envia um email dizendo assim:
“Em geral te acho um arrogante, mas hoje gostei da tua coluna porque…”

Ele vai me elogiar e começa me xingando.

Estragou o elogio.

Por que não se conteve? Por que não deixou a ressalva para outro dia e se contentou com a parte boa?

Mas o fato é que conheço as motivações deste leitor. Ele até pode gostar do que escrevo, mas não gosta de mim. Então, a intenção dele é deixar isso bem claro:

“Te acho um exibido, viu? Não vai ficar se achando!”

E é precisamente essa a chave: excetuando motivações futebolísticas, que são sempre rasteiras, o leitor não gosta deste ou daquele jornalista por considerá-lo arrogante.

Compreensível.

Somos arrogantes mesmo.

Estamos sempre emitindo opinião sobre todos os assuntos. Então, para que nossa opinião seja valorizada, precisamos estar certos. Aí, defendemos a nossa opinião de tacape em punho e usamos o tacape para atacar quem pensa de forma diferente e logo somos atacados também e num instante estamos nos defendendo e neste momento não é mais a nossa opinião que é certa, NÓS é que somos, NÓS não erramos, NÓS somos os bons. Uma arrogância. Somos arrogantes.
Luto diariamente contra essa arrogância, embora saiba que a humildade não rende popularidade. Ao contrário: as pessoas tendem a acreditar no sujeito que está a todo instante ressaltando seus próprios predicados. Se ele diz que é bom, alguma coisa de bom deve ter, ou não insistiria tanto. Já o humilde deve ter suas razões para tamanha humildade. Se ele mesmo está dizendo que não é tão bom assim, não sou eu que vou contrariá-lo.

As pessoas apreciam os humildes e sentem suave simpatia pelos fracos, mas não os valorizam.

Não.

As pessoas admiram os fortes, os belos e os poderosos. Quando um homem chega a um lugar de queixo erguido e sorriso de lado, quando ele se veste com elegância e se porta com altivez, quando ele diz que é O Cara e que sabe das coisas, as pessoas pensam: tamanha convicção, deve ter suas razões. Ele deve ser bom.

As pessoas acreditam.

O marketing funciona.

Sei de tudo isso e, ainda assim, luto contra a arrogância. Não por ansiar pela simpatia do leitor que me xingou antes de me elogiar, mas pela autenticidade. Prefiro a sólida calma da autenticidade aos lucros do marketing da arrogância. Não está aí uma prova de humildade? Pronto. O leitor aquele pode me elogiar sem medo.

Escolha a sua frase

Vou citar agora duas frases sobre a humildade, e você dirá quem tem razão. A primeira, de Tereza de

Jesus, santa católica do século 16:


“Perante a sabedoria infinita vale mais um pouco de estudo de humildade e um ato de humildade do que toda a ciência do mundo”.


A segunda de um contemporâneo da santa, o nada santo Maquiavel:

“Vê-se muitas vezes que a humildade não só não ajuda, mas prejudica, especialmente quando usada para com pessoas insolentes que, por qualquer razão, se tomaram de ódio por nós”.


Humilhado

Humildade vem do latim, de “húmus”, que é coisa apegada ao chão. Antes do cristianismo era considerada, tão-somente, baixeza. Mas Jesus disse:
“Quem se humilha, será exaltado, e, quem se exalta, será humilhado”.
A partir daí, a humildade se tornou virtude. Se você é cristão, humilhe-se.


Foz

Não fui a Foz do Iguaçu para ver Foz do Iguaçu. Fui para cobrir a Seleção Brasileira de Luxemburgo na Copa América de 99. Assim, quando, numa manhã de sábado de meia folga, saí do hotel para ir às famosas Sete Quedas, o fiz distraidamente. Sabia que assistiria a uma maravilha da Natureza, mas a Natureza, afinal, é repleta de maravilhas, e eu não sou dos que escalam a montanha para me embasbacar com a vista, não sou dessas ecologias, nada disso, acho que a Natureza é ótima, só que cria muito bicho.
Aí aconteceu.
Quando cheguei às Cataratas do Iguaçu, quando deparei com aquele cenário grandioso, quando tive diante de mim aquela explosão de água e cores, quando finalmente me vi DENTRO das cataratas, sentindo no peito e no rosto o poder da cachoeira e a imensidão vertiginosa do abismo sob meus pés e a exuberância da vegetação que a tudo envolvia, quando experimentei essas sensações, gritei.
Foi o que fiz.
Gritei de emoção. E percebi que, ao meu redor, todos gritavam. Era tão forte aquilo tudo, tão bonito e completo, era tão maior do que nós, que nós sentimos a nossa pequeneza, percebemos que nossa arrogância não vale nada, que tudo o mais era só vaidade e assim nós só conseguíamos gritar, e eram gritos de alegria.
Cataratas do Iguaçu. Tenho de mostrá-las ao meu filho.

