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Posts de março 2013

Código David: Um câncer pode operar mudanças

31 de março de 2013 86

O lado bom do câncer

Talvez você não saiba, mas tirei um rim. Quer dizer: eu, não; tiraram para mim. Disseram que meu rim estava apodrecido por um câncer e que precisava ser removido. Concordei, e eles o fizeram com presteza. Agora ando pelo mundo com um único rim.

O que posso dizer disso tudo é que gostava do tempo em que tinha dois rins. Não que a vida seja muito diferente com um só, mas, puxa, a Natureza sábia nos deu dois por algum motivo. Tenho que cuidar com desvelo do que me sobrou. Sei o quanto vale um rim.

O que se diz nessa hora

As pessoas me untaram com inúmeras palavras de conforto, nesse período de recuperação. Ajudaram bastante, continuam ajudando. Mas às vezes me deixaram intrigado. Vou citar algumas curiosas frases de consolo que você ouve nesse momento delicado

1. “Você vai se tornar uma pessoa melhor graças a essa experiência.”

Francamente, não quero me tornar uma pessoa melhor. Desconfio até que esteja me tornando uma pessoa pior. Sim, um homem com um rim só não se importa de ser malvado de vez em quando. Tenha cuidado com quem só tem um rim.

2. “Você vai aprender muito com isso tudo”.

Nem doutorado em Harvard custa tanto. O preço dessa lição é alto demais para mim. Prefiro a felicidade da ignorância.

3. “Nesses momentos, a nossa fé em Deus aumenta”.

Perguntei por que aumentaria. Resposta: Deus ajuda na recuperação. Certo, Ele ajuda. Mas por que, então, Ele me incrustou um câncer no rim? Não fiz nada para merecer isso. Não sou grupo de risco, não fumo, faço esporte, me alimento bem, vou almoçar com minha mãe todas as semanas. Por que o câncer??? Deus deveria ter ajudado ANTES, impedindo o câncer. Não vou recusar Sua ajuda, claro, estou precisando, mas sinto-me um pouco ressentido por ter pego um maldito câncer e, agora, por contar com apenas um rim nas minhas entranhas. Mas ressalto: quando digo isso não é nada pessoal, espero que o Senhor não deixe de me ajudar por causa dessa pequena crítica.

Feliz, mas crespo

Em todo caso, é preciso pensar positivo. Deve haver algum lado positivo em se pegar um câncer. O Gianecchini pegou um e nunca o vi tão faceiro. Escreveu um livro, aparece em tudo que é comercial, dá palestra. Era um comum, antes do câncer; agora virou personalidade. Como é que pode um cara ficar tão feliz com um câncer?

Mas ele voltou crespo, depois que se curou. Terá valido a pena?

Um câncer opera mudanças… Vá que eu volte de cabelo liso e com a cara do Gianecchini. É preciso pensar positivo.

Meu funeral

Outra coisa boa é que o câncer lhe rende homenagens póstumas. As pessoas pensam: coitado, vai morrer. E aí passam a olhá-lo pelo seu lado positivo, como se o seu passamento já tivesse ocorrido. É como se você tivesse a alegria de assistir ao seu próprio funeral. Espero que, depois, quando eu ficar bom e com a cara do Gianecchini, as pessoas continuem boazinhas comigo.

Medo de agulha

Um dia depois de sair do hospital, fui fazer uns exames de sangue complementares. A moça do laboratório me perguntou:

– Você tem medo de fazer exame de sangue?

Respondi:

– Nos últimos cinco dias rodearam o meu umbigo com fincadas de injeções, picaram as veias dos meus braços bem umas 40 vezes, enfiaram um canudo no canal do meu pênis e um dedo no meu ânus, meteram-me um dreno no flanco, abriram-me um buraco na barriga, lá de dentro tiraram meu rim e me costuraram. Não tenho medo de fazer exame de sangue.

Isso é pensar positivo, não é?

Poesia numa hora dessas

João Cabral de Melo Neto sobre o câncer:

“O câncer é aquele ônibus

Que ninguém quer mas com que se conta;

Não se corre atrás dele,

Mas quando ele passa se toma”.

Sala de Redação do dia 29/03

30 de março de 2013 2

Ouça o Sala de Redação desta sexta-feira.

Túnel do Tempo: Todo o bem que faz uma calcinha

30 de março de 2013 1

As mulheres passaram milênios sem calcinha. Desde os albores da civilização, há pouco mais de 80 séculos, foram pelo menos 75 que elas viveram desprovidas dessa fundamental peça do vestuário, acarretando algum constrangimento na hora de cruzar as pernas, além de grave risco de resfriados.

Havia também desconforto para as amantes da equitação — no momento de montar à amazona, firmando um pé no estribo e passando a outra perna por cima da sela, as moças ofereciam um revelador e aprazível espetáculo para os rapazes da época. Assim, na pudica Idade Média foi inventada uma cadeirinha de madeira que era afixada no lombo do cavalo. As moças se viam alçadas até a cadeira e cavalgavam dessa forma, de ladinho.

