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Túnel do Tempo: O brutamontes - final

28 de janeiro de 2013 4

Lá estava ele.

O grandão.

O monstro.

O assassino.

O celerado.

O lutador de jiu-jitsu.

O quebrador de ossos.

O brutamontes.

Continuava com seu corpanzil de peso pesado campeão dos três cinturões, continuava com sua cara homicida, continuava com o brilho do Mal faiscando nos olhos e continuava me fazendo aquela PUTZGRILLIBTMERDLOCASTROQUEPRIUZKREIDEVLOSKI daquela pergunta:

— O que você acha da minha mulher?

Olhei para ele, espantado. Olhei para Dona Zenaide, mais espantado ainda. Olhei em volta, procurando Silvinha pelo bar. Mas não havia Silvinha por ali. Não havia nada parecido com Silvinha e seus cabelos ensolarados e seus braços macios. Olhei de novo para Dona Zenaide. Balbuciei, sentindo os ossos se transformando em patê:

— S-s-s-sua mu-mulher?…

— É — repetiu ele, com certa impaciência. — O que você acha da minha mulher?

Uma bola de tênis de horror se formou em minha garganta e começou a rolar para cima, até a boca. Com alguma dificuldade, consegui balbuciar:

— Do… Do… Do… Dona Zenaide?

Então o maciste piscou. Atirou o olhar para trás do balcão. Fincou os olhos em Dona Zenaide.

E caiu na gargalhada.

Era um riso estrepitoso, bombardino, que rimbombava pelo bar. Embora aquela risada fosse algo como o som das mil hienas guardiãs da porta do inferno rindo em uníssono, serviu para me deixar um pouquinho mais relaxado. Parecia que ele ainda não ia me matar.

Ainda.

Esperei que parasse de rir. Parou enfim, enxugando uma lágrima que lhe corria pelas crateras do rosto.

— Não… — ele suspirou. — Não… Achei que você soubesse quem é a minha mulher. Achei que estivesse olhando para ela — e jogou a cabeça para o lado, indicando a ponta do balcão.

Então a reconheci. Ela. A mesma morena que estava no bar da Silvinha, ainda de vestido curto, ainda de cabelos longos, ainda na ponta do balcão, ainda sorrindo a observar a cena. Abri a boca.

— Sua mulher?…

— Minha mulher — o gigante sorria, divertindo-se com a minha confusão.

Olhei para ele e dele para ela e de novo para ele e outra vez para ela.

— Você quer saber o que eu acho… da sua… mulher?

Minha confusão aumentou. O que ele pretendia??? Será que achava que eu andava atrás da mulher dele de bar em bar? Puxa, a mulher dele não servia para feia, mas eu nem havia reparado nela! Estava pronto para dizer isso, quando ele se abaixou e aproximou a cabeçorra da minha. Falou baixinho no meu ouvido, o hálito quente batendo-me nos tímpanos, a malícia quente e pastosa escorrendo-me cérebro adentro:

— Você gostaria… de uma noite a três?

Rapidamente, imaginei a cena: eu pelado na cama com a morena e, de repente, aquele urso se achegando de algum lugar, querendo coisinhas comigo. A ideia me pareceu mais horrenda do que apanhar dele. Tamanho horror foi que me deu forças para tirar outra oncinha do bolso, fincá-la no balcão para pagar minha conta e dizer:

— Nem pensar!

Antes que ele respondesse, zuni para longe dali. Voltei correndo para o bar da Silvinha, a injustiçada. Que saudade, Silvinha. Desculpa, Silvinha.

Comentários (4)

  • Helder Hernani diz: 28 de janeiro de 2013

    O que uma consciência pesada, nos faz imaginar. Sempre o pior. O ser humano é mesmo incrível.

  • Wagner diz: 28 de janeiro de 2013

    David, faça isso chegar a direção por favor. seria uma grande atitude de HOMENAGEM que o Grêmio jogasse com o uniforme BlackProject e com a hashtag #ForçaSantaMaria nas camisas… tem tempo tranquilamente para programar.

  • Hugo diz: 28 de janeiro de 2013

    Marco,

    Na boa… Acredito que este post ficou um pouco fora de hora, principalmente levando em conta o post anterior…

    Abraço de um leitor assíduo

  • Pianesso diz: 29 de janeiro de 2013

    coitada da silvinha huahuahuahuahauhauahuahauhauahuahau

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