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Túnel do Tempo: Horror na Cidade Grande - 4º capítulo

26 de julho de 2013 0

Em um segundo, compreendi que a minha vida ia desmoronar ali mesmo, dentro daquele carro. Estava sendo assaltado. Perderia o dinheiro da minha família, o dinheiro que resolveria os meus problemas. Teria de procurar a polícia, contar o que me sucedeu.


Minha mulher, minhas filhinhas e meus amigos saberiam que eu estava com um travesti no carro.Ficaria com fama de homossexual, Cachoeira do Sul inteira me apontaria na rua como um depravado. Minhas filhas, elas são tão pequenas, oh, elas cresceriam ouvindo que o pai é um… um… Oh, Jesus, oh, Jesus Cristo, oh, Nossa Senhora, oh, Senhor Deus, o que foi que fiz para mim mesmo? Como sair daquele apuro?

Sentia-me acuado. A angústia pulsava em meu peito, espalhava-se pelo meu corpo, retesava-me os músculos.
— O dinheiro! O dinheiro! — gritava ele.

A bicha maldita espetava-me o pescoço com aquele troço, uma faca, acho, ou talvez um estilete, não sei.
— O dinheiro!

Em um segundo, de desesperado tornei-me furioso. A raiva como que tonificou meus músculos, inflou-me o peito, encheu-me de força.
— O dinheiro!

Levei a mão esquerda ao bolso da porta. Empunhei a chave inglesa. Apertei-a bem forte e, num movimento brusco e violento, girei o corpo e desferi o golpe. Acertei o travesti assaltante no lado da testa, na fronte. Ele emitiu um gemido seco, ugh!, virou os olhos nas órbitas e desfaleceu. Desabou em cima de mim, de lado, mole, de boca aberta. Empurrei-o para o lado. Fiquei observando, ofegante, a chave inglesa na mão, pronto para aplicar outro golpe, caso ele reagisse. Mas ele não reagiu. Ficou imóvel, sem sentidos. Meu Deus, meu Deus, será que… Será?…

Tinha vontade de gritar, de chorar, de sair correndo dali. Debrucei-me sobre o corpo dele. Abri a porta do carona. Usando os pés como alavanca, atirei-o para fora o mais rápido que pude. Arranquei com o carro. O corpo ficou no chão da rua, branco e flácido.

Mal conseguia dirigir. Tremia, suava, respirava com dificuldade. Depois de rodar algumas quadras, parei o carro no meio-fio a fim de recuperar a respiração. Não sei que horas voltei para o hotel, não sei nem como atinei em deixar o carro no estacionamento, nada. Naquela noite, não dormi. Rezei. Rezei muito.

Rezei para saber o que fazer, como proceder, como sair daquela situação. Havia assassinado uma pessoa. Era um assassino. Pensei no meu pai. Sempre que deparava com um problema desses, pensava em meu pai. Tentava raciocinar: o que meu pai faria, se estivesse em meu lugar? Meu pai era um homem decente, um homem honesto, íntegro. Gostaria de ser como ele. Tentava ser como ele.

Sei o que ele faria.
Sei.
Eu sei.

Ele iria se entregar. Iria à polícia, confessaria o crime e responderia pelos seus atos.

Assim era o meu pai. Um homem reto. Um homem de verdade.
Assim eu faria.

Decidi que, logo de manhã, iria à primeira delegacia de polícia e me apresentaria como o autor do homicídio. Faria a coisa certa. Isso. Como meu pai. Faria a coisa certa. A coisa certa. A coisa certa.

Ele fez?
Saiba no próximo capítulo de… Horror na Cidade Grande!

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