Lógico, a solução mais prática seria o uso de calças, mas essa não era uma boa idéia. Os medievos viviam cheios de preconceitos e regras, algumas delas acerca das roupas femininas. Calças eram proibidas às mulheres e uma das que tentou vesti-las, a jovem Joana D%27Arc, terminou seus dias amarrada em um poste e queimada numa fogueira, algo que quase todas as mulheres de então consideravam muito chato.

A vida continuou assim, nada parecia mudar na sombria Idade Média, até que Catarina de Médicis deixou a Itália para se tornar rainha da França. Catarina adorava cavalgar, em seus tempos de donzela de família rica, em Florença, parecia a versão feminina do Centauro. Mas, como rainha, havia de ter novos cuidados.

Para continuar montando à vontade sem que os vassalos antevissem as intimidades mais profundas da realeza, Catarina bolou uma espécie de calçola diminuta, peça que nada tinha a ver com as calças masculinas, mas que cobria as partes pudendas a contento.

Estava inventada a calcinha.
Suprema invenção.

As súditas, vendo as particularidades de sua soberana protegidas com tamanho aconchego, apreciaram a novidade e a adotaram com entusiasmo. Depois, numa atitude bem peculiar das francesas, passaram a empreender melhoramentos na invenção. Subtraíram nacos de pano daqui e dali, costuraram um adereço acolá, transformaram a calcinha, mais do que numa peça de roupa, num adereço.

Agora, se a calcinha trouxe benefícios às mulheres, bem mais trouxe para os homens. Porque, a partir daí, os homens passaram a ter o indizível prazer de tirar calcinha. As mulheres talvez não consigam compreender esse que é um dos momentos mais felizes da vida de um homem — quando ele, pela primeira vez, tira a calcinha de uma mulher há muito desejada. Diversos dos meus amigos afirmam que tirar a calcinha da mulher amada é melhor até do que o sexo subseqüente. Porque tirar a calcinha equivale a vencer as últimas resistências, a derrubar com um aríete as portas da cidadela sitiada.

Lá está aquela mulher cobiçada e linda, que seus amigos queriam, que seu chefe queria, que você sempre quis, e você prende as alças da minúscula calcinha dela entre os indicadores e os polegares, vai baixando a calcinha, baixando, baixando, e sorri, e olha para o teto, e pensa: obrigado, Senhor!

Essa a emoção de baixar uma calcinha. Emoção que as mulheres jamais compreenderão. O sutiã. Elas cogitam muito do sutiã. E, claro, o sutiã tem o seu valor. Sobretudo o plec. É uma alegria, quando o sutiã faz plec!, ao se abrir. Mas o sutiã é meio complicado, vez em quando hostil, quando não inviolável. Além do mais, quem precisa de um sutiã aberto?

A calcinha, não. A calcinha, sendo retirada, representa o tesouro sendo desvelado. Representa a visão da Terra Prometida.

Vocês, mulheres, entenderam enfim o que significa, para nós homens, tirar a calcinha da amada?

Certo, agora, homens e mulheres pensem em Henrique. Foi ele, Henrique II, o primeiro homem do planeta a baixar uma calcinha. Porque Henrique II era o rei da França, marido de Catarina. Logo, coube a ele o privilégio de executar o primeiro baixamento de calcinha da História da Humanidade. Que momento! Que homem feliz!

Imagino que Henrique II deve ter sentido mais ou menos o que os jovens Bruno e Cidimar sentiram ao marcar os gols de Grêmio e Inter, no domingo. Na capa da Zero de segunda lá estavam eles, um de cada lado, estuantes de felicidade. Foi o primeiro gol de Bruno no Campeonato. O primeiro de Cidimar diante de sua torcida. Quanta alegria pela façanha estava impressa nos rostos dos dois. Alegria que só mesmo Henrique II deve ter sentido num dia de há quase 500 anos, quando ele baixou a primeira calcinha da Civilização.

Parabéns, Bruno. Parabéns, Cidimar. Esse momento ficará para sempre na vida de vocês, tenho certeza. Como tenho certeza que a emoção de tirar a calcinha original ficou para a eternidade na mente do rei Henrique.

Mesmo tendo ele morrido da forma que morreu, com uma daquelas lançonas medievais espetada no olho, numa agonia lenta de 10 dias de duração, mesmo tendo sofrido morte tão terrível, acredito que, no derradeiro suspiro, Henrique possa ter lembrado do doce instante no qual baixou a mãe de todas as calcinhas e, então, Henrique compreendeu que sua vida teve um sentido. E sorriu.

