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Posts de novembro 2012

Túnel do Tempo: Cris, a Fera - 10º capítulo

30 de novembro de 2012 0


Vou suprimir os detalhes enfadonhos do jogo de negaças e promessas que faz parte do ritual de acasalamento do ser humano. Vou direto ao ponto: 20 minutos depois, estávamos no apartamento dele, sentados no sofá da sala, cada um com uma taça de champanhe na mão. Tudo muito parecido com o que ocorreu com os dois tipos anteriores — como já disse, os homens são fastidiosamente previsíveis.


Decorrida uma conversa preliminar, o tal Fetter estava sobre mim, arfando e apalpando. Não se concentrou nas pernas; preferiu os seios. Amassava meus seios, sugava-os, lambia-os, mordiscava-os de uma forma que, confesso, até me deu certo prazer. Foi por isso que deixei a coisa continuar, até certo ponto.

Cheguei a cogitar de consumar o ato com o sujeitinho, mas aconteceu algo que me fez mudar de idéia: ao atirar a cabeça para trás, vi um porta-retratos. No porta-retratos, uma fotografia. Na fotografia, o Fetter abraçado amorosamente a uma loira. Como não tinha visto aquela foto antes? Ao entrar, observei bem o apartamento, prestei atenção em cada detalhe. Mas aquela foto estava entrincheirada numa pilha de CDs, como se estivesse escondida…

Aí compreendi.
Compreendi!

Ele havia escondido a foto! Provavelmente escondera várias outras. Claro: o cafajeste devia ser casado! Foi o que disse, ao me aprumar no sofá e ajeitar a blusa:
— Você é casado!

Ele sorriu.
— Hein!
— Não se faça de bobo! Você é casado!

E apontei para a foto. Ele olhou para a estante e, decerto constatando que deixara passar uma prova, apertou os lábios e fez uma cara marota.
— Ah, você também é casada…
— Onde está sua mulher?
— Está viajando — aproximou-se de mim outra vez. Agarrou-me pela cintura. Beijou meu pescoço. Levou as mãos meus seios novamente. Repetiu: — Você também é casada, você também é casada…

Eu não queria mais. Eu estava irritada e decepcionada. Homens! Desprezo os homens!
— Pára — pedi. — Pára.

Ele não parava. Bufava e resfolgava e me bolinava. Gemi, simulando excitação:
— Só um pouquinho, amor, que tenho uma surpresinha pra você, aqui na bolsa…

Ele ergueu as sobrancelhas.
— Surpresinha?

E me largou.

Meti a mão na bolsa. Tateei até encontrar o bastão de eletrochoque. Encontrei.
— Que surpresinha? — perguntou ele de novo, sorrindo.
— Esta! — gritei, aplicando-lhe um choque poderoso na ilharga.

O sujeito deu um berro de dor e caiu para trás, batendo com a cabeça no braço do sofá. Estava imobilizado, mas, curiosamente, não desmaiou. Olhava-me com o terror enegrecendo-lhe o rosto. Mais aterrorizado ficou quando puxei a faquinha da bolsa. Uma faquinha de lâmina afiada, que levei até a base do queixo do desgraçado. Fiquei passando-lhe as costas da faca na garganta, fazendo-lhe sentir o metal frio que em breve acabaria com sua vida. Rosnava:
— Você não é boa pessoa… Você não é boa pessoa…

Ele me olhava de olhos esbugalhados, babava, gania baixinho, mas não tinha forças para gritar. Eu sorria malignamente e repetia sempre e sempre:
— Você não é boa pessoa…

Preparei-me para executá-lo, e ia fazê-lo com gosto. Mas ouvi um grito. Um grito que primeiro me pôs em alerta.

Depois me deixou em pânico.

Que grito ela ouviu?
Quem gritou?
Saiba no próximo capítulo de… Cris, a Fera!!!

Sala de Redação

30 de novembro de 2012 5

Ouça o Sala de Redação desta sexta-feira.