O que ler

Ed McBain

Outro dia, um leitor me acusou de “arrogância intelectual”. Motivo: nunca recomendei um único livro policial nesta pequena seção. “Você deve achar literatura menor”, escreveu ele, como se fizesse tsc tsc. Nada disso. Gosto de livros policiais, os chamados romances noir (do francês, “preto”, diz-se “noar” e não tem nada a ver com a síndica do seu prédio, a Dona Noir). Gosto tanto que vou indicar um mestre, Ed McBain.

Ed McBain na verdade não se chamava Ed McBain, chamava-se Evan Hunter. Bem, na verdade, verdade, nem Evan Hunter ele se chamava. Esse foi o nome que adotou oficialmente. Seu nome de batismo era Salvatore Lombino. Mas Lombino não era italiano, era americano de Nova York. Escrevia muito e bem. Escreveu dezenas de romances sob diversos pseudônimos. Podia ser considerado o que se chama de escritor prolífico. Algumas de suas histórias foram adaptadas para o cinema. É dele inclusive o roteiro de “Os Pássaros”, de Alfred Hitchcock.  Seus maiores sucessos foram sob o nome de McBain, e por isso sugiro que você leia um romance, qualquer romance, deste autor. Se você gosta de policiais, não se arrependerá. Mas, para que você não saia atirando no escuro, vou apontar um título: “Viúvas”. Corra agora mesmo para a livraria e você terá um agradável domingo de primavera.

Quem vai prestar atenção em você?

29 de setembro de 2012 2

Depois de dois ELOs vai aí um antigo Drive para uma noite amena de sábado:

Coisa viva

29 de setembro de 2012 1

Aproveite o sábado de primavera para lembrar outro sucesso dos violinos da ELO:

O último trem

29 de setembro de 2012 4

Ouvi este som da velha banda inglesa ELO e tive saudades das pints que eu, o Piangers e o Túlio bebíamos em London, durante a Olimpíada.
A Eletric Light Orchestra se destacou nos anos 80 por usar violino e violoncelo em suas músicas.

Quando descobri a internet

28 de setembro de 2012 16

Internet é coisa de jovem, mas a primeira pessoa que me falou sobre sua existência foi um cara que respira neste Vale de Lágrimas pelo menos uma década antes de mim: o velho lobo da imprensa Carlos Wagner. Isso se deu lá nos albores dos anos 90. Wagner, o repórter mais premiado do Brasil, me pegou na redação e contou, entusiasmado, que estava participando de uma rede virtual entre universidades que, em algum tempo, transformaria o mundo. O mundo! Ouvi, algo distraído, e saí para fazer minha pauta. Transformar o mundo. Sei.

Veja você como a gente deve prestar atenção no que diz um velho lobo da imprensa.

Li outro dia que apenas 18% das pessoas com 50 anos ou mais usam a internet. Coisa de jovem. Compreensível. As pessoas, depois das aventuras e desventuras da juventude, adotam uma forma de viver, cultivam hábitos, aferram-se a eles. Aí, quando tudo está bem posto, surge uma novidade que lhes exige o esforço do aprendizado. Mais trabalho. Exatamente no momento em que elas planejavam, tão somente, fruir a existência.

Sacanagem.

Eu aqui não cultivo preconceitos em relação à internet. Não tenho tuíter, não tenho Facebook, estou reduzindo a leitura de e-mails a menos de meia hora, e só nos dias úteis, mas não faço tais restrições por achar a internet algo ruim. Ao contrário, é algo bom. Mas toma tempo. Trata-se de uma questão de prioridades.

A internet é uma ferramenta, nada mais. Pode ser bem ou mal usada, como qualquer ferramenta.

Tempos atrás, discuti por e-mail com um estudante de Letras. Ele foi arrogante, e decidi dar-lhe uma resposta no mesmo tom. Ele postou minha resposta nas chamadas “redes sociais”. Quer dizer: tornou pública uma correspondência pessoal. Depois disso, reavaliei meu relacionamento virtual com leitores.