Túnel do Tempo: Conversa no banheiro

29 de março de 2013 3

Ilustração: Gabriel RennerTinha um sujeito que trabalhava aqui no jornal, eu não o conhecia bem, ele era de outra editoria, mal nos cumprimentávamos. Na verdade, nunca havia trocado mais de duas frases com ele. Oi, tudo bem? Tudo bom.

Só.

Certo. Um dia, estava no banheiro, mais precisamente no mictório, mictando, tranqüilão, quando esse sujeito entrou. Postou-se ao meu lado e, enquanto abria o zíper, disse, sem nem falar bom dia, nem nada:
— Minha mulher me deixou.

Eu estava concentrado lá na atividade, me surpreendi com aquele desabafo à queima-roupa, em ambiente tão pouco propício a confissões, feito por uma pessoa de quem eu praticamente só sabia o nome. Olhei para o lado. Para os olhos dele, bem entendido. Ele me encarava com expressão consternada.
— Ahn? — foi o que atinei em dizer.

Repetiu:
— Minha mulher me deixou.

E agora? Como devia proceder? Largar o que estava fazendo para dar-lhe um tapinha de consolo nas costas? Dizer que lamentava a separação? Mas, ora, nem conhecia a mulher dele, como poderia lamentar a separação? Em todo caso, resolvi tecer um comentário inteligente, algo que expressasse a minha surpresa e a minha solidariedade, ao mesmo tempo em que deixasse claro que esse tipo de ocorrência é comum, que todos têm experiências que tais em alguma fase da vida e que aquilo ia passar, porque, afinal, tudo passa. Sendo assim, impostei a voz e observei:
— Puxa…

Talvez alguém ache que não fui muito eloqüente, mas deu certo. Ele continuou falando sobre a separação e não parou nem depois de lavarmos as mãos. Eu as minhas, ele as dele. Fiquei parado no banheiro, ouvindo o triste relato, repetindo:
— Puxa… puxa…

Às vezes também comentava:
— Que coisa.

Quando finalmente consegui sair do banheiro, voltei para a minha mesa pensando que meu colega havia me escolhido como confessor provavelmente porque eu seja uma pessoa confiável. Deve ser algo bom, algo de limpo e honesto luzindo no meu rosto, concluí, orgulhoso, e orgulhoso continuei por mais uma hora, precisamente: então, fui ao bebedouro tomar um copo d%27água e lá encontrei meu infeliz colega. Ia falar-lhe, relatar um caso semelhante sucedido comigo, mas, antes de poder abrir a boca, notei que ele nem me olhava. Fitava a atendente do bar, uma funcionária nova. Ela perguntou se ele queria café expresso ou passado e ele disse:
— Minha mulher me deixou.

Meu colega, fiquei sabendo depois, contou seu drama para todo o corpo de repórteres, editores e subeditores do jornal, para os fotógrafos, para as mulheres da limpeza, para o pessoal da segurança, para um motoboy que veio fazer uma entrega. Precisava falar, não pensava em outra coisa. Estava obcecado.

Podem criticá-lo, mas pelo menos era uma obsessão com sua vida pessoal. Há quem seja obcecado por times de futebol e, nesse caso, a pessoa se torna tão monotemática e exagerada quanto o meu colega. Parece pobreza de espírito, e acho que é mesmo, mas trata-se mais de conseqüência do que de causa.

É um sintoma: a pessoa tem uma vida tão desinteressante, que concentra as suas expectativas no desempenho de clube de futebol e briga por isso e xinga por isso e vive por isso. Assim, os extremos se unem: o descornado desesperado e o torcedor fanatizado têm o mesmo comportamento. Todos os fundamentalismos são iguais. Todas as obsessões são uma só.

Meu câncer

29 de março de 2013 115

Numa sexta-feira como hoje, os competentes médicos da Santa Casa descobriram que havia um tumor devorando um dos meus rins.

Um câncer.

É estranho você dizer que está com câncer. É como se dissesse: estou morrendo. Foi o que pensei naquela sexta-feira. Naquela sexta-feira, eu morri um pouco.

No sábado, meu rim foi removido. A cirurgia, comandada pelo doutor Ernani Rhoden, do Hospital São Francisco, foi um sucesso, mas, para mim, eu que nunca havia sido internado em hospital, nunca quebrara nada, nunca ficara doente, para mim foi uma dor inédita, um sofrimento que nem sabia ser capaz de suportar.

Agora estou sendo bem cuidado pelo oncologista Jefferson Vinholes e tudo envereda pelo bom caminho, mas ainda não processei totalmente o que aconteceu. O que posso concluir desse episódio? Alguns dizem que essas experiências radicais nos levam a iluminações. Você compreende a vida de outra forma, vê as coisas de outro ângulo. Talvez no futuro, mas, até agora, o sofrimento não me abriu as portas da percepção. Até agora o sofrimento só foi isso mesmo, sofrimento. Que desperdício de dor.