Coração selvagem

30 de novembro de 2012 18

Esse senhor de basto bigode que zanzou feito um fantasma por Porto Alegre dias atrás, Belchior, esse senhor estranho é um símbolo. Belchior é uma estátua viva à juventude, à inconformidade, à contestação reflexiva e, também, à imaturidade.

Você pode aprender muito, se conhecer Belchior, se prestar atenção no que ele escreveu e no que ele se transformou. Belchior foi um poeta inexcedível. Repare neste verso:

“Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção.

Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão”.

Não é uma bela imagem, o beijo que ela leva escondido nas dobras do blusão?

Em outro poema, Belchior tomou emprestada a verve de Olavo Bilac:

“Ora, direis, ouvir estrelas! Certo perdeste o senso. Eu vos direi, no entanto: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto”.

Bonito.

Mas o importante de Belchior não é a beleza das suas composições. O importante é quando ele confessa que a sua alucinação é suportar o dia a dia. É a alucinação de todos, certo, mas Belchior não está exagerando sobre si mesmo. Em outra canção ele diz a um parceiro:

“Se você vier me perguntar por onde andei

No tempo em que você sonhava,

De olhos abertos lhe direi:

Amigo, eu me desesperava”.

Ele se desesperava com o dia a dia, ele se desesperava ao perceber que a juventude do seu coração era perversa, uma juventude que só entendia o que era cruel, o que era paixão, porque assim é a juventude.

Belchior sabia que a felicidade é uma arma quente, mas isso não lhe serviu de consolo. A fama, o sucesso e o dinheiro não foram suficientes para aplacar a dor existencial de Belchior. Ele não se conformou. Prova-o o seu futuro, que o futuro dele está acontecendo hoje. Prova-o esse ser humano enigmático que vaga pelo sul do continente meio que sem rumo, hospedando-se em hotéis sem ter dinheiro para pagá-los, doce e arredio ao mesmo tempo, parecendo ora aflito, ora sereno, sendo hoje o que foi sempre.

Belchior ficou congelado nos anos 70. Jamais saiu de sua própria juventude e, suponho, jamais sairá. Em uma de suas grandes composições há uma frase que diz tudo sobre ele, uma frase que resume o que é o coração selvagem de quem começa a se conhecer:

“Ainda sou estudante da vida que eu quero dar”.

É isso. Belchior sabia que a vida de uma pessoa é dada a outras pessoas. Mas que vida ele queria dar? Para quem? Essas eram as perguntas que o inquietavam, e que inquietam a quem quer que pense. Olhando para o Belchior pálido de hoje fico pensando se ele, enfim, descobriu as respostas.

* Texto publicado na Zero Hora desta sexta-feira, 30 de novembro.

Som de Sexta

30 de novembro de 2012 4

Ouça O Velho:

Sala de Redação

29 de novembro de 2012 3

Ouça o Sala de Redação desta quinta-feira.

Felipão e Parreira - a confirmação

29 de novembro de 2012 12

Como o leitorinho do blog sabia desde sexta-feira à tarde, e só o leitorinho do blog sabia desde sexta-feira à tarde, Felipão foi confirmado como técnico e Parreira como coordenador da Seleção Brasileira.
Marin disse que foram escolhidos por sua experiência. É um critério, o importante é ter critérios. De fato, eles têm experiência, foram os dois últimos campeões do mundo com o Brasil, mas não estão tendo bom rendimento há muitos anos. Felipão ganhou a Copa do Brasil com o Palmeiras, verdade, mas foi o seu erro estratégico que fez o time cair para a Segunda Divisão. E Parreira não conseguiu fazer a seleção da África do Sul passar da primeira fase jogando em casa, em 2010.
De qualquer forma, treinar a Seleção Brasileira jogando uma Copa no Brasil pode tornar o trabalho deles muito mais fácil. O sucesso, porém, será obrigatório. Felipão e Parreira estão proibidos de fracassar.