Também aprendi que, às vezes, o que está na internet só tem importância na internet. Fora dali, no mundo real, aquilo que pulsa e freme na internet inexiste. É zero. Torna-se verdadeiro apenas quando o mundo real o reconhece. Por que 1 milhão de pessoas acessam uma besteira no YouTube, tipo “Luísa está no Canadá”? Resposta: porque 1 milhão de pessoas acessaram a besteira no YouTube, tipo “Luísa está no Canadá”. O troço faz sucesso porque faz sucesso, sem mérito algum. Vira realidade quando vai para a TV, para o jornal, para a rua. Se fica restrito à internet, evapora.

Porém… algo que só deveria existir na internet pode transformar-se em realidade distorcida. O tal filmeco que ofende o Islã não passa disso: de um filmeco malfeito e mal-intencionado, feito por um picareta, com 14 minutos de duração, algo de péssimo gosto que deveria se esfarelar no YouTube sem que ninguém lhe desse importância. Mas, por razões diversas, os radicais lhe deram importância, e tem gente matando e morrendo por causa disso. Matando e morrendo, graças às facilidades da internet. O mundo mudou, como havia vaticinado o Wagner, e ainda não aprendemos a lidar com essa mudança. Dá trabalho aprender. E é preciso aprender. Sempre.

Som de Sexta

28 de setembro de 2012 6

Minha irmã era louca pelo James Taylor nos anos 80.
Lembro de quando ele veio para o Rock in Rio. Ele cantava e os casais choravam…

Hoje, o Piangers e o Potter, do Pretinho, acham o James Taylor ridículo. Os anos 80 talvez tenham sido realmente ridículos, mas há uma boa quota de ridículo nos anos 10 do século 21, tenho certeza de que os pósteros vão achar isso também.

Sala de Redação

27 de setembro de 2012 3

Ouça o Sala de Redação desta quinta-feira.

Túnel do Tempo: A terrível pergunta do lateral Cabral

26 de setembro de 2012 7

Era difícil não olhar para a mulher do Cabral. Morena jambo, voluptuosa, com uma malícia esverdeada reluzindo no olhar.

Milena.

Quem a via, dizia: Milena peca. Ou pecará. Tinha todo o jeito de quem podia pecar, e talvez até pecasse, só que Cabral jamais se afastava dela. Nem quando ia jogar, que Cabral era profissional da várzea. Profissional mesmo, 400 reais por jogo, o maior salário amador da cidade.

Mas quem pagava não se arrependia: Cabral garantia segurança absoluta na lateral-direita, Cabral dizia-se, e era, à prova de ponta. Ninguém sabia como, porque era lento, era tosco, não dava em bola. Só era forte, só isso, mas pontas serelepes passam por laterais fortes, até humilham laterais fortes. Menos Cabral.Cabral nunca havia sido driblado por atacante algum.

Assim transcorreu sua carreira varziana, no entanto bem remunerada, até que um dia, o Cabral já veterano, meio gordo, mais lento do que jamais fora, coube ao time dele, o Canarinho, enfrentar o nosso, o bravo Huracán. Um clássico iapiano. O Canarinho sempre ganhava.

Daquela vez, contudo, o Jorge Barnabé jogava na ponta do Huracán. Chamavam-no Barnabé pela semelhança com um obscuro detetive de TV, Barnaby Jones. Nunca ninguém assistiu a um único capítulo de Barnaby Jones, no Brasil, exceto o goleiro Languiça, que foi quem grudou o apelido no Barnabé.

Barnabé era magro, alto e, o ponto importante, muito rápido. Sempre vencia os laterais, qualquer lateral. Por isso, o Huracán apostava na velocidade do Barnabé para obter sua primeira vitória sobre o Canarinho. Não seria um veterano, sobejamente conhecido por sua lentidão, que pararia o Barnabé. Ah, não.

Assim, todas as estratégias do Huracán passavam pela rapidez do Barnabé e, durante toda a semana, ele prometeu que ganharia o jogo. Atropelaria o Cabral e ganharia o jogo!

No domingo de manhã, lá estavam todos no Alim Pedro. O Barnabé de um lado, saltitando, explodindo de energia; o Cabral de outro, forte, ameaçador, mas de movimentos lerdos como um paquiderme.

No alambrado, agarrada à tela de arame, ela, Milena, sedutora dentro de seu shortinho mínimo. Quando Cabral estava virado para outro canto do estádio, todos olhavam para Milena. Quando ele se voltava, todos disfarçavam.