Mas houve algo, um sentimento que se consolidou na minha mente, com essa experiência. O que posso dizer é que, se não houve sofisticação da minha, digamos, vida espiritual, houve aumento da minha fé nas pessoas. A preocupação sincera e a ajuda incondicional dos meus amigos e dos meus familiares; as orações e promessas de pessoas que nem conheço, de todas as religiões; o apoio tranquilizador da minha empresa, a RBS, e o carinho dos meus colegas, desde a atendente do bar até o mais alto diretor; a competência dos médicos e o requinte da ciência; tudo isso me ergueu e me ergue, e tudo isso é humano. Não há nada transcendental aí; o que há são as pessoas. Os homens. O homem que inventa a bomba atômica, mas que também desenvolve a medicina nuclear, o homem é, sim, o lobo do homem, mas também o seu consolo e a sua salvação. Depois de olhar na cara da morte, vi que a vida está na relação com as outras pessoas. As pessoas, as pessoas. Os outros seres humanos é que nos tornam humanos.

Túnel do Tempo: Hi, hi

29 de março de 2013 3

As manhãs são tão belas, an? O límpido alvorecer. Os passarinhos gorjeando nos plátanos. A gauderiada a matear nos galpões. A manteiga derretendo sobre o pão. A fumaça se espichando em volutas da xícara de café. O frescor do silêncio.

Mas como detesto isso tudo. Como prefiro estar na horizontal, sobre a cama, dormindo, acordar muito lentamente, e continuar na cama, lendo, dormindo, lendo mais um pouco, voltanto a dormir. Ah, como é bom não tomar conhecimento das malditas manhãs.

O que nem sempre é possível. Compromissos, e talicoisa. Quinta-feira foi assim. Levantei-me blasfemando e caminhei, estremunhado, até a porta. Puxei a Zero de sob o capacho. E lá estava a foto. Essa aí em cima. Meu primeiro contato consciente com o mundo exterior, naquele dia. Uma cena comovente. Os estudantes da Unijuí invadiram o prédio da reitoria. O vigia perguntou, rodando no indicador a chave da porta: “Vão ficar aí ou sair?” “Ficar.” “Então tá então.” E fechou a porta. Os estudantes quedaram encerrados na sala por mais de cinco horas. Sem água. Sem comida. E, principalmente, sem banheiro ou similares – penico, comadre, matinho.

Bem. Note o semblante constipado dos estudantes. A moça de preto, com o rosto amassado no vidro – suas entranhas obviamente clamam por alívio. A outra, de lábios carnudos, que se apóia na parede envidraçada e olha melancolicamente para a câmera – há uma tristeza conformada no ar que a ronda. O mais relevante, porém, está acima dela. É o cartaz que brada, angustiado:

“Hi, hi

Queremos fazer XIXI!”

Lógico, existe todo um drama fisiológico no fulcro dessa situação. As pessoas tendem a menoscabar os problemas intestinais. Alguém é acometido de diarréia, certamente um dos mais torturantes males que afligem o ser humano, e os outros dão risada, tratam a infelicidade do pobre com definições depreciativas: corredeira, soltura, churrio, carreirinha. Como se eles próprios nunca tivessem sido capturados por uma dessas aflições momentâneas e agudíssimas. Ou seja: os padecimentos intestinais não contam nem com a solidariedade do próximo.

Portanto, atribuo gravidade ao estorvo enfrentado pelos estudantes de Ijuí. Mas o que interessa aqui é o cartaz. A rima:

“Hi, hi
Queremos fazer XIXI!”

Puxa, são estudantes universitários. Supostamente cultos. Provavelmente politizados, dada a manifestação que fazem. Como explicar, então, a rima fácil? Xixi com hi, hi, por favor! Ainda mais que xixi rima com Ijuí, daria para fazer umas boas combinações. Sonetos, se quisessem.

O país atravessa uma severa crise de criatividade. A começar pelas arquibancadas, de onde sempre escorreram os mais valiosos nutrientes da seiva da vivacidade nacional. Os torcedores estão embotados há anos. Repetem-se irritantemente. Aquele canto “com muito orgulho no coração” tornou-se insuportável. O “cadê você, eu vim aqui só pra te ver”, além de errado na concordância, é odiento. Não existe mais originalidade.

Houve um tempo em que as torcidas se distinguiam por seus gritos de guerra. Sim. Verdade que muitos deles obscenos, mas isso não diminuía em nada seu quociente de criatividade. A torcida do Flamengo sempre foi a mais brilhante. Havia um verso excelente, embora pornográfico, que correspondia ao atual insosso “arra, urru, o Maraca é nosso!” Em termos publicáveis, para não ofender a suscetibilidade das senhoras presentes, gritava o seguinte: “Espermatozóides! Membro! Tenha uma relação sexual anal! Quem manda nessas fezes é a torcida do urubu!” Tente compreender a rima.

