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Túnel do Tempo: Você é o Juiz — 14º Capítulo

25 de outubro de 2013 0

No saguão do hospital, ainda tonto com tudo o que me havia acontecido, tinha de dividir-me entre relatar detalhes do assalto do qual dissera ter sido vítima, tranquilizar Larissa, que não parava de choramingar, e tentar entender por que Luana levara aquele grandalhão lá. Quem era aquele tipo? Ele repousara o braço musculoso sobre os ombros nus de Luana, aqueles ombros que eu já havia mordiscado e lambido, aqueles ombros que tinham cheiro de tardes de primavera. Ela usava um vestido sem alças e me encarava com alguma preocupação. Todos me fizeram perguntas, ela, Larissa, o meu sogro, até o grandão participou do inquérito. Acho que me saí razoavelmente bem. Quando estava entrando em contradição, Larissa veio em meu socorro:

- O Rildo está cansado. Vamos levá-lo para casa, depois ele conta tudo.

Sentei no banco do carona do carro do meu sogro. Larissa acomodou-se no banco de trás. Luana e o sujeitinho foram em outro carro. Deixei passar alguns minutos e, tentando parecer casual, perguntei:

- Quem é aquele rapaz com a Luana? Não me apresentaram…

- Ah! – o autor da exclamação foi meu sogro. – Foi uma falha nossa. Minha, principalmente. Aquele rapaz é o Matheus, filho de um velho amigo meu, um industrial muito importante da cidade. Conheço aquele menino desde que ele nasceu. Trata-se de um fenômeno. Um fenômeno!

- Fenômeno?

- É. Fenômeno. Não menos do que um fenômeno. Ele é inteligente, bonito e bem-sucedido. Sabe aqueles caras que se dão bem em tudo, que são bons em tudo, que não têm defeito? Matheus é assim.

Não pude evitar um risinho ressentido.

- Existe alguém assim? – perguntei algo sardônico.

- Parece mentira, mas o Matheus é bem como o papai descreveu – disse minha mulher. – Acho que é o homem mais bonito que já vi e, ao entrar na empresa do pai dele, multiplicou a fortuna da família. Além disso, é modesto. Viu como se veste?

- Parece um surfista - grunhi, com certo desprezo.

- E ele é surfista. Dos melhores! - ela estava entusiasmada.

- E é um craque no futebol! – o pai, mais entusiasmado ainda. – Centroavante goleador. Chuta com as duas. O chute dele é uma potência. Pega de primeira e, BAM!, fuzila o goleiro. Fuzila! Cabeceia feito um Escurinho, dribla como um Rivellino. No tênis, a mesma coisa. O saquel dele é irrebatível. No golfe é um Tiger Woods. Na natação um Phelps. Faz 50 metros em 21 segundos! Em todos os esportes ele é um monstro. O rapaz é faixa preta de caratê, mas é pacífico, uma moça de tão educado e gentil.

- E é um intelectual - ajuntou minha mulher, quase batendo palmas. – Tem uma biblioteca de quatro mil volumes e já leu de tudo! Fala de filosofia, de política, de história, de literatura. É quase um erudito.

- Que maravilha – sentia-me amassado. - Que bom que a Luana achou esse diamante raro.

- Tomara que eles agora se acertem – suspirou o velho.

- Agora? Por quê? Eles já tiveram algo antes?

- Ah, sim – falou Larissa. - Ele foi o grande amor de Luana. Mas estava fora. Passou dois anos rodando pela Europa, pelo Japão, pela Índia e pela China, fazendo contados externos para a empresa da família, trabalhando, estudando. Agora voltou melhor do que nunca.

- Que bom – sentia-me um verme. Um verme! Decerto que aquela perfeição de ser humano não teria se portado com me portei com o capanga do Lopes. Decerto que ele não estaria na situação em que me encontrava agora. Odiava aquele cara!

Chegamos em casa. Consegui me desvencilhar de novos interrogatórios e fui para a cama. Tinha muito o que pensar. Como conseguir dinheiro para escapar da tortura e da morte e da demissão por justa causa e da cadeia? Que noite horrenda estava passando.

Mas ia piorar.

Estava deitado na cama, no escuro, quando ouvi gemidos abafados. Levantei-me. Caminhei até a porta do quarto. Será que?… Não podia. Ela não teria coragem. Mas acho que era mesmo. Abri a porta e caminhei pelo corredor até a frente do quarto de Luana. Encostei o ouvido na porta. E a voz dela me chegou nítida:

- Ai, você é maravilhoso! Ai, que homem! Ai, assim! Ai, faz assim! Assim, assim, assim! Ai, que loucura! Ai, não existe homem como você. Aiaiaiaiai… Aiai! AIAIAIAIAIAI!!!

Ele estava lá dentro! Matheus maldito! Estava no quarto, se cevando em Luana, em suas carnes tesas e tenras, em seu corpo perfeito, em seus seios sólidos, em sua boca sedenta. A minha Luana! Era demais! Era insuportável. Eu tinha de fazer algo! Tinha de fazer! E fiz! Por Deus que fiz.

O quê??????

Saiba logo, no próximo capítulo de… Você é o juiz!!!

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