Túnel do Tempo: Cris, a Fera - 9º Capítulo

29 de novembro de 2012 7

Minha minissaia diminuía a cada noite que saía para caçar. Sentia-me mais ousada, mais sensual. Mais feroz. A experiência com aquele Paulo Germano inflara-me de confiança, eu estava cheia de idéias. Naquele sábado, tomei um táxi até a Calçada da Fama. Caminhei em cima das minhas botas de salto alto até o primeiro bar, o Jazz Café. Sentei-me e cruzei as pernas. Sentia a aragem suave da noite envolver as minhas coxas, e isso me excitava. Notei que todo o bar me olhou. Ergui o queixo. Queria deixar claro que eu não era uma mulher fácil.

- Alemão! – chamou um rapaz que estava sentado na mesa ao lado da minha.

- Senhor Régis Rondelli! – saudou-lhe sorrindo o garçom, um loiro não muito alto.

- Sai um chopinho ou vai fazer falta?

- É pra já. O senhor está sozinho hoje?

- O Nico vai chegar daqui a pouco.

- Vou reservar uma Paulaner, então.

Antes de o garçom sair para fazer o pedido, percebi que ele e o tal Rondelli cochicharam algo sobre mim. Tenho certeza de que falavam de mim. O garçom Alemão foi ao balcão, voltou e postou-se ao meu lado, solícito:

- Pois não?

- Que champanhe vocês têm?

- Chandon?

- Uma taça.

Em um minuto, a champanhe estava borbulhando diante de mim. Fiquei sorvendo os olhares dos homens e das mulheres no entorno, sentindo-me uma fera capaz de devorá-los a todos. A todos.

O amigo do tal Rondelli chegou. Um tipo interessante. Mas sua postura, seu jeito de andar e falar me diziam que era um pobre. No máximo, remediado. Não me interessava. O amigo esse ficou me olhando fixamente, segredando com o tal Rondelli. Falavam de mim, óbvio. Intuí que ele iria me abordar, se continuasse no bar, e eu não queria ser abordada por ele. Queria caçar. Decidi mudar de território. Chamei o garçom Alemão, pedi a conta e saí. Ouvi o suspiro que se espalhou pelo bar quando me levantei. Dobrei a esquina, passei por entre as mesinhas dos bares, continuei caminhando pela rua sem saber exatamente onde ir, até que ouvi alguém chamando:

- Moça! Por favor, moça!

Parei. Olhei para trás. Um sujeito alto e bronzeado. Bom sinal, o bronzeado. Sinal de quem não trabalha muito, e quem não trabalha muito quase sempre tem dinheiro. Rapidamente, conferi seus sapatos (a mulher sempre confere os sapatos do homem). Ótimos sapatos. Limpos, novos, caros. Ele vestia uma camisa pólo da Lacoste. Era esse!

- Moça! – repetiu ele, esbaforido. - Desculpe abordá-la assim, mas é que eu a vi sentada ali no bar e, puxa, desculpe, mas eu tinha que falar com você.

Hmm, gostei da forma gramatical correta. %22Abordá-la%22. %22Eu a vi%22. Ah, esse homem tinha dinheiro! Estava claro que tinha!

Não ri para ele. Mantive-me impassível. Distante.

- Sim? - perguntei.

Ele começou a falar. Parecia nervoso. Falava rapidamente, as sílabas se atropelando umas às outras, torcendo as mãos.

- Desculpe, desculpe, desculpe! Olha, eu nunca fiz isso. Nunca! Mas não resisti ao vê-la. Você… É tão linda… Tão linda… Eu queria tanto conversar com você, queria tanto poder conhecê-la e…

- Olha, vou ser bem sincera - o interrompi. - Não posso ficar aqui conversando com você.

Ele engoliu em seco:

- P-por quê?

Sua voz estava trêmula. Outro patinho.

- Sou uma mulher casada. Tive uma briga com o meu marido e saí de casa para espairecer. Confesso: tenho vontade de me vingar dele. Ele andou aprontando… Mas quero me vingar sem que ele saiba. Ele não pode descobrir onde estou, nem o que estou fazendo, por isso não posso ficar aqui na rua, conversando com um estranho.