O torcedor gaúcho, é forçoso admitir, nunca foi um primor de inventividade. Mas ao menos tinha seus cantos próprios, nos anos 70: “Colorado! Fiufiufiu!” (isso é assobio),

“Grêêêêêêêêêêmioooooooo”.

Enfim, havia distinção. Hoje, os torcedores, do Maracanã ao Pedra Moura, são todos os mesmos, com suas rimas infantis, seus cantos xerocados, suas caras pintadas monotonamente iguais, seus patéticos cartazes com recados para a televisão, suas máscaras compradas em empórios. É a irreverência industrializada, a alegria que já vem pronta. Que se escolhe no balcão. Ato, ato, ato, isso é muito chato.

Sala de Redação

28 de março de 2013 0

Ouça o Sala de Redação desta quinta-feira.

Túnel do tempo: Napoleão só tinha mão boba

28 de março de 2013 1

Um micropênis pode causar muito mal. Você não conhece nenhum? Olhe em volta: os déspotas, os autoritários, os mal-humorados, os misantropos, todos são suspeitos de micropenismo. Ou impotência. De quantas atrocidades, de quantas guerras sanguinárias o mundo se livraria, se as  técnicas de aumento do pênis fossem milenares ou, principalmente, se o Viagra fosse conhecido desde a época em que Nabucodonosor suspendeu os jardins da Babilônia!

Napoleão, por exemplo. A História coligiu sólidas pistas acerca das dimensões do pênis de Napoleão Bonaparte, e parece incontestável que era desse tamanhinho. Quando ele morreu, na pedregosa Ilha de Santa Helena, o médico que o atendia, o francês Francesco Antommarchi, o amputou. O pênis, digo. Por vingança, porque Napoleão tratava-o muito mal – certa feita o ex-imperador chegou a cuspir-lhe na cara! Resultado: você visita Paris, vai ao Palácio dos Invalides e se assombra com o túmulo de Napoleão: seis ataúdes, um dentro do outro, formando um monumento às vezes sombrio, sempre majestoso. Certo. Pois no interior desse impressivo mausoléu, o corpo do defunto célebre está sem tico. Sem tico! Que chato.

Antommarchi, o médico, embalsamou pênis e o levou embora, no bolso. Nos anos 70, o troço foi leiloado por menos de 4 mil dólares e hoje está num museu americano. Mede exatos 2,54cm. Sabe o que são 2,54cm??? Uma moedinha de um real. Claro, o pênis imperial estava em estado de repouso, seu dono se encontrava totalmente morto quando ele foi arrancado. Mesmo assim, são consideráveis as chances de que Napoleão tivesse algum recalque devido às dimensões de seu órgão. Até porque ele era bastante mulherengo, teve as melhores mulheres da sua época, da famosa cortesã Josefina à Rainha Luísa, que, dizem, era bem bonitinha e muito safadinha.

Então, eu aqui, numa rasa dedução psicológica, diria que a ânsia de conquistas de Napoleão era em muito motivada por seus complexos de inferioridade. Porque não concordo com os historiadores marxistas, que retiram a influência do indivíduo dos movimentos da Humanidade. Não. Há uma mescla disso tudo, de todas essas forças que se interpenetram e se contrapõem, as massas brutas, as pressões econômicas, as mudanças climáticas, a geopolítica e também a imponderável mão humana, que pode ser guiada por pequenas variações de humor ou por profundos traumas. Como o causado por um pênis minúsculo ou eternamente flácido.

O problema é essa nossa preguiçosa tendência de simplificar tudo. Ou a Europa se conflagrou exclusivamente devido ao gênio de Napoleão ou foi por uma consequência dialética da Revolução Francesa e patati. Nada é tão linear, mas o óbvio é uma força poderosa. Até porque está sempre coruscando diante dos nossos olhos.

Esse é o risco de quem analisa os destinos da Humanidade, um casamento desfeito, a falência de uma empresa, o segredo do cachorro quente do Rosário ou até o padrão de excelência de um time de futebol. A derrota condena um time à ruindade absoluta, a vitória o eleva ao Olimpo dos supertimes. O Inter é tão bom quanto se diz? Creio que sim. E que terá todo o ano para provar. Se fracassar na Libertadores e no Regional, terá todo o Brasileiro para chegar à consagração. Mas o Gre-Nal… Ah, um revés no Gre-Nal pode atrasar esse projeto e até sabotá-lo em definitivo.

E o Grêmio? É tão ruim quanto se diz? Venho afirmando que não. Mas o Grêmio não tem tanto  tempo nem tanto campo de ação. Um desastre no Gre-Nal pode ser danoso para o equilíbrio do time e abalá-lo para o resto do ano. Claro que nada tão grave quanto um pênis de dois centímetros e meio. Pensando bem, Napoleão tinha razão. Um pênis de dois centímetros e meio é caso de incendiar meia Europa.

