Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Túnel do Tempo: Você é o Juiz — Último capítulo (parte final)

31 de outubro de 2013 3

E lá se foi a noite, e a manhã me encontrou desperto, aguardando…

Aguardando…

Mas nada acontecia. Tudo parecia normal. Será que havia algo errado?
Sentei-me à mesa do café sem fome. Mesmo assim, trinchei uma torrada, tomei um gole de café com leite, subi, escovei os dentes, já me preparava para sair, quando, enfim, ouvi o que tanto queria ouvir:

- Minhas jóóóóóóóiaaaaas!

A voz roufenha de dona Mirtes fez a mansão estremecer. Corremos todos escada acima e a encontramos no chão do quarto, a porta do roupeiro aberta e a caixa de jóias vazia rojada no carpete. Dona Mirtes soluçava:

- Roubaram tudo! Tudo! As jóias da minha família!!!

Era mamãe pra cá e Mirtes pra lá e calma e calma e traz um copo d´água com açúcar e chama a polícia e que absurdo meu Deus!

Em alguns minutos, a polícia chegou com estardalhaço. Todos fomos ouvidos. Tentei ser racional em meu relato. Disse que suspeitava dos homens que me haviam assaltado, pouco tempo antes. Eles me ouviram com severidade. Perto do meio-dia, consegui ira para o escritório. Então, fiz o que tinha de fazer: levei as jóias ao agiota, paguei a dívida e ainda consegui mais algum para repor o desfalque no caixa da empresa. Sei que ele saiu ganhando, as jóias valiam muito mais do que eu devia, mas não estava em condições de negociar.

Quando voltei para casa, soube da notícia: Laércio havia sido preso. Descobriram o colar em sua gaveta e o levaram algemado. Chantagista desgraçado. Ele bem que mereceu!

Portanto, minha situação ficou assim: continuei com meu casamento e com meu emprego, continuei morando onde morava e com as perspectivas profissionais que tinha antes de todas essas aventuras. A cunhada? Bem, essa eu não sabia se teria de novo. Será que ela seria fiel ao grandalhão? Duvido. Mas será que continuaria se interessando em mim? Um mistério.

A cozinheira? Dessa vou falar em seguida.

O fato é que cometi adultério com duas mulheres diferentes, sendo uma delas minha cunhada e a outra a cozinheira da casa em que morava, roubei, fui autor de um desfalque na empresa em que trabalho, enganei a todos e coloquei um homem inocente na cadeia. Admito: fiz tudo isso. Mas, considerando as circunstâncias, fiz errado?

Diga-me você: você resistiria à cunhada sedutora? Não? E, se não resistisse e fosse pego, como fui pelo mordomo, praticaria desfalque para pagar a chantagem? E, se o plano de lucrar com o desfalque falhasse, roubaria para se safar? Incriminaria um homem inocente, ainda que esse homem tivesse tentado lhe chantagear? Você faria isso tudo? Seja meu juiz! Estou esperando serenamente seu veredicto. Aguardo seu comentário.

Talvez você desaprove que eu, tantas vezes pecador, tenha saído de todas essas aventuras e desventuras sem punição. Pois garanto: não foi exatamente isso que ocorreu. Porque um dia depois da prisão de Laércio, ela veio me procurar.

Ela.

Jenifer.

A cozinheira.

Fez um sinal para que eu saísse da sala em que lia a última Ele e Ela, com a Sândi nua na capa. Segui-a até um dos banheiros da casa, como aquela casa tinha banheiros, Jesus Cristo! Foi então que Jenifer miou com sua vozinha de arroz-com-leite:

- Seu Rildo, eu queria lhe falar sobre tudo o que aconteceu…

Senti o peito se me oprimir.

- Tudo o quê?

- Tudo: o que houve entre nós, a prisão do Laércio, as jóias roubadas, aquela tarde…

Comecei a compreender o que ia acontecer. Estava nas mãos da cozinheira. Ela podia me chantagear de diversas formas: podia contar que a possuí, podia contar do roubo das jóias, podia me desgraçar definitivamente. Suspirei.

- O que você quer, Jenifer?

- O senhor mesmo disse que ia me dar uma recompensa…

- Quanto, Jenifer? Quanto? - já estava me acostumando a lidar com chantagistas.

- Bom… Acho que tudo ia ficar bem com uns duzentos mil…

- Duzentos mil?!?! Duzentos mil, Jenifer?!?!?!!!!

Olhei para ela. Seus lábios carnudos sorriam levemente. Debochadamente. Seus grandes olhos castanhos coruscavam de satisfação. Ela sabia que eu não tinha saída. Sabia que havia me derrotado. Fechei os olhos. Abri-os. Olhei para cima. Para o teto do banheiro. Para o firmamento. E pensei, em desespero: o que fiz de errado para merecer tanto sofrimento? Me diga: o quê???

Comentários (3)

  • Isaac Poluboiarinov Chura diz: 31 de outubro de 2013

    Você merece!!! Por todas essas tardes de trabalho que nos deixou excitado, sem podermos fazer nada! Foi logo no nosso ponto fraco, logo no Calcanhar de Aquiles. Sem dó e sem piedade. Você sabia! Coimbra maldito! Recurso Improvido pra ti! Seja condenado a escravo da cozinheira, da cunhada, da cônjuge,… De todas essas mulheres de nossas vidas! No fim, é o que sempre seremos mesmo. É o voto.

  • ivo diz: 1 de novembro de 2013

    David,todas manhãs ou a tarde sempre na espera do próximo comentário voce é o juiz,realmente me deixava excitado e imaginando, será?
    Acho que com uma pitadinha a mais daria para continuar seguindo a empregada e outros.
    abraço

  • Renato diz: 4 de novembro de 2013

    Julgar o cara eu não vou, se fez certo ou errado só ele sabe. O que eu sei é o seguinte: Ele se candidatou a deputado estadual, ganhou fácil, depois deputado federal, ganhou mais fácil ainda, Hoje ele é senador com grandes chances de ser presidente….

Envie seu Comentário