- Mas então vamos para algum lugar. Para o bar ali no outro lado da rua.

- Não! Também não posso ir com você para um bar. De jeito nenhum. As pessoas vão me ver. Sou uma mulher conhecida…

- Mas onde, então?

- Não sei… Onde você mora?

- Eu? Moro aqui perto. Na Plínio… A gente podia ir até a minha casa…

- Você mora sozinho?

- Moro, moro!

- Tem porteiro no seu edifício? Não quero que ninguém me veja entrando no apartamento de um estranho. Podem me reconhecer.

- Tem porteiro… - ele pareceu decepcionado. – Mas, olha! – alegrou-se de novo, como se tivesse feito uma descoberta. – Nós podemos entrar pela garagem e subir direto pelo elevador. Ele não vai ver você. No máximo, vai ver um vulto no carro. Os vidros do meu carro têm insulfilm!

Ele explodia numa alegria infantil, todo sorrisos. Devia estar pensando que havia conseguido a caça da sua vida. Mal sabia que a caça era ele.

Em um minuto, estávamos dentro do seu carro, um Audi cinza. Chamava-se Fetter, e em meia hora estaria deitado no chão do seu próprio apartamento, imobilizado pelo meu bastão de eletrochoque. Isso já posso adiantar que aconteceu. O resto, não. O resto foi terrível.

O resto você só saberá amanhã, no próximo capítulo de… Cris, a Fera!

Túnel do Tempo: Cris, a Fera - 8º capítulo

28 de novembro de 2012 0

Eu estava sem calcinha. Meu Deus, sem calcinha! Como consegui ser tão ousada? Tão louca?

Curioso, as coisas foram se sucedendo sem planejamento. Fui fazendo, simplesmente… Nunca tinha pensado em nada parecido com aquilo, nunca, em nenhuma das minhas fantasias desvairadas, e às vezes sou dada a fantasias desvairadas.

Mas, naquela noite de sexta, apenas sentia e fazia. Ou, melhor: ordenava. E isso talvez tenha sido o mais excitante, o que despertou minha imaginação: podia fazer o que bem entendesse com aquele cara. Mandava, e ele obedecia. Ele estava subjugado, estava aos meus pés. Ele era meu.

Outro ponto importante: não queria nada com ele. E o que era de fato decisivo: eu, na verdade, não era eu: era Silvia, a loira. Quer dizer: ele poderia pensar o que quisesse de mim, pouco me importava. A insana, a ninfomaníaca, a Fera não era Cris; era Silvia.

Então comecei indo até o aparelho de som e escolhendo uma música. Ele quis se levantar para me ajudar. Gritei, apontando para a poltrona:
— Fica aí!

Ele obedeceu. Pensei ter ouvido um pequeno ganido, quando ele se afundou na poltrona.

Escolhi uma música. Eric Clapton. E dancei para ele. Dancei seminua. Sem calcinha. Dancei como jamais dancei, com trejeitos e esgares que não acreditava poder fazer. Dancei tocando-me, alisando-me, sentindo-me plena e ainda mais plena por saber que ele olhava e sofria, preso à poltrona.

Quando fazia menção de se erguer, eu apontava para a poltrona, e era como se meu dedo tivesse o poder de fincá-lo no assento, como se do meu dedo saísse um raio paralisante. Um dedo meu era o que bastava.
Eu tinha o poder.
Eu o tinha sob o meu poder.
E eu me aproveitei disso.

Sentei-me no sofá e mandei que ele viesse rastejando até mim. Ele veio, arfando.
— Pode tocar meus pés — disse-lhe, estendendo um pé calçado com uma sandália de tiras trançadas até minhas canelas macias. — Mas só os pés!

Ele ficou ali, deitado ao chão, beijando meus pés, cheirando-os, apalpando-os, lambendo-os. Tentava avançar, tentava subir até as panturrilhas, eu o rechaçava.
— Comporte-se, cachorro! — determinava.
Ele se comportava.