Túnel do Tempo: O pai primevo

28 de março de 2013 0

Freud defendia a tese do pai primevo. O pai primevo existiu, obviamente, em épocas primevas,antes inclusive da pré-história, num tempo em que os homens caçavam e coletavam, vivendo a alegre e despreocupada vida nômade, em que não existia trabalho e ninguém era de ninguém. Nesse tempo, os grupos humanos eram pequenos, algumas poucas dezenas de integrantes, talvez menos. Entre esses, havia um macho poderoso e dominador.

O pai primevo.

Esse líder“usava”sexualmente, por assim dizer, todas as mulheres do bando, inclusive filhas e irmãs, sem discriminação. O que é bastante lógico. Afinal, qual é a razão do interdito universal do incesto? Por que o chamado sexo endogâmico é proibido? Alguém pode citar as possíveis distorções genéticas causadas pela continuada reprodução interfamiliar, mas nossos ancestrais decerto não possuíam esse conhecimento científico.Então,o pai primevo reservava a si as mulheres todas e, para impedir a concorrência dos filhos adultos,ele,não raro, os castrava. O que, convenhamos, é desagradável.

Chegou um dia,porém,em que o pai primevo já não detinha a força de outrora. Ele envelheceu e perdeu a velha energia. E aconteceu de os filhos se revoltarem. Eles se uniram, mataram o pai primevo e o devoraram cru.

Nesse parricídio primordial está a origem de diversas neuroses humanas. E também de diversos costumes de difícil explicação. Porque o pai primevo,como todos os pais, exercia um papel dúbio no espírito dos filhos. Assim como era temido, era admirado. Assim como era evitado, era imitado.

Vem deste período imemorial as seguintes heranças psicológicas:

1.A proibição do incesto, que seria uma renovação da aliança dos filhos rebeldes;

2.A rejeição ao canibalismo, numa autocensura pelo fim que coube ao pai original;

3.Até mesmo a exigência da circuncisão adotada por diversos povos, que seria uma lembrança da castração impingida pelo pai primevo aos filhos. No caso dos hebreus, a circuncisão, um evidente símbolo da castração, seria uma recuperada sujeição ao pai. Ou a Deus.

Tudo isso diz muito sobre a forma como a figura do pai age na cabeça das pessoas. Não é por acaso que, com o advento da Civilização, a deusa-mãe foi derrubada e em seu lugar foi posto um deus-pai.

Deus é pai, diz a tradição popular. E é. Um pai amoroso e severo, que pune e recompensa, que tudo vê e tudo julga, mas que, ao mesmo tempo e contraditoriamente, tudo permite ao chamado livre arbítrio humano, o que o exime de um tanto de responsabilidade por todo o mal que existe debaixo do sol.

A autoridade tem que incorporar essas características, ou não será uma autoridade. Um técnico de futebol é uma autoridade – não é em vão que os jogadores o chamam de professor. Os professores fazem o papel dos pais. Os jogadores pedem isso: um pai. Não exatamente autoritário, mas que tenha autoridade. Um técnico sem autoridade está em função deslocada. Sem autoridade ele não tem força, e sem força corre o risco de, como o técnico primevo, ser devorado cru.

Sala de Redação

27 de março de 2013 0

Ouça o Sala de Redação desta quarta-feira.

