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Túnel do Tempo: Horror na Cidade Grande - 5º capítulo

27 de julho de 2013 3

Depois da penosa conversa telefônica com minha mulher, tomei café e saí para a rua. Ainda tinha a guaiaca com o dinheiro enrolada à cintura. Não ia guardar toda aquela importância no hotel, ah, isso é que não. Não confio em hotéis, em cofres de hotéis, em funcionários de hotéis. Além disso, iria à polícia; na polícia estaria seguro, não estaria?


Resolvi deixar a caminhonete no estacionamento do hotel e fui para o Centro de táxi. Como um homem deve proceder para confessar um crime? Não fazia a menor idéia. Sentia-me confuso, a cabeça oca, os olhos ardendo devido à noite indormida. Sentia um paralelepípedo no meio do peito e uma bola de tênis na garganta. Sentia vontade de morrer.

Desembarquei na Praça Dom Feliciano e caminhei até a Rua da Praia. Olhei para o povo que se deslocava de um lado para outro. Iam trabalhar, iam resolver seus problemas. Pequenos problemas, comezinhos, triviais. Como queria ter problemas como aqueles, como queria estar simplesmente me deslocando para o trabalho, pensando na vida sem graça, no chefe autoritário, na colega de minissaia…

Caminhei sem pressa, um tanto desolado, até a esquina da Doutor Flores. Lá havia um brigadiano parado, mãos às costas. Estaquei no outro lado da calçada. Fiquei olhando para ele. Poderia me aproximar dele e simplesmente declarar:
— Matei um homem, ontem.

Ou, melhor:
— Matei um travesti, ontem.

Não, não:
— Matei uma pessoa, ontem.

Em seguida, estenderia os punhos:
— Pode me levar.

Oh, Deus, será que ele me levaria direto ao Presídio Central? Já ouvi horrores sobre o Presídio Central. O que eles fazem com os novatos, as atrocidades… Cristo!, será que não havia mesmo outra saída? E se pedisse para ter uma conversa reservada com ele? Para desabafar… Poderia até pedir conselhos, sei lá. Ele parecia boa gente, talvez compreendesse o meu drama…

Resolvi falar com o brigadiano. Contar o meu problema, explicar tudo direitinho. Havia sido quase um acidente, afinal. Eu não queria matá-lo, só queria me defender. Puxa, o cara estava com um estilete na minha garganta! Eu vi o estilete, depois que atirei o corpo para fora do carro. Vi! O estilete ainda estava comigo, no portfólio do carro, talvez servisse de prova a meu favor.

Sim, falaria com ele. Pelo menos tratava-se de uma autoridade, de alguém que saberia o que fazer.

Respirei fundo. Quando ia dar o primeiro passo em sua direção, senti uma batidinha no ombro. Virei-me. Era um senhor baixinho, de uns 60 anos de idade, cabelos brancos, óculos, vestido de terno preto e gravata vermelha.
— O senhor me desculpe — pediu ele, muito educado. — Desculpe — repetiu. — Eu não queria incomodá-lo, mas é que estou com um problema…

O velhinho passava a impressão de estar realmente aflito. Senti pena dele. Tenho pena dos velhinhos.
— Em que posso ajudá-lo? — perguntei.
— É que eu ganhei na loteria — sussurrou, sacando do bolso interno do paletó um bilhete da Loteria Federal.
— Opa! Mas isso é bom, não é?
— O problema é que… não sou daqui. Nem sei como ir buscar o dinheiro. O senhor poderia me ajudar?
— Eu… Claro, claro…

Pretendia ajudá-lo, mas, ao mesmo tempo, algo não me soou bem naquela história. Ele era muito convincente, não tinha em absoluto a aparência de um vigarista, mas era estranho, aquilo era muito irreal.
— Tenho medo de sair por aí com esse bilhete — ele falou.

Olhei bem para ele. Não havia dúvida: seu jeito era de desprotegido, de indefeso.
— O que posso fazer pelo senhor? — perguntei.

Naquele momento, outro homem se acercou de nós.
— Desculpem, mas ouvi a conversa de vocês. Vocês falaram em bilhete premiado?
— Isso — disse o velhinho, mostrando o bilhete: — Olha se não é premiado?

O homem tinha um exemplar da Zero Hora nas mãos. Procurou a página das loterias e, depois de alguns segundos, esticou o olhar para o bilhete. Comparou os números e balançou a cabeça:
— Primeiro prêmio! — disse. — O senhor está rico!

O velhinho sorriu. Eu sorri. Pelo menos alguém tinha sorte. Pelo menos alguém ia se dar bem.
— Este senhor aqui vai me ajudar a tirar o dinheiro — disse o velhinho.

Concordei com a cabeça:
— É. Vou.
— Eu posso dar o bilhete para o senhor, o senhor vai ao lugar onde sacar o dinheiro e depois me traz aqui.Pode ser?

Foi então que algo inesperado aconteceu.
Algo que mudou tudo.


O que aconteceu???
Saiba AINDA HOJE, no próximo capítulo de… Horror na Cidade Grande!

Comentários (3)

  • marcelo diz: 27 de julho de 2013

    David,Ô David!!tu estas querendo me enlouquecer,porque não postas todos os programas do sala de redação da semana?

  • Luciano diz: 28 de julho de 2013

    Mas esse cara é muito ingênuo.
    O velhinho vai roubar, ou pelo menos tentar roubar a grana…
    A essa altura eu já teria voltado para Cachoeira! !!

  • J. Mauricio diz: 29 de julho de 2013

    O Tabacudo de Cachoeira vai cair no velho e manjado golpe do bilhete premiado…

    HEHEHEHE

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