Não devo falar mais. Não posso. Só conto que ele não me tocou além dos tornozelos. Que não deixei que se levantasse do chão. E que, mais tarde, ele confessou, entre lágrimas, que aquela tinha sido a melhor noite da sua vida.

Depois que o irmão dele desligou a TV e foi dormir, fiz com que me levasse em casa. No caminho, não falei uma única palavra. Já tinha feito o que queria. Não precisava mais dele. Despedi-me muda, mas, antes de sair do carro, estendi-lhe a mão fechada, como quem oferece uma surpresa.

Ele piscou. Esticou o braço e abriu a palma da mão debaixo da minha. Deixei cair entre seus dedos a minha calcinha, que havia colhido do chão da cobertura e não havia vestido.
Saí do carro. Sem virar as costas, disse-lhe:
— Eu ligo.
E fui embora.

Ainda ia encontrar aquele sujeitinho de novo. E, prometi a mim mesma, ainda ia abrir-lhe a garganta. Mas agora teria de dar um tempo. Não poderia acabar com ele até o irmão voltar para o Interior. Não poderia sair duas vezes seguidas com o mesmo tipo. Teria de arranjar outra vítima. O dia seguinte seria sábado. Sairia como Cris, não como Silvia. Voltaria à caça! E, desta vez, conseguiria.

Será que ela conseguiu?
Será?
Saiba amanhã, em mais um excitante (mesmo!) capítulo de… Cris, a Fera!

Sala de Redação

28 de novembro de 2012 7

Ouça o Sala de Redação desta quarta-feira.

Túnel do Tempo: Cris, a Fera - 7º Capítulo

28 de novembro de 2012 6

Som de passos na escada. Havia alguém no andar de baixo! Antes que Paulo se virasse para mim, enfiei o bastão de eletrochoque na bolsa. Quase saltei do sofá.

- Tem alguém aí! – gritei.

- Tem alguém aí! – repeti.

E novamente:

- Tem alguém aí!!!

Levantei-me, nervosa. Paulo olhou para a escada, depois para mim.

- Ah, deve ser o meu irmão… Ele tem a chave do apartamento, deve ter chegado agora do Interior e…

- Irmão? Que história é essa de irmão??? – estava furiosa. Sentia-me traída. Enganada. Mais uma vez, um homem me enganava!

- Meu irmão… Ele mora com meus pais, mas deve ter chegado agora…

- Você disse que estava sozinho!

- E estava! Ele deve ter chegado agora…

- Manda ele descer!

- Como assim?

- Manda! Não quero que ninguém me veja aqui! Esqueceu o que eu havia dito??? Sou casada!

Paulo ergueu-se do sofá, vacilante. Já podia ver os cabelos do irmão dele, que apontavam na parte de cima da escada em espiral.

- Oi, Paulo – o irmão o saudava sem vê-lo.

- Peraí, peraí! - Paulo, percebendo que eu estava furiosa, correu para a escada. - Não sobe!

- Que que foi?

O outro parou. Vi o tampo da testa dele.

- Peraí que vou descer!

- Que que foi? - estava tentando subir.

- Não sobe! - ordenou Paulo. - Estou descendo!

Desceu. Ficaram conversando aos sussurros lá embaixo. Eu, cada vez mais irritada, andava de um lado para outro na cobertura. Não poderia mais usar o bastão de eletrochoque nele. Não poderia mais passar-lhe a faca. Pelo menos não hoje. Não com aquele outro em casa. Ah, mas não desistiria de liquidar aquele vira-lata! Eu o pegaria mais cedo ou mais tarde. Só que o pirralho não poderia me ver. Que fazer?

Pensava nisso, quando Paulo voltou.

- Tudo bem, ele não vai subir - disse, sorrindo.

- Ele não pode me ver aqui! – ralhei, mãos à cintura.