Túnel do Tempo: O namorado da madrinha

27 de março de 2013 3

A minha madrinha Sônia tinha um namorado chamado Quaquá.  
Apelidado, quero dizer.
Ele não parecia um pato nem nada, não sei por que o chamavam de Quaquá.
Bem.
Seja como for, o que quero contar é que numa tarde de sábado estávamos sentados em torno à mesa da sala de jantar da casa do meu avô nos Navegantes.
Eu ainda estava atrás da fronteira da primeira infância, não tinha mais de sete anos, não lembro exatamente sobre o que rodava a conversa, mas, sim, era algo sobre o Quaquá, e então, por algum motivo, declarei bem alto e peremptório: – Eu não gosto do Quaquá! Foi naquele exato instante que o Quaquá assomou à porta aberta, sorridente: – É mesmo? Mas que tristeza! E já foi pespegar uma bicota na minha madrinha, aparentemente sem emprestar relevância ao que ouviu.
Fiquei quebrado, sem ação.
Por Deus: eu GOSTAVA do Quaquá! Tinha dito aquilo num rompante, só para me exibir.
Talvez meu objetivo fosse chocar os outros, motivar discussão, fazer com que me convencessem do contrário.
Queria ser notado, queria ser levado em conta e por isso disse algo que, no momento, achei que chamaria a atenção.
A ideia era exercitar um pouco a minha musculatura verbal, mostrar a contundência da minha opinião e marcar bem as diferenças da minha personalidade: eu podia muito bem decidir de quem gostava.
Todos gostavam daquele ali? Pois eu não! Mas não era verdade.
Não era, Quaquá, juro! Mas eu não podia mais me desdizer, não podia mudar de opinião e demonstrar minha fraqueza, quando a intenção era demonstrar minha força.
Não podia me desmoralizar na frente de todos.
Assim, tive de assumir que não gostava do Quaquá, quando gostava.
Não sei o que aconteceu com o Quaquá.
Sei que o namoro dele com minha madrinha terminou, e nunca mais o vi.
Durante anos ficava imaginando a tristeza do Quaquá ao pensar:“ Ele não gosta de mim…
Mas por quê? Sempre fui bom com aquele guri…” Maldição, eu devia ter chamado o Quaquá de lado e dito que gostava dele, que era só brincadeira, sei lá.
O fato é que aquele sentimento rasteiro saiu de mim sem que refletisse a respeito.
Se tivesse considerado com mais critério o que dizer, não teria dito o que disse.
Não teria dito nada, porque não havia nada a dizer.
Felizmente, cresci dizendo bobagens sem consequências, até porque é raro ser pego em flagrante com o verbo solto, como fui pego naquele sábado.
Em geral, a gente emite bobagens entre amigos ou familiares e é perdoado, porque a função de amigos e familiares é, justamente, nos perdoar.
Hoje corro risco de dizer bobagens em público, já que escrevo em jornal e na internet e participo de três programas de debate por semana.
Mas já estou um pouco mais maduro do que os tempos da primeira infância, e a profissão me ensinou a me conter.
Ainda assim, volta e meia torno pública alguma bobice de minha lavra.
Paciência, faz parte do ofício.
Agora, se durante toda a minha vida tivesse de emitir opiniões em público, estaria perdido.
Todas as bobagens que já disse dariam para encher um caminhão, como cantou Nei Lisboa, e esse caminhão me soterraria a consciência e me torturaria a alma, como ocorreu com aquela pequena e irresponsável opinião a respeito do Quaquá.
Pois essa época em que escrevo, segunda década do século 21, é, exatamente, a época das opiniões sem freio e sem medida.
As pessoas correm para a internet e escrevem tudo o que lhes vêm à cabeça, instantaneamente, sem reflexão.
É por isso que não tenho tuíter, que fujo do facebook – porque já estou suficientemente exposto, já estou à mercê da minha estupidez.
A maioria das pessoas, no entanto, sente necessidade premente de se expressar sobre tudo a todo momento, e aí as chamadas redes sociais são irresistíveis.
As pessoas informam que estão na casa da avó, que estão comendo sanduíche de salame, que estão entrando no cinema, emitem opinião sobre a vida, o planeta e os outros seres humanos.
Então, tudo pode acontecer.
Todas as semanas alguma personalidade pública se desculpa por algo escrito sem reflexão.
Mas houve um extrato da sociedade que aprendeu rapidamente a lidar com as tais redes sociais e com a exposição da própria opinião: o futebol profissional.
Depois de um primeiro momento de incontinência, os jogadores aprenderam e passaram a se conter.
São centenas de jogadores e técnicos conhecidos no Brasil, centenas de tuíters e faces, centenas de entrevistas, milhares de declarações.
Esses jogadores, em geral, têm baixa escolaridade ou índice de leitura.
Livres para se expressar, eles deveriam propalar asneiras aos quilos, mas não é o que acontece.
O que acontece é a parcimônia verbal.
Veja um Dorival Júnior.
O Inter faz boa campanha, mas ele é xingado a cada jogo.
E se contém.
E cala, em vez de falar.
Como consegue ter tanto controle? Eis aí mais uma prova do que digo: o futebol profissional é o Brasil que funciona.
Não há nada mais competente e requintado no Brasil do que o futebol profissional, que aprende com velocidade, que reage com velocidade à inovação.
O futebol brasileiro é a prova de que o Brasil pode ser mais do que um país rico; pode ser um país eficiente e talvez até justo.

Sala de Redação

26 de março de 2013 3

Ouça o Sala de Redação desta terça-feira.

Túnel do tempo: 3.988.000

26 de março de 2013 2

O homem existe sobre a Terra há bem uns 4 milhões de anos. A agricultura começou há 12 mil. Ou seja: durante três milhões novecentos e oitenta e oito mil anos, o ser humano sobreviveu principalmente da caça. Os homens saíam em grupos e se embrenhavam na floresta inóspita a fim de abater mamutes, enquanto as mulheres ficavam na cabana, cuidando das crias. Assim, cada qual desenvolveu habilidades e características específicas. Vivendo os dias em meio à liberdade e aos perigos do nomadismo, os homens dependiam do espírito de colaboração, da lealdade, da agressividade, do pensamento estratégico. Como muitos morriam nas lutas e nas caçadas, havia um número excedente de mulheres e, desta forma, a poligamia era natural.

