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O tempo passa, o tempo voa

26 de julho de 2013 7

Há 25 séculos Heráclito, “o obscuro”, dizia que um homem não pode se banhar duas vezes no mesmo rio. “Tudo flui”, ensinava. E há 25 anos algum gênio da publicidade dizia que o tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindus continua numa boa. Duas ponderações sobre a transitoriedade da vida. Heráclito afirmava que o mundo está mudando sempre e que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. O publicitário concordava, com uma ressalva: menos a Poupança Bamerindus. A Poupança Bamerindus era uma garantia contra a efemeridade da vida. Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo, com exceção da Poupança Bamerindus, essa instituição sólida, imutável, eterna.

O tempo passou, o tempo voou, e o que ficou provado? Que Heráclito tinha razão. O Bamerindus extinguiu-se, como o pássaro Dodô, e sua poupança não continuou numa boa. Só que o publicitário, mesmo errado, era de fato genial, tanto que até hoje lembro do bordão criado por ele.

O que ficou do Bamerindus, do jingle e de Heráclito é que eles aparentemente passaram, mas não. Eles fazem parte de mim, da carga de memórias deixada pelo meu passado. E de outras tantas pessoas também. Eis o busílis. O passado existe; o futuro, não. Os sensatos aconselham: “Pense no futuro”. O futuro é o tempo dos sensatos. Mas o futuro é uma abstração. Você fica esperando pelo futuro, e ele não chega jamais. Nunca alguém algum dia disse: “Agora, que estou vivendo no futuro, estou bem”. Nunca. Nunca alguém viveu no futuro.

No passado, sim. Todas as pessoas do mundo viveram no passado. Você agora, no presente, está vivendo do que foi o seu passado. Está sentado sobre ele. O passado é o cimento do seu presente.

A cada dia você constrói o seu passado. O que você está fazendo agora, da maneira como está fazendo, servirá mais tarde como referência. Os outros, quando olharem para você, vão olhar para o seu passado. Para o que significou o seu passado. E você mesmo, ao planejar o que vai fazer e como vai fazer, terá como medida o seu passado.

Faça as coisas benfeitas, portanto, e construa agora um passado glorioso para você. Mesmo que você queira mudar. Porque qualquer mudança, por radical que seja, é baseada em algo que existe concretamente, e só o passado existe concretamente.

Logo, não vou pensar no futuro intangível e inatingível. Vou me alegrar agora com o que tenho agora. Vou sorver a vida neste exato momento. Vou recorrer a outro pedaço do meu passado, formado por uma frase do poeta Horácio, “o orelhudo”, que viveu 500 anos depois de Heráclito e 2 mil anos antes do publicitário do Bamerindus: “Carpe Diem”, ele disse. Aproveite o dia. É o que temos de fazer, eu e você. Vamos aproveitar esse dia, porque ele vai ser depositado na conta do nosso passado. Nós ainda vamos nos lembrar desse dia, amanhã.

Comentários (7)

  • Machiavellirs diz: 26 de julho de 2013

    CARPE DIEM

    A expressão latina “carpe diem” ficou famosa no filme A SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Quem viu esse filme, viu, quem não viu, recomendo ver. Bem, mas não era bem isso o que eu queria dizer.

    Eu queria dizer é que o Renato, um baita ignorante que não deve ter visto o filme acima, não venha se fresquear pra cá e retrazer o Douglas para o Grêmio.

    Se isso acontecer, além de deixar a torcida gremista puta da cara – como diria o Lula – vai permitir que a gente pense que um Caixa 2 se formará na jogada.

    Parafraseando um ensinamento da Bíblia, “vamos deixar o passado enterrar os seus mortos”. O Douglas é passado…e um passado sem título, ou seja, uma merda, como diria o Lula.

  • Yuri diz: 26 de julho de 2013

    David quero te parabenizar pela excelente coluna publicada hoje em zero hora. Foi de uma felicidade extrema. O que tu disse é a mais absoluta verdade. Concordo plenamente contigo, pois penso da mesma forma. Grande abraço.

  • Ingo Norante diz: 26 de julho de 2013

    A minha fraquejante memória diz que no passado, década de 50, o Grêmio teve um ponta direita chamado Heráclito. Jogaram também no tricolor, Teotônio, Gita, Detefon, Pipoca, Xisto, Geada, Touguinha… tempos da Baixada. Naquele tempo não havia rebaixamento.

  • Óbvio U. Lulante diz: 26 de julho de 2013

    O tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindus continua… não! Não continua. Nem a Vera Fischer continua numa boa, ninguém continua, nem a Dilma.

  • Jesana diz: 26 de julho de 2013

    Pronto! A cloaca foi aberta! O peregrino trôpego e caquético apareceu, agora com o Lula na boca fétida! Deve estar apaixonado pelo ex-presidente, algo que costuma acontecer com heterossexuais por imposição social, que quando atingem uma certa idade e podem, tremelicando, assumir suas verdadeiras preferências, não mais as escondem…Que declínio!

  • Fabiano Luft diz: 26 de julho de 2013

    Não sei do que gosto mais: dos textos ou dos comentários deste blog…sempre muito interessantes…Aproveito o dia quando passo por aqui!

  • Rafaela diz: 27 de julho de 2013

    ah! Sou muito sua fã quando não escreve explicitamente sobre futebol. Esse é um dos textos que recorto e guardo como favorito. Excelente!
    Aliás, é um delicioso texto para se ler e não relacionar com fatos dos quais vivenciamos todos os dias e que envolvem um “Brasil” todo, mas simplesmente olhar para dentro de nós mesmos, no âmago, o que é extremamente ímpar e único.

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