- Não vai ver! Prometo! Ele só vai ficar vendo televisão um pouquinho, depois vai dormir…

- Televisão??? Ele vai ficar vendo televisão???

- Só um pouquinho… Juro…

Então, ali estava eu, de peruca loira, presa numa cobertura com um imbecil de cabelo black-power. Não podia sair, ou o irmãozinho retardado me veria. Também não poderia liquidar o imbecil de black-power. A não ser que liquidasse os dois, o que era inviável. Tinha de ficar lá. Sentei-me num humpf, conformada. Paulo se aproximou, os olhos pidões, respirando com dificuldade. Ele estava à minha mercê. Um cachorrinho, realmente. Muito diferente daquele outro que eliminei. Podia fazer o que bem entendesse com aquele tolo. Dava-me prazer, essa sensação. Era como se tivesse um servo. Um escravo.

Sorri, excitada com as possibilidades que me surgiam. Nesse momento, veio-me a inspiração.

- Senta ali naquela poltrona! – mandei.

Ele obedeceu, perturbado. Fui para o meio do sofá, ficando exatamente em frente a ele.

- É o seguinte: – falava com voz de comando. - Você vai me obedecer, entendeu?

Ele balançou a cabeça, obediente.

- Entendeu??? - gritei.

- Entendi, entendi.

- Você não vai se mexer daí, entendeu?

- Entendi.

- Não vai sair da poltrona!

- Não vou!

- Se você sair, acabou a noite! Entendeu???

- Entendi, entendi!

Sentada diante dele, comecei meu show. Levantei. Tirei a calcinha – usava uma calcinha bem pequena. Tirei lentamente. Primeiro uma perna. Depois outra. Sentei-me outra vez. Ele arregalou os olhos. Abriu a boca. Vi que salivava, vi que suava. Levei as mãos para os lados de dentro das minhas coxas. Abri as pernas devagar. E uma noite louca se iniciou.

O que aconteceu naquela noite de sexta?

O que, por mil wolfrembaers????

Saiba no próximo capítulo de… Cris, a Fera!!!

Túnel do Tempo: Cris, a Fera - 6º Capítulo

27 de novembro de 2012 1

Paulo Germano não mentira. O prédio não tinha porteiro.

Entramos no elevador, ele morava no quinto andar, uma coberturinha. O que me alegrou. Era um riquinho, eu acertara em cheio.

No elevador, Paulo me olhava sorrindo. Percebi certa devoção em seu olhar. Seria ele um homem capaz de se apaixonar? Bom, isso é uma bobagem: todos os homens são capazes de se apaixonar. Capazes de levar adiante uma relação, de tratar uma mulher com respeito, de se dedicar a ela, disso poucos são capazes. Ele seria? Bem, eu não teria tempo de descobrir, e ele não teria tempo de demonstrar. Em meia hora, esse riquinho fútil estaria se esvaindo em sangue, no chão, que era no chão que ele devia ficar.

Paulo abriu a porta do apartamento. Ao contrário do outro, aí estava um típico apartamento de solteiro, bagunçado, levemente sujo, com as coisas fora de lugar. Cada vez mais eu detestava aquele elemento.

— Vamos lá para cima? — pediu ele, apontando para a escada em espiral que levava ao piso superior da cobertura.
— Vamos — concordei, enfarada.

Subimos. Havia uma salinha, uma geladeira e uma churrasqueira. Sentei-me no sofá. Ele foi até a geladeira, ao lado da churrasqueira, abriu a porta e enfiou o nariz no vapor gelado. Apalpei minha bolsa e senti o volume do bastão de eletrochoque. Apalpei mais um pouco e senti o volume da faca. Abri a bolsa. Estava ansiosa para agir.
— Ih, acabou a champanhe! — gritou ele, do outro lado. — Pode ser cerveja?

Aquilo me irritou. Um mentiroso. Mais um mentiroso.
— Não estou a fim de beber cerveja hoje — respondi, com algum desdém.
— Tem vinho branco…
— Tudo bem — desprezava-o ainda mais, agora. Ah, como queria abrir a garganta daquele sujeitinho insignificante!