Quanto às mulheres, cabia a elas o exercício da paciência. E, com paciência e observação, alguma fêmea da espécie, em algum momento de há 120 séculos, descobriu que a semente caída no solo germinava. Foi o início de todas as coisas que o homem moderno conhece, da morcilha colonial ao I-Pod. As mulheres inventaram a agricultura e, com a agricultura, inventaram a Civilização. As mulheres domesticaram o cão, o gato, as aves, as cabras, o cavalo e, finalmente, o homem. Dos anseios das mulheres surgiram o casamento, as convenções, as liturgias e a moral. Tudo, absolutamente tudo, para proteger a família, a instituição máxima fundada pelo espírito feminino.

Elas conseguiram. As mulheres fizeram do mundo o que o mundo é. E com que sacrifícios! Afinal, tiveram de submeter a alma selvagem do macho, uma alma forjada em 3.988.000 anos de sexo e sangue. É muito tempo. Esses instintos poderosos ainda estão lá, pulsando nos recônditos do espírito masculino, ameaçando a cada dia a Civilização, essa obra genial da mulher. Volta e meia eles, os instintos, sobem à superfície e fazem o mundo estremecer, seja pela explosão do gênio de um Michelângelo, um Mozart, um Shakespeare, seja pela senda macabra aberta por um Hitler, um Stalin, um Jack, o Estripador. Porque tanto a façanha gloriosa quanto o crime odiento dependem do mesmo ingrediente – a paixão bestial que o homem traz no fundo do peito desde os tempos primevos.

As mulheres, não. As mulheres, para resguardar a família, não se valem da violência; valem-se da renúncia, da sutileza, da solércia e da paciência superior. Só uma mulher consegue, com uma única frase, arruinar um fim de semana ou abalar um relacionamento de anos. Só uma mulher sabe, com um olhar, amolentar a resistência mais convicta do homem mais austero. Porque a mulher conhece todas as reentrâncias da Civilização.

Por isso, decidi: quero votar numa mulher para presidente, para governador, para prefeito. Só as mulheres podem arrumar esse troço. Até porque foram elas que começaram tudo.

Túnel do Tempo: Coração selvagem

25 de março de 2013 0

Esse senhor de basto bigode que zanzou feito um fantasma por Porto Alegre dias atrás, Belchior, esse senhor estranho é um símbolo. Belchior é uma estátua viva à juventude, à inconformidade, à contestação reflexiva e, também, à imaturidade.

Você pode aprender muito, se conhecer Belchior, se prestar atenção no que ele escreveu e no que ele se transformou. Belchior foi um poeta inexcedível. Repare neste verso:

“Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção.

Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão”.

Não é uma bela imagem, o beijo que ela leva escondido nas dobras do blusão?

Em outro poema, Belchior tomou emprestada a verve de Olavo Bilac:

“Ora, direis, ouvir estrelas! Certo perdeste o senso. Eu vos direi, no entanto: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto”.

Bonito.

Mas o importante de Belchior não é a beleza das suas composições. O importante é quando ele confessa que a sua alucinação é suportar o dia a dia. É a alucinação de todos, certo, mas Belchior não está exagerando sobre si mesmo. Em outra canção ele diz a um parceiro:

“Se você vier me perguntar por onde andei

No tempo em que você sonhava,

De olhos abertos lhe direi:

Amigo, eu me desesperava”.

Ele se desesperava com o dia a dia, ele se desesperava ao perceber que a juventude do seu coração era perversa, uma juventude que só entendia o que era cruel, o que era paixão, porque assim é a juventude.

Belchior sabia que a felicidade é uma arma quente, mas isso não lhe serviu de consolo. A fama, o sucesso e o dinheiro não foram suficientes para aplacar a dor existencial de Belchior. Ele não se conformou. Prova-o o seu futuro, que o futuro dele está acontecendo hoje. Prova-o esse ser humano enigmático que vaga pelo sul do continente meio que sem rumo, hospedando-se em hotéis sem ter dinheiro para pagá-los, doce e arredio ao mesmo tempo, parecendo ora aflito, ora sereno, sendo hoje o que foi sempre.

Belchior ficou congelado nos anos 70. Jamais saiu de sua própria juventude e, suponho, jamais sairá. Em uma de suas grandes composições há uma frase que diz tudo sobre ele, uma frase que resume o que é o coração selvagem de quem começa a se conhecer:

“Ainda sou estudante da vida que eu quero dar”.

É isso. Belchior sabia que a vida de uma pessoa é dada a outras pessoas. Mas que vida ele queria dar? Para quem? Essas eram as perguntas que o inquietavam, e que inquietam a quem quer que pense. Olhando para o Belchior pálido de hoje fico pensando se ele, enfim, descobriu as respostas.

Sala de Redação

25 de março de 2013 2

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