Era visível a diferença entre o Barnabé e o Cabral, sentíamos nas travas das chuteiras que o Barnabé voaria o jogo inteiro área adentro, sem que Cabral sequer o achasse para fazer falta nele. Estava na mão — o Huracán venceria, enfim.

Mas não foi o que aconteceu.

Não foi. Antes do jogo, o Cabral aproximou-se mansamente do Barnabé e disse algo para ele. Falou baixinho, ninguém ouviu, mas alguns flagraram o constrangimento do Barnabé. O Barnabé gaguejava:
— Eu? N-nada… Ju-juro… Na-nada…

O Cabral, então, levantou uma sobrancelha e indagou:
— Nada?…

E o Barnabé ficou ainda mais embaraçado. Enrubesceu, uma gota de suor rolou de sua testa e umedeceu a grama.
— Não! — protestou ele. — Não é nada disso! Claro que acho, sim, acho, mas não é nada disso que tu… que você… que o senhor… eu na verdade… eu… eu… com todo o respeito… tenho muito respeito… eu…

Ao que, o Cabral interrompeu.
— Sei — disse somente, e deu-lhe as costas, voltando para sua metade de campo.

Depois daquele diálogo insólito, o Barnabé teve a pior atuação da sua vida. Não foi uma só vez à linha de fundo, não passou nem perto do Cabral, a lateral direita do Canarinho foi um terreno intocado durante 90 minutos, e o Huracán perdeu de novo. Terminado o jogo, claro, fomos no Barnabé. Queríamos saber o que o Cabral dissera para ele.

— Não disse nada — respondeu o Barnabé. — Ele só fez uma pergunta.
— Uma pergunta? Que pergunta???

E o Barnabé contou que o Cabral olhou fixamente em seus olhos, um olhar duro de pedra, e perguntou:
— O que tu achas da minha mulher?

E o Barnabé olhou para Milena pendurada no alambrado, Milena deleitável e robusta, Milena de shortinho, Milena para quem era impossível não olhar e de quem era impensável não pensar nada, e o Barnabé queria muito responder, queria muito dizer o que sentia, queria gritar: 
— Ela peca! Ela tem que pecar!

Mas ao mesmo tempo não podia, e sofreu tanto por aquilo tudo, tanto, tanto, que soube, de pronto, que não jogaria nada, que estava irremediavelmente perturbado, que não conseguiria se concentrar na bola, que a tarde estava acabada para ele. Foi o que se deu, e o Cabral continuou imbatível, continuou à prova de ponta.

Continuou merecendo o maior salário amador da cidade, 400 reais por jogo.

Amor de mãe

25 de setembro de 2012 12

O torcedor do Atlético Mineiro abriu, no meio da arquibancada fremente do Independência, um painel em que estava representada uma cena de amor filial entre Ronaldinho e Dona Miguelina.
Foi pouco antes do jogo de domingo, isso, a TV mostrou.
E, um minuto depois, a TV procurou o rosto de Ronaldinho, e ele parecia mesmo tocado, o ar lhe vinha do fundo do peito e na testa havia rugas que ainda não lhe foram cavadas em seus 32 anos de idade.
Mais um tanto, um repórter perguntoulhe o que sentia a respeito, e ele disse que queria retribuir a homenagem com grande atuação e, se possível, gols.
Ronaldinho de fato jogou bem, craque que é.
Não houve gols porque a defesa do Grêmio estava alerta e bem orientada.
Mas o mais interessante foi a intenção da homenagem.
O torcedor queria emocionar Ronaldinho e, assim, motivá- lo para o jogo.
Para tanto, investiu em um painel que não deve ter sido barato nem fruto de pouco trabalho, e usou o que é sabidamente mais caro ao jogador: o amor que ele sente por Dona Miguelina.
Não é prova de afeto do torcedor por Ronaldinho.
Também não é prova de apreço do torcedor pela relação entre filho e mãe.
Não é prova nem de respeito do torcedor pelos sentimentos do jogador.
É prova da craqueza de Ronaldinho.
Nenhum pata dura, por melhor filho que seja, ganha esse tipo de afago da arquibancada.

Nenhum outro sentimento

Freud dizia que não existe, nas relações humanas, amor igual ao que sente a mãe pelo filho homem.
Nenhum outro sentimento é tão poderoso.
E o objeto deste amor, é evidente, caminha pelo mundo sentindo a segurança de tê- lo na base da sua personalidade.
Ser filho de Dona Miguelina é muito do que é Ronaldinho.

