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Eu, ridículo

29 de outubro de 2013 7

Uma das poesias de Fernando Pessoa de que mais gosto é o “Poema em Linha Reta”, que ele assina sob o heterônimo de Álvaro de Campos.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,(…)
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;(…)
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…(…)
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Tenho apreço especial por este poema porque, para mim, ele serve de consolo. Afinal, já fui tantas vezes ridículo na vida… Já fui humilhado por mulheres que amei, demitido de empregos dos quais não pretendia pedir demissão, já levei porrada, como diz o poeta, já passei muita vergonha, e sei que todos os dias corro o risco de passar por isso de novo.

Realmente não me acho grande coisa. Queria ser um dos campeões, um dos príncipes citados por Fernando Pessoa. Vejo tanta gente a se jactar dos seus talentos, dos seus sucessos, e eu aqui tão… normal.

Mas tem o seguinte: ao fazer essa confissão, não significa que passo por alguma crise de amor-próprio. Nada disso. Não desgosto de mim e sei que tenho meus méritos. Um deles é que consigo me recuperar dessas ridicularias e dessas humilhações. Já voltei para empregos de que havia sido demitido, e voltei por cima. Já tive de volta mulheres que amei e que me maltrataram, e elas voltaram me amando de verdade. Ou então consegui empregos melhores e mulheres melhores. Ou simplesmente fui em frente e suplantei os reveses com bom humor.

O fato é que me reergui, tenho me reerguido.

Fernando Pessoa poderia ter escrito um poema sobre isso, sobre a sobrevivência, sobre a resistência, sobre a bravura da alegria. Você perde hoje, ganha amanhã. O futebol dá essa lição todos os dias. É verdade: o Grêmio foi ridículo em Curitiba. Foi humilhado e enxovalhado. Mas amanhã vai ser outro dia.

Comentários (7)

  • elio miguel diz: 29 de outubro de 2013

    O Grêmio perdeu e vai perder novamente. Enquanto tiver uma mente pensando que três zagueiros e três volantes significam segurança, e abre mão de atacar e preparar jogadas para os atacantes com Zé Roberto no banco, não existe futuro para um time deste. Afinal, tudo vale a pena, se a alma não for pequena.

  • Machiavellirs diz: 29 de outubro de 2013

    “RIDICULARIDADE”

    Agora parece que está se formando uma discussão em torno do Diego Costa.

    O cara deve jogar pela seleção brasileira ou pela espanhola?

    Ora, senhores, deixem o Diego escolher o seu destino! Acho ridícula essa discussão.

    Fico me imaginando no lugar desse jogador. Fosse comigo, evidentemente que iria escolher a seleção espanhola. Afinal, foi na Espanha que o Diego Costa fez a vida dele. Ele só nasceu no Brasil e mais nada!

    Aliás, quando viajo por aí, evito dizer que sou brasileiro. Sinto-me ridículo na condição de brasileiro. É que não consigo esquecer a minha sina, essa sina de ter nascido num país dos Renans, Collors e Malufs da vida, num país dos mensalões e dos presidentes que não sabem nada do que se passa ao redor deles, num país onde o governo prefere gastar o dinheiro público em estádios de futebol e na organização da copa do mundo a investir na construção de hospitais, escolas e na organização de presídios e da segurança pública.

    Como gremista, achei ridícula a atuação do Grêmio e aquele gol do Pará e aquela expulsão do Pará. O cara deveria ser banido do futebol sem dó nem piedade!

    E seremos todos ridículos caso perdermos a classificação para o Atlético.

    Aí, só nos restará uma única fora me expressar a nossa ridicularidade:

    - FORA RENATO!

  • Machiavellirs diz: 29 de outubro de 2013

    CORREÇÃO

    Aí, só nos restará uma única forma de expressar a nossa ridicularidade:

    - FORA RENATO!

  • Tiago enato diz: 29 de outubro de 2013

    Também acho que Renato foi infeliz na sua escalação do último domingo contra o Curitiba. Começar o jogo com Biteco e Adriano foi um erro grosseiro e impossível de dar certo. Quando vejo o Adriano na escalação, logo me vem a imagem de Luxemburgo o que não me traz bons sentimentos. Mas, pensando com mais calma, acho que Renato tem crédito com todos nós gremistas, então tomara que a lição do último domingo tenha lhe trazido mais sabedoria e aprendizado para seguirmos em frente. Ele deveria saber do alto risco que corria, deve saber tão logo que, se isso se repetir, ou se ele não der a volta por cima e no mínimo nos classifique para a Libertadores, está fora dos planos do Grêmio para 2014. Confio no nosso presidente para isso.

  • VITOR HUGO RINTER diz: 29 de outubro de 2013

    Tenho comentado há muito tempo e cansei de retomar o tema, mas teu post me obriga a isto. Renato vai ridicularizar-se junto com o time que inventou nesta grande e inexplicável arrogância de castigar Zé Roberto no banco de reservas e manter Barcos como titular. Incompreensível, para mim. Mas agora, sem seus preferidos no ataque, talvez ele coloque o Zé que, sinceramente, sem jogar por dois ou três meses, pelo menos, pouco poderá fazer. Boleiros precisam de jogo, continuado. Zé deve estar em forma física boa, ele se cuida muito, mas perdeu o “time” do jogo. O que pode salvar o Grêmio é exatamente Barcos e Kleber não jogarem: aquele não vem jogando nada há tempos e este é brigador, raçudo, mas não faz gol nunca. Sobre o Renato, gostaria de dizer que não esqueci que pegou o time mal, atrapalhado pelo Luxemburgo, fez o time jogar melhor, ganhou muitos pontos, deu até esperança de título, mas, aos poucos, suas preferências vão minando o que construiu. Estou convicto que nenhum time de futebol profissional vai muito longe com o esquema tão defensivo e limitado como o Grêmio vem jogando. Uma hora a coisa desanda mesmo, como aconteceu com o Coritiba. Resta saber que coelho da cartola o Renato será capaz de tirar. Sobre coisas ridículas, o Inter ainda não conseguiu livrar-se do fantasma chamado Mazembe…

  • gilberto diz: 29 de outubro de 2013

    que inspiracao hein para avacalhar com o gremio, deixa o gremio fora disso, o time faz uma brilhante campanha no brasileiro e esta na semifinal da copa do brasil, ja o teu time so resta lutar para nao ser rebaixado, e libertadores no ano que vem nem pensar, isso sim e de um ridiculo sem tamanho, um time que era apontado como campeao, inclusive por ti, alias para ti o inter sempre vai ganhar tudo…engracado que tu nunca avacalhas o inter assim, sempre sobra para o gremio.

  • Marcia Slatka Magarca diz: 29 de outubro de 2013

    Bem, ótimo que vc tenha, tantas vezes, caído e se reerguido…Aliás, sua cara isto revela! E a sua pele, também! E cada vez vc há de ficar melhor nestes afazeres! O hábito faz o monge! No futebol, meu queridinho, estas humilhações e ridicularias são…tão normais, não? Qual o time que já não passou pelo vexame que o Grêmio passou frente ao Coritiba? A graça do futebol está nisto – o impossível sempre pode acontecer! Agora, na vida real das pessoas, é diferente. Cada um nasce para ser o que lhe está fadado. Uns pouquíssimos com uma estrela na testa, plenos de realizações, e a maioria entes comuns, com vidas comuns e que nem marca deixam em suas passagens. Quem se conforma com isto e se sente confortável apenas em suportar tal realidade, bem merece ser o que é.

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