Paulo se aproximou com a garrafa de vinho e duas taças. A garrafa já estava aberta. Era o fim da picada! O cara me trazia uma garrafa de vinho já aberta! Será que não existem mais cavalheiros nessa cidade??? Decidi que não iria dar-lhe um único beijo. Assim que se distraísse, lhe aplicaria um bom choque e o imobilizaria. Em seguida, teria o prazer inefável de degolá-lo como a um porco.

Ele me alcançou a taça. Provei. LIEBFRAUMILKENS!!! Vinho doce! O cara me serviu vinho doce!
— Vinho doce! — protestei, largando com nojo a taça na mesinha de centro. Devia ter atirado aquilo na parede.

Ele corou.
— Ah… Desculpe… Você não gosta? Esse vinho quem me deu foi a minha mãe…
— Bem vinho de mãe, mesmo! — reclamei, a voz avinagrada.

O tipo estava perturbado. Não sabia o que fazer. Começou a suar.
— Desculpe, desculpe… — repetiu.
— Você tem água, pelo menos?
— Água? Tenho, claro. Água. É pra já.

Levantou-se para ir buscar a maldita água.
— Argh - fiz uma careta. – Quero tirar esse gosto ruim. Não é água da torneira, é?
— Não, claro que não! É água mineral da boa! Juro! Da boa!
— Sei…

Ele correu para a geladeira. Aproveitei para tirar o bastão de eletrochoque da bolsa. A coisa não ia demorar. Escondi o bastão debaixo da perna. Ele voltou com um copo d´água, todo solícito. Com uma mão, apanhei a taça. Bebi um gole. Coloquei a taça na mesinha. Ele me enviava um olhar baboso. Era um cachorrinho. Um nada. Ah, como seria bom livrar o mundo daquele verme!

Levei a mão para a parte de baixo da coxa. Empunhei o bastão. Ele sorria, envergonhado.
— O que é aquilo? — perguntei, olhando por cima do ombro dele.

Ele se virou:
— O quê?

Tirei o bastão de sob a perna. Preparei-me para usá-lo.
Então aconteceu o inesperado.

O que aconteceu?
O quê?
Hein???
Saiba logo, logo, no próximo capítulo de… Cris, a Fera!!!

Sala de Redação

27 de novembro de 2012 11

Ouça o Sala de Redação desta terça-feira.

A vantagem das mulheres

27 de novembro de 2012 14

O que as mulheres têm, que nós homens não temos, é a maternidade. Não falo da maternidade realizada. Não, uma mulher não precisa ter filhos para ser boa mãe. Ao contrário, até. Às vezes, a concepção estraga o que a mulher tem de maternal. Algumas das melhores mães que conheço jamais pariram. Mas uma mulher, qualquer mulher, sabe que, em geral, mulheres podem ser mães, e isso lhe dá a compreensão do ciclo da vida e do que é realmente importante, que são as pessoas, e então ela se torna um ser superior.

A possibilidade da maternidade. Basta isso para transformar uma mulher em um grande ser humano. Já o homem, para ser grande, precisa da grandeza. Precisa da façanha.

O Gre-Nal do próximo domingo é uma chance de alcançar a grandeza. Um jogo como esse é um jogo que entrará para a história, que será comentado daqui a 50 anos. É um jogo que pode fazer com que um homem se sinta, pelo menos por uns poucos dias, como se fosse uma mulher.

SÓ UM PODE PERDER

Só o Grêmio pode ser derrotado neste Gre-Nal do adeus do Olímpico. Para o Grêmio está em jogo o vice-campeonato brasileiro, que é importante, e a dignidade, que é muito mais importante.

O Inter, se for derrotado, não perde nada. E não perde nada pela razão óbvia de que não há mais nada a perder. O Inter joga repoltreado na serenidade de quem sabe que, aconteça o que acontecer, não sairá de campo pior do que entrou. Se perder, será apenas mais uma derrota; se empatar, já é um avanço; se vencer, bem, se vencer o Inter terminará o ano sorrindo, enquanto o Grêmio terminará no mínimo constrangido, se não arrasado.