O centro no centro

Ronaldinho é o centro do time do Atlético Mineiro porque ele está no centro do time do Atlético Mineiro.
Essa talvez tenha sido a grande obra de Cuca em Belo Horizonte: puxou Ronaldinho das sombras da ponta- esquerda para o iluminado meio da intermediária ofensiva.
Ali ele levanta a cabeça e vê o campo inteiro e o time se abre para a sua bola certeira e ele pode ser decisivo, não apenas acessório.
Para um jogador habilidoso é confortável saber que, às suas costas, há a linha lateral e não um inimigo rosnante.
Mas, para o time, o melhor é que o habilidoso se movimente pelo centro da ação e, assim, seja também ele o centro da ação.

O centro do Grêmio

Kleber, no Grêmio, poderia prestar atenção ao que ocorreu com Ronaldinho.
Kleber tem habilidade para reter a bola e força para suportar o assédio dos zagueiros.
Mas está jogando na ponta- esquerda, à margem do jogo, onde tudo o que acontece sempre será menos do que pode acontecer no meio.
Kleber tinha de sair da segurança do flanco e ir para o bolor, para o meio da batalha, lá onde se terçam espadas.

A peça mais importante

Quem joga xadrez sabe: vence a partida quem domina o centro do tabuleiro, e dominará o centro do tabuleiro quem lá embutir suas peças fortes, uma das agressivas torres, quem sabe um bispo com seus ataques em diagonal ou um cavalo com seus saltos em ele.
Certo.
Mas o melhor, realmente, é se a dama estiver posicionada no centro.
A dama é a peça mais importante, é a que tem mais recursos, é a que pode mais.
Ronaldinho é a dama do Atlético; Kleber a do Grêmio.
E a dama tem de estar no meio.

O patrão

Fernandão granjeou o apoio da torcida ao expor os jogadores do Inter em público não por ter sido ídolo do time até anteontem.
Foi porque ele fez a cobrança do valor mais prezado pelo torcedor: dedicação.
No futebol, o torcedor é consumidor; no clube, o torcedor é patrão.

* Texto publicado na Zero Hora desta terça-feira, 25 de setembro

Sala de Redação

24 de setembro de 2012 1

Ouça o Sala de Redação desta segunda-feira.

Jogo de gigantes

24 de setembro de 2012 52

Grêmio e Atlético fizeram um jogo de gigantes, ontem, em Minas. Um jogo de times bem treinados, com boas alternativas, com jogadores que sabem o que fazer em campo. Não é à toa que estão nos píncaros da tabela.

O Atlético tem um diferencial, um craque, Ronaldinho, todos sabem. Mas Fernando e Souza o vigiaram com atenção de pitbull, e Ronaldinho não conseguiu ser decisivo, como todo craque deve ser.

O Grêmio montou um time ajustado, mas, neste caso, o termo “ajustado” corresponde também a justo, apertado. Se o time perde um único titular, se ressente. Quando Elano e Zé Roberto tiveram de sair, o Grêmio, que dominava o segundo tempo, ficou desasado, meio torto para um lado, poderia ter perdido a partida e, por isso, festejou o empate.

O destaque positivo da partida? Luxemburgo. Acertou o time no intervalo e só não venceu o jogo porque não tem opções na reserva. Destaque negativo? Nenhum. Todos, nos dois times, foram concentrados, conscientes, enérgicos. Gigantes.

O Wianey acertou

23 de setembro de 2012 40

O Wianey estava certo.

Colocados na parede por Fernandão, expostos à censura do torcedor, os jogadores do Inter venceram bem a partida contra o Bahia.

O G-4 é possível, o G-3 é improvável.

Mas o mais importante é saber se a disposição de hoje se repetirá longe de Porto Alegre e do olhar vigilante da torcida.

Grêmio e Atlético - jogo de campeões

23 de setembro de 2012 13

Que belíssimo jogo fizeram Grêmio e Atlético em Minas.

Um jogo de campeões.

Dois times bem treinados, com jogadores que sabem o que fazer em campo, que atuaram com energia, concentração e categoria.

E ainda havia a craqueza de Ronaldinho, o futebol macio de Zé Roberto e o vigor de Fernando.

Grande partida.

O Grêmio fica distante do Fluminense, o Atlético nem tanto, mas ainda faltam 12 rodadas. Muita coisa pode acontecer em 12 rodadas.