Os riscos estão todos armazenados no lado do Grêmio. É um perigo. Porque, pelo menos em tese, só quem corre riscos pode se descontrolar, pode perder o ânimo ou mesmo a vontade de seguir em frente.

O Grêmio terá pela frente uma partida de decisão; o Inter terá pela frente uma partida de desfrute.

MOTIVADO

Por suas últimas declarações e por seu passado, o jogador que parece mais motivado para o Gre-Nal não pertence ao Grêmio, e sim ao Inter.

D’Alessandro vai entrar em campo rosnando.

MOTIVADOR

O Grêmio tem, no banco de reservas, um fator de desequilíbrio para o clássico: André Lima, com sua vibração, entra em campo no segundo tempo e muda o time. Mas, atenção, isso só acontece quando ele entra em campo no segundo tempo.

O MAIOR DO INTER

A maior atuação que testemunhei de um jogador do Inter em Gre-Nal foi de Paulo César Carpegiani, em 1975. Depois dos anos 70, o Inter nunca mais teve alguém da estatura técnica de Carpegiani. Antes havia Falcão e Figueroa, que podiam se ombrear a ele. Depois, não. Nem nos times mais vitoriosos, nem entre os grandes ídolos.

Carpegiani, para se ter ideia de quem era, era uma espécie de Xavi. Jogava com a bola grudada no pé, dando passes curtos e lúcidos, movimentando-se o tempo inteiro, indo até o local da ação e dizendo aos outros o que fazer. Não era um finalizador. Se fosse, seria perfeito. Um Xavi.

Naquele Gre-Nal, passou a tarde triangulando com Lula e Vacaria no lado direito da defesa do Grêmio. O lateral Cláudio Radar saía da área para tentar bloquear a jogada e ficava de bobinho. Pedia ajuda e ninguém o acudia. Terminado o jogo, 2 a 1 para o Inter, o governador Guazzelli suspirou, na tribuna do Olímpico:

– Precisamos urgente de um lateral-direito…

Foi o fim de Cláudio Radar no Grêmio.

O MAIOR DO GRÊMIO

A maior atuação que testemunhei de um jogador do Grêmio em Gre-Nal foi de Valdo, em 1987. Valdo era um meia de jogo macio, parecia jogar sem pressa, infiltrando-se aos poucos na defesa do adversário e minando-a por dentro, transformando-o em pasta sem forma.

Foi o que ele fez com o Inter naquela partida. Valdo parecia estar em todas as partes do campo ao mesmo tempo, ubíquo e invencível. Construiu um gol irrompendo a drible pela direita, construiu outro irrompendo a drible pela esquerda. No meio da área, Lima empurrava para a rede. Mas foi Valdo quem destruiu o Inter quase que sozinho. Em 18 minutos estava 3 a 0. Se Valdo continuasse jogando naquele ritmo, a goleada seria estrondosa. Mas, assegurada a vitória, Valdo passou a tocar a bola no meio e o Inter reagiu, marcando dois gols.

Naquela partida Valdo mostrou quem era: um jogador de estirpe superior.

A escolha de Dunga

27 de novembro de 2012 5

Pouco importa se Dunga foi a primeira ou a sétima opção do Inter.

Pouco importa como ele está entrando.

O que importa é como ele vai sair.

É natural que todos os 12 clubes do Brasil procurem os Top Six, quando precisam de treinador novo.

A saber:

Luxemburgo, Felipão, Mano Menezes, Muricy, Abel e Tite.

São esses os maiores, os consagrados e, em geral, dão resultado. Valem quanto pesam. Ser escolhido depois deles não é desdouro. É um desafio: o de aumentar o Top Six para Top Seven.

Sala de Redação

26 de novembro de 2012 7

Ouça o Sala de Redação desta segunda-feira.